terça-feira, 17 de abril de 2012

Expedição vai explorar 'continente de plástico' formado por lixo no Pacífico

Placa de lixo plástico que flutua no oceano é seis vezes maior que a França.

Escuna guiada por satélites sairá da Califórnia rumo ao Havaí.


Guiada por satélites "high-tech", uma escuna francesa da década de 1930 vai, em breve, partir ao encontro do "7º continente" - uma gigantesca placa de lixo plástico que flutua no oceano Pacífico, seis vezes maior do que a França.
"Chocado pelos detritos encontrados no mar" durante sua participação numa competição de remo, em 2009, o explorador Patrick Deixonne decidiu realizar esta expedição científica para alertar o mundo sobre a "catástrofe ecológica" em curso, no nordeste do Pacífico.
Esta placa de lixo "fica em águas pouco usadas pela marinha mercante e o turismo, e a comunidade internacional não se preocupa por enquanto", disse ele.
Membro da Sociedade de Exploradores franceses (SEF), que patrocina a aventura, e fundador da Ocean Scientific Logistic (OSL), com sede em Caiena, na Guiana Francesa, Deixonne afirmou à AFP querer "ser os olhos dos franceses e dos europeus para este fenômeno".
Ex-bombeiro do Centro Espacial de Kourou e conhecedor da floresta guianense, Patrick Deixonne, 47 anos, define-se como um "explorador de uma nova geração que deve documentar os grandes problemas ambientais, porque a informação é a chave da mudança".
A missão "7º Continente" sairá no dia 2 de maio de San Diego, nos Estados Unidos a bordo da L'Elan, uma escuna de dois mastros construída em 1938, para um mês de navegação e um périplo de 2.500 milhas náuticas (4.630 km) entre a Califórnia e o Havaí, onde o explorador Charles Moore descobriu, por acaso, em 1997, esta incrível massa de resíduos plásticos.
Até o momento, à exceção da passagem da missão Tara-Océans pela região, para proteger o plâncton, apenas duas expedições americanas a estudaram, em 2006 e 2009.
O lixo se acumula a ponto de encontrar correntes marítimas fortes que se deslocam sob o efeito da rotação da Terra, segundo o princípio da força de Coriolis, e formam um imenso vórtice denominado "Vortex de Gyre".
A força centrípeda aspira lentamente o lixo para o centro dessa espiral que poderá se tornar então uma das maiores do planeta: 22.200 km de circunferência e cerca de 3,4 milhões de km2, segundo o Centro Nacional de Estudos Espaciais (Cnes) que patrocina o projeto.
"Estima-se em várias dezenas de milhões de toneladas a quantidade de detritos nos cinco pontos do globo", explica Georges Grépin, biologista e assessor científico da OSL Ocean Scientific Logistic.
Outros cientistas marinhos já encontraram fragmentos de plástico em todas as amostras de água do oceano obtidas na perna inicial da travessia do Projeto 5 Gyres (Giros), o primeiro estudo global sobre poluição marinha por plástico.
São "essencialmente microdetritos de plástico decomposto em suspensão sobre 30 metros de profundidade. Não é verdadeiramente um continente sobre o qual pode-se caminhar, no sentido próprio", precisou.
A escuna será guiada por dois satélites da Nasa, Aqua e Terra, para se dirigir aos locais onde a concentração de resíduos é a mais forte, para medir sua densidade.
Um captador, elaborado por alunos de engenharia, será testado numa boia à deriva. Deverá permitir distinguir na água os plásticos dos plânctons e outras partículas vivas, depois cartografar as zonas poluídas com imagens por satélite, pela primeira vez no mundo.
Também serão soltas, durante o percurso, outras 12 boias de estudos científicos pertencentes à agência americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), ao programa de estudo dos oceanos da Unesco e ao projeto juventude Argonáutica, para permitir a milhares de estudantes no mundo realizar um estudo das correntes marítimas.
Para saber mais sobre a expedição, basta acompanhá-la diretamente no site: http://www.septiemecontinent.com
IG

Governo pretende fechar outros cinco lixões no Rio de Janeiro

A Baía de Guanabara estará livre de lixões em seu entorno até o fim deste ano. Com o fechamento do Aterro Sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, previsto para o próximo mês, secretário de Ambiente do Rio, Carlos Minc, afirmou em entrevista que pretende terminar com mais cinco lixões na região, localizados nos municípios de Magé, Queimados, Japeri, Miguel Pereira e Guapimirim. 

Segundo Minc, o lixo que hoje é jogado nesses locais será levado para aterros sanitários legalizados, deixando de poluir a Baía de Guanabara.

— Cada lixão desses gera uma grande quantidade de chorume, que retira o oxigênio da água. Vai ser um importante ganho para a baía o fim de todos os lixões, tanto ambientalmente como socialmente.

A prefeitura do Rio anunciou também que decidiu adiar para maio o fechamento do Lixão de Gramacho, após reunião no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social entre o prefeito do Rio, Eduardo Paes, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e representantes dos catadores.

Ficou acertado que a prefeitura do Rio vai pagar em parcela única os recursos do Fundo dos Catadores, que originalmente seriam pagos ao longo de 14 anos em parcelas anuais de R$ 1,5 milhão. Também foi decidido que os representantes dos catadores têm até 25 de abril para informar a relação de quem terá direito aos recursos.

Os catadores deverão abrir conta individual na Caixa Econômica Federal para o recebimento da parcela única, que será depositada no mês de maio. Os catadores terão direito a uma indenização individual em valor que ainda será definido, podendo girar em torno de R$ 15 mil, dependendo do número de beneficiados.

O objetivo é que os antigos catadores e suas famílias façam cursos profissionalizantes para que possam trabalhar em outros setores ou participem de cooperativas de reciclagem. O bairro de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, será totalmente reurbanizado, com a construção de novas casas para abrigar os catadores. Para isso também será utilizada verba da venda de créditos de carbono, com a utilização do gás metano, que deixará de ser jogado na atmosfera e hoje representa um dos principais componentes do aquecimento global.

Minc anunciou a criação de um conselho gestor para administrar o dinheiro que será obtido com a venda do gás metano e que será distribuído entre os cerca de 1.500 catadores que hoje vivem da reciclagem em Gramacho. Segundo o secretário, a quantidade de metano acumulada no local é suficiente para abastecer todo o consumo residencial da cidade do Rio durante cinco anos.
R7

Fluxo operacional de caixa pode ser fração pequena do Ebitda


O Ebitda de uma empresa equivale à sua geração operacional de caixa, certo? Muita gente responderia sim sem pestanejar. Afinal, executivos de empresas abertas e analistas de investimentos dizem isso de forma repetida a cada nova temporada de balanços - como a que se iniciou ontem (veja mais nesta página).
Preocupado com o uso dos dois termos como sinônimos, o professor Oscar Malvessi, coordenador do curso de fusões e aquisições da Escola Administração de Empresas de São Paulo de FGV, decidiu preparar um estudo sobre o tema.
A conclusão impressiona. Um grupo de 13 companhias abertas registrou Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 20,25 bilhões no período de dois anos até setembro do ano passado. Em igual intervalo, o fluxo de caixa operacional das companhias foi de apenas R$ 670 milhões.
Em um período mais curto, de seis meses, o resultado obtido foi na mesma linha. O Ebitda delas somou R$ 4,69 bilhões, enquanto o fluxo de caixa operacional foi negativo em R$ 2,53 bilhões.
Não chega a ser uma surpresa que os valores sejam diferentes, porque as medidas realmente o são - o fluxo de caixa operacional desconta o efeito do imposto de renda e também a necessidade de capital de giro (veja no quadro nesta página como cada uma é calculada). Mas a magnitude chama a atenção e causa estranheza que os agentes financeiros aceitem uma medida como aproximação da outra sem muitos questionamentos.
Como foi dito numa época inglória do passado, uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. No caso do Ebitda, não se trata de mentira, mas de uma simplificação, que às vezes pode ser exagerada, e levar a conclusões erradas.
De acordo com Malvessi, o investidor que acredita que o Ebitda representa geração de caixa corre o risco de achar que uma empresa tem sobra de caixa, quando na verdade ela precisa de mais dinheiro para investir na operação a cada trimestre.
A amostra do estudo foi escolhida pelo próprio professor e teve como base as empresas citadas na reportagem "Ajuste bilionário", publicada em setembro peloValor. Nela, o jornal mostrava a diferença entre resultados "alternativos", como "Ebitda ajustado" ou "lucro ajustado", dos indicadores calculados da forma tradicional, o "Ebitda puro" e o "lucro puro".
Não necessariamente essas 13 empresas são destaques em termos de diferença entre o Ebitda e o fluxo de caixa operacional. Ou seja, desse ponto de vista, a amostra é praticamente aleatória.
Segundo Malvessi, os resultados obtidos servem mais como um exemplo para o que ocorre no mercado de forma geral. Ele ressalta também a diferença entre um indicador e outro pode mudar ao longo do tempo e dos períodos analisados, a depender de sazonalidade e também da estratégia das empresas e da conjuntura de mercado. "Num cenário mais negativo, é preciso dar mais prazo para o cliente", exemplifica o professor.
Mas como no grupo das 13 empresas existem quatro incorporadoras imobiliárias, que sabidamente tem um descasamento grande entre o resultado apurado pelo regime de competência e a geração operacional de caixa, o Valor pediu que Malvessi excluísse da conta essas empresas.
Mesmo assim, a diferença entre o Ebitda e o fluxo de caixa operacional foi relevante. As nove empresas restantes tiveram Ebitda de R$ 18,35 bilhões no período de dois anos até setembro, enquanto a geração operacional de caixa foi de R$ 5,15 bilhões, número 72% menor.
Malvessi se diz especialmente preocupado com a disseminação do uso do Ebitda como indicador determinante para pagamento de bônus aos executivos. Para ele, o indicador poderia ser usado no máximo para medir o resultado operacional no nível gerencial.
"A diretoria tem que ter uma visão mais ampla da companhia. Se a empresa não compra e vende à vista, é preciso acompanhar a necessidade de capital de giro para bancar a operação. É aí que a coisa pega", diz ele. "Pode ser que o acionista remunere o gestor sem perceber que ele está destruindo a riqueza da companhia", acrescenta, lembrando que o uso do valor absoluto do Ebitda não mede quanto de capital foi necessário para que ele fosse gerado.
O que Malvessi não conseguiu medir no estudo foi o apego dos profissionais de mercado pelo Ebitda, que provavelmente não vai desaparecer tão cedo.
Reginaldo Alexandre, presidente da Apimec, a associação dos analistas de investimentos, entende que foi a simplicidade que fez o Ebitda cair nas graças de seus colegas. "Eles gostam porque é simples de calcular. Isso torna a medida muito fácil de utilizar. E o mercado tem como característica eleger indicadores práticos", afirma.
Alexandre, no entanto, também reconhece a fragilidade da medida. Além de afirmar que o Ebitda ignora a necessidade de aplicação de capital de giro no negócio (especialmente em momentos de expansão das empresas, como ocorre atualmente no Brasil), ele menciona que ele também despreza a necessidade de investimento mínimo em manutenção. "E alguns desses gastos não são opção da empresa, sob pena de matar a galinha dos ovos de ouro", afirma.
ValorOnline

Natura não comenta possível interesse por Avon

Ana Paula Paiva/Valor
Alessandro Carlucci, presidente da Natura, e Pedro Passos, um dos fundadores: sem comentários sobre possível proposta à Avon
SÃO PAULO - A Natura voltou a dizer que não comenta rumores de mercado envolvendo uma possível proposta de aquisição da concorrente americana Avon, que recentemente recebeu uma oferta de compra da Coty, também dos Estados unidos, no valor de US$ 10 bilhões. “Não vamos fazer nenhum comentário”, afirmou Alessandro Carlucci, diretor-presidente da companhia, quando questionado na manhã de hoje sobre o assunto.
Perguntado então se a negativa se referia a rumores de forma geral ou ao negócio específico, o executivo disse que a empresa não comenta “sobre possíveis parcerias ou aquisições”. “Achamos que é o certo do ponto de vista de governança corporativa”, afirmou ele, que participou de evento com acionistas após a realização da assembleia geral da companhia.
Depois de a Avon ter rejeitado a oferta de compra feita pela Coty, na semana passada, surgiram comentários no mercado de que a empresa americana poderia interessar à Natura.
O presidente da fabricante de cosméticos também reforçou a confiança da Natura no modelo de venda direta, e descartou qualquer iniciativa envolvendo a abertura de redes de lojas. “A estratégia continua a mesma. Abrimos uma lojas na rua Oscar Freire (na região dos Jardins, em São Paulo), mas só para construir marca”, garantiu o executivo, acrescentando que a loja é temporária.
“Com o modelo de venda direta estamos mais perto do consumidor do que o varejo com a loja”, reforçou Pedro Passos, co-presidente do conselho de administração e um dos fundadores da Natura.
Carlucci lembrou ainda que no segundo semestre a companhia inicia um projeto piloto que prevê o uso de redes de tecnologia para realização dos pedidos e a possibilidade de entrega direta dos produtos aos clientes. “Mas essa possibilidade não retira o papel da consultora”, que vai continuar a participar do processo de venda, segundo ele.

ValorOnline

Novo golpe digital já afeta mais de 31 mil usuários do Twitter

Scott Eells/Bloomberg 
SÃO PAULO – A companhia de segurança da informação Eset anunciou hoje a descoberta de um novo ataque digital centrado no Twitter. Segundo a empresa, o golpe já afetou mais de 31 mil usuários do microblog em todo o mundo.
O novo ataque é baseado em técnicas de engenharia social, nas quais os cibercriminosos se aproveitam da curiosidade das vítimas para induzi-las a clicar em links maliciosos. Nesse caso específico, o golpe usa tweets em inglês sobre rumores ou tragédias, com o objetivo de atrair os internautas, fazendo com que eles acessem o endereço eletrônico fraudulento.
Depois de acessar a página em questão, o usuário recebe a informação de que sua conta no Twitter saiu do ar. Ele é induzido então a inserir seu login e senha pessoal para voltar à rede social. Nesse momento, os crimonosos roubam as informações pessoais do internauta.
Segundo os especialistas da Eset, até o momento, os cibercriminosos usaram apenas frases em inglês para disseminar a ameaça. No entanto, dizem eles, há uma tendência de que o golpe migre para outros idiomas, inclusive o português.
ValorOnline

Indústria demite em março e já paga menos


O resultado da indústria de transformação no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de março surpreendeu negativamente, com o fechamento de 5.048 vagas, e salários iniciais inferiores aos da construção e de serviços. Desde 2004, dado mais antigo disponibilizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o saldo de vagas no setor para esse mês só foi negativo em 2009, sob efeito da crise mundial. Normalmente, as contratações superam as demissões na indústria em março.
"A indústria teve um resultado preocupante", diz Fabio Romão, economista da LCA Consultores. Segundo a LCA, na média dos meses de março de 2001 a 2012, a indústria geral (incluindo extrativa, transformação e de utilidade pública) criou 23 mil vagas. Em 2012, esse número foi negativo, com o fechamento de 2.423 emprego.
Entre os subsetores da indústria de transformação, o pior desempenho foi de produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico, que perdeu 25.211 vagas. "Acho que esse resultado se deve ao setor sucroalcooleiro, o que pode ter afetado também a agropecuária", diz Romão. "Mas outros setores importantes, como metalurgia e material de transporte, também não apresentaram bons resultados." A indústria metalúrgica apresentou saldo positivo de 266 vagas em março e a de material de transporte, 143 demissões líquidas.
A remuneração na indústria reflete o mau momento pelo qual passa o setor. O salário real médio de admissão ficou abaixo da construção civil e de serviços no primeiro trimestre deste ano. Enquanto a indústria de transformação pagou, em média, R$ 1.011,69 para os novos admitidos, o salário em serviços foi de R$ 1.046,01 (3,4% maior) e, na construção, foi de R$ 1.066,36 (5,4% maior).
Para Luiz Scorzafave, especialista em mercado de trabalho da USP em Ribeirão Preto, uma conjunção de fatores estruturais e conjunturais vem fazendo com que o setor industrial perca o posto de "melhor pagador". "O setor de serviços, hoje, é o mais importante da economia brasileira. As pessoas que trabalham nesse setor estão aumentando o seu grau de escolaridade, o que pressiona os salários."
Ele acrescenta que a indústria sofre com a concorrência dos importados, que acabam sendo mais interessantes para o empresário do que a produção local. "Ao contrário da indústria, serviços não sofre com a concorrência estrangeira. O brasileiro não viaja para cortar o cabelo. Esse serviço gera emprego aqui. Mas o industrial pode importar uma peça e criar emprego em outro país", diz Scorzafave.
Os setores de construção civil e serviços continuam segurando a geração de empregos no Brasil, na avaliação de José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. De acordo com os dados do Caged, o saldo líquido de vagas na construção civil foi de 35.935, diante de 3.315 em igual mês do ano passado. Em serviços, o saldo em março foi positivo em 83.182 vagas, ante 60.309 na mesma base de comparação. Segundo o economista, a incidência do Carnaval no mês de fevereiro (em 2011 foi em março), abriu espaço para que alguns setores avançassem na comparação com 2011.
Ana Maria Castelo, especialista no setor de construção civil da Fundação Getulio Vargas (FGV), acredita que o mercado de trabalho está muito pressionado em alguns setores e essa escassez de mão de obra explica a valorização do salário em alguns casos. "O crescimento da construção deve ser sustentado durante bastante tempo. O investimento em infraestrutura foi retomado fortemente e a tendência é acelerar", afirma.
Em valores absolutos, houve 1,881 milhão de admissões e 1,769 milhão de demissões em março. O saldo de 111,7 mil vagas é 20,5% superior à criação de vagas registrada em março do ano passado - mês em que ocorreu o Carnaval.
O resultado geral do Caged aponta para a manutenção do nível de emprego no país, na opinião de Fabio Ramos, da Quest Investimentos. Para ele, o número mostra uma ligeira tendência de desaceleração na criação de vagas frente a fevereiro, quando o saldo líquido foi de 150,6 mil, e a janeiro (118,9 mil). "Esse resultado, se mantido, implica um nível de desemprego estável a médio prazo."
O salário médio real de admissão subiu mais nas regiões mais pobres, na comparação entre o 1º trimestre de 2012 e o mesmo período de 2011. No Norte, a média cresceu 6,37%, ante 6,22% no Centro-Oeste, 5,45% no Nordeste, 4,18% no Sul e 4,16% no Sudeste. A média nacional, que ficou em R$ 993,44 no primeiro trimestre deste ano, foi 4,47% maior que em igual período de 2011.
"As regiões Norte e Nordeste apresentam um ritmo de crescimento maior que as regiões mais ricas do país. A tendência é que a diferença salarial entre essas regiões diminua gradualmente", explica Ana Maria. "O reajuste forte do salário mínimo e a maior formalização da mão de obra, que atinge essas regiões, explicam essa valorização. Hoje, muitas empresas dizem que não conseguem mais recrutar mão de obra no Nordeste para o Sudeste", acrescenta.
Na comparação entre os setores da economia, de acordo com a divisão do Caged, foi na administração pública que houve a maior valorização do salário real médio de admissão. Entre o primeiro trimestre de 2012 e o mesmo período de 2011, o aumento foi de 8,73%.
ValorOnline

segunda-feira, 16 de abril de 2012

As regiões mais vulneráveis à falta de água no mundo


Segundo levantamento da consultoria britânica Maplecroft, metade dos países é de integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Nessas regiões, cada gota pode emergir como uma nova fonte de instabilidade

Onde cada gota vale ouro
São Paulo - Embora repleto de rios, mares e oceanos, o planeta Terra tem apenas 3% de água doce disponível para o consumo de cerca de 7 bilhões de pessoas. Abundante em alguns países, escasso em outros, esse recurso natural essencial para a sobrevivência humana distribui-se de forma desigual pelo globo.

Segundo levantamento da consultoria britânica Maplecroft, os países do Oriente Médio - palco de um sem número de conflitos econômicos e políticos - são os mais vulneráveis à falta de água. Nessas regiões, cada gota pode emergir como uma nova fonte de instabilidade. Em alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Iraque e Arábia Saudita, a escassez de água vem se tornando crítica há gerações.

O problema também integra o conflito na Faixa de Gaza entre Israel e os palestinos do grupo Hamas. Outros países vulneráreis já sentem os efeitos do aquecimento global, à exemplo da Mauritânia, no Saara (foto). Não há mais chuvas e os termômetros registram altas recordes de temperatura, que afetam a produção de alimentos e deixam sedenta a população. A seguir, você confere a lista de alguns países em risco extremo de "secar" nos próximos anos.
Síria
São Paulo - O acesso à água potável é um desafio diário para a população da Síria. Em muitas regiões do norte do país, a água da chuva é coletada e carregada por burros até as cidadezinhas que sofrem com a escassez do recurso.
A maior parte da água é usada na agricultura, que exige um sistema de intenso de irrigação, enquanto apenas 9% da água destina-se ao suprimento das demandas domésticas.

Emirados Árabes
São Paulo - A escassez de água é uma das questões que mais tem determinado as opções tecnológicas dos Emirados Árabes, confederação no Golfo Pérsico formada por Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujairah. O clima do país é árido, com temperaturas muito elevadas no verão.
Para driblar este cenário nada favorável, os Emirados têm investido em unidades de dessalinização da água do mar. Só Dubai deverá investir cerca de 20 milhões de dólares neste sistema nos próximos sete anos. Até 2025, etima-se que será necessário investir 200 milhões de dólares em programas de infraestrutura e de tratamento de esgoto.
Omã
São Paulo - A incerteza paira sobre os recursos hídricos deste pequeno país árabe. Secas constantes e um número limitado de chuvas ajudam a aumentar as pressões sobre o fornecimento de água para uso agrícola e também doméstico.
O solo de Omã está cada vez mais salinizado pela exploração desenfreada e mal coordenada das reservas subterrâneas de água doce, o que muitas vezes permite a invasão de água salgada no lençol freático das planícies costeiras.
 Israel
São Paulo - Em Israel, como em todo o Oriente Médio, água é assunto político. O estado ocupa o vale do Rio Jordão há mais de quatro décadas e não concede acesso à suas margens pelos palestinos, detendo o fornecimento. Estima-se que o estado judeu destina 80% da água do rio para suprir o próprio consumo e 20% para os palestinos.
Durante o verão de 2008, Israel enfrentou sua pior crise de abastecimento de água. Para contornar a situação, o país teve que cavar poços artesianos que estavam reservados para serem usados apenas dois anos depois. O fornecimento de água na região é feito pelo processo de dessalinização, que recebe, anualmente, investimentos vultosos.
Jordânia
São Paulo - A insuficiência de recursos hídricos neste país desértico e de temperaturas elevadas no Oriente Médio é crítica. Em algumas regiões, o abastecimento de água acontece apenas uma vez por semana. Os reservatórios existentes são explorados de maneira tão intensa a ponto de ameaçar o fornecimento no longo prazo para os cerca de 6 milhões de habitantes e os setores de agricultura, industria.
A geografia de planalto e bastante acidentada do país dificulta o abastecimento.
Um dos principais problemas alí é o bombeamento da água do Vale do Jordão, localizado abaixo do nível do mar até às cidades, a mais de mil metros de altitude. Boa parte do sistema está obsoleto, o que prejudica o desempenho e força o consumo de energia do país. O uso das água do Jordão também é dificultado pelo fato de se tratar de uma fonte fronteiriça e motivo de atrito entre Israel e Jordânia. O rio fornece entre 25% e 30% da água de Israel e 75% da água da Jordânia.
 Kuwait
São Paulo - O pequeno país do Oriente Médio e rei do petróleo corre "risco extremo" de desabastecimento de água, segundo o relatório da Maplecroft. Rodeado pelo deserto, o Kuwait é considerado o país mais seco do mundo e o único onde não existe água doce. Não há, ao longo de seus 18 mil km² de território, nenhuma reserva, rios ou lagos, nem mesmo aquíferos subterrâneos de água doce.
Aproximadamente 75% de toda a água potável consumida no país precisa ser dessalinizada ou importada. Essa é uma questão estratégica devido às altas temperatura da região, à falta de chuva e à deteriorização do solo para cultivo. A escassez de água doce é, inclusive, o principal entrave para o desenvolvimento da agricultura no país.
Mauritânia
São Paulo - Situada no noroeste da África, na região do deserto do Saara, a Mauritânia é o país mais vulnerável do mundo à crise de água. Pelo menos 90% de todo o estado é dependente do abastecimento de água externo. Com apenas um rio em seu território para provisão durante todo o ano, o país é quase inteiramente seco. O rio que o atravessa, o Senegal, faz ainda fronteira com outros quatro países e tem suas margens constantemente invadidas por tribos africanas. 

O crescimento populacional, estimado em 3% ao ano, aumenta mais ainda a demanda por água, bem como os riscos de poluição deste recurso natural. Em 2005, estima-se que o governo da Mauritânia gastou cerca de 15 milhões de dólares para o tratamento de doenças de transmissão hídrica. A desertificação acelerada combinada à redução das chuvas e a falta de uma rede de distribuição de água agravam o quadro de escassez de água no país, classificado pela Maplecroft como de "risco extremo".
Exame