
Gostaria de
comentar sobre o evento acontecido no Rio de Janeiro em 2012. Já é uma
realidade a Logística nos canteiros de obras das construtoras no sul e sudeste
do país.
Ouço empresários
integrantes do SINDUSCON-CE, sobre essa realidade; alguns duvidam da eficiência
e eficácia, outros alegam que tem conhecimento mas receiam aumento dos custos e uns poucos afirmam e têm
consciência da necessidade da Logística nos canteiros de obras na sua
construtora.
Um aspecto que observei, foi que, nenhum dos Palestrantes comentou sobre o arranjo físico do canteiro de obras otimizado de espaços para as "docas".
Apresento abaixo
relatos e depoimentos de empresários e profissionais que já algum tempo,
implantaram a filosofia da Logística Lean nos seus canteiros de obras.
A Comunidade da Construção do Rio de Janeiro realizou, em
23/08/12, no auditório do Sinduscon-Rio, mais um seminário para empresários,
profissionais ligados ao
setor e estudantes de engenharia e arquitetura.
A novidade foi o tema abordado, inédito e de suma importância
na busca de soluções para uma maior produtividade e organização da produção de
obras: a Logística no canteiro de obras.
Para explorar o tema, a Comunidade da Construção trouxe para
o Rio profissionais que estão fazendo a diferença e que têm muito que contar,
entre as melhores práticas espalhadas pelo país.

O tema foi amplamente debatido pelos engenheiros Rosana Leal,
professora e sócia da Rosana Leal Consultoria, de Salvador; Anivaldo Antunes,
da Gabriel Bacelar Construções, de Pernambuco; Clarissa Ferro, da Construtora
Cury, de São Paulo;
Guilherme Andrade, da Macro Engenharia & Consultoria, do Rio de Janeiro; e
pelo empresário Vitor Natenzon, diretor da paulista Anvi Comércio e Indústria.
Cada um falou de suas experiências, mas todos concordam em um
mesmo ponto: canteiro de obras Planejado e organizado significa maior
produtividade, menos desperdício, redução de custos e otimização do tempo.
Logística é Planejamento
"Logística
aplicada à construção civil" foi o tema da palestra de Rosana Leal, que
abriu o evento.
"A
Logística na Construção Civil não é uma moda passageira. É a forma de tentarmos
voltar a estudar engenharia. Logística é planejamento, compromisso com
resultados e, mesmo, com a segurança”.
Muitos
acidentes poderiam ter sido evitados com Logística. Mas as construtoras, em
geral, não se convenceram ainda da importância da Logística no canteiro de
obras. Até porque não sabem o quanto podem ganhar e perder", disse ela.
Segundo ela,
"Logística é apenas um nome vendável. Estamos falando de Planejamento. É
preciso estudar sua obra, conhecer os equipamentos, os fornecedores, olhar o
entorno da obra e, principalmente, acabar com o tradicional 'quando acontecer a
gente resolve' ".

No seu
entendimento, Logística é estratégia. "Um exemplo que gosto de citar é uma
empresa que queria fazer economia e não estabeleceu a compra de paletes.
Resolveram usar os paletes emprestados pelos fornecedores. Mas esses paletes
não cabiam nos elevadores e, assim, o material era carregado manualmente.
Imagina o tempo perdido ao longo de toda a obra!", concluiu.
Construção Enxuta
O tradicional
índice de desperdício de uma obra pode ser reduzido em um terço, segundo o
engenheiro Anivaldo Antunes. E o primeiro passo firme em direção à redução do
desperdício, determina ele, é aplicar o
conceito de construção enxuta no canteiro de obras - filosofia japonesa criada
após a 2ª Guerra Mundial, baseada no sistema Toyota de produção, que utiliza a
logística para aumentar o fluxo de produção e reduzir desperdício e custos.
Em sua
palestra intitulada "Logística no canteiro de obra vertical, utilizando os
princípios da construção enxuta", Anivaldo defende a compatibilização de
projetos, o que nada mais é do que estudar a obra antes de sua execução.
"Não se
pode perder o controle do canteiro de obras. É preciso saber tudo o que está
acontecendo. Temos várias ferramentas de controle, como o Andon, um painel de
luzes verde, amarela e vermelha, que sinaliza o movimento de cada andar. Ou a
Heijunka box, um quadro para controle e solicitação de material.

É preciso
estar comprometido com a melhoria contínua e investir em treinamento. A
criatividade é, às vezes, mais importante que investimentos. Vamos pensar e
arriscar", defendeu ele.
Aplicação
em obras horizontais
Clarissa Ferro
falou sobre a "Logística de obras horizontais em sistema de parede de
concreto".
Ela coordena
obras horizontais - conjuntos de dezenas de prédios de um mesmo empreendimento,
ou seja, um gigantesco canteiro de obras, com custos elevadíssimos.
"É
difícil pensar em um canteiro produtivo, sem a aplicação de uma Logística.
Imagine o recebimento de fôrmas. É um material muito caro. Sem Logística, pode
amassar, perder uma peça, enfim, é preciso pensar essa etapa. O recebimento de
aço também é um bom exemplo.
É preciso
planejar a entrega com as siderúrgicas. Não há qualquer dúvida de que uma obra
horizontal bem planejada terá um resultado completamente diferente de uma obra
sem Logística", garante ela.
Novos equipamentos
Victor
Natenzon trouxe, em sua palestra "Novos equipamentos auxiliando na
logística de obras", exemplos da empregabilidade da tecnologia em todo
esse processo.
Ele citou um
misturador de argamassa de eixo horizontal que alcança uma mistura de argamassa
muito mais homogênea do que os métodos tradicionais, com propriedades de
aderência e resistência superiores.
Esse
misturador pesa de 120 kg a 150 kg e tem apenas 70 centímetros de largura, o
que permite levá-lo para qualquer andar da obra. "A obra fica mais limpa e
mais produtiva, porque libera o uso do elevador, um dos gargalos de uma obra
vertical. Isso é Logística", disse.
Outro exemplo
é um equipamento de projeção de argamassa, por meio da força do ar comprimido.
Trata-se, diz ele, de um método muito mais rápido que o processo manual.
"Cinco pedreiros bons fazem manualmente 125 m² de parede, enquanto o mesmo
grupo de profissionais faz 600 m² com a utilização desta máquina. A tecnologia
está a serviço da Logística", conclui.
PDCA
no canteiro
O engenheiro
Guilherme Andrade defendeu o método PDCA no canteiro de obra. "É preciso
planejar, desenvolver, controlar e, só então, agir corretivamente.
Quando há
integração, os resultados melhoram. Não há como pensar a Logística de um
canteiro de forma isolada. Todas as áreas da empresa devem estar integradas, do
Planejamento à Produção.
Quando essa
integração aumenta, há um maior entendimento do que e como fazer. As soluções
aparecem e os problemas diminuem. O profissional de Planejamento precisa sujar
de lama um pouco o seu sapato e o profissional do canteiro precisa calçar um
sapato limpo para ir ao escritório de vez em quando.
Não há fórmula
mágica, apenas trabalho. Além disso, não se pode olhar a obra apenas de forma
macro. É preciso pensar em cada detalhe, cada setor, cada andar, olhar o micro
- discorreu, em sua palestra "Logística no canteiro de obras".
FONTE:
PROF.
Ms. DELANO GURGEL
DO AMARAL
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