quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Uma executiva improvável chega ao comando da GE Brasil

Pela primeira vez, em 92 anos de País, a gigante americana tem uma mulher no mais alto cargo da empresa
 - Tiago Queiroz/AE
 Enquanto atendia aos pedidos do fotógrafo para ficar de pé em frente à uma janela, virar o rosto mais à direita ou cruzar os braços, Adriana Machado não se desligou de nenhum detalhe. "Essa sujeirinha no vidro não dá pra ver não, né?", perguntou a executiva, que se dividia entre olhar para a câmera e checar o ambiente.
A observação minuciosa, tipicamente feminina, é um sinal prosaico de que o comando da General Electric no Brasil está diferente. Pela primeira vez, em 92 anos de País, a gigante americana tem uma mulher no mais alto cargo da empresa. Aos 43 anos, Adriana assumiu no mês passado uma subsidiária com 8 mil funcionários e um faturamento de US$ 2,6 bilhões em 2010 - para 2011, a expectativa é de um crescimento de pelo menos 30%.
"Você não imagina a quantidade de funcionárias que nunca haviam falado comigo e me mandaram e-mails contando do orgulho de ter uma mulher nessa posição", diz a executiva. "Isso ainda chama a atenção. Muitas vezes sou a única mulher nas reuniões. Mas, se a cobrança é maior, a torcida também é."
Mundo feminino
A executiva faz parte de um universo que vem aumentando nos últimos anos, mas ainda é tímido no mundo corporativo. Nos Estados Unidos, onde nomes como Indra Nooyi, à frente da Pepsico, Ursula Burns, da Xerox, e Ellen Kullman, da DuPont, servem de referência para o resto do mundo, apenas 18 das 500 maiores empresas da lista da revista Fortune são comandadas por mulheres. O número, que apesar de modesto é recorde, já contempla Virginia "Ginni" Rometty, da IBM, e Heather Bresch, da fabricante de genéricos Mylan, que neste mês assumiram o comando dessas empresas.
No Brasil, ao lado de executivas como Luiza Trajano, do Magazine Luiza, ou Grace Lieblein, presidente da GM Brasil, Adriana passou a integrar um grupo que representa cerca de 11% do total de presidentes de empresa no País, segundo dados do Fórum Econômico Mundial.
Mãe de dois meninos, um de seis e outro de 13 anos, a executiva não vê dilemas entre vida pessoal e profissional. "Sou uma melhor mãe trabalhando do que o tempo todo em casa. Eu sempre trabalhei e acho que ter uma vida profissional deixa mais rica a relação com meus filhos", diz a presidente da GE Brasil, que começou ainda na adolescência a dar aulas de balé e de inglês. "Não sei se é bom ou ruim, mas eles já estão acostumados a uma mãe que viaja ou interrompe a brincadeira para fazer um call", afirma.
Projetos
Diante da missão que Adriana tem pela frente, é provável que as interrupções fiquem cada vez mais constantes. Com US$ 550 milhões em investimentos até 2013, a subsidiária brasileira é uma das maiores apostas para o avanço global da GE. No início do ano passado, a companhia decidiu dar mais autonomia às operações internacionais, que hoje respondem por 60% da receita. Com isso, só a GE Brasil ganhou mais mil funcionários no período.
Entre as prioridades do plano de investimentos está a construção do quinto centro de pesquisa global da empresa, orçado em US$ 120 milhões, que ficará no Parque Tecnológico do Fundão, onde está o campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O centro, que deve estar pronto no primeiro semestre de 2013, vai abrigar 200 PhDs e desenvolver trabalhos principalmente no setor de óleo e gás, área estratégica para a companhia.
De olho nas oportunidades do pré-sal, a multinacional também montou há cerca de seis meses um time de fusões e aquisições. Entre os objetivos, está a vontade de transformar a GE na maior provedora de equipamentos da Petrobrás. Batizado de Rio4Real, o grupo tem ainda a tarefa de prospectar negócios relacionados aos Jogos Olímpicos e à Copa do Mundo. Nas contas da companhia, o Estado do Rio de Janeiro deverá receber até 2016 investimentos da ordem de US$ 100 bilhões e a empresa pode se beneficiar diretamente de pelo menos 1% desse montante.
Trajetória
Para comandar a gigante no País - que além de energia, atua em iluminação, saúde, transporte e aviação -, a GE escolheu uma executiva que, ao contrário da grande maioria dos presidentes de empresa, não tem experiência na gestão de negócios. Nascida em Niterói, mas criada em Brasília, Adriana se formou na primeira turma de Ciência Política da Universidade de Brasília. Foi consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), passou pelo Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea) e trabalhou na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência. Foi ainda assessora política na Embaixada Americana no Brasil e Diretora de Assuntos Estratégicos na Câmara de Comércio Americana (Amcham).
A nova presidente chegou à multinacional há menos de três anos, quando a companhia, que tem excelência em relações governamentais nos Estados Unidos, estava criando as primeiras funções voltadas para essa área fora do país de origem. Adriana, até então diretora de relações governamentais da Intel Brasil, tinha ido à GE apenas para "dar um palpite" na criação da nova função. "Fui convidada para falar porque a Intel tem uma tradição forte nessa área", explica a executiva. "Acabei numa conversa com o presidente da GE, que me vendeu tão bem a ideia que me convenceu a ficar."
Apesar do pouco tempo de empresa, a possibilidade de assumir o comando não pegou a executiva de surpresa. "Já estava sendo preparada para isso. Só não achei que seria neste momento, porque a companhia ainda está estruturando a área de relações governamentais", admite. Adriana teve treinamento em liderança na Universidade Crotonville, principal centro de educação executiva da GE, próximo a Nova York, em setembro do ano passado.
A formação pouco comum no mundo dos negócios - dos quatro colegas da turma de faculdade, por exemplo, só Adriana está no setor privado - não intimida a executiva. "Pode ser novo, pode ser diferente da tendência até aqui, mas acho que é uma função que te coloca em contato com o dia a dia dos negócios e com os desafios de execução dos projetos", defende Adriana. "Nessa área, você tem de criar o caminho da conversa, da estratégia, mas tem também o lado tático. Você entra a fundo na operação." Segundo a presidente, foi justamente a diretoria de relações governamentais que a permitiu conhecer em pouco tempo todas as áreas de negócios da empresa.
Para Patricia Epperlein, sócia presidente da Mariaca, consultoria da área de capital humano, a presidência da GE tem peculiaridades que se encaixam à formação de Adriana. "Como é um cargo que tem diversas áreas de negócios debaixo dele, a presidência da GE não exige um perfil operacional tão forte. É muito mais importante um executivo que tenha capacidade de coordenação e articulação e que saiba interagir com os diversos públicos", diz Patricia.
Rede
Há três anos, juntamente com outras poucas mulheres que atuavam na área de relações governamentais, Adriana ajudou a criar uma rede de afinidade batizada informalmente de Midas ( Mulheres Internacionais Dinâmicas e Articuladas Sempre). "Foi um brainstorm de várias mulheres em uma mesa de restaurante. E foi engraçadíssimo chegar nesse S", diverte-se Adriana. Apesar da informalidade, o grupo funciona como um espaço de troca de informações e convida palestrantes para discutir diferentes assuntos. Um dos últimos convidados pelo grupo foi o embaixador Rubens Ricupero, que falou sobre as questões de gênero no trabalho.
A rede de mulheres conta hoje com 50 profissionais que, de alguma forma, exercem funções ligadas às relações governamentais. A única restrição é não estar no governo. "Bem a exemplo da visão de rede comum nos Estados Unidos, na Midas trocamos experiências e acabamos virando mentoras das mais novas", diz Flávia Sekles, ex-diretora de relações institucionais da Embraer e hoje diretora de comunicação da fabricante de aviões, responsável por lançar a ideia da rede para as colegas.
Grazielle Parenti, diretora de comunicação da Diageo, diz que entrar para o grupo deu início a um grande processo de aprendizagem. "Somos mulheres de lugares diferentes, de formações distintas e com idades que vão de 25 a 50 anos. Há um espaço muito grande para a troca", afirma a executiva. "E Adriana certamente é uma mentora".
Fazem parte da turma ainda a ex-embaixadora dos Estados Unidos no Brasil Donna Hrinak , que assumiu em novembro a Boeing Brasil; Renata Bley, diretora de relações governamentais da Braskem; e Regina Nunes, presidente da Standard & Poors no Brasil. "A gente gosta de dizer que os homens têm uma inveja danada de não poder participar", brinca Adriana.
Um amigo - impedido por razões óbvias de participar - chegou a rebatizar a Midas de Mulheres Impossíveis Destinadas ao Sucesso. A trajetória de Adriana até aqui se enquadra bem no significado alternativo dado para a sigla. Mas, na presidência da GE, o desafio da executiva está só começando.
Estadão

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Como os executivos investem

Uma pesquisa exclusiva revela o que a elite dos trabalhadores brasileiros faz com seu dinheiro – e o que é preciso melhorar

Foto: Victor Affaro; edição de imagens: Artnet
Atitude. É este o segredo para o sucesso profissional, para a boa ventura amorosa – e também para obter bons resultados financeiros. Trata-se de cultivar bons hábitos, colher informações, dedicar tempo à análise de cenários e ter discernimento e disciplina para fazer boas escolhas, consistentemente.
Esse conjunto de qualidades sempre foi necessário. Mas é mais necessário hoje. E o será ainda mais no ano que vem. Com juros declinantes, inflação à espreita, possível impacto da crise mundial, incertezas no câmbio e, ao mesmo tempo, um mercado interno ainda dinâmico e repleto de oportunidades, a vida se torna bem diferente do que foi há apenas alguns meses.
O problema é que o brasileiro médio ainda pensa como antigamente. Não o antigamente de 2010. Um antigamente mais antigo, da década de 80, quando a inflação comia os salários e a opção mais inteligente era estocar produtos e se proteger em aplicações baseadas nos juros pagos pelo governo.
Não é que esse mundo tenha desaparecido por completo. Mas o quadro já é outro há algum tempo. Ninguém melhor do que os executivos de grandes empresas para saber disso. Eles formam a elite financeira do país, e as empresas que comandam sentem no dia a dia os impactos da realidade brasileira – pela inflação, pelo câmbio, pelo endividamento, pelas oportunidades.
E, no entanto...
Uma pesquisa realizada pela empresa de pesquisas Ipsos com exclusividade para Época NEGÓCIOS revela que os executivos brasileiros ainda precisam de treinamento financeiro. Mesmo aqueles ligados à área financeira, por ofício mais atentos e equipados para lidar com dinheiro, escorregam em hábitos e escolhas duvidosos – como investir em demasia na caderneta de poupança, cujo retorno é seguro, porém pífio.
A Ipsos ouviu 122 executivos, em cargos de diretoria e alta gerência, de diversos setores de atividade. A amostra foi dividida em duas partes: de um lado os que trabalham nos departamentos financeiros das companhias, de outro os das demais áreas. Estatisticamente, é um universo que permite a generalização. Ou seja: trata-se de um retrato de como os executivos brasileiros lidam com o dinheiro. O resultado da pesquisa está distribuído nos quadros ao longo desta reportagem. Destacamos algumas das principais conclusões, cotejando as respostas dos executivos com as recomendações de analistas e com exemplos de presidentes e diretores.
Nas reportagens seguintes, apresentamos os cenários mais prováveis para 2012, alguns exemplos de investimentos diferentes, desde a arte até ser anjo em empresas novas, as principais armadilhas mentais em que incorremos na hora de aplicar nosso capital e, finalmente, uma análise de como investir no seu principal ativo – você.
Este não é um guia que enumera os fundos que mais renderam no ano. Por dois motivos: o primeiro é que, como diz qualquer anúncio de produtos financeiros, resultados pregressos não garantem retornos futuros – especialmente não no momento em que a economia, tanto a mundial quanto a brasileira, está sofrendo tantas mudanças. O segundo motivo é que os produtos financeiros devem ser escolhidos caso a caso. Não apenas para o tipo de risco que você aceita, mas também para o momento que você vive, para os objetivos que tem, para o seu estilo de vida. O início de tudo é a atitude. O que este guia propõe é que você conheça o seu jeito de ser e investir, e promova as mudanças necessárias.
Saber qual é o seu perfil é essencial. Só assim você poderá fazer o dinheiro trabalhar a seu favor
Infográfico_Flávio Pessoa
1. Conceda-se um aumento
Pense em quanto você trabalha. Em quanto você é competente. Em quanto seu talento faz diferença. É claro que você está merecendo um aumento. Então que tal ganhar um salário a mais por ano? Ou tirar proventos maiores da sua empresa? Melhor: sem precisar entrar em negociação com o conselho de administração, nem fazer campanha para o chefe. Segundo o consultor financeiro Marcos Silvestre, autor do recém-lançado livro Investimentos à prova de crise, ganhar um salário a mais por ano só depende de você. Basta reservar 15% dos seus rendimentos todos os meses e aplicá-los em um investimento conservador – porém mais dinâmico que a poupança. Algo como os títulos do Tesouro Nacional (cujo rendimento líquido médio é de 0,3% ao mês acima da inflação). Num período de 20 anos, os juros compostos dariam um ganho de 42,6% acima do valor poupado – o equivalente a quase 17 salários.
Parte significativa dos executivos já se conscientizou da necessidade de poupar com regularidade: 39% deles separam uma parte do salário para investir todo mês. Entre os executivos financeiros, a taxa é um pouco mais alta: 45%. Mas uma parte expressiva é completamente desregrada: 32% só fazem aplicações quando recebem algum tipo de renda extra, como bônus ou 13º salário. E 18% só investem quando sobra algo no fim do mês.
A desculpa para poupar pouco é que os gastos se impõem. “Não é verdade”, diz Silvestre. “Pode ser que você não consiga poupar o ideal, que seria 30% do rendimento mensal, mas qualquer percentual já é válido.”
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2. Não minta para si próprio
Quase metade dos executivos brasileiros se diz moderada (45%). É quase tanto quanto a parcela conservadora (48%). E apenas 7% se identificam como arrojados. Até aí, nada de errado. O problema é que, quando se analisa a carteira de seus investimentos, fica claro que eles são bem mais conservadores do que admitem. Seis em cada dez executivos têm dinheiro na poupança, e 16% têm praticamente todos os seus investimentos (mais de 90%) lá. É muita coisa para uma aplicação que rende tão pouco.
Não chega a ser uma catástrofe. “Realmente a poupança está longe de ser um bom investimento. Mas ela não é de todo ruim”, diz Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria Integrada. “As pessoas fazem isso porque sabem que irão garantir algum ganho sem risco e com uma grande liquidez.”
Classificar-se erroneamente traz problemas. Se você se considera mais conservador do que na verdade é, pode estar perdendo oportunidades – assumindo menos risco do que tolera. No caso oposto, quem se considera mais arrojado do que é costuma ficar insatisfeito com seus ganhos: espera retornos altos, sem apostar no risco. Quem classifica mal seus prazos de investimento aumenta a probabilidade de fazer maus negócios (se você só vai usar o dinheiro em dez anos, mas acha que precisará dele em dois, deixa de investir mais arrojadamente, em ações, por exemplo – o que poderia fazer, mesmo sendo conservador, porque o tempo dilui o risco). “Se você não tem certeza do seu perfil, chega sempre no fim da festa. É importante definir o grau de tolerância à perda para abraçar oportunidades”, afirma João Albino Winkelmann, diretor do private bank do Bradesco, divisão do banco responsável pela administração de grandes fortunas.
Conhecer o próprio perfil não é tão simples quanto preencher um teste e escolher entre as opções conservador, moderado ou arrojado. Há que levar em conta o seu momento de vida – se está começando a ganhar dinheiro agora, se tem filhos pequenos, se planeja fazer uma pós-graduação em breve, comprar um apartamento ou reservar um capital para quando se aposentar. “O ser humano é muito mais complexo do que essas classificações. Nenhum investidor segue à risca os perfis”, diz William Eid Junior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças (CEF) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
As teorias sobre finanças comportamentais mostram que os indivíduos dividem seus investimentos numa espécie de pirâmide. Na base estaria o dinheiro poupado para proteção contra a pobreza. Mais acima estaria uma quantidade menor de capital, depositada em aplicações menos conservadoras (e com maior potencial de rentabilidade). Na ponta da pirâmide ficaria a parcela destinada à busca por oportunidades – um investimento arriscado, mas com chances de um alto retorno. As pessoas que só colocam dinheiro na base da pirâmide têm problemas. Querem apenas não ficar pobres. Não fazem o dinheiro trabalhar para elas. É o caso de boa parte dos executivos.
3. Há vários modos de ser fiel ao seu estilo
Barcellos é conservador de outro modo. Um quinto de sua economia mensal vai de forma automática para três planos de previdência privada: um para ele e um para cada filha. O objetivo é que elas tenham dinheiro para pagar o ensino superior. “Pensei em abrir uma poupança para elas, mas, conversando com uma amiga que investia em previdência, mudei de ideia.” Ele só aplica em renda fixa e em ações quando entra algum dinheiro extra (bônus, participação nos lucros, venda de um imóvel). Hoje, 50% dos seus recursos estão na previdência privada, 15% em ações e o restante em renda fixa.
Winkelmann, do Bradesco, é arrojado. Tem 40% do portfólio em ações e 60% em renda fixa. Antes da crise, os percentuais eram invertidos: 60% em ações. Mas é um arrojado cauteloso. Só compra ações de grandes empresas, especialmente as que distribuem dividendos, como as do setor de telefonia e energia elétrica. “Os valores que elas me pagam mensalmente equivalem a uma aplicação em renda fixa. Mesmo que a ação não suba num ano, vou ganhar”, diz. Apesar de acompanhar mensalmente suas aplicações, Winkelmann não especula. Costuma manter as ações por pelo menos três anos. “Investir em small caps (empresas menores e menos populares) é arriscado. Num ano você pode ganhar muito, no outro pode perder tudo.”
Não é preciso ser arrojado para ser bem-sucedido. O que é preciso é adequar-se ao seu estilo. E, dentro dele, há várias opções. Loyola, da Tendências, é um conservador bem diferente de Marco Barcellos, diretor de marketing da Cisco. “Eu tenho mentalidade de servidor público, sou bem mais conservador que meus amigos”, diz Loyola. O grosso de suas aplicações está em renda fixa. Uma pequena parcela, de 10% a 15%, em ações. “Acho bobagem ter algo no meio-termo, perfil moderado.” A pequena parcela em que ele decide arriscar, arrisca de verdade.
O executivo brasileiro não investe tanto quanto é recomendado. Só 8% poupa mais de 30% do salário
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4. Eleve a barra
Para quem não é especialista nem tem tempo de acompanhar o vaivém dos mercados, a sugestão é optar por uma carteira recheada de empresas de primeira linha, como Vale e Petrobras, tendo em mente um horizonte de longo prazo: pelo menos cinco anos. E apostar também na renda fixa, especialmente nos títulos do Tesouro Nacional. Nos últimos dez anos, a rentabilidade média mensal das ações mais negociadas na BM&F Bovespa foi de 0,6% acima da inflação. A poupança teve rentabilidade média de 0,1% e os títulos do Tesouro, de 0,3%.
Winkelmann, do Bradesco, é exemplo de disciplina. Ele diz separar cerca de 40% do salário para investimentos. Nos meses em que recebe seu bônus – fevereiro e agosto – o aporte é bem maior: eles são integralmente aplicados. Em dezembro, coloca o equivalente a 12% do seu rendimento anual num plano de previdência do tipo PGBL, como forma de planejamento tributário.
Há um outro modo de se comprometer com um alto valor para a sua carteira: mirar num objetivo concreto (viagem, curso, apartamento, aposentadoria), estabelecer um período para cumpri-lo e estimar o rendimento mensal da sua aplicação. A partir daí, calcule a “mensalidade” a ser paga – ou seja, aplicada todo mês.
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5. Faça as contas
Ter meta ajuda a conter a ânsia de consumo, anabolizada pela recente expansão do crédito no país. “Temos toda uma geração que não viveu o período de hiperinflação e, ainda assim, é ignorante quando o assunto é educação financeira”, diz Eid, da FGV. Sua avaliação é de que o brasileiro consome sem considerar o custo do dinheiro. Parte dos executivos brasileiros está enredada nesse consumo imediatista: 29% pretendem usar o 13º salário para pagar dívidas (na área financeira, são 25%, nas demais, 32%).
6. Peça ajuda
Winkelmann, que tem a função de orientar grandes investidores, não dispensa ajuda para si próprio. “Tenho a síndrome da falta de tempo, como a grande maioria dos executivos que atendo. Conto com a gerente do banco para me mostrar as oportunidades de investimento e também falar sobre o vencimento de aplicações. Em 80% das vezes acato suas sugestões.”
Marco Stefanini, executivo-chefe da empresa de tecnologia Stefanini, também pede a ajuda de um consultor especializado. Além disso, terceiriza o controle do patrimônio para sua mulher. É ela quem lida diretamente com os consultores do banco. Como a maioria dos executivos, porém, Stefanini não é muito disciplinado. “Não tenho meta nem sobre a quantidade nem sobre a periodicidade das aplicações. Invisto de acordo com a renda que me sobra no mês. Algumas vezes, não separo nada, em outras coloco um bom dinheiro no banco.” Seu portfólio é dividido em ações (cerca de 10% do total), hegde funds (15%) e os demais 75% em fundos de renda fixa ou opções ainda mais conservadoras.
É uma carteira equilibrada e mais variada do que a dos executivos em geral. Quando respondem onde colocarão seu capital nos próximos 12 meses, somente 20% dizem que pretendem investir em ações. A preferência é por imóveis (51%), uma escolha controversa – seu preço subiu muito nos últimos anos, mas havia ficado imóvel durante três décadas, e sobre este investimento ainda incorre o custo de manutenção. Em segundo lugar, vêm as aplicações em renda fixa. Logo em seguida fica a caderneta de poupança, escolha de 44%.
Marco Barcellos, da Cisco, faz parte do pequeno grupo mais ousado. Ele pretende complementar o investimento em previdência privada com a compra de ações de empresas de primeira linha. A volatilidade dos últimos anos na bolsa de valores, porém, tem adiado a decisão.
O executivo brasileiro não poupa tanto quanto pregam os especialistas. Apenas 8% deles investem mais de 30% do salário (o recomendado). A maior parte (45%) guarda de 6% a 20% dos rendimentos. Um quinto aplica entre 21% e 30%. Também lhes falta diversificação. Há uma grande concentração na poupança e em imóveis. É possível ir além da poupança e manter o controle sobre o risco. Não é recomendado colocar tanto dinheiro em algo com um rendimento baixo – mesmo se for importante ter liquidez.
Embora deixem a desejar quando o assunto é diversificar, os executivos acertam na hora de buscar ajuda para suas apostas no mercado, especialmente aqueles do setor financeiro – 52% deles fazem suas escolhas sozinhos, mas sempre consultam um profissional especializado. O consultor é importante para comparar as aplicações e para coletar oportunidades e novidades do mercado. Mas você precisa saber o que significa cada uma das alternativas. “As pessoas precisam entender que o gerente de banco, o broker da corretora têm os próprios interesses, além do bem-estar do cliente”, diz Eid. “Não tem ninguém que cuide melhor do seu dinheiro do que você mesmo.”
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ÉpocaNegócios


Avanços como Romney, Private Equity se torna parte do Debate

Mitt Romney, em 1994, quando ele era chefe da Bain Capital, que anunciou sua candidatura no Senado
Os titãs de private equity há muito temia este momento. Como Mitt Romney estabeleceu-se como o favorito para a nomeação republicana, não só tem seu registro na Bain Capital estão sob intenso escrutínio e ataques devastadores - mas assim como a indústria de private equity.
Multimídia
Romney adversários são o mais alto, acusando essas empresas de escultura de empresas e cortando empregos.Newt Gingrich disse no fim de semana que Bain saquearam as empresas e os empregados demitidos, e Rick Perry chamou na terça-feira empresas de private equity "abutres". Um documentário anti-Romney chama de "predatório raider corporativa."
Os ataques nervosos executivos buyout muitos - especialmente aqueles que têm usado por muito tempo suas fortunas para apoiar o Partido Republicano. Como rivais de Romney têm procurado transformar as primárias em um referendo sobre sua carreira de negócios, a indústria de private equity se encontra debaixo de fogo daqueles que achava que eram amigos.
E se o Sr. Romney enfrenta uma bem financiada Obama campanha de reeleição, altos funcionários do setor sabem que o presidente vai continuar a empurrar o retrato de Romney como uma gordura gato-job-destruindo fabricante de negócio.
"Nós estávamos nos preparando para isso, mas não estamos ainda na eleição geral ainda", disse um executivo sênior de capital privado, que falou sob condição de anonimato. "Espere mais dor."
Assim como Romney e seus assessores estão defendendo o seu trabalho na Bain, a indústria também está tentando blunt alguns dos ataques. Para um grupo de executivos de Wall Street, que preferem operar fora dos holofotes, as repercussões podem ser consideráveis. Entre as coisas que a indústria quer preservar é o tratamento fiscal favorável para os lucros em negócios de private equity.
"Há muita desinformação ser, puramente para fins políticos e em ambos os lados do corredor, no que se refere ao patrimônio privado", Steve Judge, presidente interino e chefe executivo do grupo da indústria de lobby, o Private Equity Growth Capital do Conselho , disse na segunda-feira como os ataques montado em New Hampshire.
O conselho vai lançar uma campanha de imagem em breve, de acordo com duas pessoas com conhecimento direto dos planos que pediu anonimato porque não foram autorizados a discuti-los publicamente.
Os economistas divergem sobre a eficácia eo impacto das empresas de private equity, que muitas vezes emprestado grandes quantias de dívida para comprar empresas antes de vendê-los, espero que para um lucro. Apesar das críticas e as defesas montadas pela indústria, a pesquisa é um pouco menos do que claro, em parte porque muito do que essas empresas fazem é privado e não sujeitos a divulgação completa.
Um documento de trabalho lançado em setembro mostra que private equity empresas públicas lançar trabalhos ligeiramente mais do que empresas similares, embora a diferença foi muito pequena. No total, eles perdem empregos de cerca de 1 por cento mais.
O estudo - por Steven J. Davis, da Universidade de Chicago; John C. Haltiwanger da Universidade de Maryland; Josh Lerner, da Harvard, e Ron Jarmin e Javier S. Miranda do Census Bureau - olhou para cerca de 3.200 aquisições realizadas entre 1980 e 2005.
Ele descobriu que as empresas compradas por empresas de private equity deixar ir uma maior proporção de trabalhadores do que empresas semelhantes, diminuindo sua força de trabalho de cerca de 6 por cento mais sobre uma janela de cinco anos. Mas as empresas compradas por empresas de private equity também tendem a abrir mais novo filiais, escritórios e fábricas e contratar funcionários mais novos, em parte, compensar a perda de empregos.
Alguns economistas argumentam que as aquisições de private equity faz sentido econômico bom no longo prazo, mesmo que resultar em mais demissões no curto prazo, tornando as empresas mais eficientes.
"As empresas de private equity têm um impacto sobre a produtividade", disse R. Glenn Hubbard, reitor da Columbia Business School e um dos assessores econômicos de Romney. "Isso não significa que as pessoas não percam seus empregos. Mas a questão de saber se private equity agrega valor? Está resolvido entre os economistas. "

7 empresas recrutam para trainees e estágios

 Que tal começar o ano já com promessas de começar um  trainee ou estágio em uma boa companhia?  Confira quais são as empresas que estão com as inscrições abertas em ordem crescente de término das inscrições:
Banco BNP Paribas – estágio Há oportunidades para estudantes dos cursos de secretariado executivo, secretariado bilíngue, automação de escritório, letras ou relações públicas. Para participar, é preciso ter previsão de conclusão da graduação entre dezembro de 2012 e dezembro de 2013. Salário: 1.550 reais, além de benefícios Inscrições: pelo site da Cia de Talentos
 Sodexo|Puras – trainee Ao todo, são 59 oportunidades no Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Amazonas, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Alagoas, Bahia, Sergipe, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Goiás.
Há oportunidades para formados em nutrição, engenharia de alimentos, gastronomia, administração de empresas, economia doméstica e hotelaria.
Salário: não informado Inscrições: até 15 de janeiro pelo site da Puras 
INDG – trainee São 150 oportunidades para formados em administração de empresas, ciência da computação, ciências econômicas, engenharias e estatística entre dezembro de 2009 e dezembro de 2011.
 Há vagas em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. Para participar, é preciso ter bom desempenho acadêmico, inglês ou espanhol avançado e disponibilidade para viagens. Salário: 3.108 reais, além de benefícios como notebook, celular e participação nos lucros e resultados Inscrições: até 15 de janeiro pelo site INDG
Promom – estágio Há oportunidades para estudantes das áreas de arquitetura, administração de empresa, ciências contábeis, engenharias, análise de sistemas e sistemas de informação. A previsão de formatura deve ser entre dezembro de 2012 e dezembro de 2013. As vagas estão distribuídas pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Salário: 10,40 reais por hora para alunos do penúltimo ano e 11 reais para alunos do último ano. O vale refeição é de 20 reais por dia. Inscrições: até 23 de janeiro pelo site da Cia de Talentos
Oi – estágio Podem se inscrever estudantes com previsão de formatura em julho de 2013 até fevereiro de 2014. No caso de estudantes de engenharia e TI o prazo máximo para formatura é de dois anos e meio.
O programa de estágio da Oi tem duração de um ano, prorrogáveis por mais um ano.
Inscrições: até 31 de janeiro no site da Oi Salário: não divulgado
Suzano Papel e Celulose – estágio Há oportunidades nas cidades de Embu (SP), Imperatriz (MA), Itapetininga (SP), Limeira (SP), Mucuri (BA), São Paulo (SP), Suzano (SP) e Teresina (PI). Os candidatos devem estar cursando o penúltimo e o último ano do curso de ensino superior, além de nível avançado ou intermediário de inglês. Inscrições: até 31 de janeiro no site da Suzano www.suzano.com.br
BG Brasil - trainee O programa tem duração de dois anos. Por pelo menos seis meses, os trainees devem trabalhar em uma unidade da BG no exterior. São 24 opções de países.
Ao todo, são 13 oportunidades para as áreas de engenharia de petróleo e reservatório, engenharia de poços, geologia, operações, comercial e geofísica. Os candidatos devem se formar até julho de 2012 e ter inglês fluente.
Inscrições: até 31 de maio pelo site da BG Salário: a empresa não divulga
Exame

Corretora que mais acertou em 2011 revela estratégia

 Enquanto o Ibovespa caiu mais de 18% em 2011, a carteira recomendada pela corretora Souza Barros rendeu 6,74% no período. Segundo Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora, a principal estratégia para as recomendações mensais foi buscar companhias fora do Ibovespa. “Tentamos sair um pouco das ações tradicionais. Além disso, também buscamos aumentar a exposição em empresas mais voltadas ao consumo interno”, afirma.
Na carteira recomendada para janeiro, por exemplo, a corretora incluiu os papéis ON da M. Dias Branco e os units da SulAmérica, ativos listados no Índice Small Cap da Bolsa (SMLL). A carteira recomendada também incluiu as ações da Localiza, que embora estejam listadas no Ibovespa, estrearam na última prévia do índice, válida para o período entre janeiro e abril. As outras duas recomendações da carteira de cinco papéis são de empresas grandes, mas que seguem a filosofia de apoio no mercado interno: Pão de Açúcar e Cemig.
“O perfil de nossa carteira é entre conservador e moderado”, resume Vieira. Ele aposta que essa filosofia de investimento deve continuar prevalecendo durante 2012, em especial ao longo do primeiro semestre, quando a bolsa não deve se desvencilhar das incertezas externas e continuar com alta volatilidade.
Para ficar de olho
Prever o futuro é difícil, ainda mais quando o assunto é o mercado financeiro. Mas é possível ter uma ideia de que papéis e setores têm uma boa chance de saírem bem durante 2012. Clodoir Vieira aponta quais ações o investidor deve olhar de perto neste ano para esperar o melhor momento de compra-las:
Ambev
Voltada para o consumo interno, a empresa pode apresentar um bom desempenho neste ano e pode se destacar também por seus dividendos.
Construção civil
O setor sofreu bastante durante 2011, mas, dependendo de políticas governamentais que possam ser lançadas, algumas empresas podem apresentar boas oportunidades.
Bancos
Sempre bem recomendados, os bancos brasileiros estão muito bem capitalizados e com espaço para crescer. As ações preferidas são as do Itaú Unibanco e do Banco do Brasil. Os papéis do Itaú Unibanco já figuram inclusive na carteira anual de recomendações. Confira:
EmpresaAçãoPreço-justo
América Latina LogísticaALLL3R$ 19,50
BR MallsBRML3R$ 19,16
CemigCMIG4Em revisão
Itaú UnibancoITUB4R$ 45,50
PetrobrasPETR4R$ 35,00*
TotvsTOTS3R$ 40,00*
*Estimativa da Lopes Filho
Exame