quarta-feira, 30 de maio de 2012

PIS/Pasep e COFINS - Despesas com aluguéis de veículos automotores não geram direito a crédito


Como regra geral, o direito ao crédito do PIS/PASEP e da COFINS nasce com a aquisição, em cada mês, de bens e serviços que, na fase anterior da cadeia de produção ou de comercialização, se sujeitaram às mesmas contribuições e cuja receita da venda ou da revenda integrem a base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS "não cumulativos".
Vale ressaltar que, as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência do PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações (aquisição).
Com o intuito de reforçar o entendimento sobre os gastos que podem gerar direito a crédito do PIS/PASEP e da COFINS não cumulativos, nesta ocasião em destaque às despesas com aluguéis de veículos automotores, a 3ª Região Fiscal da Receita Federal do Brasil (Ceará, Piauí e Maranhão) publicou a Solução de Consulta n° 18 de maio de 2012, transcrita adiante:

MINISTÉRIO DA FAZENDA
SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL
 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 22 de Maio de 2012

ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
EMENTA: CRÉDITOS. INSUMOS. ALUGUÉIS. VEÍCULOS. DEPRECIAÇÃO. Somente geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da Cofins, nos moldes da disciplina introduzida pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, os custos, despesas e encargos estritamente nele discriminados, não havendo previsão legal para a apuração de créditos sobre outros custos, despesas ou encargos da pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades, ainda que necessários a elas. Consideram-se insumos, para fins de apuração de créditos da Cofins não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso de bens, para que estes possam ser considerados insumos, é necessário que sejam consumidos ou sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado ou sobre o bem ou produto que está sendo fabricado. As despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pagos a pessoa jurídica, geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da Cofins, mas não têm amparo legal a apuração e desconto de créditos sobre despesas com aluguéis de veículos automotores. Os encargos de depreciação de veículos de propriedade do sujeito passivo, incorporados ao ativo imobilizado e utilizados na prestação de serviços, geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da Cofins.
(grifos nossos)

MINISTÉRIO DA FAZENDA
SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL
 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 22 de Maio de 2012

ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep
EMENTA: CRÉDITOS. INSUMOS. ALUGUÉIS. VEÍCULOS. DEPRECIAÇÃO. Somente geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da Contribuição para o PIS/Pasep, nos moldes da disciplina introduzida pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os custos, despesas e encargos estritamente nele discriminados, não havendo previsão legal para a apuração de créditos sobre outros custos, despesas ou encargos da pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades, ainda que necessários a elas. Consideram-se insumos, para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. No caso de bens, para que estes possam ser considerados insumos, é necessário que sejam consumidos ou sofram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado ou sobre o bem ou produto que está sendo fabricado. As despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pagos a pessoa jurídica, geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da Contribuição para o PIS/Pasep, mas não têm amparo legal a apuração e desconto de créditos sobre despesas com aluguéis de veículos automotores. Os encargos de depreciação de veículos de propriedade do sujeito passivo, incorporados ao ativo imobilizado e utilizados na prestação de serviços, geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da Contribuição para o PIS/Pasep.
(grifos nossos)

Fundamentação Legal:
 - As já citadas no texto.

A Consultoria
Fortaleza-Ce, 30 de Maio de 2012.

terça-feira, 29 de maio de 2012

5 visões nada animadoras sobre a crise mundial


Do colapso da zona do euro à recessão global, não faltam previsões pessimistas sobre a economia mundial nos próximos meses; conheça algumas

 Em meio às incertezas que cercam a possível saída da Grécia da zona do euro, não faltam palpites sobre os rumos da economia mundial no futuro próximo.
Enquanto alguns analistas minimizam os potenciais efeitos da decisão, outros enxergam um cenário bastante sombrio - com ou sem "Grexit".
Confira, a seguir, algumas visões pouco animadoras de economistas gabaritados sobre os rumos que a crise deve tomar nos próximos meses:
A economia americana vai piorar
Apesar dos sutis sinais de recuperação da economia americana no início do ano, como a melhoria nos índices de desemprego, para Lakshman Achuthan, CEO do Economic Cycle Research Institute, este não será um bom ano para os Estados Unidos. Analisando previsões para os indicadores de produção, emprego, renda e vendas, o instituto concluiu que o "crescimento econômico dos Estados Unidos está, na verdade, piorando e não se revitalizando".
A zona do euro vai desmoronar
Para Albert Edwards, estrategista da Societe Generale (SocGen), não só a economia americana vai escorregar de novo para a recessão, como a bolha de crédito na China vai estourar e a zona do euro vai desmoronar.  "Se você acha que as coisas estão ruins agora, elas estão prestes a ficar piores", disse ele, em entrevista ao The Globe and Mail
O câncer do crédito está em metástase
Para Bill Gross, o megainvestidor fundador da Pimco, o problema na Europa é apenas um tumor localizado, mas o "câncer no crédito pode estar em metástase". Em sua coluna no Financial Times, ele disse que o sistema monetário global é "fatalmente falho", com rendimentos cada vez menores e mais arriscados, produzidos por crises de dívida e as respostas políticas a ela.
O pior ainda está por vir
Para Peter Schiff, CEO da Euro Pacific Capital e autor do livro "The Real Crash: How To Save Yourself And Your Country" ("O verdadeiro crash: como salvar a você mesmo e a seu país", sem versão em português), o pior da crise ainda está por vir. Ele defende que a economia americana não está melhorando, mas sim ficando mais "doente" e que verdadeira crise não está no passado e sim no futuro. Para o analista, ao tentar evitar a "dor" da cura, os Estados Unidos só adiaram o sofrimento, que será ainda maior.
100% de chance de recessão global
Para Marc Farber, investidor e autor da newsletter Gloom Boom & Doom Report, pode haver uma recessão global já no quarto trimestre deste ano ou no início do próximo. Para o investidor, há "100% de chance" que isso aconteça. Em entrevista à CNBC.com, ele destacou que, enquanto o mundo se preocupa apenas com a Grécia e com a Europa, há sinais preocupantes de que a atividade econômica na China e na Índia está diminuindo.  

Exame

Brasil é pouco competitivo? Errado, diz Deloitte


Contrariando a percepção de que o Brasil não consegue fazer frente à competição internacional, líder da consultoria Deloitte afirma que país é o 5º melhor para se investir

 Não é de hoje que se diz que a indústria brasileira não tem condições de competir globalmente com nações que oferecem um sistema tributário bem mais simples, onde o custo da energia não é proibitivo e a mão de obra é barata ou ao menos qualificada, entre outros atributos, que, notoriamente, faltam ao Brasil. Mas segundo o líder Global da Deloitte, Joe Vitale, o Brasil e a indústria vão bem, obrigado. "Competitividade é a composição de vários fatores", defende ele.
Para Vitale, "nenhum país é perfeito". Por isso, com todos os problemas, o Brasil ocupa a 5ª posição no Índice de Competitividade Global da Manufatura da Deloitte, atrás apenas de China, Índia, Coreia do Sul e Estados Unidos. Com isso, fica a frente da Alemanha, padrão de excelência em competividade da indústria, que ocupa o 8º lugar. A expectativa é ainda que o Brasil supere os EUA até 2015. O índice foi montado a partir de entrevista com 406 CEOS de pequenas, médias e grandes empresas de 17 países.
Vitale esteve no Brasil para o lançamento do livro da Deloitte, "Brasil Competitivo - Desafios e estratégias para indústria da transformação", da qual foi coautor. Ele explica porque o Brasil, apesar de todas as dificuldades, está melhor que muitas nações desenvolvidas no estudo.
EXAME.com - Afinal, o Brasil é um país competitivo?
Joe Vitale - Se você está no top 10 (do índice Deloitte), você é competitivo.
EXAME.com - Mas e os problemas exaustivamente repetidos, como a burocracia brasileira e o complexo sistema tributário?
Vitale - Todos os países têm diferentes problemas. Os brasileiros são muito orgulhosos, tendem a ser muito duros consigo mesmos. Vocês reconhecem seus desafios, mas há desafios em todos os países. No Brasil se tem ótimo acesso a recursos naturais, bom acesso a recursos humanos para indústria de manufatura, salários competitivos em nível global, experiência em certos setores, um mercado crescente e serviços. Há muito acontecendo. Isso o faz um país desejável para companhias direcionarem investimentos porque reconhecem que o Brasil será um importante player na área da manufatura e se tornará crescentemente poderoso a longo prazo, em comparação com o Reino Unido, por exemplo, que perdeu sua presença da indústria e onde acesso a materiais e energia são muito caros.
EXAME.com - Mas se poderia dizer que o Brasil é mais competitivo que a Alemanha?
Vitale - Quando um CEO olha para onde vai investir, ele reconhece que nenhum país é perfeito, sem desafios associados para lidar com a competitividade da indústria manufatureira. Mas há certas coisas que são mais fáceis de consertar que outras. Sabemos que impostos são um problema para empresas atuando no Brasil, mas isso é algo que pode ser mudado, por exemplo.
EXAME.com - No Brasil, a palavra desindustrialização tem sido usada com constância. A participação do setor no PIB baixou de 16,2% para 14,6% entre 2010 e 2011. Alguns defendem que este processo é normal.
Vitale - Seria um erro qualquer país considerar normal ou que faz parte do desenvolvimento da nação mudar da manufatura para uma economia baseada em serviço. Nós temos lidado com este problema há décadas nos Estados Unidos. A indústria da manufatura é importante, aumenta o padrão de vida de um país e todas as pesquisas que fizemos confirmam isso.
EXAME.com - Porque se espera que o Brasil suba no índice de competitividade global da Deloitte?
Vitale - Espera-se que os BRICS cresçam mais do que os mercados maduros. A indústria automotiva é um exemplo. De 2012 a 2020, 70% ou mais do crescimento da indústria virá de mercados emergentes, criando grandes oportunidades dentro desses mercados. Há mais oportunidade para crescimento no Brasil do que nos EUA. O Brasil é visto como tendo características  desejáveis, como acesso a recursos naturais, acesso a recursos de manufatura e baixo custo de mão de obra, comparado a EUA e Alemanha. Eu acredito que os CEOs (que fizeram parte da pesquisa) reconhecem que o Brasil pode precisar aperfeiçoar a infraestrutura e o sistema tributário, mas acreditam que esses problemas em particular são solúveis, e acreditam que o governo fará a coisa certa para dar suporte aos projetos.
EXAME.com - Então não seria correto dizer que índice mede mais a atratividade para investimentos que a competitividade de um país? 
Vitale - Competitividade da indústria de manufatura seria: "onde está o local que eu posso criar os produtos com menor custo, maior qualidade e entregá-lo ao consumidor de maneira eficiente"? Você pode ter a maior capacidade manufatureira no mundo, mas se demora um mês e tem custos significativos para chegar ao consumidor, pode não ser tão desejável. Quando olhamos para a competitividade da manufatura, olhamos para muitas dimensões: acesso a recursos humanos e naturais, baixo custo de energia e acesso a financiamento para dar suporte aos investimentos de planos, bens de capital.
Além disso, a taxa de crescimento do país é um fator, por exemplo. Uma nação que tem uma taxa maior será mais desejável, todo o restante sendo igual, porque o país poderá suportar a própria produção. Há ainda acesso a tecnologias e inovação.  Se você tem acesso ao Silicon Valley, por exemplo, e é uma empresa de software, pode ser importante para o seu sucesso. Existe ainda a infraestrutura, o papel do governo. Tudo isso impacta quão competitivo é um pais. Quando olhamos para uma nação e dizemos que o Brasil tem maior atratividade e nível de competitividade, é a composição de todos esses fatores. Alemanha pode ter maior inovação e acesso a tecnologia, mas o custo de energia e do trabalho podem não ser tão atrativos.

Exame

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Brasil não é mais "bola da vez" - e daí?


Para economistas, não ser mais o "queridinho" dos investidores não é motivo para alarde, mas país precisa de reformas estruturais para continuar fazendo jus à posição conquistada


 
São Paulo - Quando a Economist estampou o Cristo Redentor decolando em sua capa, em novembro de 2009, o clima era de euforia. Uma das revistas de economia mais gabaritadas do mundo reconhecia o sucesso econômico do país e sentenciava que o Brasil finalmente fazia jus ao B de BRIC. Dias atrás, a mesma revista jogou um balde água fria no entusiasmo verde e amarelo, sugerindo que a fase mais pujante do crescimento do país ficou para trás e destacando as fraquezas que o governo terá que endereçar se quiser manter seu lugar ao sol.
O pragmatismo é compartilhado por grandes instituições financeiras, como MorganStanley e Credit Suisse, que já reduziram a recomendação de investimento no país, e pelo HSBC, que na última semana publicou um relatório avaliando o país como o menos interessante dos BRICs para se investir no momento. 
Fatores como o arrefecimento do crescimento da economia - o menor entre os BRICs no ano passado e, potencialmente, neste também - e os altos custos de se fazer negócio no Brasil ofuscam o brilho do país aos olhos dos investidores internacionais. Mas há motivo para preocupação?
Para Octávio de Barros, economista-chefe do Bradesco, não há razão para alarde. "O Brasil se graduou internacionalmente e adquiriu um status que pouquíssimos países emergentes têm do ponto de vista de maturidade institucional e macroeconômica. Pelo fato de o mundo hoje estar vivendo um período de aversão ao risco, praticamente desapareceram os ?queridinhos? do mercado. Essa figura do ?queridinho? tirou férias temporariamente", pondera o economista.
Para ele, a cautela do investidor estrangeiro é apenas circunstancial. "O investidor financeiro global naturalmente se retrai com a depreciação temporária do real e com a velocidade da queda de juros no Brasil, mas isso é apenas um ?freio de arrumação?, que não muda em nada a visão construtiva de médio e longo prazo que se tem do país", avalia. 
Coordenador do núcleo de estratégia e economias emergentes da Fundação Dom Cabral, Aldemir Drummond concorda com o diagnóstico. "É um momento de ultraincerteza, os investidores estão buscando segurança. Isso afeta todos os países emergentes, que são vistos como um risco maior", diz.
Segundo Barros, o problema é que o Brasil paga o preço por ser muito líquido. "Qualquer coisa ruim que ocorre mundialmente, o mercado vende Brasil porque sabe que compra de volta muito rápido. Ou seja, quando as coisas vão bem, o Brasil vai melhor do que os outros e quando as coisas vão mail o pais piora mais do que os outros", argumenta o economista.
Mas apesar dos pesares, para os especialistas, o Brasil não ficou para trás em relação aos outros BRICs e ainda se destaca em alguns aspectos, como a estabilidade política e maturidade do ambiente de negócios. "O Brasil é, de longe, o mais previsível e arrumado país dos BICSs e oferece oportunidades compatíveis com a dimensão de sua economia. Tem muita gente vendo ?pelo em ovo?", diz Barros.  
Oportunidade
Se não chega a ser motivo para arrancar os cabelos, o olhar mais cético do mercado em relação ao Brasil sinaliza que há questões urgentes a serem resolvidas se o país quiser continuar fazendo jus à posição que conquistou na última década. 
A lição de casa incluiu reformas estruturais, necessárias para pavimentar o crescimento daqui para frente. "As transformações sociais e econômicas no Brasil são tão significativas que isso suscita alguns debates sobre os novos vetores do crescimento brasileiro nos próximos 10 anos. São inquietações naturais. Que bom que elas estejam ocorrendo", diz Barros.
"Questões ligadas ao déficit de educação e de eficiência do governo estão ficando mais evidentes na medida em que o país está perdendo o bônus da estabilização. É preciso atacar questões estruturais, como a melhoria da competitividade. Só a expansão de crédito não é suficiente para sustentar o crescimento", argumenta Drummond. 
Para o professor, este momento deve ser enxergado como um copo meio-cheio - e não meio-vazio.

Exame

sexta-feira, 25 de maio de 2012

6 considerações para a boa compra de um carro


Veja dicas da escolha do modelo à contratação do seguro para fazer uma boa compra

São Paulo - O anúncio das medidas de estímulo ao consumo de veículos pelo governo deixam o momento mais propício para a compra de um automóvel. Houve redução do IPI para compra de automóveis, sendo que os carros de até 1000 cilindradas chegam a ser isentos da cobrança e os bancos poderão utilizar até R$ 18 bilhões a mais nas operações de crédito para financiamento de veículos leves.
Se você ficou empolgado porque já queria comprar um carro, mas ficou ao mesmo tempo apreensivo porque será o seu primeiro veículo, as dicas a seguir mostram o passo a passo para quem quer comprar um carro pela primeira vez: 
1. Avaliar a capacidade financeira
Ainda que a economia esteja em uma boa fase, que os juros estejam baixos e as oportunidades de financiamento estejam boas, o principal critério para avaliação de quanto poderá ser gasto para a compra do carro deve ser a renda mensal. "É importante que se tenha ideia pelo menos do salário nos próximos três anos, que é o prazo médio de um financiamento do automóvel", orienta Hsia Hua Sheng, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas.
A seguir, deve-se avaliar qual é o comprometimento do salário que pode ser feito com o financiamento. Isto varia de acordo com as despesas fixas. No caso de um jovem que mora com os pais, por exemplo, e por isso não tem tantas contas a pagar, o comprometimento pode ser maior do que o de um jovem que mora sozinho.
Sheng sugere que do salário total sejam subtraídos os gastos fixos - como aluguel de apartamento, mensalidade escolar, contas de luz, água e alimentação - e do montante que restar, metade deve ser reservada para alguma emergência e a outra metade deve ser destinada às parcelas e outros gastos relacionados ao carro, como seguro, gasolina e estacionamento. Assim, um jovem que tem um salário de 3.000 reais e tiver 1.000 reais de gastos fixos, terá 1.000 reais reservados para imprevistos e 1.000 reais para dividir entre o pagamento do carro e os novos gastos gerados por ele. Neste caso, portanto, ele deveria pensar em um parcelamento de, no máximo, 500 reais.
Segundo o professor, na hora de planejar qual é o valor destinado à parcela, é essencial pensar nestes gastos para manter o automóvel. "Muita gente esquece de pensar nisso, mas com um carro, o padrão de consumo vai ser muito maior, a pessoa passa a frequentar mais lugares, ela tem o consumo de gasolina, o estacionamento e por isso a tendência é de aumento dos gastos", diz.
2. Novo ou usado?
A principal e mais óbvia vantagem de um carro novo é que o proprietário não precisará se preocupar se ele já passou por algum acidente, se já teve algum problema mecânico, ou se ele era bem cuidado pelo antigo proprietário. O carro usado ou seminovo, por sua vez, tem como principal vantagem os preços menores, já que mesmo um carro novo, ao sair da revenda já sofre uma depreciação de 5% a 10% do seu valor.
Sheng ressalta que os preços de carros usados estão ainda mais reduzidos agora porque com os juros mais baixos aumentou muito a busca pelos carros novos. "Com a diminuição da demanda, o carro usado está com o preço muito menor", afirma.
Para comprar um carro usado, no entanto, é necessário um maior rigor sobre a compra para que não seja feito um mau negócio. Giancarlo Pereira, especialista na área automotiva, explica que devem ser analisados os pneus do automóvel, o volante, a quilometragem e, em hipótese alguma o comprador deve confiar no que o antigo dono fala. "Para verificar melhor o histórico do veículo, uma boa opção é pedir que um mecânico de confiança faça a avaliação do carro pretendido junto com o comprador", sugere.
Com o número do Renavam do carro, é possível checar no site do Denatran se o carro foi roubado ou se teve multas, e pelo Detran, é possível saber o número de proprietários que o carro já teve. Um carro usado pode ser comprado em uma revendedora, em uma grande concessionária especializada em seminovos e usados, em feirões de carros usados ou por meio de sites e classificados.
3. A escolha da marca e do modelo
A escolha da marca e do modelo do carro podem ser a parte mais complexa do processo, porque envolve uma série de critérios que devem ser pesados com muita atenção.
Em primeiro lugar, o comprador deve refletir sobre a utilização do carro. Se ele for usado para viajar, um modelo que consome menos combustível pode ser a melhor opção; se o objetivo é carregar malas e cargas, uma picape pode ser uma boa alternativa e se ele for usado para transportar uma família grande, por exemplo, pode ser considerada uma minivan.
Depois que o comprador definir qual o tipo de carro mais adequado para os seus objetivos, o próximo passo é fazer a comparação entre as marcas. Para Giancarlo Pereira, esta escolha deve levar em consideração principalmente os custos de manutenção que o carro terá, a garantia oferecida, o eventual valor de revenda e o design que mais lhe agrada. "Eu diria que o consumo de combustível hoje em dia não varia muito, então não deve ser levado muito em conta", completa.
Estas informações podem ser checadas em publicações especializadas ou pela internet. Uma boa dica também é pedir a opinião de pessoas que possuam o modelo de carro em que você está interessado para saber se elas estão satisfeitas com o desempenho do veículo e se tiveram algum problema. A pesquisa deve incluir a comparação entre os preços de uma concessionária para outra.
A potência do motor é outro fator que deve ser pesado de acordo com os objetivos do carro. Se o automóvel for usado em viagens com trechos de serra, por exemplo, um motor 1.0 pode não ser uma boa opção.
Também podem pesar na escolha da marca e do modelo o valor do seguro. Segundo Daniel Mosardo, dono da corretora DM Five, pensar no seguro na hora de definir o modelo é essencial "Muita gente me liga antes de comprar o carro para saber quanto fica o seguro de determinado modelo. Isso influencia muito na compra do carro", diz.
Por fim, mas não menos importante, abuse do test-drive. Muitas características do carro só são percebidas na hora de dirigir. Por isso, orienta-se que o cliente veja se o carro é confortável, se tem um bom sistema de suspensão e também que fique atento aos comandos básicos do carro, ao painel e à praticidade dos porta-objetos.
4. Negocie
A melhor forma de fazer um bom negócio é reunir o máximo possível de informações para ter argumentos na hora de conversar com o vendedor. Saiba qual é a faixa de preço de carros similares em outras concessionárias e se informe sobre as taxas cobradas.
Pesquise preços em concessionárias, revistas especializadas, classificados de jornais e na internet. Procure descobrir o preço de concessionária e o preço de tabela e negocie sobre esses valores. Faça anotações de preços ou leve recortes do jornal e revista que comprovem valores, eles podem ser usados para conseguir um desconto maior.
Uma tática muito usada por vendedores é dizer ao cliente que ele tem uma oferta única, que se não for aproveitada no mesmo dia, com certeza será perdida para outras pessoas que estão interessadas. Não ceda à pressão, uma compra por impulso não dá espaço para comparações e uma boa negociação. Peça ao vendedor pelo menos um dia e cheque em outra concessionária ou pela internet se aquela proposta realmente vale a pena.
É importante também ter em mente qual é o modelo de carro desejado e o preço máximo que seria pago por ele antes de conversar com o revendedor. Esta convicção pode impedir que o vendedor o leve a comprar um modelo diferente do procurado, muitas vezes mais caro e menos adequado às propostas iniciais.
Versões que já trazem de fábrica determinados itens, como direção hidráulica ou trio elétrico, são melhores do que carros nos quais estes adicionais têm que ser instalados. Isto porque, quando você quiser revendê-lo, seu valor de tabela muitas vezes levará em conta apenas o que ele já trazia de série.
Se você tiver condições de pagar à vista, utilize isso a seu favor. Com o dinheiro na mão, a venda não depende de aprovação de crédito e é agilizada. Como isso é bom para o vendedor, porque o dinheiro entra em caixa mais rápido e adianta a comissão, ele pode ficar mais flexível. Se um carro custar 30.000 reais, por exemplo, ofereça uma contraoferta de 27.000 à vista.
5. À vista ou financiado?
Pagar à vista, conforme mencionado, pode trazer bons descontos e por isso é a melhor opção. Ainda assim, na maioria dos casos, a compra é financiada. Segundo uma pesquisa da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e do Instituto Data Popular, entre as classes C, D e E, 71,5% preferem financiar a compra, e entre as classes A e B, a preferência pelo parcelamento sobe para 75,3%.
As taxas de juros são negociáveis, por isso é importante pesquisar as condições de financiamento em várias lojas e bancos para descobrir qual deles pode oferecer as menores parcelas.
Atualmente, existem opções de financiamento em até 84 parcelas (sete anos), mas recomenda-se que o limite seja de 36 meses. Em três anos a dívida é quitada mais rápido, o comprador paga menos juros e, se ele precisar vender o carro, a parcela a ser paga será menor e a probabilidade de precisar colocar mais dinheiro para quitar a dívida é mais baixa.
Recentemente, algumas das principais instituições bancárias do país reduziram as taxas de juros para financiamento de veículos. A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) fez na semana passada uma simulação de um financiamento de 25.000 reais, em 48 meses, nos bancos Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e HSBC e comprovou que a taxa mais baixa atualmente (1,37%) é a do Banco do Brasil.
Além do financiamento convencional, pelo CDC (Crédito Direto ao Consumidor), o comprador pode recorrer ao leasing ou ao consórcio. Nas duas opções, os juros costumam ser mais baixos do que em um financiamento.
Em um consórcio, um grupo de pessoas paga a uma administradora um valor mensal para adquirir o veículo. O período de duração normalmente varia entre 36 e 60 meses. O recebimento do carro pode ser antecipado se o participante fizer um lance ou se ele for sorteado, o que pode ocorrer tanto no início quanto no final do consórcio.
Por conta dos prazos, o consórcio pode ser menos interessante para quem não quer esperar muito tempo para ter o carro em mãos. Outra desvantagem ainda é que nesta modalidade de pagamento existem riscos de inadimplência, que podem gerar um aumento das parcelas.
No caso do leasing, o cliente paga um aluguel mensal ao arrendador, que coloca o próprio carro como garantia de pagamento. Ao final do contrato, quem aluga tem a opção de comprar o veículo por um valor previamente definido, renovar o contrato ou devolver o carro. Algumas concessionárias permitem também que o valor da compra final seja parcelado e acrescentado às prestações do arrendamento.
O leasing pode ser mais barato que os juros do financiamento em alguns casos, porque é isento de IOF. Porém, como o banco é o proprietário do carro, o comprador fica preso até o final do contrato e não pode vender o carro.
Mais uma vez, antes de fechar o negócio, é fundamental observar cada opção de pagamento para verificar qual delas pode trazer mais vantagens de acordo com o objetivo do comprador.
Deve-se lembrar ainda que a aquisição de um carro também envolve a cobrança de IPVA (que varia de acordo com o estado), seguro obrigatório (DPVAT), taxa de licenciamento e o preço cobrado pelo despachante para fazer a documentação do carro. Esta documentação pode ser feita pelo próprio comprador, mas para quem está fazendo a compra pela primeira vez é mais recomendado deixar por conta do despachante. Estas taxas também devem ser comparadas entre os modelos de carro e as concessionárias para que sejam negociadas quando possível.
6. O seguro
A contratação de um seguro é um passo fundamental para a compra do carro. Infelizmente, qualquer um está sujeito a sair com o carro novo da concessionária e ser roubado no dia seguinte, por isso o seguro deve ser feito junto à compra do automóvel. Além disso, pesquisar o seguro no momento da compra, pode ajudar na escolha do carro, já que os preços variam de acordo com o modelo.
O seguro pode ser feito em um banco ou por meio de uma corretora. Para quem nunca teve um carro antes, a negociação por meio de uma corretora é indicada porque elas podem ter mais informações para passar ao cliente menos experiente. A melhor forma de encontrar uma boa corretora é pela indicação de alguém que já tenha utilizado seus serviços.
Segundo o dono da corretora DM Five, a principal dúvida dos segurados de primeira viagem é sobre os fatores que influenciam o preço de um seguro. "As empresas levam em conta principalmente a idade do motorista, o CEP de pernoite do carro, se a pessoa é casada, se ela trabalha com carro, se tem estacionamento no local de trabalho e na residência", explica. Ele acrescenta que o preço de um seguro para uma pessoa mais jovem geralmente é 50% mais caro do que o valor cobrado para uma pessoa mais velha.
Mosardo ressalta ainda que na hora de fazer o seguro é muito importante que as informações declaradas sejam verdadeiras e que não haja nenhuma omissão. "Muita gente quando faz o primeiro seguro mente para pagar menos, com isso, na hora que ocorre o sinistro, a seguradora pode fazer uma sindicância, encontrar informações divergentes das declaradas e negar o pagamento", conta.
Apesar de algumas seguradoras menos conhecidas muitas vezes oferecerem preços reduzidos, as seguradoras maiores têm a vantagem de possuir uma assistência mais eficiente e têm maior agilidade no pagamento em caso de sinistro.

Exame

Os erros que empobrecem até jogadores de futebol


Gastança, maus investimentos, oportunistas e divórcios que arrasam as finanças dos atletas ensinam lições aos anônimos que têm algum patrimônio

São Paulo - Quase toda notícia de jogadores de futebol que vão à falência vem acompanhada de informações que levam a crer que os motivos foram exclusivamente os excessos de gastos e a vida desregrada. Em muitos casos, no entanto, a confiança na pessoa errada, mesmo em um familiar, ou os maus investimentos, como foi no caso das Fazendas Boi Gordo, se revelam os principais fatores da derrocada.
Estas situações são as mesmas que muitas vezes arruínam também outros famosos, médicos e advogados bem-sucedidos. A riqueza e a fama muitas vezes trazem consigo pessoas mal intencionadas e os conselhos negativos de aproveitadores. Desde um "amigo" que orienta um suposto bom investimento, até um corretor que aumenta o valor do imóvel ao saber que o cliente é milionário.
Segundo o gerente da empresa de consultoria alemã Schips Finanz, Hans Schips, metade dos atletas encerra a carreira na falência. Um caso que ganhou repercussão foi o do ex-atacante do São Paulo Müller, que chegou ao ponto de ir morar de favor com o também ex-jogador Pavão. Hoje, ele está atuando como comentarista em um canal de esportes e tenta recompor sua vida, mas infelizmente este não é o desfecho mais comum entre os jogadores.
Em vista disso, há um mês, William Machado, ex-capitão do Corinthians, iniciou um projeto de consultoria financeira para jogadores em parceria com a Baum Investimentos. William começou a se interessar por finanças quando entrou na faculdade de Ciências Contábeis. Por causa do futebol, ele abandonou o curso um anos antes de se formar, mas pensa em voltar para finalizar a graduação. Atualmente, ele investe em ações, imóveis e eucalipto, e está contente com o novo desafio. "O projeto de educação financeira é interessante porque o jogador terá a experiência de profissionais especializados e eu poderei fazer o intermédio, traduzindo o que for preciso", diz.
Em entrevista a EXAME.com, William identificou quais são os principais erros que levam os jogadores a uma trajetória de falência. E a conclusão a que se pode chegar é que esses problemas valem também para quem não é famoso ou milionário, mas afetam principalmente quem tem boas condições financeiras.
Casamentos breves
Segundo William, a maior parte dos jogadores se casam muito cedo, por volta dos 22 anos. E isso, isoladamente, não seria um problema. O que acaba causando prejuízos é que muitos dos matrimônios futebolísticos terminam cedo. "Muitos se casam em comunhão total de bens e têm que passar 50% de tudo que têm à mulher", diz.
Boa parte dos jogadores constrói o patrimônio durante a carreira, que costuma durar cerca de 14 ou 15 anos. Como eles param de jogar na faixa dos 35 anos, a cessão de metade dos recursos à ex-esposa, aliada à aposentadoria acaba sendo uma combinação fatal. O jogador acaba com uma renda mensal ínfima e é obrigado a trabalhar em funções que em nada remontam aos tempos do estrelato.
O regime de bens padrão no Brasil é o de comunhão parcial de bens, que leva à partilha após o divórcio apenas os bens adquiridos por um dos cônjuges ou os dois na constância do casamento. Ou seja, ficariam de fora os bens e rendimentos auferidos antes do casório, o que reduz as perdas do cônjuge de maior patrimônio.
Mesmo assim, quem quiser preservar completamente o seu patrimônio deve se casar em separação total de bens, fazendo, para isso, um pacto pré-nupcial. Por meio do pacto é possível inclusive customizar o regime de bens, partilhando apenas a parte do patrimônio designada. Quem já casou pode modificar esse regime de bens por um pacto pós-nupcial. Mas é claro que, para isso, é preciso que os dois cônjuges concordem.
Carros de luxo
Outra paixão que leva os jogadores à ruína são os carros. Apenas os carrões que os jogadores têm na garagem, muitas vezes já somariam o valor suficiente para que eles não passassem dificuldade por pelo menos algumas décadas. O ídolo do Santos, Neymar, por exemplo, tem um Mini Cooper (avaliado em 149.000 reais), um Porsche Panamera (1.130.000 reais) e uma Touareg (250.000 reais). O valor total investido nos carros,1,529 milhão de reais, se revertido à uma aplicação como a poupança (pelo rendimento atual de 0,5% mais a Taxa Referencial), renderia anualmente 116.204 reais, ou 9.683 mensais.
O que acontece, naturalmente, é que o dinheiro não é aplicado, mas revertido para os carrões mesmo. Não que um milionário não possa aproveitar sua fortuna para comprar um carro de luxo. Mas cabe avaliar o fato de que carros não geram mais dinheiro para o proprietário. Eles apenas depreciam e geram despesas, não sendo investimentos, mas bens de consumo.
Segundo William, os jogadores costumam trocar de carro uma ou duas vezes por ano. Quanto mais luxuoso o carro, maior é sua depreciação na hora da revenda. Fora isso, há intermediadores que se aproveitam da desinformação dos jogadores e vendem o antigo carro a um preço ainda mais depreciado do que o normal. "A cada troca, eles perdem uns 20.000 ou 30.000 reais, e nem percebem, ou não acham que isso faça uma grande diferença naquele momento. Mas em 14, 15 anos de carreira, é uma perda que pode chegar a 900.000 reais", afirma.
Veja os carros que perdem mais e menos valor na hora da revenda.
Falsos amigos e oportunistas
Todos estão sujeitos ao surgimento dos "novos amigos". Eles aparecem quando você arranja um bom emprego, quando sua filha fica noiva do presidente ou em qualquer situação na qual você passe do nível de reserva a titular.
William conta que os interesseiros estão entre os maiores males que assolam os jogadores. Amigos ou conhecidos se aproximam para ajudá-los a gerir as finanças ou prestar auxílios das mais diversas formas - na venda de um carro, na compra de um imóvel ou no lançamento de um novo negócio. O problema desta ajuda é que, além de muitas vezes ela ser desprovida de coerência, ainda tem um valor muito alto.
Com a vida atribulada, excesso de treinos e viagens, os jogadores acabam sem tempo para pesquisar e entender se as propostas que aparecem são razoáveis. "Isso acontece não só com jogadores, mas com atletas em geral, atores, cantores, pessoas ricas e famosas. O brasileiro não é educado financeiramente e muitas pessoas se apresentam para ajudar a gerir suas contas. Muitos não percebem se fizeram um bom ou um mau negócio", explica o ex-capitão.
As más socidades são exemplos comuns, segundo William. Amigos aparecem com uma proposta de negócio e pedem o capital ao jogador, que acaba cedendo por achar que pode dar certo. O que ocorre, porém, é que muitas vezes estes "amigos" levam a empresa à falência, ou omitem os lucros para não repassar ao jogador. Mais uma vez, o craque chega ao fim da carreira e vê seu patrimônio dilapidado.
Entregar seu patrimônio na mão de leigos é arriscado. Quem não se sente em condições ou não tem tempo de gerir seus investimentos deve procurar a gestão profissional de fundos, private banks, family offices, ou até de consultores e administradores de carteira devidamente autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Tudo pela família
Mesmo aos olhos dos familiares, a fama e riqueza dos jogadores podem despertar interesses. Existem duas situações clássicas em que familiares arrasam financeiramente o jogador: a primeira é quando um parente inexperiente se propõe, ainda que com boas intenções, a administrar o dinheiro, mas acaba fazendo péssimos negócios pela falta de conhecimento; a outra é quando o parente acha que tem o direito de desfrutar do mesmo padrão de vida do jogador.
"Algumas famílias se deslumbram muito com o status que o jogador adquire e fazem altas exigências. Uma coisa é o jogador ter um padrão de vida de 50.000 reais; outra coisa é ter 50.000 reais para mais cinco pessoas", diz William. Ele ressalta que é importante ajudar a família, mas em muitos em casos os atletas se veem obrigados a abrir mão de grande parte da renda, o que impossibilita a poupança para o futuro.
Em algumas situações, a confiança no parente chega a tal ponto que ele chega a ter acesso às senhas das contas do jogador e liberdade para fazer movimentações. Mas sua falta de habilidade para lidar com altas somas de dinheiro acaba sendo desastrosa.
Investimento em imóveis sem experiência
Muitos jogadores investem em imóveis, mas o fazem sem conhecimento algum. Eles acabam comprando propriedades caríssimas em regiões que se desvalorizam ao longo dos anos e perdem dinheiro com isso. "Eu sei do caso de um jogador que comprou 15 imóveis e, conforme foi ficando sem dinheiro, foi vendendo os imóveis até ficar apenas com o apartamento onde morava", diz William.
Além disso, os atletas não costumam recorrer a profissionais qualificados, como consultores financeiros ou tributaristas, mesmo quando têm que gerenciar uma grande carteira de imóveis. Nesse caso, os oportunistas também dão a sua "contribuição". "O jogador deixa a administração das propriedades para alguém que aluga um imóvel por 5.000 reais e diz que alugou por 3.500 reais, guardando 1.500 reais para si", relata o ex-capitão William.
Veja alguns exemplos de investimentos imobiliários que podem ser ciladas para o investidor desavisado.
Elevação artificial de preços de produtos
Quando Ronaldo Fenômeno foi procurar uma casa para morar em São Paulo, um fato curioso ocorreu. Depois que ele visitou algumas casas no Jardim Europa, os valores dos imóveis subiram repentinamente. Pode parecer estranho, mas é muito comum que os preços subam diante dos jogadores.
Ao verem que estão lidando com um uma pessoa famosa e que tem alta capacidade de pagamento, vendedores de imóveis, carros e outros produtos podem inflar os preços. "Eu já vi até mesmo bancos aumentarem taxa de carregamento de previdência quando ofereciam planos a jogadores", conta William. Com a falta de informação, mais uma vez, alguns acabam enganados, aceitando preços extorsivos sem se dar conta disso.
O ex-jogador explica que os mais prevenidos pedem a um representante que faça a negociação em situações que exigem a presença do negociante, como na compra de um imóvel. Somente quando os preços estão estabelecidos, é revelado que o cliente representado era o jogador. Willliam também afirma que quando precisa negociar diretamente, costuma fazer uma ampla pesquisa de preços antes.
Investimentos furados
Outro erro fatal que acomete os jogadores são as apostas em maus investimentos. Amigos e conhecidos dão a dica, e o jogador, sem pensar muito, segue o conselho imediatamente. "Isso acontece muito. Você está no vestiário aí alguém fala sobre algum investimento, e o pessoal acaba indo na onda". Tirando o detalhe do vestiário, pode-se dizer que o exemplo se aplica a muitos investidores.
O caso emblemático do Boi Gordo resume perfeitamente o que acontece. O técnico de futebol Luiz Felipe Scolari, os ex-jogadores Evair e César Sampaio e outros famosos como a atriz Marisa Orth e até o economista Rogério Buratti, foram atraídos pelo investimento em bois, frangos e porcos no ínicio dos anos 90. A empresa Boi Gordo prometia rendimento de 42% em 18 meses com o lucro do animal engordado. O negócio revelou-se uma pirâmide, os contratos vencidos eram pagos com o dinheiro dos próprios investidores. No fim, mais de 30 mil pessoas foram prejudicadas e o dono da empresa saiu ileso.
Além do Boi Gordo, outros investimentos furados, como em avestruzes também figuram na lista de armadilhas que os jogadores caíram. "Alguns amigos meus já chegaram a perder 500.000 reais com este tipo de investimento", diz William. Conheça mais sobre estes e outros golpes financeiros que enganaram milhares de investidores.

Exame

Câmara dá penúltimo passo para aprovar ´Projeto Azeredo´

controverso projeto de lei voltado para crimes cometidos na web. A votação foi encerrada com apenas um voto contrário, do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).
A aprovação do projeto, de autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), é consenso entre governo e oposição. O projeto, inclusive, foi aprovado no plenário da Câmara, na semana passada.  Agora, o texto segue para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Se for aprovado na CCJ, como deve acontecer,  seguirá para sansão da presidente Dilma Rousseff, uma vez que já foi aprovado pelo Senado, no final de 2010.
A versão aprovada foi drasticamente reduzida durante as últimas sessões. Foram eliminados de 17 dos 23 artigos previstos após a provação no Senado. Estão excluídos pontos considerados polêmicos ou que permitiam interpretações abrangentes. Ficaram de fora alguns parágrafos controversos, como a regra que permitia invadir sistemas de terceiros, caso eles fossem considerados suspeitos, ou a exigência de que provedores de acesso fornecessem dados de seus clientes sem autorização judicial para autoridades policiais.
O projeto inicial de Azeredo impunha muitas restrições aos usuários e provedores, entre elas a exigência de que os provedores armazenassem logs de acesso de seus clientes por no mínimo seis meses e denunciassem seus usuários à polícia, caso identificassem alguma atitude suspeita.
Os críticos do projeto chegaram a apelida-lo maldosamente de "AI-5 digital", por supostamente permitir censura na web e um excesso de vigilância sobre os usuários. Azeredo, por outro lado, sempre defendeu seu texto original, argumentando que as regras seriam importantes para impedir o avanço dos crimes cometidos anonimamente na internet.
O texto final aprovado na Câmara mantém itens consensuais, como a punição para falsificação de dados eletrônicos ou de documentos particulares, furto de dados privados e prática de racismo na web, além de previsão de criação de estrutura policial para combate a esses crimes cibernéticos.
As redações propostas anteriormente permitiam a interpretação que penalizava redes de compartilhamento P2P ou o uso indevido de equipamentos eletrônicos.
Portanto, se aprovada, a lei ficará restrita aos casos mais elementares de crimes na web, o que atende a um pedido das polícias em todo o Brasil, que se queixam da falta de uma legislação específica para punir crackers.
A votação do projeto foi acelerada após o caso Carolina Dieckmann, que teve fotos íntimas furtadas na web, ganhar notoriedade.

INFONotícias

Google coloca teclado Moog em sua página de buscas

São Paulo - O doodle, como é conhecido o logo do Google exibido em sua página de buscas, homenageia, nesta quarta-feira (23), o inventor dos sintetizadores Moog e pioneiro da música eletrônica, Robert Arthur "Bob" Moog. Caso estivesse vivo, Moog completaria 78 anos.
A figura exibe um teclado interativo, que permite ao usuário tocar suas teclas para criar sons. É possível gravar em até quatro canais diferentes e, em seguida, reproduzi-los simultaneamente.
Nova-iorquino, Moog se formou em física e em engenharia elétrica. Durante sua vida, ele fundou duas empresas para a criação de instrumentos. Também atuou como vice-presidente de novos produtos da Kurzweil Music Systems e como professor da Universidade da Carolina do Norte. 
A sua inovação foi combinar as opções de controle de um sintetizador analógico com a interface de um teclado comum. Sua primeira patente para o modelo foi registrada em 1966. Com o instrumento, o músico consegue manter uma nota por longos intervalos ou mesmo variar seu timbre alternando os controles.
Kraftwerk, Devo, Beach Boys e Beatles foram alguns dos artistas que usaram os sintetizadores Moog em suas gravações e ajudaram a popularizar o instrumento. Hoje, nomes como Coldplay, Franz Ferdinand, Air, Daft Punk, Madonna e Linkin Park também utilizam os sintetizadores.
Veja abaixo como o doodle funciona:

INFONotícias

Galaxy S III inicia pré-venda a partir de R$ 1.848

São Paulo - A Samsung deu início à pré-venda do smartphone Galaxy S III nas principais lojas do varejo online do país.
O valor do aparelho parcelado é de R$ 2.099, mas se comprado à vista há descontos no valor final. Nas lojas Americanas o aparelho sai por R$ 1.847,12, no Ponto Frio por R$ 1.889,10, na Fast Shop por R$ 1.873,89 e no Submarino por R$ 1.994,05.
Os varejistas confirmam dia 5 de junho como data de entrega do smartphone. A Fast Shop, no entanto, afirma que a entrega terá início no dia 13 de junho.
Já entre as operadoras, a TIM, Vivo e Oi já iniciaram o pré-cadastro do aparelho em seus sites e é possível que o lançamento ocorra no dia 29 de maio, data revelada pela Samsung durante o anúncio do Galaxy S III.
O Galaxy S III é a grande aposta da Samsung para assumir de vez a liderança no mercado de smartphones. Segundo um jornal coreano, a empresa recebeu cerca de 9 milhões de pré-encomendas do aparelho, por parte de mais de 100 operadoras globais.
O Galaxy S III possui tela HD Super AMOLED de 4.8 polegadas com resolução de 1280 x 720 pixels, além de processador Samsung Exynos quad-core de 1.4GHz e 1GB de memória RAM.
Com 8.6 milímetros de espessura e 133 gramas, o Galaxy S III tem cantos arredondados, câmera traseira de 8 MP e uma frontal de 1.9MP. Grava vídeos em full HD (1080p), suporta redes HSPA+, Bluetooth 4.0, Wi-Fi, DLNA, NFC, GPS e roda o sistema operacional Android 4.0 (Ice Cream Sandwich) e uma interação mais humana com a interface proprietária TouchWiz.
O Galaxy S III também traz slot para microSIM e microSD e será oferecido em versões de 16GB, 32GB ou 64GB.

INFONotícias

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Previdenciária - Divulgados novos procedimentos a serem observados na retificação de erros cometidos no preenchimento da GPS.


A Instrução Normativa RFB nº 1.270/2012 estabeleceu novos procedimentos, relativos à retificação de erros cometidos no preenchimento de Guia da Previdência Social (GPS), a serem observados.
A solicitação de retificação deverá ser feita por meio do formulário Pedido de Retificação de GPS (RetGPS).
Entre as novas determinações, destacamos:
a) o formulário é de reprodução livre e está disponível no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br;
b) o RetGPS envolvendo matrícula no Cadastro Específico do INSS (CEI) deverá ser assinado pelo titular, pessoa física ou jurídica, responsável pela matrícula;
c) quando a retificação se referir a alteração de dados no campo identificador (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ -, CEI ou Número de Identificação do Trabalhador - NIT), envolvendo 2 contribuintes, o pedido de retificação deverá ser formulado:
c.1) pelo interessado na retificação, com anuência, no quadro 6 do formulário, do titular do identificador (CNPJ ou CEI) originalmente registrado na GPS;
c.2) pelo titular do identificador (CNPJ ou CEI) originalmente registrado na GPS, com anuência, no quadro 6 do formulário, do interessado na retificação;
c.3) com a possibilidade de a anuência ser dispensada em caso de evidente erro de fato, comprovado mediante análise dos documentos apresentados.
(Instrução Normativa RFB nº 1.270/2012 - DOU de 23.05.2012)

Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/Ins/2012/in12712012.htm

A Consultoria.

quarta-feira, 23 de maio de 2012


De uma faca elétrica, até uma casa na praia, veja 10 sugestões de gastos que podem ser cortados

São Paulo - Mesmo quem tem mais controle sobre os gastos, se refletir com calma vai encontrar algo que comprou ou que paga normalmente e de que não usufrui. Desde uma casa na praia, até um coçador de costas e as mensalidades da academia, estes gastos, quando inúteis, acabam pesando nas contas sem motivo e assim podem permanecer pela simples falta de atenção ou por comodismo.
O professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas César Caselani explica que muitas vezes as compras são feitas por impulso, sem que a utilidade do produto seja considerada. "As pessoas acabam tendo custos muito maiores do que os benefícios. Elas deveriam avaliar o custo de oportunidade para ver que o dinheiro gasto com algo que não é usado, poderia ter sido investido em outra finalidade", afirma.
É por isso que vale a pena fazer uma pausa para reflexão sobre os dez gastos com alto potencial de inutilidade descritos abaixo. Eles podem servir como inspiração para alguns cortes, ou como forma de prevenção sobre gastos que não trazem nada mais do que um enorme arrependimento.
1. Linha de telefone fixo
Uns nunca ficam em casa, outros têm planos no celular que permitem falar com números favoritos de graça e assim o telefone fixo fica ali, desamparado, e quando toca é uma surpresa. Dados divulgados pela Anatel mostram que cada vez mais pessoas estão usando a telefonia celular e deixando de usar a telefonia fixa no Brasil. O número de linhas de telefonia celular em uso dobrou nos últimos quatro anos, passando de 126 milhões em março de 2008 a 251 milhões em março deste ano. Nesse mesmo período, o número de linhas fixas em uso diminuiu 13%, passou de 35 milhões para 30 milhões.
De acordo com a tabela de tarifas de telefonia fixa da Anatel, o preço mínimo de uma assinatura residencial varia em torno de 30 reais. Somando os impostos, que mudam de acordo com o estado, pode-se dizer que apenas para ter a linha telefônica ativa são gastos em média 40 reais mensais - desconsiderando o preço do novo plano de Acesso Individual Classe Especial (Aice) que tem tarifas mínimas de 12 reais, mas é válido apenas para consumidores de baixa renda.
Se abandonar a telefonia fixa ainda parece uma ideia muito moderna para você, uma boa opção pode ser contratar os serviços de banda larga, telefonia móvel e fixa, de uma mesma empresa, o que permite maior economia do que o pagamento dos planos separadamente.
2. Roupas
Um dos gastos sem utilidade mais comum não poderia deixar de fazer parte desta lista. Apesar da obviedade, alguns dados sobre a tamanha falta de uso das roupas podem ser impressionantes. Uma pesquisa feita pelo site britânico My Celebrity Fashion, com 1.623 mulheres britânicas de 18 a 30 anos mostrou que 79% delas confessaram que já compraram alguma peça de roupa sabendo que não iriam usá-la.
Pior: 91% delas possuem pelo menos uma peça de roupa que ainda está com a etiqueta e 25% dizem que com certeza só usam 10% das roupas que possuem. Apenas 8% disseram usar todas as roupas.
Ainda que a pesquisa tenha sido feita em Londres, é bem possível que muitos brasileiros tenham os mesmos hábitos, e fazer uma reflexão pessoal. Uma dica do presidente do Instituto Brasileiro de Finanças, Perícias e Cálculos, Anísio Castelo Branco, para aqueles que não se controlam na hora de comprar roupas, é que antes de finalizar a compra, o consumidor avalie se aquele gasto é um investimento, ou um impulso.
"Se o comprador perceber que aquele item trará uma grande satisfação, pode aumentar a autoestima e, portanto, pode trazer, inclusive, retornos financeiros, vale a pena comprar. Porém, se houver dúvida quanto a isso, vale pedir para a vendedora reservar a peça por um ou dois dias para avaliar melhor se aquele item é essencial", recomenda.
3. Compras coletivas
Quem nunca se sentiu seduzido com as impressionantes ofertas dos clubes de compras? É comum que elas induzam ao seguinte pensamento: "Eu não estou precisando de um porta-retrato eletrônico com capacidade para 1500 fotos e que funciona como despertador também, mas custa só 200 reais, acho que vou comprar".
O publicitário Tácio Gimenez comprou em uma dessas ofertas duas diárias em uma pousada de Maresias, com direito a um acompanhante. Ele pagou quase 200 reais, mas a oferta expirou antes que ele conseguisse usar o cupom. "Eu tive que visitar minha família no interior em um final de semana, depois minha namorada teve que trabalhar dois sábados seguidos. Eu acabei gastando dinheiro à toa, mesmo não sendo uma pessoa que tem dinheiro sobrando". Ele conta que também comprou junto a oito amigos cupons para um jogo de paint ball, mas eles não conseguiram marcar uma data em comum para o jogo e perderam o prazo. Ao todo o desperdício foi de 120 reais. 
Castelo Branco dá a dica: "Cuidado com as promoções. Elas nos levam a gastar dinheiro que efetivamente nós não precisaríamos gastar. Muita gente acaba gastando só porque é barato". Ele explica que estas promoções funcionam melhor para comprar que já se pretendia fazer. Assim o prazo e a distância nâo serão problemas para usufruir da compra.
4. Academia de ginástica
Maria Emília Garcia, relações públicas, fez um plano semestral em uma academia há um mês e já se comprometeu com o pagamento de seis parcelas de 130 reais. "Eu fiz o plano porque queria entrar em forma, mas não fui nenhuma vez à academia porque não tenho tempo e às vezes fico muito cansada". Mesmo sendo um gasto saudável, se não usufruído, é outra despesa que pesa no bolso sem motivos.
Muitas academias possuem planos reduzidos, que permitem aos matriculados frequentar a academia três dias por semana e são mais baratos. Ou ainda oferecem a opção de o aluno pagar apenas pela aula de que participa, sem a opção de usar os equipamentos da academia. Antes de pagar por um pacote completo, portanto, vale fazer uma avaliação da disponibilidade e da disposição para frequentar a academia.
Uma boa alternativa para quem não quer abandonar as esperanças de conseguir frequentar a academia diariamente é começar pagando um plano reduzido no início, e depois, se possível, ampliar o plano.
5. Segundo carro
Para o professor da FGV, Cesar Caselani, o segundo carro estaria no topo da lista sobre itens que os brasileiros compram e não usam. Segundo ele, o primeiro carro é para muitos uma necessidade, mas o segundo, a menos que as duas pessoas da família o utilizem muito, é dinheiro jogado fora.
"Um carro traz muitas despesas, com seguro, manutenção, gasolina, imposto e a depreciação que ele sofre. Logo na venda, ele já perde parte do valor", diz Caselani. Ele acrescenta que se este segundo carro for utilizado esporadicamente, o melhor que pode ser feito é utilizar um táxi quando for necessário.
Dessa forma, todo o dinheiro que seria gasto no veículo poderia ser revertido para alguma aplicação financeira, que com certeza traria mais retornos do que um automóvel que se deprecia.
6. Gadgets
A sensação causada por um gadget pode ser comparada ao sentimento de entrar em uma loja de objetos utilitários. No momento em que você está lá dentro tudo parece extremamente inovador e útil, mas a impressão causada já é esquecida minutos depois de sair da loja. Ainda assim, os acessórios para banheiro, cozinha, limpeza e aparelhos eletrônicos com funções mais do que criativas quase sempre levam a melhor na hora que o consumidor tenta resistir à tentação.
Alguns exemplos dos gadgets mais inúteis foram revelados por uma pesquisa realizada pela empresa de seguros de aparelhos eletrônicos Protect Your Bubble com britânicos. Nem todos se aplicam aos brasileiros, mas o resultado pode sugerir quais tipos de aparelhos têm potencial para ser comprados e não usados.
Os mais inúteis, em ordem decrescente, são: vela elétrica, lixa elétrica de unhas, tesoura guiada a laser, máquina de fazer pão, cortador de ovos, máquina de cozinhar ovos, coçador de costas, removedor de bolinhas de tecidos, kit de fondue USB, mini disk player, máquina de fazer iogurte, massageador de costas, coqueteleira, faca elétrica, máquina de água com gás, bronzeador de face artificial, máquina de fazer chá, máquina de waffle, massageador de pés e aquecedor de toalhas. Cerca de 75% dos entrevistados afirmaram possuir ao menos um gadget que usam pouco ou raramente.
A pesquisa mostrou ainda que mais de 50% dos entrevistados se arrependeram de ter comprado o gadget, porque assim que eles o trouxeram para casa, rapidamente perceberam que não há uso para eles. Conclusão: pense bem antes de entrar em uma loja de utilidades.
7. Aplicativos e games
Rafael Marques, jornalista, é viciado em games. Sua última aquisição foi o aplicativo Garage Band, que permite ao usuário tocar diversos instrumentos musicais. "Eu comprei o aplicativo para iPod, mas é muito mais legal jogar no iPad". Ele gastou 5 dólares e nunca mais usou o aplicativo.
Com a febre dos aplicativos e de alguns games, muitos acabam atraídos pelos lançamentos, compram e depois de usar um vez ou duas, acabam não mais usando.
Para evitar a compra em um momento de euforia, alguns aplicativos têm versões para teste gratuitas e alguns podem ser testados. É uma boa dica para avaliar se a compra será usufruída ou não.
Se não houver jeito de fazer o teste, existem sites e blogs que passam informações sobre o produto e também podem ajudar a definir se a compra valerá a pena ou não.
8. Casa de veraneio
A casa na praia é um grande sonho de consumo e também uma das maiores despesas depois de realizado. Colocando na ponta do lápis, desde o investimento com o imóvel propriamente dito, até os impostos e a manutenção da casa, são milhares e milhares de reais despendidos.
Se a casa não é usada, é muito dinheiro perdido. Em muitos casos, as despesas mensais poderiam cobrir gastos com viagens internacionais, ou poderiam ser rentabilizadas em uma aplicação financeira. "A menos que tenha um potencial de valorização do imóvel nós próximos anos, ao deixá-lo parado com despesas, o investimento que você faz poderia estar rendendo em outro lugar. É um ativo que está queimando", diz Cesar Caselani, professor de finanças da FGV.
Se a casa está sem utilização, recomenda-se ponderar se o imóvel pode sofrer desvalorização e, em caso afirmativo, repensar este tipo de despesa.
9 Energia
Fernando Bacellar, coordenador de usos finais de energia da Eletropaulo, supervisiona projetos que medem o desperdício do uso de energia. Os resultados mostram que com algumas mudanças de hábitos, na maioria dos casos, é possível reduzir em média de 5% a 10% os gastos da conta de energia.
"Existem desperdícios mais evidentes, como a luz acesa em ambientes que não têm nenhuma pessoa ou a televisão ligada sem ninguém assistindo, até alguns menos perceptíveis, mas que fazem diferença, como deixar o chuveiro elétrico na posição inverno durante o verão", explica Bacellar.
Para alcançar a economia de 5% a 10% na conta e deixar de gastar com a energia que você não usa, seguem algumas dicas: desligar o monitor do computador, ele é responsável pelo consumo de 70% da energia gasta pelo aparelho; deixar o chuveiro na posição verão representa 30% de economia em relação à posição inverno; usar lâmpadas fluorescentes, pois elas consomem apenas 1/3 da energia das incandescentes; evitar abrir e fechar muito a geladeira, a refrigeração é feita pelo esfriamento do ar quente, logo, quanto mais ar quente entra, mais energia ela gasta; não deixar aparelhos eletrônicos no carregador depois que eles já estão com a carga completa; não deixar aparelhos no stand by, pois nesta função eles podem chegar a gastar de 15% a 40% da energia de quando estão ligados; e não ligar e desligar o ferro de passar roupa muitas vezes, a maior parte da energia é consumida na hora em que ele é ligado.
10. Cosméticos
Cremes antienvelhecimento, redutores de celulite e estrias, antirrugas, hidratantes, bronzeadores, anti-acne, esfoliantes, vários deles prometem resultados espetaculares e acabam sendo comprados indiscriminadamente, principalmente pelas mulheres. Uma pesquisa da Universidade do País Basco mostrou que fatores emocionais influenciam mais na compra destes produtos do que componentes utilitários.
É por isso que algumas mulheres costumam pagar preços exorbitantes por estes cosméticos, para depois deixá-los mofando no banheiro.
O Dr. Reinaldo Tovo, chefe da equipe de dermatologa do Hospital Sírio Libanês, conta que muitas pessoas são influenciadas pelos anúncios, e até pelos balconistas de farmácia que se dizem consultores de beleza, e acabam comprando o produto errado. "Eu tenho pacientes que chegam com uma sacola de produtos e perguntam o que devem usar. Elas viajam para o exterior e compram diversos cosméticos, que muitas vezes não podem ser usados porque podem causar reações cutâneas", afirma.
Para frear mais este gasto inútil e também estas reações na pele, Tovo recomenda que os cosméticos sejam comprados apenas por indicação de um médico dermatologista. Ele saberá indicar o produto ideal para cada tipo de pele e pode evitar, por exemplo, que um jovem compre um produto voltado a pessoas com mais idade e acabe desenvolvendo acne.

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