A terceirização (ou outsourcing)
é uma prática de gestão empresarial largamente utilizada no Brasil desde o início da década de
90. Já está bastante consolidada em atividades como segurança patrimonial,
refeição, transporte de funcionários e manutenção predial.
Nos últimos anos, tem avançado sobre outras áreas como Logística, manufatura,
vendas, pesquisa e desenvolvimento.
Na área de Logística, embora tenhamos um pouco mais de 17
anos de vivência, os resultados tem se mostrado positivos, e em muitas empresas
e visto como um processo irreversível.
Em alguns casos muito bem-sucedidos, o Operador Logístico
deixou de ser um parceiro meramente operacional para se tornar um importante
aliado tático e até estratégico!
Alguns Operadores Logísticos participam ativamente de
decisões relacionadas a inovação (lançamento de novos produtos), ampliação da
área de atuação geográfica, política de estoques, desenvolvimento de embalagens
etc.
Diversos fatores incentivaram a terceirização dos serviços Logísticos.
O principal deles é, sem dúvida alguma, a busca por alternativas de redução de custo.
Também contribuíram para o aumento da complexidade da Cadeia
Logística, a globalização, a redução no quadro dos funcionários nas grandes
empresas, principalmente na média gerências em função dos processos de downsizing e a implantação das soluções
ERP (SAP, Oracle, Totvs etc.) que focaram Manufatura, Finanças, Controle de estoques e Vendas
esquecendo–se da Gestão Logística criando uma ‘’lacuna”, muitas vezes
preenchida pelos Operadores Logísticos.
A disseminação
do Negócio de Operação Logística tem se dado, nos últimos anos, tanto pelas
exigências de mercado, que tem definido a área de Logística como a última
barreira a ser vencida na busca da otimização de suas operações (até que se
descubra a próxima barreira, evidentemente), quanto pelo modismo que faz a
empresa “A” trilhar o mesmo caminho de sua concorrente “B”, sem avaliar se esta
opção foi fruto de condições específicas ou se os resultados alcançados
justificam adotar a mesma solução.
Por
outro lado, a própria definição de “Operador Logístico” tem se mostrado
flexível o bastante para permitir nomear desta forma empresas cujo modelo de
negócio pode enfatizar a terceirização de mão de obra em diversos segmentos da
cadeia de suprimentos, a operação efetiva do transporte ou somente a gestão do
mesmo, a alocação de armazém externo ou a integração de várias destas opções.
Em particular tem nos chamado a
atenção, a consistente movimentação dos Operadores Logísticos na direção de
ofertar soluções de transporte, seja como negócio exclusivo, seja como
complemento de outras Operações.
Modelos de
Negócios Logísticos
A seguir relacionamos os modelos mais
frequentemente utilizados:
A gestão do frete, terceirizando o pessoal desta área do embarcador, é um
dos modelos adotados para solucionar dificuldades no transporte.
Neste modelo, o Operador Logístico
pode aproveitar o quadro existente, ou parte dele, mesclando-os com sua própria
equipe, assumindo ou não os procedimentos de picking e de embarque.
A finalidade deste modelo de trabalho
para o embarcador é lançar mão de recursos humanos mais bem preparados para
estas tarefas, aproveitar a sinergia que o Operador pode proporcionar mais
facilmente com outras empresas igualmente atendidas por ele (inclusive seu
maior poder de negociação) e viabilizar avanços rápidos no padrão de qualidade
e no uso de tecnologia da informação, em geral proporcionados pelo Operador.
Uma preocupação decorrente deste modo
de gestão é a possibilidade de vivenciar uma duplicidade de chefia, já que a
equipe do operador encontra-se realmente dentro das instalações do embarcador,
com um contato muito próximo com toda a estrutura deste.
Neste caso, aos objetivos da
contratação do Operador já apresentados soma-se a possibilidade mais tangível
de consolidação de cargas, a conjugação de fretes retorno, ficando evidente a
necessidade, para obtenção destes ganhos, do foco da operação em segmentos
específicos, idênticos em termos de distribuição, eventualmente complementares
em termos de percursos ou na relação volume/peso e assim por diante.
Para o embarcador, contratar a Operação
de fretes desta forma significará uma simplificação gerencial importante, em
especial se o embarcador puder agregar valor por meio de uma visão estratégica
fruto de seu foco, tendo como resultante, por exemplo, a melhor distribuição de
embarques ao longo do mês, o maior poder de negociação do processo de entregas
e assim por diante.
Finalmente, é importante destacar uma
última alternativa, caracterizada pela contratação conjunta dos serviços
logísticos, em geral a partir de um percentual do faturamento do embarcador,
incluindo-se neste serviço os processos associados à armazenagem e à
distribuição, esta última essencialmente associada ao transporte.
Na realidade entretanto, esta
facilidade na delegação ao parceiro da responsabilidade por melhorar
procedimentos e reduzir custos acaba prejudicada pela sua própria origem. Ou
seja, ao desconhecer exatamente seu status atual quanto à gestão de
transportes, o embarcador deixa de poder estabelecer metas e critérios a serem
exigidos do operador logístico, o qual terá então a liberdade de definir, por
si mesmo, onde pretende chegar.
Portanto, em lugar de permanecer cego
quanto à gestão dos transportes, definindo um rei que pode não enxergar tão
bem, o embarcador deve buscar aumentar a visibilidade de sua estrutura,
evidenciando sem receios suas falhas operacionais e gerenciais.
A conclusão é que, o processo de terceirização,
qualquer que seja o modelo a ser adotado, deve ser precedido de uma avaliação
minuciosa do panorama atual da gestão de fretes pelo embarcador,
estabelecendo-se quando possível, um mecanismo de refinamentos sucessivos que
leve a empresa até o limite viável de otimização com sua equipe interna (que
pode e deve contar com o apoio externo) quando então os ganhos propostos pelo
Operador Logístico para cativar seu futuro cliente estarão baseados mais na sua
eficiência do que nas deficiências do embarcador.
PROF. Ms.
DELANO GURGEL DO
AMARAL




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