sábado, 28 de janeiro de 2012

Estoque de crédito cresce 19% em 2011

Bancos públicos aumentaram sua fatia no estoque de crédito do sistema financeiro em 1,7 ponto porcentual, para 43,5% do total 
Mais crédito em 2011
O volume total de crédito no sistema financeiro cresceu 19% em 2011 ante 2010 e atingiu R$ 2,029 trilhões em dezembro do ano passado, segundo dados divulgados na manhã dessa sexta-feira pelo Banco Central (BC). Em 2010, o crescimento havia sido de 20,6% ante o ano anterior. A relação crédito/PIB passou de 45,2% em dezembro de 2010 para 49,1% no fim do ano passado. Em dezembro, o crescimento no estoque de crédito foi de 2,3% em relação a novembro.
Os números mostram que o crédito reagiu no fim do ano como resultado da decisão do governo de reverter parte das medidas de contenção aos empréstimos - as chamadas medidas macroprudênciais - e da queda do juro, mas o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, diz que ainda não é possível observar com clareza as modalidades que reagiram primeiro. Segundo ele, bancos ainda estariam cautelosos com a inadimplência - que caiu - e isso estaria atrasando o repasse da melhora das condições do mercado ao consumidor.
"Na margem, o crédito acentuou o ritmo no fim do ano, mas ainda não há nitidez para ver quais modalidades sentiram mais o impacto da reversão das medidas ou da queda da taxa Selic. Notamos, por exemplo, que o juro em dezembro caiu como efeito de tudo isso", disse Maciel. Sobre o ano de 2012, Maciel disse que espera expansão das operações de crédito "moderada e dentro de um ambiente de cautela".
Discretamente, bancos públicos turbinaram a concessão de crédito no fim do ano passado. O total de operações de crédito dos bancos públicos cresceu 4% em dezembro na comparação com novembro e acumulou alta de 7,7% no último trimestre de 2011. A evolução é muito superior à observada nos privados.
Dados do BC mostram que o total de empréstimos cresceu apenas 0,6% em dezembro nos bancos privados nacionais e avançou 2% nos estrangeiros. Na comparação trimestral, as operações cresceram 2,4% nos privados nacionais e 4,9% nos estrangeiros.
Apesar dos números mostrarem diferença no comportamento de instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal com o restante do mercado, o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel, disse que ainda não é possível observar um comportamento distinto dos bancos públicos, como o observado em 2008 e 2009. "Não temos relatos de que os bancos públicos tenham apresentado um desempenho muito diferenciado. Parte da carteira desses bancos sempre cresce mais porque há muito crédito habitacional".
Mas mesmo quando são excluídas as operações para o segmento habitacional, há grande diferença. Nas operações exclusivas para pessoas físicas, por exemplo, a carteira de crédito dos bancos públicos cresceu 2,6% em dezembro e 10,5% no trimestre. A taxa é bastante superior à expansão mensal de 0,3% e trimestral de 1,9% nos concorrentes privados nacionais. Nos estrangeiros, o crédito à pessoa física cresceu 1,5% no mês e 4,2% no trimestre.
Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) alcançaram R$ 138,9 bilhões em 2011, o que indica uma queda de 17,5% ante o registrado em 2010. O estoque de crédito do banco de fomento, no entanto, cresceu 18,1% no ano passado, para R$ 422,673 bilhões.
Estadão

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