quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

GESTÃO COM INOVAÇÃO OU INOVAÇÃO NA GESTÃO


Inovar  é ter uma  idéia que seus  concorrentes ainda não tiveram e implantá-la com sucesso.
A inovação faz parte  da estratégia das empresas: seu foco é o desempenho econômico e a criação de valor.”
FORUM DA INOVAÇÃO – FGV - 2003
Pode-se fazer novamente ou diferente na forma de executar  estratégias  de  negócio  quando as condições do ambiente  mudam muito rápido?

Inovação não é uma temática da atualidade e fundamental apenas no contexto de produtos e serviços, mas também no contexto da  gestão.

Quais os aspectos da internet,  das redes sociais,  da globalização  baseada nos países emergentes,  da onda de sustentabilidade e das novas gerações que entram no mercado de trabalho com formação, visão de mundo e do próprio trabalho tão diferente das gerações que as precederam?

As abordagens tradicionais de planejamento,  de meritocracia, sistemas integrados, liderança participativa,  qualidade total, melhoria contínua, Itil, lean, six/sigma  são suficientes para essa nova realidade?

Há poucas décadas essas eram importantes inovações de gestão que contribuíram para que gigantes empresariais  surgissem ou desaparecessem.

 O cenário e contexto são bem diferentes atualmente.  Quais as inovações em gestão que vão ser as determinantes do sucesso empresarial nos próximos  5 à  10  anos?

O que seria inovar em gestão?  Atualmente no Brasil, as pesquisas acadêmicas e as puxadas por empresas de consultoria em gestão ocupam espaço crescente na busca por novas soluções e novos modelos de gestão.

Busca-se, está claro, uma nova forma de gerir algo:  o pensamento meramente cartesiano não é mais suficiente. Reduzir, simplificar, tangibilizar, explicitar, criar escala, foram formas fundamentais para o desenvolvimento da era industrial, mas não resolvem mais na era do conhecimento,  da inovação e da sustentabilidade.
 
Nessa nova era a dimensão tempo muda, e as noções de  estabilidade e previsibilidade também mudam e muito.

Os ciclos são cada vez menores. ignorar a velocidade dessa mudança e da já altíssima interconectividade dos negócios são a receita certa para chegar sempre atrasado e perder relevância no mercado.

O novo ambiente de negócios será caracterizado pela  complexidade,  colaboração  e  interatividade.

A implicação é clara para as empresas:  é necessário monitorar constantemente o que é  valor  para consumidores e clientes, adaptando e inovando as propostas de valor e construindo e viabilizando cadeias e redes capazes de entregar agilmente essas propostas.

Surge um Modelo de Gestão Baseado em quatro pilares:

1.  Pensamento Sistêmico:  aceitar a complexidade, imprevisibilidade e interação dos fatores criando uma onda de foco nas relações e não somente nos recursos.  novos métodos, prática e ferramentas irão surgir para tratar essa realidade.

2.  Visão de Cadeia e Redes de Valor:  uma estratégia não pode mais ser concebida e executada com uma visão centrada e não compartilhada nos  stakeholders  primários (clientes, fornecedores, colaboradores, acionistas e governo) e com desdobramento para departamentos. Ela deve envolver todos os  stakeholders  e desdobrar por cadeias de valor (enxuta, rápida, flexível, colaborativa) amarrando metas colaborativas e não conflitantes entre as partes, sejam pessoas, grupos, departamentos, empresas, Ong’s, etc.

3.  Conhecimento:  como principal catalizador para geração e agregação de valor:  processos de cadeia e redes não são compostos somente de processos explícitos e desintegrados da cultura da empresa e da gestão de pessoas e do negócio.  Processos são elementos vivos, compostos por conhecimentos explícitos e tácitos, que mudam ao longo do tempo e que são absorvidos ou não pela empresa em função de seus valores e crenças reais.

 4.  Estruturas Flexíveis e Sobrepostas:  os modelos hierárquico-funcionais precisam conviver cada vez mais com estruturas mais flexíveis baseadas em visão End-to-End, centradas no cliente e na capacidade de mobilização ágil de conhecimentos, competências e recursos de dentro e de fora da empresa. Estar se falando de estruturas centradas efetivamente nos processos ou em projetos, assim como estruturas emergentes como comunidades de prática e redes internas e externas.

E qual a área da empresa que deve liderar esta transformação?

A gestão baseada nos pilares descritos não é atribuição de uma área específica.  Não se trata mais da visão sistêmica, mas sim do pensamento sistêmico que guia a ação dos gestores em todos os pilares do novo modelo.

Dividir em partes sim, mas entender a dinâmica e a inter-relação entre as partes em um efeito de ação e reação são mandatários. Não se trata, por exemplo, de se estar ou não no mundo 2.0, mas sim de inseri-lo no modelo de gestão.              
FONTE:
REVISTA VALOR ESPECIAL - INOVAÇÃO
Junho - 2011
Delano Amaral







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