domingo, 27 de novembro de 2011

Implementar!? Espera um pouquinho

Como descobrir o ponto em que analisar se torna paralisar

Ilustração: André Bergamin
O venerável Lao-tsé alertava que a faca afiada demais perde o corte. Cerca de 3 mil anos depois, esse conceito seria reformulado como a “lei do retorno decrescente”: a partir de um ponto, aplicar mais esforços não resultará em ganho adicional. Quase ninguém discorda. O desafio é saber quando se chega a esse ponto.
O consultor Ron Ashkenas, da Schaffer Consulting, relatou na Harvard Business Review sua experiência com um projeto para aumentar as vendas: após intenso esforço, brotaram várias ideias, mas, em vez de aplicá-las, a equipe decidiu coletar mais dados e fazer novas pesquisas entre clientes. Esse processo consumiu meses, sem levar a uma resposta perfeita.
Ashkenas observa ser esse o padrão de muitas empresas: em vez de agir, gestores insistem em mais análises (o que chama de paralysis by analysis, ou paralisia por análise). Para ele, a busca pela perfeição decorre de dois fatores, em geral inconscientes: o medo de fracassar e a angústia da ação. Em muitas empresas, propor medidas que não dão certo pode ameaçar a carreira. Daí o excesso de cuidado. E analisar cenários é menos angustiante que sair da sala e enfrentar resistências, coordenar planos, lidar com clientes. Muitos gestores adiam essa hora com mais pesquisas.
Como vencer o medo e a angústia? Ashkenas sugere: não encare a “ação” como posterior à análise, e sim como paralela. E não perca tempo na busca da recomendação perfeita: comece testando as ideias iniciais em uma escala menor imediatamente – enquanto coleta mais dados. Ou, como diria Lao-tsé, não afie demais sua faca.
ÉpocaNegócios

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