quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

CRITÉRIOS PARA CONTRATAÇÃO DE OPERADOR LOGÍSTICO

A terceirização (ou outsourcing) é uma prática de gestão empresarial largamente utilizada no Brasil desde o início da década de 90. Já está bastante consolidada em atividades como segurança patrimonial, refeição, transporte de funcionários e manutenção predial.

Nos últimos anos, tem avançado sobre outras áreas como Logística, manufatura, vendas, pesquisa e desenvolvimento.

Na área de Logística, embora tenhamos um pouco mais de 17 anos de vivência, os resultados tem se mostrado positivos, e em muitas empresas e visto como um processo irreversível.

Em alguns casos muito bem-sucedidos, o Operador Logístico deixou de ser um parceiro meramente operacional para se tornar um importante aliado tático e até estratégico!

Alguns Operadores Logísticos participam ativamente de decisões relacionadas a inovação (lançamento de novos produtos), ampliação da área de atuação geográfica, política de estoques, desenvolvimento de embalagens etc.

Diversos fatores incentivaram a terceirização dos serviços Logísticos. O principal deles é, sem dúvida alguma, a busca por alternativas de redução de custo.

Também contribuíram para o aumento da complexidade da Cadeia Logística, a globalização, a redução no quadro dos funcionários nas grandes empresas, principalmente na média gerências em função dos processos de downsizing e a implantação das soluções ERP (SAP, Oracle, Totvs etc.) que focaram Manufatura, Finanças, Controle de estoques e Vendas esquecendo–se da Gestão Logística criando uma ‘’lacuna”, muitas vezes preenchida pelos Operadores Logísticos. 























A disseminação do Negócio de Operação Logística tem se dado, nos últimos anos, tanto pelas exigências de mercado, que tem definido a área de Logística como a última barreira a ser vencida na busca da otimização de suas operações (até que se descubra a próxima barreira, evidentemente), quanto pelo modismo que faz a empresa “A” trilhar o mesmo caminho de sua concorrente “B”, sem avaliar se esta opção foi fruto de condições específicas ou se os resultados alcançados justificam adotar a mesma solução.

Por outro lado, a própria definição de “Operador Logístico” tem se mostrado flexível o bastante para permitir nomear desta forma empresas cujo modelo de negócio pode enfatizar a terceirização de mão de obra em diversos segmentos da cadeia de suprimentos, a operação efetiva do transporte ou somente a gestão do mesmo, a alocação de armazém externo ou a integração de várias destas opções.

Em particular tem nos chamado a atenção, a consistente movimentação dos Operadores Logísticos na direção de ofertar soluções de transporte, seja como negócio exclusivo, seja como complemento de outras Operações.










Modelos de Negócios Logísticos
A seguir relacionamos os modelos mais frequentemente utilizados:
A gestão do frete, terceirizando o pessoal desta área do embarcador, é um dos modelos adotados para solucionar dificuldades no transporte.
Neste modelo, o Operador Logístico pode aproveitar o quadro existente, ou parte dele, mesclando-os com sua própria equipe, assumindo ou não os procedimentos de picking e de embarque.
A finalidade deste modelo de trabalho para o embarcador é lançar mão de recursos humanos mais bem preparados para estas tarefas, aproveitar a sinergia que o Operador pode proporcionar mais facilmente com outras empresas igualmente atendidas por ele (inclusive seu maior poder de negociação) e viabilizar avanços rápidos no padrão de qualidade e no uso de tecnologia da informação, em geral proporcionados pelo Operador.
Uma preocupação decorrente deste modo de gestão é a possibilidade de vivenciar uma duplicidade de chefia, já que a equipe do operador encontra-se realmente dentro das instalações do embarcador, com um contato muito próximo com toda a estrutura deste.
Neste caso, aos objetivos da contratação do Operador já apresentados soma-se a possibilidade mais tangível de consolidação de cargas, a conjugação de fretes retorno, ficando evidente a necessidade, para obtenção destes ganhos, do foco da operação em segmentos específicos, idênticos em termos de distribuição, eventualmente complementares em termos de percursos ou na relação volume/peso e assim por diante.
Para o embarcador, contratar a Operação de fretes desta forma significará uma simplificação gerencial importante, em especial se o embarcador puder agregar valor por meio de uma visão estratégica fruto de seu foco, tendo como resultante, por exemplo, a melhor distribuição de embarques ao longo do mês, o maior poder de negociação do processo de entregas e assim por diante.
Finalmente, é importante destacar uma última alternativa, caracterizada pela contratação conjunta dos serviços logísticos, em geral a partir de um percentual do faturamento do embarcador, incluindo-se neste serviço os processos associados à armazenagem e à distribuição, esta última essencialmente associada ao transporte.
 Porem, percebemos nitidamente que a área de Gestão de Fretes em grande número de empresas, encontra-se em fase embrionária, quase amadora, quando comparada com outros setores das mesmas unidades de negócio. As dificuldades de lidar com diversas transportadoras e formas de cobrança de frete diferentes, a dificuldade em estabelecer metas de otimização de prazos, parâmetro de medição de qualidade e, mais ainda, a quase impossibilidade de apurar todas estas informações, faz com que as empresas busquem nos Operadores Logísticos a panaceia de soluções que lhes permitirá atingir o nirvana gerencial do qual falamos há pouco.
Na realidade entretanto, esta facilidade na delegação ao parceiro da responsabilidade por melhorar procedimentos e reduzir custos acaba prejudicada pela sua própria origem. Ou seja, ao desconhecer exatamente seu status atual quanto à gestão de transportes, o embarcador deixa de poder estabelecer metas e critérios a serem exigidos do operador logístico, o qual terá então a liberdade de definir, por si mesmo, onde pretende chegar.
Portanto, em lugar de permanecer cego quanto à gestão dos transportes, definindo um rei que pode não enxergar tão bem, o embarcador deve buscar aumentar a visibilidade de sua estrutura, evidenciando sem receios suas falhas operacionais e gerenciais.
A  conclusão é que, o processo de terceirização, qualquer que seja o modelo a ser adotado, deve ser precedido de uma avaliação minuciosa do panorama atual da gestão de fretes pelo embarcador, estabelecendo-se quando possível, um mecanismo de refinamentos sucessivos que leve a empresa até o limite viável de otimização com sua equipe interna (que pode e deve contar com o apoio externo) quando então os ganhos propostos pelo Operador Logístico para cativar seu futuro cliente estarão baseados mais na sua eficiência do que nas deficiências do embarcador.
PROF.  Ms.  DELANO  GURGEL  DO  AMARAL


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