Sua empresa usa computadores? Então você pode precisar dessa montanha de entulho
Paschoal (esq.) e Jubilut, sobre o piso que inventaram: mais leve e ecológico
Você já deve ter ouvido essa: hoje em dia, todo mundo tem de estar preparado para mudanças. O administrador de empresas Paulo Vinícius Jubilut percebeu isso no dia a dia. Em meados dos anos 90, Jubilut trabalhava na fabricante de condutores AMP. Então notou que as empresas estavam cheias de computadores e a toda hora precisavam mudá-los de lugar. Era reforma, ampliação de pessoal, redução de pessoal, mudança de sede... qualquer coisa, lá ia o pessoal da AMP instalar os cabos de luz, telefone e internet.
Foi aí que, em 1997, ele resolveu também mudar. Propôs sociedade ao engenheiro mecânico Paulo César Paschoal, seu colega na AMP, e fundou a Remaster, que fabrica pisos elevados para escritórios. Com seu produto, uma empresa pode mudar em minutos todo o emaranhado de fios escondidos sob os pés de seus funcionários.
Logo de cara, a Remaster enfrentou concorrentes de peso. Mas era essa a sua vantagem. Em vez dos 45 quilos do metro quadrado das placas de alumínio, até então usadas para cobrir a fiação, Paschoal (o segundo Paulo), um sujeito pacato criado em Bragança Paulista, inventou uma solução de 12 quilos. Trata-se de placas de polipropileno (PP) reciclado encaixadas sobre pés fixados na laje, de alturas variáveis. Os fios, em vez de presos em canos de PVC, são inseridos em um cabo flexível que pode ser desconectado facilmente.
No começo, Paschoal tentou mesclar resíduos plásticos vindos da indústria e das casas das pessoas. Não deu certo. As placas fediam. Era o cheiro das embalagens pós-consumo. A partir de 2005, ele decidiu comprar a matéria-prima de um único processador de resíduos plásticos. São 100 toneladas por mês de PP reciclado. Ráfia de sacos de rações, fibras de tapetes, cadeiras e peças de máquinas de lavar roupa transformam-se em pellets (pequenas pelotas) pretos. Na fábrica da Remaster, em Bragança Paulista, os pellets tomam a forma do produto final.
Essa consciência ambiental lhes valeu, no final de outubro, o prêmio na categoria “Inovação Sustentável” do GBC Brasil, conselho brasileiro de construção sustentável, braço do conselho global (WGBC). E tem ajudado no crescimento da empresa. No início, eles só vendiam para órgãos públicos que faziam reforma nos seus escritórios (como a Receita Federal). Em 2007, Jubilut percebeu que as construtoras iam atrás de certificação para prédios sustentáveis e passou a lhes apresentar seu produto para escritórios, banheiros, áreas externas e lajes.
Em alguns de seus projetos, as construtoras Queiroz Galvão, Cyrela, Odebrecht, Brookfield e Rossi têm recomendado o piso. “Não conheço outra empresa que faça um produto como o deles. Usar material reciclado é fantástico”, diz Miguel Portela, superintendente de projetos da Queiroz Galvão Desenvolvimento Imobiliário em São Paulo. O Edifício Serrador, alugado por Eike Batista no centro do Rio de Janeiro, também terá o piso. Jubilut fez campanha ainda com os arquitetos. Em 2009, levou 25 deles para Chicago para mostrar a nova invenção da empresa: o piso para jardins (com furos para deixar passar a água da chuva e armazená-la, permitindo a irrigação das plantas sem uso de bombas). Esse piso já nasce com um grande promotor – o paisagista Benedito Abbud, que teve a ideia original e ajudou a concebê-lo.
O faturamento da empresa ainda é modesto, em torno de R$ 50 milhões – 30% do mercado de pisos elevados. A meta é dobrá-lo até 2015. “Já recebi propostas para vender a empresa. Tenho muito apego a isso aqui, mas não descarto uma negociação. Ainda mais se mantivermos um percentual da companhia”, diz Jubilut.
Época Negócios


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