quarta-feira, 27 de junho de 2012

Google deve anunciar tablet e novo Android hoje


O evento Google IO começa nesta quarta-feira, 13:30, com novidades que devem incluir um tablet e o novíssimo Android Jelly Bean

São Paulo - O Google inicia hoje, às 13:30 (hora de Brasília), sua conferência anual Google IO. O evento acontece em São Francisco, na Califórnia, e vai até sexta-feira. Na sessão de abertura (que terá cobertura ao vivo de EXAME.com), a empresa deve apresentar o novo Android Jelly Bean e, possivelmente, o primeiro tablet com a marca Google. 
Reforçando os rumores de que uma nova versão do Android será anunciada no Google IO, a empresa colocou, em sua sede em Mountain View, Califórnia, uma escultura dos docinhos Jelly Beans (foto acima). O Google ainda não divulgou qual será o número da nova versão, mas as apostas apontam para 4.1, sucedendo o Android 4.0, conhecido como Ice Cream Sandwich.
O nome Jelly Bean é a parte da tradição do Android. As sucessivas versões do sistema operacional móvel do Google vem sendo identificadas por nomes de doces ordenados alfabeticamente: Cupcake, Donut, Eclair, Froyo, Gingerbread, Honeycomb e Ice Cream Sandwich. 
Nexus 7
Se a empresa já praticamente confirmou que o anúncio do Jelly Bean é iminente, ela permanece calada sobre um possível tablet com a marca Google. Os rumores sobre esse suposto tablet são abundantes e consistentes. Assim, é quase certo que a nova versão do Android faça sua estreia nele. Eles apontam para um tablet enxuto de 7 polegadas.
O aparelho teria opções de 8 e 16 gigabytes de capacidade, com acesso à internet via Wi-Fi apenas. Os preços, nos Estados Unidos, seriam de 199 e 249 dólares, respectivamente. O tablet deverá ser fabricado pela Asus e poderá ser chamado de Google Nexus 7, adotando o nome da linha de smartphones que leva a marca do Google.
O Google tem variado seus parceiros nessa área. O primeiro smartphone Google Nexus era produzido pela HTC. O segundo e o terceiro modelos dessa família - o Nexus S e o Galaxy Nexus - são resultados de uma parceria com a Samsung. Apesar de o Google ter comprado a Motorola, essa estratégia de múltiplos parceiros parece continuar valendo.
Se os rumores estiverem corretos, o Nexus 7 vai competir diretamente com o Kindle Fire, da Amazon, e com o Nook Tablet, da Barnes & Noble. Essas duas empresas vendem seus tablets apenas nos Estados Unidos. O Google e a Asus, com atuação global, podem levar o Nexus 7 a muito mais países. Considerando o baixo preço previsto, esse aparelho deve acelerar ainda mais a popularização dos tablets.
Larry Page
Há alguns dias, o Google divulgou que o CEO Larry Page não vai participar do Google IO. Ele estaria com problemas na garganta que o impedem de falar. A notícia gerouespeculações sobre a possibilidade de Page ter alguma doença grave - algo que ele própriodesmentiu num e-mail aos funcionários da empresa. Não se sabe quem vai comandar a apresentação principal. O principal candidato é o chairman Eric Schmidt, mas é possível que o cofundador Sergey Brin também participe, assim como outros executivos da empresa.

Exame

Caso Votorantim poderia, mas não servirá de lição a bancos


O Banco Central citou os empréstimos ruins para compra de automóveis como principal razão da inadimplência do setor financeiro ter alcançado o recorde de 6% em maio

São Paulo - Em pouco mais de 12 horas, o Brasil conheceu dois efeitos dos excessos cometidos por bancos anos atrás, quando aceleraram a oferta de crédito em linha com a estratégia estatal de estimular o mercado interno para conter os efeitos da crise de 2008.
Em ambos os casos, financiamentos automotivos de má qualidade aparecem como ícone dessa realidade. Foram eles os responsáveis pela decisão dos sócios Banco do Brasil e Votorantim Finanças (VF) de aportar 2 bilhões de reais no Banco Votorantim, anunciado na noite da véspera.
Nesta manhã, o Banco Central citou os empréstimos ruins para compra de automóveis como principal razão da inadimplência do setor financeiro ter alcançado o recorde de 6 por cento em maio -a de pessoas físicas chegou a 8 por cento.
Isso num momento em que, agora para tentar amenizar os efeitos da crise europeia sobre uma vacilante economia doméstica, o governo retoma a receita de estimular o consumo com mais crédito e menos impostos, com BB e Caixa Econômica Federal deflagrando cortes agressivos de juros.
Especialistas enxergam esse cenário sob prismas distintos. Na avaliação mais otimista, a lição foi aprendida após dezenas de bilhões de reais em provisão adicional para perdas com calotes, que machucaram os lucros e a rentabilidade dos bancos, e o diagnóstico é de que a 'doença' não se espalhou.
"A decisão (de injetar capital no Votorantim) foi a melhor forma de lidar com as perdas recentes do banco", afirmou o analista de bancos do Barclays Fabio Zagatti, calculando que os recursos devem ampliar o índice de Basileia do banco em 3 pontos percentuais, depois de ter atingido 13 por cento no começo do ano, pouco acima do piso de 11 por cento exigido pelo BC.
Ainda que a medida fosse em grande parte esperada, o mercado recebeu a notícia com conservadorismo. A ação do BB na Bovespa caiu 2,36 por cento, o pior desempenho entre os grandes bancos, num dia em que o Ibovespa subiu 0,06 por cento.
E, embora necessária, foi uma decisão difícil. Para a Votorantim Finanças, braço financeiro do conglomerado da família Ermírio de Moraes, sua contribuição de 1 bilhão de reais no negócio equivale a cerca de 40 por cento do montante que o grupo auferiu no final de 2011 com a venda de sua fatia na Usiminas para o grupo ítalo-argentino Techint.
Mas não foi só isso. Votorantim e Itaú Unibanco, dois dos maiores no financiamento automotivo, pisaram no freio das concessões. O primeiro, que gerou 9,4 bilhões de reais no último quarto de 2010, desacelerou para 3,7 bilhões de reais no começo deste ano. Isso dentro de regras bem mais rígidas, sob coordenação do BB, que comprou metade de seu capital em 2009.
"Os bancos se animaram com a perspectiva de a economia ter taxas de crescimento mais fortes, o que não ocorreu", disse à Reuters semanas atrás Roberto Setubal, presidente do Itaú, no qual calotes automotivos turbinaram as provisões totais do banco para acima de 20 bilhões de reais em 2011. "Agora, há a preocupação de evitar que os clientes fiquem superendividados." A visão mais cética aponta noutra direção. Há divergências entre economistas sobre quão comprometidas as famílias estão com dívidas, mas alguns deles concordam que a fronteira do razoável, quando as contas atingem 30 por cento da renda líquida, já foi ultrapassada, justamente pela resposta ao apelo anterior do governo para comprar mais.
O professor de Finanças do Insper, Alexandre Chaia, chama a atenção para o ineditismo do cenário atual, em que endividamento e inadimplência elevados acontecem num momento de desemprego na mínima recorde no país, situação bem distinta dos Estados Unidos e da Europa em crise.
"Isso não deveria estar acontecendo", disse Chaia, segundo o qual os cortes de juros pelos bancos agora têm um componente mais político do que de mercado. "A aceleração dos bancos estatais no crédito vai ser um esqueleto que vai cobrar o preço no futuro".
O chefe de pesquisa da IDEAglobal, Enrique Alvarez, vai mais longe. Para ele, não só a lição do setor automotivo não foi aprendida como pode ser ainda pior nos próximos anos.
"Se você vê o que está acontecendo com o Votorantim, os números de crédito, o setor habitacional e os preços de casas, enxerga a próxima crise. Infelizmente, na minha opinião, no Brasil dos próximos anos, talvez dois ou três, isso vai se transformar num problema", disse.

Exame

Maioria das empresas espera resultados imediatos


Estudo do Instituto de Marketing Industrial indica que 72% dos executivos acreditam na competição como estratégia, e não na colaboração como diferencial

Rio de Janeiro - Mais de 60% das empresas pertencentes a setores B2B esperam obter resultados imediatos e 72% apostam na competição como estratégia, e não na colaboração como um diferencial para os negócios. É o que mostra uma pesquisa com líderes de companhias, realizada pelo Instituto de Marketing Industrial.
No contexto, a competição está ligada a oferecer produtos e serviços com os melhores preços possíveis comparados aos da concorrência, ao invés de investir em outras propostas de diferenciais. Embora o estudo indique que a competição é predominante entre as empresas, 28% apontam a cooperação como o grande caminho estratégico para a prosperidade.
Há ainda 55% que deixam claro o interesse em trabalharem na direção do que almejam para o longo prazo. Dessas, apenas 15% já estão efetivamente atuando para concretizar suas aspirações e 6% já conseguiram aliar e compartilhar com seus clientes suas aspirações num cenário de cooperação.
Foram entrevistados executivos de empresas dos setores automobilístico, químico, siderúrgico, alumínio, aviação comercial, automação industrial, energia limpa, transformação de plástico, metalurgia, vidros especiais, cerâmica, tecnologia digital, papel e celulose, setor têxtil, logística, saúde, educação, comunicação corporativa e suprimentos de um modo geral.

Exame

É possível aprender durante o sono, diz pesquisa


Embora ninguém vá aprender da noite para o dia, estudo mostra que o sono pode ser um bom momento para aperfeiçoar habilidades

São Paulo - Pessoas que escutam músicas conhecidas enquanto dormem podem ter mais facilidade para aprender a tocá-las no piano. É o que revela uma pesquisa publicada na edição desta semana do periódico britânico Nature Neuroscience.
A pesquisa realizada na Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, não promete milagre: um principiante não passará a tocar uma sonata de Beethoven após escutar a música enquanto dorme. Os resultados, porém, indicam que uma habilidades já aprendida pode ser lapidada durante o sono.
'Guitar Hero' - Os pesquisadores escolheram 16 pessoas destras. Antes de dormir, elas tinham que aprender a tocar duas canções com a mão esquerda usando as teclas a, s, d e f de um computador. Um programa semelhante ao jogo Guitar Hero mostrava aos voluntários quando e quais teclas apertar.
Após o treino, os participantes eram convidados a tirar uma soneca. Por meio de eletrodos, os cientistas monitoravam a atividade cerebral para ter certeza de que os participantes estavam realmente dormindo. Nesse momento, os pesquisadores tocavam uma das músicas que os voluntários tinham acabado de aprender.
Acordados, os participantes retomavam o teste. Resultado: eles progrediram mais no aprendizado da música que foi reproduzida enquanto dormiam.
Os cientistas não sabem se esse ganho de habilidade representa uma melhora efetiva da habilidade ou se a repetição da música durante o sono é interpretada pelo cérebro como uma instrução para prestar mais atenção a uma canção do que outra. A segunda hipótese pode significar que há janela finita de melhora e que a lapidação de uma habilidade acontece às custas de outra.
 Resultado: O sono pode ajudar a melhorar uma habilidade já aprendida. Participantes destros aprenderam a tocar duas músicas de piano com a mão esquerda. Em seguida, dormiram escutando uma delas. Ao acordarem, conseguiram tocar melhor a música que escutaram durante o sono.

Exame

terça-feira, 26 de junho de 2012

NF-e - Obrigatoriedade de utilização da Carta de Correção Eletrônica a partir de 1° de julho de 2012


Tópicos principais:

1. A utilização da Carta de Correção Eletrônica (CC-e) é obrigatória a partir de 1º.07.2012, não sendo mais admitido o uso da carta de correção convencional (em papel) a partir desta data, para a correção de Notas Fiscais Eletrônicas (modelo 55);

2. A CC-e será utilizada pelo contribuinte quando houver a necessidade de regularizar erro ocorrido na emissão da NF-e, desde que a correção não esteja vinculada a:

 a) variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da operação ou prestação;
b) dados cadastrais que impliquem mudança do remetente ou destinatário;
c) data de emissão e saída;

3. A CC-e deverá ser assinada pelo emitente com assinatura digital certificada por entidade credenciada pela ICP-Brasil, a fim de garantir a autoria do documento digital. 


A Carta de Correção Eletrônica (CC-e) é um arquivo XML, assinado pelo contribuinte, que deverá ser transmitido à Secretaria da Fazenda - SEFAZ, sendo posteriormente autorizado, ou não, pelo órgão fazendário de domicílio do emitente. O arquivo XML prevê um campo onde serão informadas as alterações solicitadas.

¹
A utilização da Carta de Correção Eletrônica é obrigatória a partir de1º.07.2012, conforme § 7° da Cláusula Décima Quarta-A do Ajuste SINIEF n° 07/2005, não sendo mais admitido o uso da carta de correção convencional (em papel) a partir desta data, para correção de Notas Fiscais Eletrônicas (modelo 55).

²A CC-e será utilizada pelo contribuinte quando houver a necessidade de regularizar erro ocorrido na emissão da NF-e, desde que a correção nãoesteja vinculada a:
a)  Variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da operação ou prestação;
b)  Dados cadastrais que impliquem mudança do remetente ou destinatário;
c)   Data de emissão e saída.
³A CC-e deverá ser assinada pelo emitente com assinatura digital certificada por entidade credenciada pela Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, a fim de garantir a autoria do documento digital.
A transmissão da CC-e será efetivada via Internet, por meio da WebService do ambiente de produção. Adiante segue link da WebService referente ao estado do Ceará:
Na versão mais recente do programa da Nota Fiscal Eletrônica - NF-e, disponibilizado pela SEFAZ/SP (versão 2.2.0), está disponível a opção para emissão da Carta de Correção Eletrônica, veja imagem a seguir:
 cc-e.jpg
Em virtude da disponibilização da CC-e, em ambiente de homologação e produção, sugerimos que seja iniciada, o quanto antes, a atualização, como também, os testes em seu programa emissor de NF-e, caso ainda não esteja apto a este evento.
A SEFAZ, através do Portal Nacional da Nota Fiscal Eletrônica (http://www.nfe.fazenda.gov.br), disponibiliza o sistema emissor de NF-e versão 2.1.4 (atual) em ambiente de homologação, permitindo que o contribuinte realize os testes antes que migre para o ambiente de produção.      
Portanto, para as empresas que utilizam sistemas particulares, é importante que o sistema emissor de NF-e seja adaptado para que, a partir de 1º/07/2012, opere atendendo as novas regras exigidas pela SEFAZ, evitando quaisquer transtornos quanto a este evento.
Destarte sugerimos que o respectivo programador responsável por disponibilizar o sistema emissor de NF-e seja contatado, a fim de realizar os devidos procedimentos, haja vista a necessidade de acompanhamento das atualizações. 

A Consultoria.
Fortaleza-Ce, 26 de Junho de 2012.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Jogos diplomáticos: como nasceu o texto da Rio+20


Diante da falta de consenso, Brasil ofereceu aos países da ONU duas possibilidades: concordar ou aceitar imposição

 "Grupo G-77, vocês chegaram a um acordo?", vociferava o embaixador brasileiro Luiz Alberto Figueiredo Machado ao coordenar uma das últimas rodadas de negociações a portas fechadas da Rio 20. Em resposta, o representante do grupo hesitava: "Desculpe embaixador, parece que não temos concordância".
Três dias antes, quando Figueiredo Machado anunciou que o Brasil assumiria as rédeas das negociações, a conferência estava à beira do colapso. Após quatro encontros preparatórios - três em Nova York e um já no Rio ?, que tiveram início no dia 19 de março, os grupos e subgrupos liderados pelos copresidentes indicados pela ONU, John Ashe, de Antigua e Barbuda, e Kim Sook, da Coréia do Sul, se engalfinharam na composição de um texto que passou de 19 páginas, quando foi publicado o rascunho pela primeira vez, para mais de 200 páginas, diante das sugestões dos países. Após o terceiro encontro, o documento retornou para 80 páginas, mas chegou ao Rio com 259 parágrafos marcados por colchetes, que, na diplomacia, são sinal de contestação. Os três dias de Comitê Preparatório, iniciados no dia 13, não representaram avanço significativo. O documento tinha pouco mais de um terço do seu conteúdo sob consenso - apenas os parágrafos mais evasivos e retóricos - e o fantasma da conferência do clima de Copenhague (2009) parecia assombrar também aquela que foi pensada e organizada para ser a maior cúpula da história, a Rio 20.
Em meio à tensão, a avaliação era de que Ashe e Sook haviam estabelecido um processo complexo e demorado, ainda que democrático, que envolvia projetar trechos do texto na tela e estimular as discussões parágrafo por parágrafo, enquanto os impasses permaneciam em conceitos maiores. Além disso, os dois pareciam não se comunicar muito bem e, nos corredores, delegados afirmavam que ambos tinham uma concepção divergente do que a Rio 20 deveria ser.
À meia-noite do dia 16, quando a equipe do Itamaraty assumiu os trabalhos, não havia mais tempo a perder. Era preciso energia e certa dose de autoridade. Começou então a nascer o documento que se tornaria a versão final da Rio 20, um resultado contestado por ONGs e autoridades mas que, pelo que indicavam as negociações, talvez jamais chegasse a algo "ambicioso" como se queria por uma razão simples: o processo, até aqui, tornava impossível conciliar ambições e medos tão diferentes entre os países-membros da ONU.
O chanceler Antônio Patriota reuniu a equipe e começou a apresentar as cartas. A primeira foi um novo texto, completamente limpo, sem qualquer colchete. Liderados por Figueiredo Machado e pelo negociador chefe, André Corrêa do Lago, os diplomatas reorganizaram a discussão e começaram a dura tarefa de fazer o texto do Brasil passar pelo ajuste e pela aprovação de todos.
 O mago - Figueiredo Machado não é figura desconhecida dos delegados que acompanham as negociações internacionais para o meio ambiente. Desde 2005, ele integra as comissões brasileiras para as maiores conferências e, em 2011, assumiu a subsecretaria do Itamaraty para Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia. Seu grande feito ocorreu há pouco mais de seis meses, mas já circula nos bastidores da ONU como lenda diplomática. Quando a Conferência das Partes para a Convenção sobre Mudança Climática de Durban (2011) estava a ponto de seguir os passos do fantasma Copenhague, o embaixador soprou uma frase nos ouvidos dos colegas e, no último minuto da "prorrogação" - as negociações já haviam se estendido 36 horas além do previsto - , aquele palpite salvou a conferência.
A mágica de Figueiredo Machado foi uma demonstração de habilidade jurídica. Diante de um impasse aparentemente sem solução, o embaixador cunhou a expressão "resultado acordado com força de lei", que pareceu conciliar duas posições contraditórias. A Índia não queria assinar um tratado com comprometimento legal e a União Europeia exigia que o tratado tivesse vínculo jurídico. Ao contrário de Copenhague, Durban figura no hall recente de conferências bem-sucedidas.
Por isso, às 21h05 do dia 18, a figura no centro da mesa da sala B do Pavilhão 3 do Riocentro impunha respeito. "E então G-77, vocês chegaram a um acordo? Preferem que eu arbitre? Eu posso arbitrar. Já fiz isso muitas vezes. Por favor, cheguem a um acordo, caso contrário eu vou decidir", dizia Figueiredo Machado para os negociadores da reunião fechada. Sob pressão do presidente de mesa, o G-77, grupo formado por mais de 130 países, entre eles o Brasil, levou seis minutos para consultas, mas cedeu. "Embaixador, desculpe a demora, mas temos boas notícias. Concordamos com o parágrafo referido, que foi oferecido pela União Europeia", afirmou o representante do grupo.
O embaixador brasileiro ordenou então a leitura do novo parágrafo acordado para que todos tomassem nota, mas sem perder em vista os ponteiros do relógio. "Poderia ler mais rápido e não tão devagar?", pediu, com firmeza, sendo novamente atendido. Se alguém ainda não tinha entendido, ficou claro: os trabalhos, além de sérios, naquele ponto precisavam ser também rápidos - ou o Brasil começaria a cúpula de chefes de estado desmoralizado por não cumprir o prazo alardeado na véspera, para a conclusão do texto.
Duas outras deliberações foram discutidas na reunião, mas dessa vez o embaixador não conseguiu vencer a resistência de um negociador irredutível. "Agradeço os esforços dos amigos do G-77 em tentar rever a condição apresentada, mas a nossa posição é clara: os dois parágrafos devem ser descartados, isso é inegociável", disse o representante dos Estados Unidos, ao rejeitar textos que mencionavam tratados anteriores e a questão da erradicação da pobreza. A reunião terminava ainda com muitos impasses.
 A madrugada do dia 19 foi escaldante. Após uma confusão de troca de salas e desorientação geral, a plenária convocada pelo Brasil para apresentar o documento havia atrasado três horas. Janez Potocnik, comissário do meio ambiente da União Europeia e chefe de delegação do bloco, reclamava à imprensa que não poderia votar, pois ainda não tinha visto o texto final. Avisado por assessores, Figueiredo Machado deixou a sala e foi em direção ao colega. Potocnik sorriu e estendeu a mão para o embaixador brasileiro. Machado cumprimentou o europeu. "É linda essa cidade, é um prazer estar aqui. Essa é sua cidade?", perguntou Potocnik. "Sim, sou do Rio. É bom tê-lo aqui", respondeu Machado, olhando firme, sem soltar a mão do colega. O embaixador falou algo em tom baixo e depois retornou à sala. Potocnik sentou e compartilhou um pacote de biscoitos com jornalistas até que, às 2h18, o chanceler Patriota anunciou que Brasil tinha chegado a um texto final. Mas o europeu e as demais delegações tiveram que aguardar até as 7h para ver o resultado.
A mágica - Ao meio-dia do dia 19, as olheiras e bocejos de delgados não arrefeciam os embates. O texto apresentado pelo Brasil tinha passado por cinco horas de avaliação e o país anfitrião queria aprová-lo. Em frente à mesa principal, Patriota ouvia os protestos. "O texto diz fortalecer o PNUMA, mas na verdade o enfraquece", dizia um delegado do Quênia. "O termo upgrade pode aos poucos retirar o PNUMA de Nairóbi e enfraquecê-lo no território africano", protestava outro. O chanceler rebateu os argumentos até o último minuto. Subiu à mesa e falou, ainda em meio à agitação. "Não ouço objeções. Assim está decidido". E bateu o martelo às 12h18, desagradando a gregos, troianos e alemães? que se uniram em uma vaia pouco calorosa ?, mas exorcizando o fantasma de Copenhague.
Os 283 parágrafos do "Futuro que Queremos", o texto que os chefes de estado acabaram ratificando na sexta-feira sem ousar reabrir negociações, certamente está aquém da expectativas de todos. O G-77 queria financiamento e transferência tecnológica. A Europa queria que o mundo adotasse a economia verde. A ONU desejava promover os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Os Estados Unidos esperavam aprovar o direito de reprodução. Os africanos lutavam para que o PNUMA fosse elevado à condição de agência especializada - algo semelhante à OMS, na saúde. Na verdade, o documento não define nenhuma dessas intricadas e difíceis ambições - ainda mais sob as nuvens negras da crise econômica. Patriota pondera: "O resultado não deixa de ser satisfatório porque existe um resultado. A perspectiva era de ter texto ou não ter texto. Temos um texto. As críticas são bem vindas", disse.
 A saída diplomática que o Brasil administrou foi um truque similar ao de Durban. Em vez de acordarem a criação de um fundo para financiamento e dizer o quanto vão doar, os países usam a conferência para prometer a criação de um fundo até 2014. Em vez de criar uma agência para o PNUMA, estabelecem formas de fortalecimento e abrem espaço para uma futura atualização. E se não define metas claras para o desenvolvimento sustentável, cria-se um processo intergovernamental para discutir a criação dos objetivos.
Em Durban, sob a batuta de Figueiredo Machado, os países não substituíram o caquético Protocolo de Kyoto, tampouco estipularam novas metas para a redução de emissões de gases. Mas eles prometeram que vão criar metas até 2015 para serem adotadas a partir de 2020. No final, só o futuro - seja ele o que queremos ou não - vai dizer se as mágicas da diplomacia brasileira vão funcionar. Ou se mais um texto vai virar abóbora quando as promessas vencerem.

Exame

Tags:

Precursor da computação, Alan Turing faria 100 anos


Aos 24 anos, Turing, segundo seus biógrafos, criou uma máquina capaz de realizar cálculos matemáticos de forma autônoma e mais rápida que um ser humano

 Um dos maiores nomes da área de tecnologia, o inglês Alan Turing completaria 100 anos hoje. Nascido em 1912, ele é considerado por cientistas e empresas de tecnologia como o pai da ciência computacional.
E o título não é à toa. Aos 24 anos, Turing, segundo seus biógrafos, criou uma máquina capaz de realizar cálculos matemáticos de forma autônoma e mais rápida que um ser humano. Ela usava um sistema que manipulava símbolos e regras, e foi chamada de Máquina Universal.
Com a sua invenção, Turing  provou aos cientistas da sua época que era possível criar máquinas para resolver questões em várias áreas. Por isso, foi taxado como o pai do algorítmo computacional, que, de certo modo, foi vital para a criação dos sistemas que usamos no dia a dia, como PCs, tablets e celulares, por exemplo.
Guerra - Tido como um gênio, Turing foi convocado pelo governo britânico para trabalhar no serviço de inteligência durante parte da Segunda Guerra Mundial. E a ele foi dada uma missão espinhosa: decifrar mensagens codificadas usadas pelo exército alemão.
Turing não só conseguiu decifrar várias das mensagens como elaborar, na época, um sistema computacional para decodificar códigos avançados do governo alemão. Chamada de Colossus, a engenhoca usava fitas de papel perfuradas para processar e desvendar as mensagens dos inimigos. Turing, portanto, foi de suma importância para a vitória dos ingleses e países aliados.
Além desses projetos, ele fez outros - e o sucesso deles o levou aos Estados Unidos, onde criou uma tecnologia para a troca de dados intercontinentais de forma segura.
Homossexualismo - Turing era homossexual e, na a época, o governo britânico considerava isto um crime e um grave problema social, ainda mais para quem prestava serviços militares.
A Inglaterra, então, abriu um processo criminal contra Turing. Além da humilhação, o cientista teve que aceitar à força um tratamento com hormônios - assim, dizia o governo inglês, ele poderia ser curado e ficar livre da prisão. Em 1954, o cientista - então com 42 anos - se envenenou com cianeto, um componente químico mortal.
Por muitos anos, o caso causou constrangimento ao governo inglês. Até que em 2009, o então primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, fez um pronunciamento para tratar do caso. Em nome da Inglaterra, ele se desculpou pelo massacre que arruinou e tirou a vida de Turing.
Por sua importância e contribuição, Turing ganhou hoje uma homenagem do Google. O Doodle, logo animado da empresa que homenageia personalidades de todas as áreas, exibe neste sábado uma alusão à maquina de Turing, um dos grandes projetos do cientista britânico.

Exame