quarta-feira, 11 de julho de 2012

BMW processa marca chinesa por "genérico" do Mini Cooper


A montadora BMW trava uma disputa judicial para tirar do mercado brasileiro o carro chinês Lifan 320, que seria um genérico do Mini Cooper, da fabricante alemã.
O desembargador Luciano Rinaldi, do Tribunal de Justiça do Rio, suspendeu na segunda-feira a liminar que proibia a importação e a comercialização do modelo.
O carro começou a ser comercializado no país em 2008. Neste ano, já foram vendidas 629 unidades.
Uma decisão judicial, de 18 de maio, proibira a venda, determinação que deveria ser cumprida em 60 dias.
Ao suspender os efeitos dessa decisão, Rinaldi alegou que a ordem de retirar os veículos chineses do mercado só deve ser tomada quando houver posição final sobre a questão. "Os sólidos argumentos apresentados pelas partes confirmam a complexidade do tema", escreveu.
 modelo chinês Lifan 320, alvo de disputa judicial movida pela BMW, que o considera plágio do Mini Cooper (no destaque)
O modelo chinês Lifan 320, alvo de disputa judicial movida pela BMW, que o considera plágio do Mini Cooper



A BMW acusa a empresa Ever Electric, representante dos chineses no Brasil, de promover "uma concorrência desleal e parasitária, pela imitação do aspecto visual do Mini Cooper".
À Justiça, os advogados do escritório Danneman Siemsen, representantes da BMW, acusam o fabricante chinês de copiar até mesmo a estilização da pintura, com "faixas brancas no capô frontal e a cor da capota diferente da carroceria do veículo."
A defesa da Ever Electric diz que não haveria concorrência desleal porque as características são distintas.
Com as taxas de importação, o Mini Cooper custa em torno de R$ 150 mil no Brasil. Já o Lifan 320 é vendido por R$ 30 mil, em média.
A semelhança entre os dois veículos pode ser constatada, pelo menos, na propaganda da marca chinesa.
Para badalar o carro em eventos, os revendedores no Brasil contrataram um sósia brasileiro de Mr. Bean, personagem do comediante britânico Rowan Atkinson, que aparece em filmes a bordo de um Mini Cooper.

Folha



terça-feira, 10 de julho de 2012

Capitalismo em crise (de novo): verdade e represália


Financial Times
Rupert Murdoch cancelou sua festa londrina de verão. Comparecer ao evento costumava ser obrigatório para os políticos ambiciosos. Mas, se o dono da News Corp. tivesse mantido a festa deste ano, teria se sentido bastante solitário. Antes muito prestigiado no governo, Murdoch agora carrega a mácula do escândalo da pirataria de celulares por um de seus jornais.
O magnata da mídia não está passando vergonha sozinho. Os últimos dias também viram a dramática, e mais que merecida, queda de Bob Diamond. O antigo presidente do banco Barclays foi forçado a se demitir depois que o banco admitiu manipulação corrupta de taxas de juro de mercado.
Diamond no passado era figura emblemática na campanha por Londres como polo financeiro do planeta. Sua partida, agora, foi celebrada.
O premiê David Cameron falou de um "comportamento ultrajante". George Osborne, o ministro das Finanças, disse que a saída de Diamond faria bem ao Barclays e ao país. O Reino Unido poderá redescobrir uma "cultura de responsabilidade".
Agora todos sabem que os bancos que estavam apostando o dinheiro dos contribuintes ao mesmo tempo lhes vendiam apólices de seguro fraudulentas. E as trapaças tributárias dos ricos são vistas hoje como um fardo sobre o restante da sociedade.
O que vem acontecendo aqui é uma reavaliação muito necessária dos padrões aceitáveis de comportamento. Seria lícito alegar que a austeridade econômica deu início a um processo nacional de verdade e reconciliação, mas ainda temos muito a avançar antes que a reconciliação seja possível.
Para onde iremos com tudo isso? A criminalidade nas operações jornalísticas de Murdoch será resolvida pelos tribunais. Quanto aos bancos, a saída de Diamond oferece oportunidade para uma mudança real de cultura na City. Lucro e legalidade não precisam ser excludentes.
Determinar se o governo conseguirá fazer jus ao momento é mais difícil. O ministro das Finanças, até o momento, vem aproveitando a situação apenas para ganhar vantagem política sobre a oposição trabalhista.
E um primeiro-ministro conservador deveria articular um modelo mais responsável de capitalismo. Mas falta a Cameron qualquer propósito central para seu governo, o que o leva a flutuar com o sopro das circunstâncias.
Por isso, o Reino Unido vive um momento de verdade e represália. A reconciliação ainda vai demorar.

DO "FINANCIAL TIMES"

Para 24% dos executivos, é preciso ser desonesto para se ter sucesso


Praticamente um quarto dos executivos das Bolsas de Nova York e de Londres acham que condutas desonestas ou ilegais são necessárias para se ter êxito no mundo das finanças e 30% disseram que salários e bônus os levam a violar os códigos de ética da profissão.
A pesquisa foi feita pela firma nova-iorquina de advocacia Labaton Sucharow e publicada nesta terça-feira, em pleno escândalo do banco britânico Barclays, em que a taxa interbancária Líbor foi manipulada propositadamente por executivos da instituição.
A Líbor define a taxa de juros dos empréstimos de dinheiro que as entidades fazem entre si.
Entre os entrevistados, 16% disseram que não hesitariam em cometer um crime na Bolsa --como o uso de informações privilegiadas-- se pudessem fazê-lo sem correr o risco de responder pelo delito na Justiça.
"Quando a desonestidade é uma prática comumente aceita pelos profissionais das finanças, é a própria integridade de todo nosso sistema financeiro que está em perigo", disse Jordan Thomas, um dos advogados da empresa responsável pelo levantamento.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Na mão: Nexus 7, o tablet de 199 dólares do Google

Com uma tela de 7 polegadas de boa resolução, corpo compacto e configuração de peso, o Nexus 7 é a aposta do Google para frear o avanço dos concorrentes.
Com um preço agressivo de 199 dólares nos EUA (modelo de 8 GB), o Nexus 7 deixa os concorrentes da mesma faixa de tela para trás com suas especificações. Equipado com Tegra 3, o pequeno tablet traz um processador quad core de 1,3 GHz, 1 GB de RAM e GPU de 12 núcleos. Sem 3G ou 4G, a conexão com a internet é limitada pelo Wi-Fi. Assim como a Amazon, a aposta do Google no consumo de conteúdo é bastante clara.
O Nexus 7 foi lançado com uma repaginação da Google Play, que também vai oferecer programas de TV, músicas, revistas, livros (Google Books) e todos os aplicativos da loja. A estratégia é muito similar à adotada pela Apple, com o iTunes, ou mesmo o casamento da Amazon com seus gadgets Kindle.
Nesse primeiro momento, com o tablet na mão de desenvolvedores, todo o sistema ainda é prematuro. As revistas são oferecidas em PDF, ou seja, com uma navegação mais pobre em relação a versões realmente adaptadas para tablets. A venda e aluguel de filmes e músicas também são parciais, com um catálogo que deve ser ampliado. O Jelly Bean de fato é uma evolução do Android. O sistema está mais leve, com transições mais precisas e ícones bem detalhados.

As novidades da Google Play, Google Voice e Now (recursos de reconhecimento de voz) ainda não estão disponíveis para o Brasil. Provavelmente a versão do aparelho para os consumidores será diferente. Até lá o Google pode melhorar o catálogo da Play, disponibilizar o serviço em outros países e até fazer pequenas mudanças no hardware.
Veja abaixo uma comparação do Nexus 7 com outros tablets.

INFONotícias


08/07/2012 14:15 6 mil PCs brasileiros podem ficar sem web amanhã


Brasília - O FBI (Escritório Federal de Investigação, na tradução livre), a Polícia Federal norte-americana, irá desconectar da internet computadores que foram infectados com o vírus DNSChanger (em tradução livre: trocador de DNS) nesta segunda-feira (9). Com a medida, milhares de pessoas podem ficar sem acesso à internet. O número é estimado em 350 mil.
O Brasil é o décimo terceiro país com máquinas infectadas, com 6.074 no total. Em primeiro lugar, vem os Estados Unidos, com 69.517, seguido da Itália, com 26.494. Os dados são do site www.dcwg.org, um grupo de trabalho que tem procurado alertar as pessoas do problema e é citado pelo FBI em seu comunicado.
O desligamento dos computadores acontece após decisão da Justiça e por causa do DNSChanger. A solução é temporária e permitirá que as vítimas de computadores afetados pelo vírus providenciem a limpeza dos seus computadores e restaurem a configuração normal do DNS de sua máquina.
O vírus de computador foi criado para direcionar os internautas para páginas falsas no lugar das verdadeiras na internet. O FBI conseguiu prender fraudadores por esse tipo de crime, mas as máquinas foram mantidas ativas por um tempo para não prejudicar as pessoas e serão desligadas amanhã. 
O DNS (Domain Name System, Serviço de Nomes de Domínio em português) é importante porque funciona como um tradutor para a comunicação em rede de computadores. Na rede, cada endereço representa um conjunto de números que permitem que os computadores estabeleçam uma comunicação entre si.
Ou seja, quando as pessoas digitam um endereço como o de um banco, o DNS interpreta o link como um conjuntos de números conhecidos como IP (Internet Protocol) para transmitir os dados para as máquinas. Isso evita também que as pessoas tenham que ficar decorando grupos de números, muito mais complicados do que palavras e siglas.
Por outro lado, entre os computadores, os números facilitam a comunicação e agregam várias informações, como localização, rede, entre outras coisas. Por exemplo, se o primeiro conjunto de números for 200, significa que a máquina está no Brasil.
Várias medidas vêm sendo tomadas por provedores de acesso à internet. Sites e redes sociais também têm procurado alertar os internautas sobre o problema.
Consultado pela Agência Brasil, o Google confirmou que a empresa tem enviado alerta às pessoas do mundo todo sobre o "cavalo de troia" DNSChanger. Sempre que alguém realizar uma pesquisa no site, automaticamente, recebe a informação do risco, informou o Google.
Existem vários endereços na internet de empresas de segurança que permitem o internauta fazer o teste para verificar se corre o risco de ser direcionado para páginas falsa na internet por meio do DNSChanger.
O FBI indica o próprio  www.dcwg.org como alternativa. Outro link divulgado pelo órgão de segurança dos Estados Unidos é o https://forms.fbi.gov/check-to-see-if-your-computer-is-using-rogue-DNS . Caso encontre problemas, o usuário do computador deve procurar a empresa que fornece o serviço de acesso para receber orientações.

INFONotícias



Ex-funcionários da Nokia criam startup de smartphones

São Paulo - Um grupo de ex-funcionários da Nokia e entusiastas formaram uma nova startup com o objetivo de trazer novos smartphones com o sistema MeeGo para o mercado.
Chamada de Jolla, a startup finlandesa é liderada por Marc Dillon, que deixou a Nokia em maio desse ano. Com 11 anos de companhia, Dillon era o principal engenheiro envolvido no sistema MeeGo, e agora se torna diretor de operações na Jolla.
A startup também é formada por diretores e profissionais do núcleo de organização do modelo MeeGo N9 da Nokia, juntamente com as melhores mentes que trabalham nas comunidades MeeGo.
A empresa ainda afirma que a Nokia havia criado o melhor smartphone do mundo, e por isso o projeto MeeGo deve ser continuado.
Contudo, como a startup não é filiada à Nokia, não haverá possibilidade de atualizações para o smartphone N9 ou o modelo para desenvolvedor, N950.

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Precisamos de mais dados sobre Bóson de Higgs, diz brasileiro


Denis Damazio esteve envolvido com a busca pelo Bóson de Higgs e foi fundamental no processo de seleção de dados gerados pelo acelerador

São Paulo - O Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, o CERN, anunciou nessa semana a descoberta de uma partícula. Ela pode ser o Bóson de Higgs, também conhecido como Partícula de Deus. O brasileiro Denis Damazio faz parte do grupo Atlas, que anunciou a descoberta da partícula. A equipe é responsável por um dos detectores do LHC, o Grande Colisor de Hádrons, o maior acelerador de partículas do mundo.
Damazio esteve envolvido com a busca pelo Bóson de Higgs e foi fundamental no processo de seleção de dados gerados pelo acelerador. Em conversa com a INFO, o pesquisador contou como foi o anúncio da descoberta e quais os próximos passos dos físicos a fim de confirmar a existência do Bóson de Higgs.
Você estava presente durante o anúncio?
Eu estava na sala de conferência. Quando a porta-voz do experimento Atlas encerrou a sua apresentação, ela estava visivelmente emocionada. Nesse momento, as câmeras mostraram Petter Higgs, o criador da teoria e que espera por um Prêmio Nobel há quase 50 anos. Ele estava chorando. Esse foi um momento complicado e muito bonito.
Será que agora o Petter Higgs conseguirá ganhar um Prêmio Nobel?
É difícil dizer. Até agora, só podemos dizer que o CERN encontrou uma nova partícula, que parece bastante consistente com o Bóson de Higgs (várias propriedades batem com o esperado). Infelizmente, muitas outras propriedades precisam ser checadas antes de cantar a vitória final.
Com certeza, vamos precisar de ainda mais dados para ter a prova final. Aliás, o acelerador já ligou de novo essa semana e estamos trabalhando para isso. Por outro lado, Higgs, François Englert e os outros que têm chance de ganhar o prêmio estão muito idosos (e não existe Nobel póstumo). Então, se o comitê do Nobel não se decidir logo, pode não ter o que decidir mais tarde. O que seria uma tristeza.
A busca pelo Bóson de Higgs envolve muitos cientistas?
A pesquisa depende do trabalho conjunto de muitos profissionais. É verdade que o número de profissionais que trabalha diretamente nos resultados relativos ao Bóson de Higgs é reduzido. Mas, o trabalho deles depende de muitos outros pesquisadores. Por exemplo, eu trabalho, entre outras coisas, com algoritmos que extraem informação dos detectores de elétrons ou fótons. Ora, se o detector não funcionar direito, o meu algoritmo não trabalhará também.
Logo, eu dependo do grupo que mantém a qualidade do detector. Ao mesmo tempo, o pesquisador que procura o Bóson de Higgs precisa ter dados extraídos pelos meus algoritmos. Ou seja, se meu algoritmo não funcionar direito, as chances de achar o Bóson de Higgs ficam reduzidas. Portanto, existe toda uma cadeia complexa que tem que funcionar em harmonia.
O que o CERN fará a partir de agora? Como serão feitas as pesquisas para descobrir se ela realmente é o Bóson de Higgs?
Agora, vamos medir várias propriedades dessa partícula recém-descoberta, como o seu magnetismo, de que forma ela interage com outras partículas e medir melhor a sua massa. Para completar, os experimentos ainda não apresentaram resultados finais. Tanto os físicos do Atlas quanto os do CMS, dois experimentos do LHC, apresentaram resultados parciais.
Ainda falta estudar o Bóson de Higgs em outras condições e analisar todos os canais possíveis de decaimento da partícula porque ela tem vida curta. Além disso, ainda temos a investigação sobre a matéria e energia escuras, dimensões extras e a intensidade da força gravitacional. Ou seja, temos material para umas duas décadas de estudos, com certeza.
Quando o CERN irá anunciar se essa partícula encontrada é realmente o Bóson de Higgs?
Com sorte, até o final desse ano. Sem sorte, em algum momento de 2015, já que o acelerador vai ser aprimorado durante 2013 e metade de 2014. Algumas peças serão substituídas, enquanto outros componentes serão melhorados. Quando tudo isso estiver pronto, o LHC voltará a funcionar.
E depois que comprovarem que essa partícula é o Bóson de Higgs? O Modelo Padrão estará comprovado ou ainda falta descobrir alguma coisa?
O modelo padrão em si já está comprovado há três décadas. Podemos dizer que ele é incompleto e ficaria mais completo graças ao Bóson de Higgs. Porém, existe muita coisa além do modelo padrão para continuar o trabalho. Por exemplo, matéria e energia escura, dimensões extras, entre outras.
Quando descobriram o elétron, muitos não sabiam qual a utilidade essa partícula poderia ter. Agora, toda a tecnologia envolve os elétrons. O Bóson de Higgs pode ter alguma utilidade prática na vida das pessoas?
Por ser muito difícil produzir o Bóson de Higgs, encontrar uma utilidade prática seria muito complexo. Elétrons a gente encontra em qualquer parte. O Bóson de Higgs, ninguém tinha visto até agora. Isso não impede que apareça alguma aplicação prática dessa nova partícula. Mas, não acredite que o controle dessa partícula vai possibilitar a construção de um carro voador.
O Brasil tem tentado ser membro do CERN, mas parece que as coisas estão enroladas. Esse é um problema do CERN?
Não, infelizmente. O problema é no Brasil. Por isso, o diretor-geral do CERN, Rolf Heuer, acusou o Brasil de lentidão. Em 2010, o Brasil assinou uma carta de intenções que deu início ao processo de adesão do país ao CERN. Caberia ao Brasil pagar US$ 10 milhões por ano, 10% do dinheiro pago por um membro europeu. Desde então, o país não se manifestou novamente.

Exame