sábado, 17 de dezembro de 2011

Alternativas para melhor logística

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Esferas pública e privada discutiram opções para a matriz modal cearense, durante 
evento na Fiec
Os gargalos macrologísticos do Estado foram debatidos ontem, na Fiec, durante o seminário "Discutindo a Problemática Logística do Ceará". O evento, que marca o terceiro encontro da Câmara Temática de Logística do Ceará (CT Log Ceará), reuniu representantes dos setores público e acadêmico e da iniciativa privada para buscar alternativas para a matriz modal cearense, visando ampliar o desenvolvimento das cadeias produtivas locais.

De acordo com Roberto Smith, presidente da Adece, os investimentos que vem ocorrendo no Ceará são pequenos diante das oportunidades que se colocam para o futuro do estado. Nesse contexto, ele diz que a logística é o substrato em cima de todo o processo onde as decisões são tomadas. "Estamos atados a necessidade do conhecimento logístico para dar as respostas que o setor privado precisa para tomar decisões", afirma. Segundo Smith, é preciso superar o retardamento do planejamento logístico existente tanto no País, quanto no Estado.

Conforme o presidente da Adece, o papel do órgão é agilizar o funcionamento da Câmara temática. "Estamos juntando esforços de pensamento e ação dos setores privado e governamental com o setor do conhecimento, a universidade. Essa câmara é recente e ainda precisa caminhar bastante. Dentro dela existem problemas apontados por setores que investem em logística, por setores da iniciativa privada que são investidores e dependem da logística, setores usuários e de conhecimento de logística e governo do Estado. Nosso papel é juntar isso tudo para viabilizar soluções. Temos de trabalhar nas duas pontas, no imediato e no futuro, daqui a 10 a 20 anos", completa.

Estudo
Uma das tentativas nesse sentido foi a apresentação de estudo realizado pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Infra-estruturas de Transporte e Logística da Energia da Universidade Federal do Ceará (GLEN/UFC) em parceria com o Banco do Nordeste (BNB). O levantamento, ainda em fase parcial, foi apresentado pelo professor Bosco Arruda, que coordena o estudo "Caracterização e Análise dos Sistemas Produtivo e Macrologístico na Região Nordeste enquanto suporte à Localização de Empreendimentos: Foco no papel da ferrovia Transnordestina".

Nova matriz modal
Segundo Bosco Arruda, o estudo busca detectar gargalos macrologísticos, que geram congestionamento nos modais de transporte, em termos de abastecimento e comunicação, podendo prejudicar a performance das cadeias produtivas na Região. "Não há uma articulação sistêmica entre os diversos modais. É preciso mudar a matriz modal do Ceará", defende o professor dando atenção especial a ferrovia Transnordestina que, do jeito que está formatada originalmente, não deve gerar capilaridade regional, na medida em que não tem terminais de integração rodoferroviários.
DN

Empresa quer criar cidade flutuante nos EUA para empreendedores sem visto

Com um custo de R$ 2,2 mil por mês pelo aluguel de um escritório, o navio ficaria ancorado em águas internacionais, próximo ao Vale do Silício, na Califórnia

Editora Globo
Projeto da Blueseed com o navio que serviria de sede para empresas: comodidades e decoração parecidas com a do Facebook e Google
A Apple nasceu numa garagem no Vale do Silício, na Califórnia. A Microsoft também. Talvez daqui a alguns anos, no entanto, as empresas de tecnologia que irão encantar o consumidor estejam sediadas em um navio! Pelo menos esta é a ideia de uma empresa start up que pretende construir uma embarcação para abrigar na costa da Califórnia empreendedores que não conseguem obter visto nos Estados Unidos. 
O raciocínio da Blueseed é simples. As regras atuais de imigração nos EUA estariam fazendo o país perder inúmeras propostas inovadoras de novos negócios. O navio seria uma maneira de dar aos estrangeiros a chance de construírem suas companhias a apenas alguns quilômetros do mais prestigiado hub de tecnologia do mundo - exatamente onde nasceram Apple e Microsoft.
“Muitas pessoas dizem ‘eu gostaria de ir para o Vale do Silício’, mas simplesmente não existe jeito de fazerem isso”, disse Max Marty, CEO e fundador da Blueseed, ao jornal britânico Daily Mail.
Reprodução Internet
A embarcação da Blueseed teria capacidade para abrigar cerca de mil pessoas
Marty, que é filho de imigrantes cubanos, teve a ideia de criar a empresa, após testemunhar seus colegas de classe na escola de negócios da Universidade de Miami se lamentarem ao ter que deixar os EUA logo após a graduação.
O americano argumenta que a possibilidade de pessoas viverem em navios não é algo novo e já acontece em cargueiros militares e cruzeiros. Pelos planos iniciais, a embarcação da Blueseed teria capacidade para acomodar cerca de mil pessoas e ficaria estacionado próximo à Baía de São Francisco, porém já em águas internacionais.
A companhia seria registrada em um outro país, talvez as Bahamas, e portanto se submeteria às leis daquela nação. Para visitar investidores, colaboradores e parceiros nos EUA, os empreendedores usariam vistos temporários de turismo e negócios, mais fáceis de serem conseguidos.
O navio deve contar com todos os recursos de uma incubadora e o visual moderno e descontraído inspirado nos escritórios das gigantes da internet Facebook e Google. O custo de um escritório por mês no navio deve ficar em torno de US$ 1,2 mil.
O suporte logístico, incluindo alimentação e outros suprimentos, viria da costa dos Estados Unidos e um helicóptero ficaria disponível para emergências - como já acontece hoje em plataformas de exploração de petróleo.
Apesar de exótica e potencialmente caríssima, a ideia da Blueseed já ganhou um aliado de peso. Peter Thiel, investidor do Vale do Silício e fundador do PayPal, anunciou publicamente que irá liderar a busca por fundos para tirar a ideia do papel. Thiel já financia um outro projeto para construir uma cidade em pleno oceano. Pelos cálculos da Blueseed, será necessário arrecadar de US$ 10 milhões a US$ 30 milhões em um ano e meio. Se tudo der certo, o navio estará operante no final de 2013. 
ÉpocaNegócios

 

A agenda da inovação no futuro das cidades

O Brasil tem um longo caminho a trilhar, que passa pela educação, pelo estímulo à pesquisa e à inovação e pelo investimento em infraestrutura

Wikipedia
São Paulo: muito trabalho para tornar-se uma cidade inteligente
Especialistas estimam que, a cada ano, um milhão de pessoas ao redor do globo se mudem para as cidades e que a população mundial urbana dobrará até 2050. Estudos também apontam que o número de megacidades (acima de 10 milhões de habitantes) passará dos atuais 19 para 27 nos próximos 20 anos e que, nesse período, o investimento global em infraestrutura urbana deverá chegar a 53 trilhões de dólares. Esta estimativa reflete a certeza de que a infraestrutura que suporta serviços vitais, como transporte, saúde, educação, segurança pública, energia e água, precisa responder adequadamente às necessidades dessa população em expansão.
A tecnologia tem um papel central nesse processo de modernização das cidades, mas ela só atuará de forma efetiva se estiver acompanhada da inovação. Apenas com inovação conseguiremos mobilizar os instrumentos técnicos e o conhecimento disponível para compreender e solucionar problemas específicos de cada localidade. Um exemplo é o trabalho que vem sendo realizado no Rio de Janeiro. Em maio de 2010, a cidade sediou um fórum para discussão de inovações que ajudassem os centros urbanos do mundo a sustentarem seu crescimento e se desenvolverem de forma inteligente. A partir daí foram iniciadas as conversas para a criação do Centro de Operações do Rio de Janeiro (COR), o maior centro do mundo que integra informações de diversos órgãos de gestão da cidade para melhorar a capacidade de resposta da prefeitura em relação a vários tipos de incidentes. Além disso, foi desenvolvido, especialmente para a cidade, o PMAR, um sistema pioneiro de Previsão Meteorológica de Alta Resolução, elaborado de acordo com as necessidades e características topográficas do Rio, o qual é capaz de prever chuvas fortes com até 48 horas de antecedência.
Vivemos no Brasil um momento único para multiplicarmos iniciativas deste porte. A realização da Copa do Mundo, em 2014, e da Olimpíada no Rio de Janeiro, em 2016, tem mobilizado empresas e governos em torno de projetos de segurança, mobilidade urbana, transportes e outros. Esses grandes eventos são propulsores no país de um fenômeno que se observa em todo o mundo: a necessidade de se conferir inteligência aos centros urbanos.
A favor do Brasil também estão o crescimento econômico, a estabilidade política e o bônus demográfico. Todos esses aspectos criam um cenário favorável para o investimento em nossas estruturas urbanas, mas a inclusão da inovação nessa agenda em prol do desenvolvimento será decisiva para seu sucesso. A Coreia do Sul investe cerca de 2,5% de seu PIB em inovação, o Japão, 2,7%; já o Brasil investe apenas 0,8%, considerando-se o setor privado. Temos um grande espaço para aumentarmos esse percentual e para isso precisamos de sinergia na atuação das esferas pública e privada, vertentes econômicas que movimentam qualquer nação, para a definição dos rumos que estimulem o empreendedorismo e o aporte de recursos para a pesquisa científica no país.
Nosso 'momento' chegou e a tecnologia tem papel decisivo nas transformações que estão em curso. Temos um longo caminho a trilhar, que passa pela educação, pelo estímulo à pesquisa e à inovação e pelo investimento em infraestrutura, mas somente com a mobilização de empresas, governo e sociedade civil em torno de uma agenda comum conseguiremos capturar as oportunidades que impulsionarão nosso desenvolvimento.
ÉpocaNegócios

Cai a procura por recursos do BNDES

O banco deve fechar o ano com variação em torno de zero nas liberações para bens de capital em relação a 2010. A expectativa era de crescimento entre 3% e 4%

Reprodução Internet
desaceleração da economia que torpedeou os investimentos no segundo semestre refletiu-se nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição de máquinas e equipamentos. O banco deve fechar o ano com variação em torno de zero nas liberações para bens de capital em relação a 2010, quando as linhas Finame e do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) desembolsaram R$ 51,9 bilhões.
O superintendente da Área de Operações Indiretas do BNDES, Claudio Bernardo de Moraes, disse que a estimativa do banco é fechar o ano com desembolso entre R$ 51 bilhões e R$ 52 bilhões nas linhas de bens de capital, que são um termômetro de curto prazo dos investimentos no País, sobretudo da indústria.
No início do ano, mesmo com a política de moderação do desembolso total do BNDES após o recorde de R$ 168 bilhões do ano passado, a expectativa era de crescimento entre 3% e 4% nas liberações da Finame e PSI.
"Nos últimos meses, a partir de agosto, a demanda por crédito na Finame e no PSI vem caindo bastante em relação ao ano passado. Novembro e dezembro, que são tradicionalmente de maior demanda, não serão iguais a 2010", afirmou Moraes.
No mês passado, os desembolsos da Finame e do PSI somaram R$ 4,2 bilhões, uma queda de quase 10% em relação a novembro de 2010. Em dezembro, o BNDES também espera R$ 4,2 bilhões, cerca de 18% abaixo dos R$ 5,1 bilhões liberados no último mês de 2010. A diferença quase chega a R$ 1 bilhão.
Moraes lembra que o ambiente econômico era diferente em dezembro do ano passado, quando a economia cresceu 7,5% e houve uma corrida dos tomadores para aproveitar os juros subsidiados do PSI, cujas taxas foram reajustadas este ano.
Agora, a desaceleração da economia foi agravada pela crise internacional. "Esse movimento se refletiu na Finame e no PSI no segundo semestre." Prorrogado até 2012 dentro do Plano Brasil Maior, a terceira fase do PSI tem um orçamento de R$ 75 bilhões. O BNDES deve fechar o ano com o desembolso de menos da metade desse total: R$ 32,5 bilhões.
Com isso, o banco tem caixa suficiente para manter o crédito subsidiado em 2012 sem a necessidade de novos empréstimos do Tesouro para esse fim.
Incentivos. Moraes não fala sobre o assunto, mas esse cenário pode mudar se o governo resolver retomar incentivos ao investimento com crédito barato do BNDES. O PSI é visto no banco como um fator que influenciou a decisão de investimento na recuperação da crise em 2008, mas o governo reluta em retomar o crédito subsidiado para não aumentar o custo fiscal do programa.
A participação das linhas do PSI no total de desembolsos do BNDES para ônibus e caminhões caiu de 95% em 2010 para 45% em 2011, já que a elevação das taxas subsidiadas para 10% voltaram a tornar atrativas as linhas da Finame, que não têm subsídio do Tesouro, gerando uma migração que manteve alto o nível total de financiamento. Em 2010, o Tesouro teve de equalizar operações que somaram R$ 27 bilhões nesse segmento. Este ano deve fechar em R$ 12,5 bilhões.
O subsídio seguiu mais forte no crédito para outros bens de capital, com 90% de participação do PSI, principalmente para micro, médias e pequenas empresas, que terão participação recorde no desembolso total do BNDES este ano. Nesse segmento, os juros foram mantidos em 6,5% ao ano.
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, conversa com o governo e representantes da indústria sobre possíveis medidas que retomem algumas vantagens perdidas do PSI, mas a determinação agora é esperar o efeito que o estímulo ao consumo poderá provocar no investimento industrial.
ÉpocaNegócios

Blog da Forbes sugere fugir de bolha chinesa e investir no Brasil

Brasil Mercado de Habitação 'Til Booming 2017

Os investidores preocupados com um mercado imobiliário superaquecido chineses precisam apenas ligar para o Brasil. Este mercado imobiliário tem pernas. Eo recente cinco anos boom imobiliário tem uns bons cinco anos mais, antes os valores das casas parar de apreciar.
"A melhor maneira de participar do boom imobiliário como um investidor neste momento para investir em fundos imobiliários no Brasil", disse Marcus Vinicius de Oliveira, diretor-executivo do real estate Consul empresa de valorização patrimonial.
Esse tipo de comentário é bossa jazz suave para os ouvidos dos gestores de fundos como o Joel Wells, que co-gerencia a 356 milhões dólares Alpine Emerging Markets Real Estate Fund (AEMEX). O fundo tem uma série de construtoras brasileiras e desenvolvedores comerciais. Mas apesar das perspectivas positivas de longo prazo, geralmente para o mercado de habitação no Brasil, uma economia mais lenta e uma crise da dívida soberana na Europa tem que minar linha de história mais positiva sobre booms de mercados emergentes de habitação, inclusive no Brasil ensolarado. Poço fundo está abaixo o ano 28% até à data.
Os preços da habitação ter esfriado nos últimos meses, mas estão aumentando ano a ano. Taxas de juros estão caindo para um dígito, mais uma vez a inflação começa a facilidade por causa da desaceleração econômica global tendo seus efeitos sobre o Brasil. Isso não impediu que o fato de que a classe média do Brasil é agora a maioria da população para a primeira vez e eles têm dinheiro para queimar.
Há mais a crescer do Brasil imobiliário do que o programa habitacional de baixa renda do governo Minha Casa, Minha Vida, que leva grande parte do interesse do mercado em nomes como Gafisa (GFA) e Realty Cyrela (CYRE3).Principais empresas de private equity estão investindo em empresas de hospitalidade rumores de ter uma lista de investidores como Warren Buffettpersegui-los para uma participação possível. Operadores de shopping centers, como BR Malls (BRML3) estão levantando capital em ofertas secundárias, e os investidores estão o excesso de subscrições de novas questões.
Então, qual é o prazo 2017? Brasil está construindo para fora para o 2104 FIFA World Cup. Isso é o futebol para o futebol não-fãs, eo Brasil está construindo novos estádios, mas também hotéis e habitação. Em 2016, os Jogos Olímpicos de Verão de vir ao Rio de Janeiro. Oliveira em Patrimonial pensa demanda tanto de habitação e propriedades comerciais permanecerão relativamente elevadas até as coisas lento após essas partes são mais.
"Há uma margem psicológico que o Brasil goza de imóveis, no momento, devido às descobertas de petróleo na costa do Rio, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, o que torna o Brasil muito atraente para os investidores estrangeiros no momento. Mas depois de 2017 o Brasil vai ainda ter descobertas de petróleo, mas a Copa do Mundo e Olimpíadas será feito com e investimento estrangeiro no Brasil vai desacelerar como resultado ", disse Oliveira, acrescentando que as classes média e baixa teria gasto mais de 10 anos aquisição de propriedades e oferta pode superar a demanda em 2017.
Globalmente, este tem sido um ano terrível para os construtores de casa brasileira. Gafisa caiu mais de 63% ano a data de término 13 de dezembro.PDG Realty, que comercializa over-the-counter, em Nova York , caiu em 43%.
Investidores que pensam que esta tendência é obrigado a reverter, especialmente quando os riscos sistêmicos apresentados por os EUA ea Europa começam a diminuir, pode considerar equities Brasil imobiliaria, ou REITs global, vale a pena comprar. Mas até aquele momento, ações como Gafisa não são para investidores que procurem preservar o capital ou mesmo eek um bips poucos ganhos de capital. É um passeio selvagem. Até que a economia mundial parece mais equilibrado, e que depende de Bruxelas eWashington , por enquanto, os fundamentos do Brasil imobiliário parece que vai ser construído em palha quando eles provavelmente nunca foi tão bom.
Forbes

‘Em 2020, até 25% dos carros novos da Ford serão híbridos ou elétricos’, diz diretor

Segundo John Viera, preços dos modelos cairão significativamente com novas tecnologias
‘Com o petróleo subindo, o consumidor estará mais disposto a fazer a conta do custo-benefício’, diz Viera - Divulgação
‘Com o petróleo subindo, o consumidor estará mais disposto a fazer a conta do custo-benefício’, diz Viera
Carros híbridos ou 100% movidos a bateria parecem ainda estar longe do mercado de massa. Mas, na opinião de John Viera, diretor global de Sustentabilidade e Meio Ambiente da Ford, isso é apenas uma questão de tempo. Ele admite que esses modelos não vão liderar as vendas de veículos novos tão cedo, mas afirma que representarão uma parcela significativa. "Até 2020, entre 10% e 25% dos veículos novos vendidos pela Ford serão híbridos ou elétricos. Atualmente, esse porcentual é de 2%", afirmou, em entrevista à Agência Estado

Para isso, o executivo aposta que os preços vão cair bastante. E basicamente por dois motivos: o desenvolvimento de novas tecnologias e a alta do preço do petróleo, que deve continuar, segundo ele. Essa situação, na opinião de Viera, fará com que o consumidor faça as contas da relação custo-benefício antes de decidir se comprará um carro movido a diesel ou gasolina ou se vale a pena pagar um pouco mais por um veículo que usa energia elétrica.

O executivo também acredita que o modelo de produção de etanol no Brasil serve como referência para o mundo todo e pode ser exportado, já que é uma importante alternativa aos combustíveis fósseis. Viera, americano neto de um brasileiro nascido em Santos, esteve em São Paulo na semana passada para participar da primeira edição do Prêmio Ford de Sustentabilidade. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Os carros híbridos e elétricos ainda representam uma parcela muito pequena do mercado. Qual a perspectiva para o futuro?

Acreditamos que, nos próximos 20 anos, deixaremos gradativamente para trás os veículos movidos a diesel e gasolina por conta do preço do petróleo, que vai continuar subindo. Além disso, tem a questão ambiental, que a cada ano se torna mais severa. Até 2020, entre 10% e 25% dos veículos novos vendidos pela Ford serão híbridos ou elétricos. Atualmente, esse porcentual é de 2%. Os números do mercado em geral são muito próximos dos nossos.

Até lá, esses carros terão preços competitivos em relação aos movidos a gasolina, diesel ou etanol?

Hoje, em média, os veículos híbridos custam entre 10% e 15% mais que os tradicionais. Já os elétricos são bem mais caros, custam entre 75% e 100% mais. Os elétricos custam muito, sim, mas precisamos introduzi-los no mercado agora para, com o tempo, ir aperfeiçoando a sua tecnologia e, assim, reduzir seu custo.

Os preços devem recuar quanto até 2020?

A diferença entre os carros híbridos e os tradicionais deve ficar em menos de 10%. Com relação aos elétricos não sei dizer. Mas, com certeza, os preços também vão recuar. Além disso, essa diferença tende a diminuir porque os carros movidos a derivados de petróleo ficarão mais caros, já que as novas normas de emissões, cada vez mais exigentes, fazem com que sejam necessários investimentos tecnológicos custosos também nesses modelos.

Mas o consumidor estará disposto a pagar mais por esses carros?

Como o preço do petróleo continuará subindo, o consumidor estará mais disposto a fazer a conta do custo-benefício. Ele vai perceber que, em muitos casos, é vantajoso comprar um carro mais caro para ter um custo de consumo de combustível menor ao longo do tempo.

O senhor acredita que em dez anos teremos infraestrutura suficiente para abastecer esses veículos com energia elétrica?

Acho que sim. Essa questão é muito debatida hoje em países da Europa, nos Estados Unidos, na China e em vários outros lugares. Mas mesmo que entre 10% e 25% dos carros novos sejam elétricos, ainda serão poucos, comparados à frota total, que inclui todos os veículos em circulação. Por isso, não acredito que as empresas de energia elétrica terão dificuldade em fornecer energia suficiente para recarregá-los. Não acredito que isso será um problema.

O plano da Ford é concentrar a produção desses veículos nos Estados Unidos?


Com relação aos carros híbridos, acredito que eles podem ser produzidos em qualquer lugar do mundo, porque eles foram desenvolvidos com base em modelos já existentes e baseados em plataformas globais. Por isso, esses modelos híbridos podem ser produzidos na mesma linha de montagem que a versão a gasolina, o que permite muita flexibilidade de ajustar a produção conforme a demanda. Não há nenhum impedimento técnico dessa produção conjunta. Tudo dependerá da demanda. Se houver demanda por veículos híbridos no Brasil, por exemplo, eles poderão ser produzidos aqui também. Com relação aos carros elétricos, não tenho certeza se eles poderão ser produzidos em qualquer lugar. Em 2012, estaremos fabricando esses veículos nos Estados Unidos e na Europa. Em dez anos, com certeza, também estaremos produzindo-os na China, porque a China terá uma grande demanda por carros elétricos.

Qual o perfil do consumidor que hoje já compra esses carros?

Há dois tipos de consumidores: pessoas físicas e jurídicas. Os consumidores pessoa física se subdividem em dois grupos: os que tomam a decisão de compra por causa de questões de consciência ambiental e os que dirigem muito em grandes cidades e são mais beneficiados pela economia de combustível que eles proporcionam. O consumidor pessoa jurídica é basicamente aquele que usa muito o carro como ferramenta de trabalho. Isso ocorre porque os carros híbridos oferecem melhor desempenho nas grandes cidades do que nas estradas. O carro híbrido funciona movido a combustível, pode ser gasolina ou etanol, e também a bateria. Ele usa a bateria o máximo possível e quando ela descarrega, usa então o combustível. Só que a bateria é recarregada pelo próprio sistema quando o motorista freia. Ou seja, quanto mais o motorista breca, mais a bateria é recarregada.

Na sua opinião, os governos devem conceder incentivos para estimular a venda de veículos híbridos ou elétricos?

Acho que incentivos governamentais podem ser positivos apenas para incentivar as vendas iniciais num determinado mercado, por um curto período de tempo. Temos de reconhecer que os governos têm recursos cada vez mais limitados.

A crise deve afetar as vendas desses veículos, já que nesses períodos os consumidores ficam mais sensíveis a preços?

Com certeza, porque, no final das contas, a maioria das pessoas busca a vantagem financeira e nem todos podem esperar anos para obter o retorno. Para essas pessoas, o fator preço é determinante. Mas repito: esse é um caminho sem volta. No futuro, esses carros ganharão muito mais espaço no mercado.

Quanto a Ford investe no desenvolvimento dessas tecnologias?

Não tenho um número absoluto para divulgar, mas posso dizer que cerca de 75% dos investimentos totais para desenvolvimento de produtos são destinados para a melhora da eficiência energética dos veículos, sejam híbridos, elétricos ou baseados em petróleo. Isso inclui a adoção de materiais mais leves, o que permite um consumo mais baixo de combustível.

Como vocês veem a questão do etanol brasileiro?

Diferentes fontes de energia, como o etanol, são globalmente importantes para nós. Acreditamos que, no futuro, além dos veículos tradicionais, estaremos dirigindo veículos elétricos, movidos a hidrogênio e biocombustíveis, como o etanol. O etanol desempenha um papel fundamental nesse cenário. E o Brasil detém o conhecimento mais avançado com relação ao uso do etanol como combustível. Acreditamos que o modelo brasileiro possa ser exportado e usado por outros países capazes de produzir etanol, não importa se com base em cana de açúcar ou não. O etanol feito com cana de açúcar é o mais limpo. Mas ele pode ser produzido com milho, como Estados Unidos, ou qualquer outro tipo de planta. Depende do avanço da ciência. No futuro, pode ser que cada país, de acordo com as plantas que tem disponíveis no seu território, possam produzir seu próprio etanol. 

Estamos longe disso?

Sim, ainda estamos. Devemos levar de dez a quinze anos antes de começarmos a produzir etanol economicamente viável de plantas que não sejam cana-de-açúcar e milho. É um longo caminho que temos de percorrer, mas é um caminho sem volta. Basta ver outros setores, como o da aviação, que também estão investindo em pesquisas para desenvolver biocombustíveis.
Estadão

Para Mantega, esta é a pior crise desde 1929

Segundo o ministro da Fazenda, no entanto, Brasil está mais preparado que em 2008 para enfrentar turbulências e possui a segunda moeda mais negociada no mercado
O ministro da Fazenda durante a palestra para estudantes do curso intensivo de Jornalismo Econômico realizado pelo Grupo Estado - Ernesto Rodrigues/AE
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a ressaltar que há risco das economias avançadas passarem por recessão. Ele deu esta declaração durante palestra para um grupo de 30 estudantes do curso intensivo de Jornalismo Econômico realizado pelo Grupo Estado.
De acordo com o ministro, o quadro internacional tem se agravado e há vários indicadores que confirmam esta situação. "Temos lido na imprensa informações desta piora da economia internacional, com indicadores que alguns dias melhoram e outros dias pioram, mas esta é a pior crise desde 1929", disse Mantega, ponderando que a crise atual é um prosseguimento da crise de 2008. O ministro disse ainda que o maior problema para solucionar a crise na União Europeia o fato de a região ser formada por 27 países, que têm interesses diferentes. Desta forma, de acordo com ele, sempre quando se chega a uma solução a crise já está num patamar avançando.
Segundo Mantega, uma pergunta frequente é se o Brasil está preparado para enfrentar a crise. "O Brasil está até mais preparado que em 2008 para enfrentar a crise", disse o ministro. Ele acrescentou que o País tem hoje o sexto maior PIB do mundo, passou o Reino Unido e em breve vai superar a economia francesa. "É uma economia respeitável. Só perde em termos de taxa de crescimento para o PIB da China", disse Mantega.
O ministro disse que o real é hoje a segunda moeda mais negociada no mercado de derivativos, atrás apenas do dólar, mas acima do euro, do iene e da libra esterlina. "Isso não é algo recente, já é verdade há vários meses", disse. "Isso significa que há confiança na nossa moeda, que ganha respeitabilidade internacional", afirmou.
Mantega disse que o governo vai perseguir em 2012 uma taxa de crescimento de 4,5% a 5%, repetindo o mesmo cenário traçado hoje pela presidente, Dilma Rousseff. O ministro explicou, contudo, que a economia este ano deverá crescer um pouco abaixo da taxa projetada pela Fazenda, de 3,7%. "O importante é o dinamismo da economia, que vem mostrando que de 2003 a 2010 crescimento ano a ano do PIB. A média de expansão no período foi de 4% ao ano, compensando inclusive o ano de 2009 que apresentou crescimento baixo", lembrando que antes o PIB crescia a uma média de 2% ao ano.
Mantega disse ainda que o País vai continuar e estimular os investimentos. "É importante que o consumo seja atendido pela produção nacional", afirmou, ao comemorar o fato de que o Brasil é hoje um dos maiores mercados consumidores do mundo. "Passamos para algo em torno de 20% do PIB. Ainda deixa a desejar, é baixa. Gostaríamos que chegasse a 23% a 24% do PIB, e estamos caminhando nessa direção nos próximos anos".
É muito importante para o crescimento da economia em 2012 a manutenção de uma política fiscal sólida, afirmou o ministro. De forma simples, disse o ministro, significa que o governo deve economizar mais e gastar menos para evitar que a economia fique suscetível à crise externa. Ele lembrou que desde 1999, o Brasil vem conseguindo superávits primários ao redor de 3% e que esse patamar só não foi alcançado nos anos de 2009 e 2010. "Mesmo assim, conseguimos passar melhor do que outros países. E estamos caminhando para um déficit nominal zero", disse.
De acordo com o ministro, o melhor termômetro da boa situação fiscal do País é a relação dívida-PIB, que vem se reduzindo em termos relativos e que em 2011 fechará em torno de 38%. Ele também discorreu sobre a política monetária, destacando a queda da taxa básica de juro. No entanto, disse ele, o País ainda tem uma taxa de juro real "relativamente alta" e que o governo pretende perseguir uma redução desta taxa ao longo de 2012. Ainda de acordo com o ministro, a taxa de juro real até novembro estava em 4,14%. "A taxa de juro vem caindo porque a economia vem desacelerando e a inflação está sob controle", disse ele.
Liquidez
O ministro afirmou também que não falta liquidez no mercado. Prova disso foi o leilão, feito pelo Banco Central (BC), ontem. "Não há falta de crédito no Brasil. Por via das dúvidas, o BC resolveu fazer um leilão de dólares, fez uma consulta para saber se havia demanda", afirmou. "Concluímos que não há falta de dólares no mercado, está funcionando bem, o mercado spot, à vista e futuro. Prova disso foi que ninguém quis entrar no leilão".
De acordo com ele, circularam nos últimos dias informações de que havia escassez de crédito no mercado brasileiro. "O que havia era um encarecimento de crédito para comércio exterior devido à restrição de liquidez no mercado europeu", afirmou, ressaltando que os ACCs estão funcionando normalmente. "Houve encarecimento, mas não há falta de crédito. Talvez haja maior seletividade por parte das instituições financeiras.
Balança
Mantega disse ainda que projeta saldo da balança comercial do País neste ano positivo em US$ 28 bilhões. Segundo ele, o principal problema do País hoje é o déficit da balança comercial de manufaturados, uma das consequências diretas da crise financeira internacional.
Segundo ele, até outubro, as exportações de manufaturados somavam US$ 91 bilhões, enquanto as importações atingiam US$ 179 bilhões, o que gerou um saldo negativo de US$ 88 bilhões. "Esse é o principal problema que nós temos, uma consequência direta da crise internacional", afirmou.
Estadão