terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Como acabar com as dívidas da sua empresa

Um empresário tem dois caminhos para eliminar as dívidas: ou aporta capital ou conta com a geração de lucro. Em ambos os casos, o planejamento é ponto de partida para resultados efetivos e que contribuam para a tão sonhada estabilidade financeira. O professor de pós-graduação da Trevisan Escola de Negócios, Ricardo Cintra, diz que o endividamento das pequenas empresas costuma acontecer no primeiro ano de operação.
Neste final de ano, os índices do mercado têm demonstrado resultados positivos, como a queda de 0,3% da inadimplência das empresas, segundo a Serasa Experian, em relação ao mês de setembro. A previsão é de queda do indicador de inadimplência já no primeiro trimestre do ano que vem.
Para o consultor do Sebrae-SP, Luis Alberto Lobrigatti, os empresários acumulam dívidas, geralmente, porque fazem compras acima do necessário, vendem pouco, investem sem planejar ou fazem má administração dos recursos. Tudo isso descapitaliza o negócio.
Se as contas atrasadas estão se acumulando, analise bem a situação da empresa antes de pedir socorro ao banco. O primeiro passo para quem deseja eliminar as dívidas é saber quanto e para quem se deve.
1. Descubra sua capacidade de pagamento
“A primeira atitude indicada a quem deseja sair de um poço é parar de cavá-lo”, brinca Ricardo Cintra. Por isso, coloque no papel qual o faturamento da empresa menos os custos normais, ou seja, as despesas de funcionamento básicas. O resultado será o seu lucro. Ele ará uma ideia de quanto tempo levará para pagar a dívida. Por exemplo, se você deve 20 mil reais e gera 1 mil reais de lucro por mês, levará mais de 20 meses para normalizar a situação.
“Deve haver esforço para aumentar a chamada sobra”, comenta o professor. Uma segunda opção é alongar os prazos das dívidas, o que aumentaria os custos, mas seria o caminho para a futura quitação. “É preciso entender que é difícil pensar em solução milagrosa para extinção de dívidas”, alerta Cintra.
2. Cumpra seus compromissos
Não assuma compromissos com bancos e financiadoras se não poderá honrá-los, ainda mais por relaxamento no controle da contas. O consultor do Sebrae-SP comenta que 80% do lucro da empresa deve ser destinado à amortização da dívida e o restante para deslizes, as chamadas situações de emergência.
Neste cálculo, inclua o caixa que precisa ter ao longo do ano, como pagamento do 13º salário, férias e multas de contrato de rescisão. “O devedor racional e bem assessorado não deve ter dificuldades para compor um fundo para contingências ou uma reserva de caixa”, comenta o professor da Trevisan.
3. Gerencie a compra e venda
O descontrole sobre o que vai comprar e a projeção de quanto irá vender pode fazer com que parte do seu lucro seja estocado. Se você vende em média 500 reais e compra 800 reais, o excedente seria parte do seu lucro, que poderia servir para amortizar a dívida. O mesmo serve para a compra de materiais, no caso de uma empresa prestadora de serviços.
Preste atenção também nas vendas. Se você der muito prazo ao cliente, precisa estar preparado para o recebimento tardio, o que exige um capital de giro bem estruturado. “Ele vai deixar o lucro nas mãos do contas a receber”, comenta Lobrigatti.
4. Troque de credores
Se a sua dívida tem juros expressivos, pense na possibilidade de trocar de credor. Lobrigatti dá o exemplo de um empresário que deve no banco e paga juros de 20% ao ano. É mais interessante ele fazer um empréstimo com juros de 10% para pagar aquele banco de 20% e dever somente para esta instituição.
“Ele não vai solucionar a dívida, mas pode melhorar os prazos. O lucro é que resolve”, diz. Se você já deve para várias instituições financeiras, as chances de adquirir um novo empréstimo são mais restritas.
O problema do pagamento das dívidas é o que o professor Ricardo Cintra denomina de combinação letal: os juros altos e o prazo curto. “Juntos, estes fatores causam excessiva pressão sobre o caixa do devedor. Quanto mais esse nó for afrouxado, mais próxima estará a solução ética e definitiva.”
5. Não comprometa a operação
Um dos entraves para quem deve é acabar restringindo as atividades da empresa, como a dívida com os fornecedores, o que prejudica a geração de caixa. Ricardo Cintra recomenda que o empresário procure o fornecedor antes de atrasar o pagamento para não prejudicar negociações futuras. “Se os fornecedores forem adequadamente sensibilizados para a nova situação e se o devedor tiver um bom histórico, as possibilidades de sucesso são boas”, diz.
Mas, se não houver acordo, é mais viável substituir o endividamento para não deixar de ser abastecido. O mesmo ocorre com despesas que fazem parte da estrutura da empresa, como folha de pagamento e aluguel. Se o problema é com impostos, em 2012 haverá uma nova edição do Programa de Recuperação Fiscal, o Refis. É uma oportunidade para fazer um novo parcelamento das contas em atraso.
6. Elimine gastos
Uma alternativa para tentar acelerar o pagamento de dívidas é vender alguns bens da empresa, como máquinas ociosas ou liquidar o estoque. Você deve encontrar alternativas para reduzir os custos sem perder a eficiência e, assim, aumentar o lucro. “O empresário deve usar tudo o que tem a favor dele e enxugar as despesas e compras adequadamente”, resume Lobrigatti.
Para evitar desperdícios, mantenha o foco no negócio. Ricardo Cintra recomenda terceirizar o que possível. Em vez de permitir que a dívida de instale e tome conta do seu negócio, aja nos primeiros sinais de problemas. Se conseguir manter as contas sob controle, assim como as projeções de faturamento, quando o seu lucro for maior, veja se é possível antecipar o pagamento de parcelas.
Exame

Dando um rosto para um nome: a arte de motivar os funcionários

Em alguns ambientes de emprego a resposta é sim, afirma Adam Grant, professor de gerenciamento da Wharton. Grant dedicou boa parte de sua carreira profissional ao estudo da motivação de funcionários em cenários diferentes como call centers, farmácias de vendas por catálogo e equipes de salva-vidas de piscinas. Em todas essas situações, disse Grant, os funcionários que sabem que o trabalho deles exerce impacto significativo e positivo sobre outras pessoas são mais felizes do que aqueles que não sabem. E são bem mais produtivos também.
Essa conclusão pode parecer intuitiva, mas Grant registrou isso numa série de estudos. Num experimento, ele estudou o comportamento das telefonistas do Call Center de uma universidade pública cujo trabalho era pedir doações para a universidade. Esse pode ser um trabalho amargo. Elas ganham pouco e sofrem rejeições freqüentes de pessoas que não gostam de atender telefones durante o jantar. A rotatividade de pessoal é alta e o moral é muitas vezes baixo. Então o que podemos fazer para motivá-las a permanecerem no telefone e obter doações?
Uma resposta relativamente fácil é apresentá-las a alguém que receba a ajuda desses dólares.
No estudo de 2007, Grant e uma equipe de pesquisadores - Elizabeth Campbell, Grace Chen, David Lapedis e Keenan Cottone da Universidade de Michigan - organizaram um encontro entre as telefonistas do Call Center e os alunos bolsistas que eram beneficiados pelos donativos do programa de levantamento de fundos da universidade. Não foi uma reunião longa - foi só uma sessão de cinco minutos na qual as telefonistas puderam perguntar aos estudantes sobre seus estudos. Mas no decorrer do mês seguinte, aquela pequena reunião fez uma grande diferença. O Call Center foi capaz de monitorar tanto o tempo que elas passavam no telefone quanto a soma das doações arrecadada. Um mês depois, as telefonistas que conversaram com os bolsistas dobraram os minutos de tempo que passavam ao telefone e arrecadaram muito mais doações: uma média semanal de US$ 503,22, ante US$ 185,94.
"Mesmo o contato breve, mínimo, com os beneficiados pode servir para os funcionários se manterem motivados", escreveram os pesquisadores no estudo, intitulado "Impact and the Art of Motivation Maintenance: The Effects of Contact with Beneficiaries on Persistence Behavior" (O Impacto e a Arte da Manutenção da Motivação: Os Efeitos do Contato com os Beneficiados sobre o Comportamento Persistente), publicado no periódico Organizational Behavior and Human Decision Processes.
* Publicado originalmente em 17 de fevereiro de 2010.  Reproduzido com a permissão de Knowledge@Wharton.
 Salva-Vidas motivados
A motivação de trabalhadores é um tópico que interessava Grant bem antes dele ser um acadêmico profissional. Antes da escola de pós-graduação, ele trabalhou como diretor de publicidade para os guias de viagens Lets Go. "Nós produzíamos guias de viagens e tínhamos 200 pessoas trabalhando num escritório que ajudavam os viajantes a ver outros países de uma nova forma e a viajar com segurança", ele lembra. "Nenhum dos editores tinha contato com os leitores". Grant suspeitou que se os funcionários pudessem interagir regularmente com os leitores eles encontrariam mais satisfação pelo trabalho e provavelmente trabalhariam mais.
Na atividade de guias de viagens ele nunca teve a chance de colocar essa intuição em prática. Mas à medida que avançava na direção de sua pesquisa de doutorado na Universidade de Michigan, ele voltou para o tema, usando call centers, ginásios esportivos e salas de aula como os primeiros laboratórios.
Segundo Grant, só estar ciente do impacto que o trabalho exerce sobre outras pessoas pode ajudar na motivação. Num estudo subseqüente ao publicado em 2007, ele se concentrou nos salva-dias de um centro de recreação comunitário. Para alguns deles foram dadas estórias para ler sobre casos nos quais os salva-vidas haviam salvado vidas. Um segundo grupo recebeu relatos de salva-vidas que se beneficiaram com seu trabalho. O resultado: Aqueles que leram sobre sua capacidade de evitar fatalidades viram as horas trabalhadas dispararem mais de 40% enquanto aqueles que só tomaram conhecimento de que podem ganhar dinheiro como salva-dias continuaram trabalhando no mesmo ritmo. O resultado foi publicado no estudo "The Significance of Task Significance: Job Performance Effects, Relational Mechanics, and Boundary Conditions", no Journal of Applied Psychology.
Exame


Paris lança o Autolib, serviço de aluguel de carros elétricos

Paris - Pequenos, silenciosos e com 250 km de autonomia, os Bluecar começaram a circular esta segunda-feira em Paris, a primeira cidade do mundo a disponibilizar um serviço de aluguel de carros elétricos, o Autolib, que visa a revolucionar os hábitos de transporte dos parisienses.
O objetivo do projeto - nos moldes do Velib, o bem-sucedido programa municipal de aluguel de bicicletas de Paris - é conseguir fazer com que os parisienses abram mão de usar os próprios carros ao disponibilizar uma alternativa mais ecológica e acessível para se deslocar pela cidade.
O prefeito da capital francesa, Bertrand Delanoë, descreveu este sistema público de aluguel de carros elétricos como "uma revolução" que "melhorará a qualidade de vida" dos cidadãos na cidade.
O Autolib "é para pessoas que talvez já tenham um carro, mas o acham caro, para outros que têm dois carros e na verdade usam apenas um e para aquelas que não têm carro algum, mas precisam de um de vez em quando", explicou Sylvain Marty, encarregada do projeto Autolib em Paris.
No total, 300 automóveis elétricos prateados, fabricados pelo grupo Bolloré, e 250 pontos de estacionamento estarão disponíveis a partir de hoje, 180 deles dentro de Paris.
O projeto, que passou por uma fase de testes de dois meses, se estende a 44 locais da região de Île de France, à qual pertence Paris.
A cada mês se somarão novos veículos à frota existente com a finalidade de que em 2012 haja 3.000 carros disponíveis em 1.200 estações Autolib.
Embora já haja vários programas privados de aluguel compartilhado na França, o problema com eles é que os veículos destes sistemas usam gasolina ou, quando muito, são híbridos, e precisam ser devolvidos no ponto de partida.
Já o Autolib conta com carros 100% elétricos e não poluentes. Além disso, podem ser alugados em uma estação e devolvidos em outra qualquer, um princípio que contribuiu para o grande sucesso do Velib, lançado em 2007.
Os Bluecar têm câmbio automático e espaço para quatro pessoas. São equipados com bateria recarregável de metal de lítio e polímeros e um sistema de navegação de posicionamento global (GPS). A velocidade máxima é de 130 km/h.


Segundo estimativas da Prefeitura de Paris, cada Bluecar vai substituir cinco carros particulares. Calcula-se que 70 destes carros vão substituir cerca de 500 automóveis em termos de espaço disponível, consumo de gasolina e redução das emissões de dióxido de carbono.
"A meta principal da cidade é combater a contaminação ambiental e estes carros não emitem dióxido de carbono, nem fumaça de escapamento. Tampouco fazem barulho", destacou Marty.
Para alugar um Bluecar, os usuários devem se registrar em um dos pontos de aluguel e devolução. Os que quiserem fazê-lo deverão ter no mínimo 18 anos, apresentar identidade, cartão de crédito e carteira de motorista.
O custo da assinatura ao programa Autolib é de 10 euros por dia, 15 euros por semana ou 144 euros ao ano. A primeira meia hora custa 5 euros e a segunda, 4, em função da assinatura.
Mas nem todos os franceses estão entusiasmados com o Autolib. O grupo ambientalista Amigos da Terra é um dos críticos, pois avalia que estimulará o uso de carros no lugar do transporte coletivo.
"Vai reorientar as pessoas que preferem o transporte coletivo para o automóvel," alega a organização, destacando que o Autolib somará 3.000 carros adicionais a uma cidade "cujo espaço público já está saturado desde meio de transporte onipresente e sufocante que é o automóvel".
Falta ver se o Autolib repetirá o sucesso do Velib. Segundo Vincent Bolloré, diretor do grupo empresarial Bolloré, para que o programa Autolib seja rentável, 80.000 pessoas precisam se registrar, o que pode demorar até sete anos.
Durante o período piloto, iniciado em 2 de outubro, se inscreveram cerca de 2.000 pessoas.
Le Monde

Inflação e juros altos explicam desaceleração, diz IBGE

A inflação alta, a elevação da taxa de juros até julho deste ano e a adoção de medidas, pelo governo, para frear a economia no final de 2010 são algumas explicações para que o Produto Interno Bruto (PIB) do país não tenha crescido no terceiro trimestre deste ano, avaliou a gerente de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rebeca Palis.
Entre as chamadas “medidas macroprudenciais” adotadas pelo governo federal no final de 2010 estão o aumento das exigências para a concessão de crédito, que impactaram, por exemplo, no financiamento para a compra de veículos. Isso fez com que as compras de automóveis fossem reduzidas nos primeiros meses do ano e os estoques das montadoras de veículos aumentassem.
Segundo Rebeca Palis, com o aumento dos estoques, as montadoras reduziram a produção de automóveis no terceiro trimestre deste ano e chegaram a dar férias coletivas. Essa queda foi um dos principais motivos que levaram à redução de 1,4% da produção na indústria de transformação e de 0,9% na indústria geral.
A elevação da taxa básica de juros (Selic) de 10,5%, no primeiro trimestre deste ano, para 12,2%, no terceiro trimestre, também contribuíram para a desaceleração da economia.
Apesar da queda na indústria de transformação, outros segmentos como a indústria extrativa mineral (com alta de 0,9%) e a construção civil (com alta de 0,2%) tiveram crescimento. A extrativa mineral foi influenciada pela produção de minério de ferro. Já a construção civil continuou seu bom desempenho, em virtude das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e das intervenções para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
 A queda na produção da indústria acabou afetando também o setor de serviços, que caiu 0,3%, com destaque para o comércio, que registrou redução de 1%. O que evitou que a economia brasileira registrasse queda no trimestre foi o crescimento de 3,2% da agropecuária, puxada pelo aumento da produtividade de safras como as do feijão, da laranja e da mandioca.
Segundo Rebeca Palis, a economia no terceiro trimestre apresentou uma mudança de comportamento, já que vinha de altas seguidas, como o crescimento de 0,7% no segundo trimestre e de 0,8% no primeiro trimestre deste ano.
“A gente teve uma desaceleração importante da taxa de crescimento, inclusive apresentando crescimento nulo, e houve até uma mudança da estrutura do que vinha acontecendo. Anteriormente, o crescimento da economia estava sendo puxado pelos serviços. Nesse terceiro trimestre, foi puxado pela agropecuária”, disse.
Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias caiu em 0,1% na comparação do terceiro com o segundo trimestre deste ano, em parte devido à desvalorização da renda familiar por conta da alta da inflação, cuja taxa anualizada, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), chegou a 7,31% em setembro.
Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, o consumo das famílias continuou crescendo, pelo 32º trimestre consecutivo, mas a uma taxa mais baixa que em períodos anteriores. Se no primeiro e segundo trimestres, os crescimentos foram de 6% e 5,6%, respectivamente, no terceiro trimestre, a alta foi de apenas 2,8%.
O consumo do governo também caiu (-0,7%), bem como a formação bruta de capital fixo, isto é, os investimentos (-0,2%). “O crescimento [da economia] vinha sendo muito puxado pelos investimentos, muito devido à importação de máquinas e equipamentos, que vinha crescendo bastante. Os investimentos tiveram um desempenho pior que o consumo das famílias, o que não vinha acontecendo”, disse.
O crescimento das exportações foi o único elemento do PIB, sob a ótica da demanda, a apresentar crescimento (1,8%), na comparação do terceiro com o segundo trimestre, resultado que superou, inclusive, as importações, que tiveram queda de 0,4%.
Exame

UE investiga Apple por violação de leis antitruste

Empresa e mais cinco editoras teriam adotado práticas anticompetitivas na venda de e-books
Negócios suspeitos
BRUXELAS - O regulador de competição da União Europeia afirmou nesta terça-feira, 6, que investigará cinco companhias editoriais sob suspeita de que elas, possivelmente com a ajuda da Apple, "se envolveram em práticas anticompetitivas afetando a venda de e-books na Área Econômica Europeia, violando regras antitruste da UE", segundo um comunicado por escrito. A Área Econômica Europeia inclui, além da UE, países como a Islândia e a Noruega.
As companhias envolvidas na investigação são a Hachette Livre, da Lagardere Publishing; a Harper Collins, da News Corp, a Simon & Schuster, da CBS Corp, a Penguin of Pearson e a Verlagsgruppe Georg von Holzbrinck.
"A comissão investigará especificamente se esses grupos editoriais e a Apple fizeram acordos ou práticas ilegais, que teriam o objetivo ou o efeito de restringir a competição na UE ou na Área Econômica Europeia", acrescentou o comunicado.
A duração da investigação formal aberta nesta terça-feira depende de como as companhias envolvidas responderão à investigação e da complexidade do caso. A Comissão Europeia investiga esse assunto em paralelo com o Office of Fair Trading do Reino Unido.
As companhias e os países envolvidos devem ser informados sobre a investigação. A News Corp é também proprietária da Dow Jones. As informações são da Dow Jones.
Le Monde

Declaração de IR de PJ será eliminada a partir de 2014

A decisão da mudança pela Receita foi feita porque há hoje uma sobreposição de informações. O subsecretário deixou claro que não se trata de reduzir impostos, mas apenas o envio duplicado de dados

Agência Estado
Para simplificar o envio de dados e reduzir custo das empresas, a Receita Federal decidiu extinguir oito declarações para Pessoa Jurídica. O fim da obrigação do envio da Declaração de Informações Econômico-Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ)será a partir da entrega das declarações de 2014 (ano calendário 2013) para as empresas de grande porte que utilizam o sistema de lucro real, como os setores automotivo e da indústria química.
No ano seguinte, a intenção do governo, de acordo com o subsecretário de fiscalização da Receita Federal, Caio Marcos Candido, é incluir também na simplificação as empresas que fazem suas declarações por meio de lucro presumido. "Se for possível e se conseguirmos, vamos antecipar também para essas empresas (já no mesmo ano, em 2014)", informou o subsecretário.
A decisão da mudança pela Receita foi feita porque há hoje uma sobreposição de informações. O subsecretário deixou claro que não se trata de reduzir impostos, mas apenas o envio duplicado de dados. "O conjunto de informações continuará o mesmo. Ou já os temos os dados ou eles não são mais necessários para controlar a arrecadação", continuou. A intenção, conforme Candido, é melhorar o ambiente de negócios e do custo Brasil.
Ao extinguir a DIPJ, a Receita passará a receber todas as informações a partir do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). Hoje, alguns dados fornecidos pelas companhias já chegam ao governo por meio desse instrumento, como notas fiscais eletrônicas trocadas no atacado, contabilidade digital das pessoas jurídicas e escrituração fiscal digital do IPI, entre outras.
Como o Sped não possui hoje todas as informações necessárias, outras informações serão solicitadas aos contribuintes e passarão a constar nesse sistema. "Migraremos da DIPJ para dentro do ambiente Sped. Não podemos abrir mão de informação sem a garantia de que a obteremos por outro meio", disse Candido. "Queremos simplificar para as empresas, colocar tudo em um só canal", acrescentou. De acordo com ele, caberá à Receita a agregação anual das informações passadas pelas companhias.
A mudança implicará, de acordo com o subsecretário, em impactos na fiscalização. "As informações serão mais ágeis e isso facilita o controle de fiscalização. Não abriremos mão de informação à toa. Só vamos trocar a fonte de informação."
Além da extinção da DIPJ, a Receita anunciará também o fim da obrigação da entrega de Declarações de Informações Fiscais (DIF) para alguns setores específicos. O primeiro será para o segmento de bebidas, que deverá sair esta semana por meio de Instrução Normativa.
Outro documento que também será extinto, conforme adiantou o subsecretário, será o do Imposto Territorial Rural (DITR) relativo aos imóveis imunes ou isentos. Entram neste âmbito os terrenos voltados para a agricultura familiar, por exemplo. "Estamos fechando os demais setores e as informações serão anunciadas ao tempo delas."
Declaração de PIS e Cofins será simplificada
O subsecretário de Fiscalização da Receita Federal, Caio Marcos Candido, informou que será simplificada a declaração do PIS e da Cofins. Segundo ele, estão avançados dentro da Receita os estudos para mudar a legislação. "Vamos simplificar a forma de apuração para, no final, ficar com a mesma carga tributária", disse. Candido disse que os estudos ainda serão discutidos em outras áreas do governo. Só depois será enviada uma nova proposta de lei ao Congresso Nacional.
Ele acredita que o envio deve ocorrer em 2012. "É uma legislação muito complexa. Varia de setor para setor. Por isso, estamos elaborando uma legislação que simplifique o pagamento do PIS e da Cofins", disse em entrevista coletiva. Ele explicou que a atual declaração é complexa para as empresas trabalharem e dificulta a fiscalização do governo. O subsecretário disse que a mudança reduzirá o custo das empresas e melhorará a forma de apresentação dos dados à Receita Federal.
ÉpocaNegócios

Brasil tem o pior resultado de PIB entre os Brics

Desempenho do Brasil, de 2,1% no terceiro trimestre de 2011, ante o mesmo período de 2010, foi pior do que o da África do Sul, que registrou crescimento de 3,1%

 Reprodução
O Brasil teve o pior resultado entre os Brics, incluindo a África do Sul, para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre de 2011, ante o mesmo período de 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Enquanto a economia brasileira registrou expansão de 2,1% no período, a China teve alta de 9,1%, a Índia teve aumento de 6,9%, a Rússia se expandiu 4,8%, e a África do Sul registrou crescimento de 3,1%.
Na comparação com o trimestre anterior, o comportamento do PIB do Brasil, que teve expansão nula no período (0,0%), ficou atrás de Japão (1,5%), Noruega (1,4%), México (1,3%), Coreia do Sul (0,7%), Chile (0,6%), Alemanha (0,5%), Estados Unidos (0,5%), Reino Unido (0,5%), França (0,4%) e União Europeia (0,2%).
Também tiveram expansão nula (0,0%) a Espanha e a Bélgica. Já a Holanda apresentou retração de 0,3% no PIB no período. Nem todos os países divulgam a variação do PIB neste tipo de comparação, em relação ao trimestre imediatamente anterior, o que explica a ausência de outros Brics na lista.
A economia brasileira ficou estagnada no terceiro trimestre de 2011 na comparação com o período anterior, sobretudo pela queda da atividade na indústria e em serviços.
ÉpocaNegócios

E-Commerce Vendas estão em alta, graças a descontos e frete grátis

Online, pelo menos, os consumidores estão gastando dinheiro. Lotes do mesmo.
As pessoas gastaram 18,7 bilhões dólares em sites de comércio eletrônico até o momento nesta temporada de compras natalinas, 15 por cento mais que no ano passado durante o dia correspondente, de acordo com a comScore. Eles gastaram 6000 milhões dolares a semana que terminou 02 de dezembro, incluindo Black Friday e Cyber-segunda-feira , e passou mais de US $ 1 bilhão em três dias separados naquela semana, depois de quebrar a marca de um bilhão de dólares, pela primeira vez na Cyber ​​Monday do ano passado.
Mas os varejistas estão pagando para o aumento nos gastos, oferecendo descontos e frete grátis.
Eles têm oferecido frete grátis, o que os clientes da Web têm se acostumado a , em níveis recorde, disse a comScore. Quase dois terços das compras durante a semana do feriado de compras pesados ​​antes e após o feriado incluído frete grátis, cerca de 10 pontos percentuais a mais que no ano passado.
E muitos varejistas estendeu seus negócios para além Cyber ​​Monday.Target.com chamou sua semana de vendas Semana Cyber, e Amazon.comcomeçaram uma semana de negócios no domingo.
RetailMeNot.com , que recolhe cupons para sites de comércio eletrônico, disse que as visitas ao local nos finais de semana de Ação de Graças aumentaram 50 por cento sobre o ano passado, e que as compras por pessoas que buscavam cupons de RetailMeNot aumentou 70 por cento sobre o ano passado. Os descontos médios foram cerca de 20 por cento.
Analistas alertam que as fortes vendas podem não significa que o consumidor vai gastar livremente este ano. Em vez disso, eles poderiam estar salvando as suas compras para os dias quando recebem descontos.Enquanto isso, as margens dos varejistas lucro vai sofrer se eles continuam a desconto profundamente.
"Como os negócios a partir desta semana expirar, será importante para ver o grau em que os consumidores de retorno aos varejistas mesmo para continuar a sua compras de Natal, contribuindo assim para melhorar as margens dos varejistas de lucro, ou se nós experimentamos uma retração nos gastos do consumidor, que tem ocorrido em anos anteriores ", disse Gian M. Fulgoni, presidente da comScore.
Embora as pessoas estão gastando mais dinheiro off-line, as vendas em tijolos e argamassa varejistas não estão crescendo tão rapidamente. As vendas foram de cerca de 3 por cento durante a semana de Ação de Graças.
Parte da razão é que os consumidores estão percebendo rapidamente que os preços são geralmente mais baixos online, mesmo incluindo impostos e frete, disse Mike Fridgen, executivo-chefe da Decide.com , uma comparação de preços e site de rastreamento e app.
Preços dos itens eletrônicos populares podem ser on-line 44 por cento mais baixos e bater no interior da loja os preços 94 por cento do tempo para muitos gadgets, de acordo com Decide.com. Os preços para dispositivos GPS, por exemplo, são geralmente 24 por cento inferior online, embora alguns produtos, como consoles de videogames e câmeras digitais da Canon, são menos caros nas lojas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O executivo de sucesso é aquele que age como um empreendedor

Não somente pensa: ele age e usa suas conexões, ajuda a construir a marca e representa a empresa com a mesma energia e paixão que faria o dono da companhia, diz diretor da Hays

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Daqui a dez anos, os historiadores do país vão lembrar que 2011 começou bem: demanda interna alta, consumo elevado, melhores salários. Tudo indicava um bom cenário. Com o agravamento da crise europeia, os efeitos começaram a ser sentidos por aqui também. “As empresas diminuíram o ritmo com que estavam buscando profissionais no mercado, adotaram uma postura mais conservadora”, afirma Gustavo Costa, diretor da Hays Recruiting Experts Worldwide, consultoria de recrutamento de executivos que opera no país desde 2006. Embora pareça um aspecto negativo, ele avisa que não é. “As empresas estão olhando mais para seus funcionários para preencher essas vagas”, diz. “E dá ao profissional mais tempo para fazer uma análise criteriosa, o que evita frustração”.
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Gustavo Costa, diretor da Hays Recruiting Experts Worldwide: "O mercado está seguindo uma tendência de dar preferência para ao gestor. Ele está entregando mais resultados em curto, médio e longo prazo do que o supertalento individualista
Com a economia acelerada, o Brasil viveu um boom de empregos. “Tinha gente mudando de emprego quase como quem muda de roupa”, compara Costa. Isso mudou. Embora o mercado brasileiro ainda esteja entre os que oferece melhores salários, a questão principal para quem já ocupa uma função de nível gerencial ou de diretoria é a proposta, o desafio. O que coloca empresas como a Hays em uma posição em que, para atender melhor ao cliente (a empresa), é preciso prestar atenção às expectativas do candidato. “Ele tem que saber fazer as perguntas certas. Que empresa é essa? Qual é o projeto? Qual é a cultura da companhia?” Ao final do questionamento, o perfil que emerge não é necessariamente do profissional arrojado e de rápida tomada de decisão. “É de um executivo mais maduro, mais vivido, mais experiente na gestão inclusive de crise, de processos e de pessoas”, diz Costa. E que esteja disposto a oferecer um toque pessoal a tudo o que faz. “Ele precisa encarar a empresa em que trabalha como se fosse um negócio próprio”.
Quais serão os maiores desafios para um profissional de nível executivo em 2012? Em que ele precisa se concentrar para entrar bem o ano?
Após começar o ano bem, o mercado está em compasso de espera, todo mundo esperando para ver como vai começar 2012. Até pouco tempo, existia uma volatilidade muito grande nas buscas e nas trocas de emprego. As pessoas mudavam de emprego com uma velocidade muito grande, tomavam decisões a cada dois, três anos – se saíam ou ficavam na empresa. Esse movimento tende a se acomodar um pouco para 2012, pode ficar um pouco mais conservador não só por parte do executivo, mas por parte das empresas. As empresas vão aprofundar mais a tomada de decisão de uma contratação, questionar mais se é hora de buscar alguém no mercado. Da ótica do executivo, ele tem que analisar muito mais a fundo em que tipo de projeto está investindo, qual é a organização, qual é sua filosofia de trabalho, os objetivos de curto, médio e longo prazo, como se posiciona no mercado, quais são as metas em termos de entrega de resultado.
É possível dizer em que porcentagem andava essa troca de emprego antes da crise?
No início de 2011, o processo médio de contratação de um executivo de alta ou média gestão levava de 3 a 4 semanas. Esse período agora se estendeu para 6 semanas até 2 meses, exatamente por conta desse conservadorismo maior por parte das organizações e também do executivo.
O aprofundamento da crise fez com que as empresas que vão contratar passassem a exigir algo mais do profissional?
As empresas estão mais criteriosas na fase anterior, ou seja, avaliar se vão contratar um executivo ou se existe a possibilidade de resolver a questão internamente. Em vez de ir ao mercado, será que eu não tenho uma pessoa aqui dentro, ainda que não tenha 100% do perfil que eu estou buscando, mas que seja capaz de atender minhas necessidades? Isso tem acontecido em maior escala.
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Mas você não acha que esse é um fator positivo? As empresas estão olhando para seus quadros de funcionários e criando chances de promoção, fazendo com que os funcionários se sintam mais valorizados?
Eu encaro isso como algo positivo para os dois lados. A empresa promove mais o talento interno e lhes dá a oportunidade de mudar. E o profissional tem a vantagem de ter mais tempo para fazer uma análise criteriosa antes de mudar de emprego – o que evita a frustração. No passado, a gente percebia que o executivo mudava de emprego várias vezes porque ele se frustrava. Ele decidia investir em um novo projeto, uma nova carreira, mas não gastava tempo para avaliar a questão. Quando via que não era exatamente aquilo que ele queria, ele se frustrava. A frustração hoje é menor exatamente porque se gasta mais tempo na avaliação.
O que vocês fazem quando vem esse momento de frustração? Como lidam com isso?
A gente lida com pessoas – e pessoas mudam de opinião, de acordo com vários fatores. Nosso objetivo é trabalhar como consultoria para os dois lados. O sucesso do meu projeto depende muito mais de quanto eu consigo entender a necessidade do meu cliente e quanto disso consigo projetar no mercado, o que chamamos de alinhar expectativas. Com isso em mente, eu posso dizer “esse tipo de executivo vai te atender melhor por causa disso”, “embora tenha o perfil que a companhia está buscando, esse outro tem essa expectativa de curto prazo e pode se frustrar no final”. A gente alinha mais essas expectativas e tenta ser mediador da tomada de decisão. Mas sempre existe a possibilidade de um pouco de frustração, às vezes por parte da empresa, às vezes por parte do profissional porque mudanças podem ser positivas – mas também podem não ser.
Antes da crise financeira, as empresas procuravam executivos com um perfil mais ousado, que arriscasse mais porque o momento econômico propiciava essa movimentação. Isso mudou?
Se tem uma coisa que a crise de 2008 deixou como legado positivo para o mercado de trabalho é exatamente um maior conservadorismo nas relações. Antes, com o boom de empregos, as pessoas mudavam de emprego quase como mudavam de roupa. O chamado talento era um profissional mais arrojado, que tomava riscos o tempo inteiro e entregava mais resultado – e que por isso mesmo buscava uma remuneração maior. Isso mudou. Com a chegada da crise, as empresas ficaram mais conservadoras antes de contratar, o processo de contratação se estendeu e a balança ficou mais equilibrada. O mercado passou a buscar um executivo mais maduro, vivido e experiente na gestão inclusive de crise, de processos e de pessoas.
Para ser um bom gestor é necessário ser mais maduro?
É uma das recomendações que fazemos ao cliente. Nós aconselhamos as empresas que aumentem essa faixa etária porque senão terão carência na hora de contratar executivos mais jovens. E que estendam o prazo e o tempo que o executivo fica na companhia. O que as empresas esperam desse profissional é que ele tome uma decisão que possa ser de curto prazo, mas que seja capaz de avaliar bem todos os impactos à sua volta. Por isso o mercado deixou de buscar o talento jovial agressivo, de curto prazo, para investir no talento gestor, de pensamento estruturado e profissional. A faixa etária, porém, ainda varia. Em um setor mais veloz, como bens de consumo, essa idade para ocupar um cargo de nível executivo talvez tenha caído. Se olharmos para um setor de commodities, mineração, siderurgia, essa idade continua a mesma e talvez tenha aumentado um pouco.  
Quais são os grandes erros que os executivos de alto nível cometem no Brasil?
Ainda falta um investimento de tempo em fazer as perguntas certas para as pessoas certas. Ao lidar com a consultoria que o procurou, o executivo tem que fazer as perguntas certas em relação ao projeto para o qual está sendo avaliado a fim de minimizar as chances de frustração. Antes de discutir remuneração, esse executivo precisa entender melhor a organização interessada em contratá-lo, qual é sua cultura, o que ela promove, como se desenvolve, a quem ele vai se reportar e, aí sim, o quanto vai ganhar para isso. Essa abordagem mais analítica que veio com a crise trouxe um amadurecimento maior nas relações profissionais e gerou um alinhamento entre expectativa e projeto. Essa leitura é crucial na etapa da tomada de decisão. Depois de você toma a decisão, não dá mais.
E por que os candidatos não gastam o tempo necessário? Ansiedade?
É um efeito desse boom que vivemos. Talvez uma analogia que eu possa fazer aqui seja com a questão do consumo. Por que a gente está crescendo tanto em consumo? Porque a gente nunca teve poder de compra para consumir tanto quanto estamos consumindo agora. E tem muito brasileiro consumindo por consumir, não porque está precisando. No mercado de trabalho, o executivo pode pensar: como tem muita oportunidade e eu nunca tive tanta oportunidade antes, eu tenho que agarrar uma delas porque o meu colega mudou de emprego - e eu tenho de mudar na primeira oportunidade que aparecer. Com isso ele não gasta tempo para evoluir e não se questiona. Esse é o melhor projeto? Essa é a melhor oportunidade? Ou será que não vale a pena esperar uma oportunidade melhor para me movimentar?
EFE
Trabalhadores e máquinas envolvidos na reforma do Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, que sediará jogos da Copa 2014
Quais são as áreas em que as oportunidades mais crescem e aparecem hoje?
Tudo o que está ligado à questão da infraestrutura no país vai continuar em alta em 2012. Há uma grande carência em energia e construção, até por conta da Copa do Mundo em 2014 e da Olimpíada em 2016. Estamos falando desde fabricação de equipamento, geração e transmissão de energia até construção de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Todas as atividades ligadas ao consumo, seja bens de consumo, alimentos, bebidas, cosméticos até varejo, shopping centers, lojas, grandes redes vão crescer. O mercado farmacêutico também vive uma transformação, com muitas quebras de patente, compra de laboratórios, aumento de consumo, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. O setor de serviços financeiros cresceu muito este ano e continuará em expansão. A indústria de tecnologia vai avançar não apenas como reflexo do aumento no poder de compra da população, mas como investimento das empresas em organização e estrutura. Outro setor que vale destacar é o de agronegócios: o Brasil já é um dos principais países em produção agrícola, mas agora estamos profissionalizando mais o setor, cuidando melhor do manejo da terra, da semente, cultivando produtos orgânicos, o que exige profissional com melhor formação e vivência. E, por último, educação, também ligada ao aumento no poder de compra do brasileiro. Com mais dinheiro, as pessoas vão buscar um curso de especialização, pagar sua faculdade, além dos investimentos do governo nesse setor.
Com tantas oportunidades em setores diferentes, será que vamos ter profissionais para preencher essas vagas?
Pode até ser que tenhamos em algum momento o chamado apagão de talentos, mas será uma ocorrência eventual. O mercado lá fora está muito difícil e quando isso acontece, sobram mais profissionais preparados. As empresas devem abrir suas fronteiras para avaliar a possibilidade de repatriar um executivo ou talvez até trazer um estrangeiro que possa atender suas necessidades, desde que tenha conhecimento de idioma e da cultura. No mercado de construção, por exemplo, há muitos profissionais na Europa que falam português, têm experiência técnica e podem trabalhar aqui no Brasil. Para o executivo que está aqui, essa mudança implica em se desenvolver e estar muito bem preparado em sua competência para concorrer em pé de igualdade com os executivos internacionais. E o brasileiro leva uma vantagem muito grande na opinião das empresas. Ele é muito bem avaliado pelas multinacionais por sua competência e suas características.

revista “International Investor” divulgou recentemente um ranking mostrando que os melhores CEOs da América Latina são brasileiros. Segundo a publicação, eles se destacam porque aprenderam a desenvolver negócios em um ambiente econômico instável, adverso, com mudanças de legislação... ... falta de regulamentação, características e culturas divergentes dentro da mesma organização. O Brasil é um país muito miscigenado, você tem várias culturas convivendo dentro do mesmo ambiente. Isso tudo traz e desenvolve no executivo brasileiro características que são muito bem avaliadas.
Você falou muito sobre o crescimento econômico, que trouxe para o mercado um novo consumidor, o que muitos chamam de nova classe média. As pesquisas indicam que o brasileiro da classe média coloca a educação em primeiro lugar. Quanto tempo vai demorar para que um profissional vindo dessa classe possa ocupar uma posição de destaque em grandes empresas?
Nós fizemos um estudo em conjunto com o Instituto Oxford, de Londres, projetando que países vão formar mais gente para ser força de trabalho nos próximos anos. O Brasil é um dos que mais vai formar mão de obra. É um país que cresce muito, tem uma população grande e jovem que começa a ter acesso à educação. Então, os próximos cinco, oito, dez anos vão marcar a entrada de integrantes da classe média no mercado de trabalho de nível executivo. Isso vai acontecer e é uma necessidade para manter o crescimento do país.
Por ter um perfil diferente, esse profissional vai dar uma mexida interessante no mercado?
Sem dúvida. Vamos pensar na indústria farmacêutica, que está passando por uma transformação. Hoje é possível comprar medicamento em redes de varejo, entrar em um supermercado e comprar remédio sem prescrição. É um mercado novo que se abre para a indústria farmacêutica, mais arrojado e competitivo. Qual é a carência desse setor? É só pensar: quantos gerentes de vendas com experiência em atender essa nova classe eu tenho? São poucos porque é um fenômeno recente. Então, o sonho de consumo dessa indústria é ter um gerente que veio dessa classe, com capacidade para assumir uma cadeira executiva e atender às novas demandas de consumo, conhecendo suas necessidades e construindo uma estratégia para a empresa.
Com mais gente tendo acesso a educação de nível superior, o bom currículo continuará garantindo emprego?
A atual exigência do mercado para uma função executiva passa por competências e características. O executivo precisa ter uma visão muito bem integrada do ambiente de negócios, conhecer os competidores, o mercado, projetar os impactos que a atividade da empresa possa ter numa comunidade. No caso de uma empresa de mineração, qual é o impacto que sua operação causa em uma comunidade. Isso é importante para que ele possa tomar decisões e agir. O profissional tem de gerenciar sua própria carreira, desenvolver-se em um idioma que não domina, correr atrás de sua formação, sem esperar que a empresa dê isso a ele. Claro que ele tem de ser muito focado em resultado, não apenas financeiro, mas em clientes e fornecedores. E, por último, o executivo precisa atrair, mobilizar e inspirar pessoas. Precisa integrar, cativar, desenvolver talentos. O que antes era visto como função de Recursos Humanos, passou para esse profissional. O RH dá as ferramentas para o desenvolvimento, mas é ele o responsável pela atração, desenvolvimento e retenção do seu próprio time.
Vocês aconselham as empresas a montar times bem mistos, com background muito diferente para atingir bons resultados?
Com certeza. É uma linha que algumas empresas já estão seguindo, ter uma mescla de profissionais dentro de uma divisão ou setor para ter sempre um balanço. Assim, você tem desde o executivo sênior, que será o ponto de referência, talvez não o mais antenado no que está acontecendo, sem todas as atualizações em tecnologia, trabalhando juntamente com a geração Y e os baby boomers. É uma tendência.
E quais são as outras tendências que você enxerga no ambiente das empresas?
Em termos de setores, talvez as novas profissões e carreiras que se abrem, como é em sustentabilidade. Há uma carência muito grande de profissionais com uma visão sustentável, que saibam lidar com recursos, pessoas, fontes de energia, impactos no meio ambiente e na organização. Outro destaque é o comércio eletrônico. Com o aumento no poder de compra e o uso da internet para consumo, os profissionais que têm conhecimento da atividade de comércio eletrônico estão sendo bastante procurados. Em mídia social, o mercado busca alguém que saiba trabalhar a campanha, entrar em contato com o consumidor, cuidar da imagem da empresa, medir esse alcance. E, em linhas gerais, outros serviços profissionalizados. Na Copa e nos Jogos Olímpicos, é importante olhar quem são os profissionais que cuidarão da logística e da indústria hoteleira.
Um executivo que fez sua carreira dentro de um setor consegue mudar para outra área? Ele vai render bem sem ter a experiência, mesmo que seja um bom gestor?
Eu acho que sim, desde que ele tenha um valor agregado para aquela função. A carreira de Recursos Humanos sempre foi muito formada e desenvolvida por profissionais que vinham de uma formação de humana. Hoje é uma tendência de mercado que você tenha profissionais de vivências diferentes. Pode ser um executivo que foi da área comercial e passa a ocupar a cadeira de RH. Ele traz o valor agregado porque conhece o negócio principal da empresa, já se provou na gestão de pessoas e foi cliente interno daquela função. O que ele vai fazer é formar uma equipe com profissionais das áreas mais diversas de recursos humanos para ter esse equilíbrio. Isso já é uma tendência e até uma realidade que estamos observando.
Bloomberg
A Universidade da Pensilvânia, a Wharton School, foi eleita pelo jornal "Financial Times" como melhor MBA em 2011, ao lado da London School of Economics, em Londres
Agora queria contrapor alguns pontos para ver o que pesa mais na hora de escolher um profissional de alto nível: experiência ou MBA?
Depende. O MBA por si só não garante nada. A gente teve um boom no país em relação aos MBAs, em que muita gente terminava a graduação e entrava logo no MBA, sem ter tempo de aplicar o que havia aprendido. Agora as empresas pensam assim: eu invisto no executivo para fazer o MBA, mas eu exijo que ele aplique os conhecimentos do curso em sua função. E avalio os resultados antes e depois do MBA. A empresa quer a experiência com o investimento em formação.
E entre alguém que toma a decisão rápida e outro que precisa de mais tempo para ponderar?
Depende do setor da empresa. Dentro do setor de bens de consumo, em que é preciso alguém para tomar decisões diariamente, eu estaria inclinado a alguém com perfil de tomada de decisão rápida. Se estou no ambiente industrial, de commodities, de construção, em que demora mais tempo para se ter o resultado, alguém mais ponderado possa fazer mais sentido. Porém, muitas empresas complementam a sua diretoria com profissionais de perfis dos mais diferentes possíveis exatamente para ter esse equilíbrio.
Talento ou um bom gestor de pessoas?
Eu diria que o mercado está seguindo uma tendência de dar preferência ao gestor. Ele está entregando mais resultados em curto, médio e longo prazo do que o supertalento individualista.
E entre o profissionais que querem trazer novidades em oposição à cultura da empresa?
É uma tendência em todos os setores de olhar mais para quem inova. Esse profissional trará uma visão estratégica e vai buscar soluções em vez de satisfazer aquela coisa do “sempre foi assim”.
E quando falamos de salário, o que é bom hoje e o que não é aceitável?
O salário é uma composição entre salário e benefício. No nível de diretoria, estamos começando a falar em R$ 30 a R$ 40 mil como remuneração fixa mensal, indo até funções que têm R$ 60 mil de remuneração fixa mensal. E sempre numa composição anual de 50-50: 50% de remuneração fixa e 50% de remuneração variável, seja de bônus ou comissão.
Mesmo com um cenário mais conservador, o que as empresas precisam fazer para estarem mais atentas e prontas a atrair o melhor profissional quando vier o momento?
As empresas começam a perceber que precisam investir na sua proposta de valor. O que eu, como organização, tenho para oferecer para o desenvolvimento desse profissional? Não está só na remuneração. Está na proposta de desenvolvimento, de conhecimento, de valores, de formação de visão para o executivo. E é isso que um profissional muito assediado pelo mercado precisa avaliar. Qual companhia vai ficar melhor no currículo, aquela em que vai se desenvolver mais ou a empresa com a qual ele divide os mesmos valores. Antigamente, uma boa companhia, uma grande marca, abria uma função e você tinha vários candidatos querendo trabalhar naquela empresa. Hoje, sem considerar o tamanho ou a marca, o bom candidato pode até ir, mas ele quer avaliar essa proposta primeiro.
E qual é o seu conselho para esse executivo?
Ele precisa encarar a empresa em que ele trabalha quase como um negócio próprio. E gerenciar sua própria carreira o tempo todo.
Ou seja, ele tem que pensar como um empreendedor.
Ele tem que trazer a visão de empreendedor para o negócio em que trabalha.
E ele tem de estar mais para Steve Jobs (mais ousado, intuitivo e que aceita riscos) ou mais para Warren Buffett (mais conservador, que opera a longo prazo)?
Ele tem que ter flexibilidade para se adaptar ao estilo da companhia. Ele não pode fazer o que quer porque ele não é o dono da companhia, apesar de agir como tal. Tem que trazer alternativa, solução, inovar, tomar risco, tem que ter sinergia e conexão. Ele tem de ser o embaixador daquela marca. É muito comum a gente falar “vestir a camisa”, mas o vestir a camisa vai muito além. Estamos falando de um profissional que precisa criar conexões, se representar no mercado e encarar o trabalho como se fosse um negócio próprio.
Porque aí ele pode criar um relacionamento com as pessoas e com a empresa em que vai deixar a sua marca.
Exatamente. E ele vai trabalhar com paixão, que é o principal diferencial. A remuneração é importante? É. Mas hoje talvez seja o terceiro ou quarto principal motivador para uma mudança de emprego, principalmente para o profissional que se identifica com um projeto. Eu estou bem nesta companhia e quero ficar aqui porque sou desafiado o tempo inteiro, eu me sinto como integrante, tenho meu network e minhas opiniões são ouvidas. Esse é o balanço que o executivo tem que dar antes de dizer “quero mudar”.
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