domingo, 26 de fevereiro de 2012

As bobagens financeiras que custam caro

Veja os erros bastante comuns que podem custar milhares de reais a investidores e consumidores

Deixar o dinheiro na caderneta de poupança
A caderneta de poupança é a única aplicação financeira de milhões de brasileiros. Seu ponto forte é a simplicidade. A poupança rende 6,17% ao ano mais TR, é isenta de Imposto de Renda e outros tributos e também não tem a rentabilidade reduzida por uma taxa de administração. O grande problema da caderneta é o baixo retorno pago ao investidor. No ano passado, o ganho real (juros menos inflação) da poupança foi quase igual a zero. Em anos de inflação elevada, a caderneta chega até mesmo a ter rentabilidade real negativa. Em um momento de juros baixos como atual, é difícil ganhar de lavada da poupança. Mas existem ao menos quatro investimentos de baixo risco que batem a caderneta com alguma tranquilidade: fundos DI com baixas taxas de administração, CDB principalmente de bancos médios, Tesouro Direto as LCI (clique aqui e veja mais detalhes). Para quem tem 100.000 reais para aplicar no longo prazo, a troca da poupança por outro investimento mais rentável pode significar um ganho de centenas de milhares de reais. A caderneta, na verdade, só deveria ser usada para o depósito daqueles recursos que funcionam como uma reserva de emergência para o investidor e podem ter de ser usados no curto prazo.
Endividar-se demais para comprar uma casa
Um imóvel é o bem mais caro que muitos brasileiros vão comprar durante a vida. Os preços subiram muito com o boom imobiliário dos últimos anos e reforçaram a necessidade de cautela redobrada por parte dos compradores. Antes de assinar qualquer contrato, vale a pena pesquisar tanto as melhores oportunidades de compra quanto os juros mais baixos do mercado para financiamentos imobiliários. Apenas visitar o estande de algum lançamento ou algum feirão de imóveis e já voltar para casa com um contrato debaixo do braço é o caminho mais rápido para que a aparente realização de um sonho se transforme em um pesadelo. Caso seja necessário tomar um empréstimo para pagar uma parcela do imóvel, pode ser interessante consultar os sites que permitem simular financiamentos e encontrar as menores taxas de juros do mercado brasileiro. Outra dica interessante é, antes de assinar o contrato, verificar se a poupança necessária para arcar com as prestações mensais do financiamento não é alta demais para sua família. Faça a simulação de um empréstimo, verifique o montante que será necessário desembolsar como prestação mensal e tente guardar 150% desse valor durante seis meses. Se o negócio ainda parecer viável, é sinal de que você tem boas chances de financiar sua casa sem se arrepender. Do contrário, pode ser prudente esperar mais. Lembre-se que com apenas três meses seguidos de atraso nos pagamentos das parcelas, o banco já poderá entrar com uma ação de despejo contra sua família. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 4 milhões de residências foram retomadas pelos bancos desde o início da crise das hipotecas, em 2008.
Não usar as brechas da lei para pagar menos impostos
Os impostos cobrados das pessoas físicas no Brasil são altíssimos. Desconsiderar qualquer oportunidade de reduzir a mordida do Leão com as brechas previstas em lei, portanto, costuma ser uma grande estupidez. A legislação prevê diversas maneiras de pagar menos impostos ao vender imóveis, investir dinheiro em aplicações financeiras, poupar para a aposentadoria, deixar a herança para os filhos ou restituir os gastos com saúde (veja 8 formas de driblar os impostos). O único problema é que o contribuinte precisa conhecer a lei e se antecipar aos fatos que gerarão a obrigação tributária, usando as brechas da legislação para escapar da mordida. O caso das heranças pode ser considerado emblemático. Se um ente falecido deixar 1 milhão de reais para os filhos, eles podem perder mais de 200.000 reais entre impostos, inventário e honorários advocatícios. Já quem transmite a herança ainda em vida tem a chance de eliminar esse gasto por completo.
Não prestar atenção aos custos de cada investimento
Também nos investimentos, o diabo mora nos detalhes. Na hora de escolher uma aplicação financeira, é muito importante ficar atento às taxas e custos tributários envolvidos na transação. À primeira vista, um fundo DI que neste ano vai ter um rendimento bruto de cerca de 10% é bem mais interessante do que a caderneta de poupança, que paga 6,17% mais TR. Mas considerando que sobre o lucro dos fundos é necessário pagar entre 22,5% e 15% de Imposto de Renda, que há incidência de IOF para investimentos de até 29 dias e que muitos bancos cobram taxas de administração de 2% ou mais ou ano nesse tipo de aplicação, a poupança acaba sendo mais simples e vantajosa. E não é só na renda fixa que é importante ficar atento às taxas. Sobre transações imobiliárias, há cobrança de Imposto de Renda e comissões do corretor na venda e ITBI e despesas com registro na compra. Os custos são tão elevados que podem acabar com o lucro de uma excelente transação. O mesmo vale para a bolsa. Existem gestores de fundos de ações que possuem um excelente histórico de desempenho. Quando considerada uma taxa de administração de 4% ao ano mais uma taxa de performance sobre o que exceder o Ibovespa, pode ser mais vantajoso para o investidor simplesmente comprar um ETF (fundo de ações negociado em bolsa) com uma taxa inferior a 1% ao ano.
Exame



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