Segundo levantamento da consultoria britânica Maplecroft, metade dos países é de integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Nessas regiões, cada gota pode emergir como uma nova fonte de instabilidade
Onde cada gota vale ouro
São Paulo - Embora repleto de rios, mares e oceanos, o planeta Terra tem apenas 3% de água doce disponível para o consumo de cerca de 7 bilhões de pessoas. Abundante em alguns países, escasso em outros, esse recurso natural essencial para a sobrevivência humana distribui-se de forma desigual pelo globo.
Segundo levantamento da consultoria britânica Maplecroft, os países do Oriente Médio - palco de um sem número de conflitos econômicos e políticos - são os mais vulneráveis à falta de água. Nessas regiões, cada gota pode emergir como uma nova fonte de instabilidade. Em alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Iraque e Arábia Saudita, a escassez de água vem se tornando crítica há gerações.
O problema também integra o conflito na Faixa de Gaza entre Israel e os palestinos do grupo Hamas. Outros países vulneráreis já sentem os efeitos do aquecimento global, à exemplo da Mauritânia, no Saara (foto). Não há mais chuvas e os termômetros registram altas recordes de temperatura, que afetam a produção de alimentos e deixam sedenta a população. A seguir, você confere a lista de alguns países em risco extremo de "secar" nos próximos anos.
Segundo levantamento da consultoria britânica Maplecroft, os países do Oriente Médio - palco de um sem número de conflitos econômicos e políticos - são os mais vulneráveis à falta de água. Nessas regiões, cada gota pode emergir como uma nova fonte de instabilidade. Em alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, como Iraque e Arábia Saudita, a escassez de água vem se tornando crítica há gerações.
O problema também integra o conflito na Faixa de Gaza entre Israel e os palestinos do grupo Hamas. Outros países vulneráreis já sentem os efeitos do aquecimento global, à exemplo da Mauritânia, no Saara (foto). Não há mais chuvas e os termômetros registram altas recordes de temperatura, que afetam a produção de alimentos e deixam sedenta a população. A seguir, você confere a lista de alguns países em risco extremo de "secar" nos próximos anos.
Síria
São Paulo - O acesso à água potável é um desafio diário para a população da Síria. Em muitas regiões do norte do país, a água da chuva é coletada e carregada por burros até as cidadezinhas que sofrem com a escassez do recurso.
A maior parte da água é usada na agricultura, que exige um sistema de intenso de irrigação, enquanto apenas 9% da água destina-se ao suprimento das demandas domésticas.
Emirados Árabes
São Paulo - A escassez de água é uma das questões que mais tem determinado as opções tecnológicas dos Emirados Árabes, confederação no Golfo Pérsico formada por Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Quwain, Ras al-Khaimah e Fujairah. O clima do país é árido, com temperaturas muito elevadas no verão.
Para driblar este cenário nada favorável, os Emirados têm investido em unidades de dessalinização da água do mar. Só Dubai deverá investir cerca de 20 milhões de dólares neste sistema nos próximos sete anos. Até 2025, etima-se que será necessário investir 200 milhões de dólares em programas de infraestrutura e de tratamento de esgoto.
Omã
São Paulo - A incerteza paira sobre os recursos hídricos deste pequeno país árabe. Secas constantes e um número limitado de chuvas ajudam a aumentar as pressões sobre o fornecimento de água para uso agrícola e também doméstico.
O solo de Omã está cada vez mais salinizado pela exploração desenfreada e mal coordenada das reservas subterrâneas de água doce, o que muitas vezes permite a invasão de água salgada no lençol freático das planícies costeiras.
Israel
São Paulo - Em Israel, como em todo o Oriente Médio, água é assunto político. O estado ocupa o vale do Rio Jordão há mais de quatro décadas e não concede acesso à suas margens pelos palestinos, detendo o fornecimento. Estima-se que o estado judeu destina 80% da água do rio para suprir o próprio consumo e 20% para os palestinos.
Durante o verão de 2008, Israel enfrentou sua pior crise de abastecimento de água. Para contornar a situação, o país teve que cavar poços artesianos que estavam reservados para serem usados apenas dois anos depois. O fornecimento de água na região é feito pelo processo de dessalinização, que recebe, anualmente, investimentos vultosos.
Jordânia
São Paulo - A insuficiência de recursos hídricos neste país desértico e de temperaturas elevadas no Oriente Médio é crítica. Em algumas regiões, o abastecimento de água acontece apenas uma vez por semana. Os reservatórios existentes são explorados de maneira tão intensa a ponto de ameaçar o fornecimento no longo prazo para os cerca de 6 milhões de habitantes e os setores de agricultura, industria.
A geografia de planalto e bastante acidentada do país dificulta o abastecimento.
A geografia de planalto e bastante acidentada do país dificulta o abastecimento.
Um dos principais problemas alí é o bombeamento da água do Vale do Jordão, localizado abaixo do nível do mar até às cidades, a mais de mil metros de altitude. Boa parte do sistema está obsoleto, o que prejudica o desempenho e força o consumo de energia do país. O uso das água do Jordão também é dificultado pelo fato de se tratar de uma fonte fronteiriça e motivo de atrito entre Israel e Jordânia. O rio fornece entre 25% e 30% da água de Israel e 75% da água da Jordânia.
Kuwait
São Paulo - O pequeno país do Oriente Médio e rei do petróleo corre "risco extremo" de desabastecimento de água, segundo o relatório da Maplecroft. Rodeado pelo deserto, o Kuwait é considerado o país mais seco do mundo e o único onde não existe água doce. Não há, ao longo de seus 18 mil km² de território, nenhuma reserva, rios ou lagos, nem mesmo aquíferos subterrâneos de água doce.
Aproximadamente 75% de toda a água potável consumida no país precisa ser dessalinizada ou importada. Essa é uma questão estratégica devido às altas temperatura da região, à falta de chuva e à deteriorização do solo para cultivo. A escassez de água doce é, inclusive, o principal entrave para o desenvolvimento da agricultura no país.
Mauritânia
São Paulo - Situada no noroeste da África, na região do deserto do Saara, a Mauritânia é o país mais vulnerável do mundo à crise de água. Pelo menos 90% de todo o estado é dependente do abastecimento de água externo. Com apenas um rio em seu território para provisão durante todo o ano, o país é quase inteiramente seco. O rio que o atravessa, o Senegal, faz ainda fronteira com outros quatro países e tem suas margens constantemente invadidas por tribos africanas.
O crescimento populacional, estimado em 3% ao ano, aumenta mais ainda a demanda por água, bem como os riscos de poluição deste recurso natural. Em 2005, estima-se que o governo da Mauritânia gastou cerca de 15 milhões de dólares para o tratamento de doenças de transmissão hídrica. A desertificação acelerada combinada à redução das chuvas e a falta de uma rede de distribuição de água agravam o quadro de escassez de água no país, classificado pela Maplecroft como de "risco extremo".
O crescimento populacional, estimado em 3% ao ano, aumenta mais ainda a demanda por água, bem como os riscos de poluição deste recurso natural. Em 2005, estima-se que o governo da Mauritânia gastou cerca de 15 milhões de dólares para o tratamento de doenças de transmissão hídrica. A desertificação acelerada combinada à redução das chuvas e a falta de uma rede de distribuição de água agravam o quadro de escassez de água no país, classificado pela Maplecroft como de "risco extremo".
Exame
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