segunda-feira, 25 de junho de 2012

Entrevista: uma paulistana no Vale do Silício


Isabel Pesce, 24, decidiu viver no Vale do Silício e hoje ajuda mais de 1 milhão de pessoas a organizar seu caos financeiro com o aplicativo Lemon

São Paulo - Com quatro diplomas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e passagem por grandes empresas de tecnologia como Google e Microsoft, a paulistana Isabel Pesce, 24, decidiu viver no Vale do Silício e hoje ajuda mais de 1 milhão de pessoas a organizar seu caos financeiro com um aplicativo.
Sabe aqueles comprovantes de cartão de crédito ou débito e notas fiscais que normalmente têm a lixeira como destino certo? Eles podem evitar inúmeras surpresas no final do mês, principalmente a terrível pergunta "para onde foi meu dinheiro?". Mas se você já sentiu um calafrio só de pensar em armazenar, organizar e somar todos os temidos papeizinhos em uma planilha no Excel, não entre em pânico. Esse é um dos trabalhos do Lemon.
Gratuito, o aplicativo permite que cada recibo em papel seja convertido para uma versão eletrônica. Tudo que o usuário precisa fazer é tirar uma foto. A imagem é enviada aos servidores do Lemon por uma conexão segura. Os dados serão analisados e devolvidos de uma maneira muito mais inteligente. Suponha que você comeu um lanche e tirou uma foto da nota fiscal pelo app.
A informação será devolvida com o nome do estabelecimento, sua categoria - que no caso será "Food & Dinning" (comida e jantar) e "Fast food" (lanches) -, quantia gasta e forma de pagamento, além de outros dados como data, hora e local da transação. Isso sem você precisar digitar nada. Pense em todos os gastos realizados ao longo de um mês. Se eles forem enviados ao aplicativo, você terá um raio X  perfeito e acabará com dúvidas do tipo: será que estou comprando muitas besteiras? Gastamos muito com restaurantes?
Se por algum motivo uma informação for interpretada de maneira incorreta, o usuário pode editá-la com poucos cliques. Se um comprovante foi perdido e você não teve chance de tirar uma foto, é possível inserir todos os dados manualmente.  Para tornar a organização ainda mais completa, é possível criar categorias de pagamento dividindo os recibos entre gastos da empresa ou pessoais, por exemplo.
Além do plano gratuito, o Lemon oferece um pacote pago mais detalhado. Com uma assinatura de 9,99 dólares ao mês ou 99 dólares ao ano, o plano de dados permite rastrear em detalhes o destino de cada gasto, inclusive com o valor de cada um dos itens de um recibo e navegação sem anúncios.
Apesar de a solução já pronta parecer mágica e simples, a história da Lemon surgiu muito antes dos oito meses de sucesso do aplicativo. O empresário e investidor-anjo Wences Casares, responsável pela Bling Nation, uma empresa de pagamentos para dispositivos móveis que conecta instituições e consumidores por redes sociais, se juntou a Meyer Malka (co-CEO na Bling Nation) para montar uma solução de finanças pessoais. Apesar das tentativas, o negócio não vingou.
No início de 2011, os dois decidiram amadurecer a ideia com base na experiência adquirida e precisavam de um plano de negócio, além de alguém para dar corpo ao serviço. Com essa necessidade, eles conheceram Isabel, uma jovem brasileira com experiência em startups e temporadas na Microsoft, Google e Deustch Bank.
Com investimento de 8 milhões de dólares das empresas Lightspeed e Maveron, o desenvolvimento do aplicativo e seus recursos não demorou muito. Em outubro de 2011, ele foi publicado nas lojas de dispositivos rodando iOS, Android e Windows Phone. Já no mês de lançamento, o Lemon registrou 400 mil downloads. Mas como essa jovem que aprecia um bom papo conseguiu ter sucesso onde tantos outros falham? Sua história pode tornar as coisas mais claras.
Nascida em uma família de classe média em São Paulo, Isabel nunca tinha ouvido falar sobre o MIT até o ensino médio. Cursando um colégio particular de São Paulo, ela se preparava para os vestibulares nacionais de engenharia elétrica ou da computação - seu objetivo era passar no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), uma das instituições mais concorridas do país.
"Fiquei doida na época. Eu nunca havia morado em outro país, não tinha experiência e nunca tinha cogitado estudar fora. Me encantei com a possibilidade de ingressar na faculdade norte-americana em um curso básico depois definir seu rumo". Pensando na possibilidade de conhecer outro país, vivenciar uma nova cultura e cursar matérias de engenharia e música ao mesmo tempo, ela decidiu arriscar.
Ao se familiarizar com o processo seletivo, a vestibulanda descobriu que já havia perdido os prazos de algumas das etapas. Mesmo assim, conseguiu o endereço de um entrevistador e sem nenhum convite bateu à sua porta. Isabel conseguiu ser aprovada em todas as fases de seleção, inclusive no SAT (Scholastic Aptitude Test), espécie de ENEM norte-americano.
Quando recebeu a carta de admissão, em 18 de março de 2006, ela já cursava o primeiro mês de engenharia na USP. Com o início das aulas marcado para o segundo semestre, foi preciso correr para preparar todos os detalhes da viagem. Ao final dos quatro anos, a empreitada rendeu a ela os diplomas de ciências da computação, matemática, economia e administração.
Isabel trabalhou por dois verões na Microsoft como estagiária. Por lá, desenvolveu agregadores de RSS e até coordenou uma equipe que elaborou um serviço para identificar gestos a partir de uma webcam. Junto com outros colegas, ela foi convidada para conhecer a casa de Bill Gates. Na ocasião, os estudantes conheceram a família e o guru da empresa em um churrasco.
De lá, saltou para o programa de mestrado profissional do Google, em uma parceria da empresa com o MIT. Em Mountain View, ela trabalhou dentro do Google Translate, na equipe que deveria aprimorar o serviço. Em seu segundo ano de faculdade, participou de uma competição para montar um plano de negócios, a MIT 100K.
A competição é aberta a quem já está no mercado, desde que ao menos um integrante do time seja aluno do MIT. "Aprendi muito a empreender, afinal alguns participantes já eram donos de até cinco empresas". O grupo de Isabel avaliou os problemas da penetração do setor de telecomunicação na África. "Com isso, aprendemos a identificar um problema, uma necessidade, e criar uma solução. Inventamos um telefone que era uma espécie de walk-talk, com alcance de até 15 km. Cada aparelho funcionava como uma antena. Era como uma rede peer-to-peer de celulares. Chamamos o aparelho de mashphone". O projeto acabou sendo um dos finalistas.
Como diretora de desenvolvimento de negócios na Lemon, Isabel tem o desafio de superar a fase a inicial e converter a base de usuários gratuitos em assinantes de serviços. "Na nossa estratégia lançamos um produto grátis nos três primeiros meses. Ainda teremos uma versão free, mas apostamos nas funcionalidades pagas do gestor", diz Isabel. Outra preocupação é tornar o aplicativo renovável, fazendo com que os usuários sempre recebam algo novo e tenham incentivos para continuar no serviço.
Infelizmente, o Lemon só está disponível em inglês. No entanto, há planos para expandir as fronteiras do aplicativo. O negócio viu um rápido crescimento. Com menos de um ano de vida, a startup já tem 19 membros em sua equipe, incluindo os fundadores, e a tendência é que esse número fique ainda maior. Mesmo formatado para o mercado norte-americano, Isabel conta que o Lemon é utilizado em cerca de 200 países.
Isso faz parte da estratégia inicial, que consiste em aprimorar o serviço e utilizar uma base de dados mais consistente. De fato o Lemon mudou bastante com o feedback dos usuários. No começo a solução só trabalhava com base nos recibos e chegou a oferecer três planos pagos. Para facilitar as coisas, agora há somente a versão gratuita e a com assinatura. O time também incluiu funcionalidades extras, como inserir cartões de crédito e débito para gerenciar os dados de maneira ainda mais eficiente.
Mesmo com o sucesso da Lemon, Isabel tem em seus planos abrir outro negócio no futuro. E desta vez em sua terra natal. "O Brasil é um terreno muito promissor e o mercado está aquecido. Sem dúvida há espaço para que muita coisa legal aconteça". Para dividir um pouco do que aprendeu no MIT e em sua empreitada nos EUA, a paulistana conta suas histórias no livro "A Menina do Vale", publicado gratuitamente no formato digital em maio, que já foi baixado por meio milhão de usuários.

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Anonymous invade sites em protesto contra a Rio+20


Além do site oficial da Rio+20, o grupo invadiu o site do Senado, da Câmara, da ONU e do Detran

Vídeo do grupo hacker Anonymous
Anonymous: sites tiveram o layout da página substituído pelo símbolo do Anonymous Brasil
São Paulo - O grupo de hackers ativistas Anonymous Brasil invadiu o site da Rio+20 e de outros portais do governo ou relacionados a atual Conferência das Nações Unidas. Os ataques começaram na tarde dessa quarta-feira (20).
Além do site oficial da Rio+20, o grupo invadiu o site do Senado, da Câmara, da ONU e do Detran. Na lista também constam portais da Polícia Militar, do Exército e de alguns institutos de educação, como o INCRA.
Os sites tiveram o layout da página substituído pelo símbolo do Anonymous Brasil com a hashtag #OPHackinRio e por um vídeo. Nele, os ativistas cobram mais participação da sociedade civil nas decisões políticas.
"Os convidamos a refletir sobre o seu papel nas decisões tomadas não apenas na Rio+20, mas também no Brasil. Se você acredita que os lideres mundiais vão mudar o mundo é hora de abrir os seus olhos", diz o grupo em trecho do vídeo.
O grupo alega que a invasão foi necessária porque a mídia veicula que a Rio+20 é importante para os desdobramentos políticos e sociais relacionados à sustentabilidade. Para o Anonymous, a sociedade não pode deixar que apenas os líderes mundiais decidam as ações futuras. "Se o povo não se posicionar e agir com sua parcela de participação, o poder da tomada de decisões continuará assim como esta hoje, longe do povo", diz o grupo.
Os ataques continuam. Durante apenas uma hora, a INFO conferiu que mais de 8 sites governamentais traziam a mensagem do Anonymous. Além disso, muitos portais invadidos nessa quarta-feira (20) ainda permanecem fora do ar ou apresentaram instabilidade no acesso.
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Confira o vídeo do protesto do Anonymous Brasil abaixo:

7 redes sociais que você não pode deixar de conferir


No variado mundo das redes sociais, existem espaços dedicados a assuntos e públicos bem específicos; confira algumas delas nesta galeria de imagens

Redes sociais para todos os gostos
São Paulo - Em um mundo virtual dominado pelo Facebook e seus mais de 900 milhões de usuários, é difícil imaginar que ainda exista espaço para novidades no que diz respeito às redes sociais. A grande surpresa é que sim, existe, e não é pouco.
A quantidade de redes sociais que têm objetivos e públicos específicos é enorme e, mês a mês, surge uma novidade. Há uma dedicada inteiramente para os amantes da boa gastronomia, assim como existe outra que se propõe a ser uma rede social reservada aos homens.
Independente do seu propósito, a maioria delas ainda é desconhecida pelo grande público. Por isso, EXAME.com selecionou 7 redes sociais, com objetivos diferentes, e que você não pode deixar de conferir.
Foodie.com
Lançada no começo do ano, Foodie é uma rede social destinada aos amantes da boa comida. O seu objetivo é oferecer aos usuários a chance de descobrirem novos sabores, receitas ou restaurantes. É também um local onde os amantes da gastronomia podem entrar em contato com outros que dividem as mesmas preferências.
O usuário pode adicionar suas próprias receitas à rede ou ainda pode procurar por alguma específica. Neste segundo caso, e um dos destaques da rede, pode se ter acesso a dicas de outros usuários ou do seleto grupo chamado Foodie Ambassadors (Embaixadores do Foodie). Este grupo é formado por críticos, chefs e blogueiros de gastronomia em geral e que também deixam suas contribuições acerca de novos restaurantes ou pratos imperdíveis.
A rede social, como não poderia deixar de ser, tem design elegante e é recheada com belas imagens de pratos que dão água na boca. Todo o conteúdo, porém, está disponível apenas em inglês. O acesso ao Foodie é gratuito, não requer convites, e pode ser feito a partir do perfil do Facebook.
Gentlemint
O sucesso estrondoso do Pinterest, especialmente entre o público feminino que corresponde a mais da metade dos visitantes da rede, abriu precedentes para que outros sites com a mesma proposta surgissem. E se o Pinterest é um local essencialmente feminino, existem outros que tem os homens como público alvo. Um deles é o Gentlemint, lançado no começo de 2012.
A rede social foi concebida por dois amigos, Glen Stansberry e Brian McKinney, em apenas 12 horas regadas a muito bourbon. O seu objetivo é, basicamente, ser um local no qual os homens possam dividir assuntos mais, digamos, masculinos, em termos de humor, estilo e o que mais acharem pertinentes.
Como a rede social é muito recente, a pequena equipe está trabalhando em ajustes e funcionalidades. Portanto, o cadastro de novos usuários ainda está sujeito a convites. Para receber o seu, basta cadastrar-se e aguardar. De acordo com os criadores no blog oficial da rede, todos serão aceitos, é apenas uma questão de tempo para que a pequena equipe dê conta de cadastrar todos os pedidos.
Path
Uma das coisas mais bacanas do Facebook é a maneira com a qual se compartilha o que quiser para todos os seus amigos na rede social. A facilidade porém, pode ser uma armadilha, especialmente para quem tem em sua lista não apenas amigos, mas também colegas de trabalho, por exemplo.
Pois a rede social Path tem como objetivo ser o oposto de tudo isso. A ideia é manter um círculo diminuto de pessoas realmente próximas. Assim, o usuário poderá dividir tudo o que quiser (vídeos, fotos e localização), com direito a fotos e sem medo de expor sua privacidade para quem não deveria.
Lançada no final de 2010, o Path não tem versão para web e já conta com pouco mais de 2 milhões de usuários. Está disponível apenas como app gratuito para iPhone e Android, o que reforça sua característica de diário que acompanha o usuário onde quer que ele esteja. O Path também oferece a possibilidade de compartilhamento no Facebook e Twitter, se assim o usuário desejar.
Pose
Uma das grandes manias da mulherada é expor em seus perfis os chamados "Looks do dia", fotos capturadas que mostram a roupa escolhida para o trabalho, por exemplo, com a descrição completa de cada item. Quem tem o hábito de fazer isso não pode deixar de conhecer o Pose, uma rede social dedicada inteiramente à atividade.
Lançada há pouco mais de um ano, o objetivo da rede é conectar mulheres com os mesmos interesses ao permitir o compartilhamento de fotos e a interação entre usuárias. No Pose ainda é possível marcar cada peça com a marca ou loja onde foi comprada, facilitando que quem gostou possa encontrar um modelo igual.
A rede social possui, além de uma versão na web, apps para Android e iPhone e também permite que os looks sejam compartilhados em outras redes, como Facebook e Twitter.
Untappd
Cervejeiros de plantão também tem um espaço inteiro dedicado ao seu assunto predileto: cerveja. O Untappd, lançado há pouco mais de um ano, é o local perfeito para dividir experiências relacionadas ao variado mundo da cerveja.
No espaço chamado "The Pub", é possível ficar sabendo onde e o que seus amigos estão bebendo. Ao clicar na cerveja, a rede oferece então todas as informações sobre a bebida, como seu fabricante, onde é produzida, quem a está bebendo no momento.
Outro local da rede, chamado "Top Rated", o usuário pode ver quais os rótulos mais bem avaliados e adicioná-los à sua lista de desejos. A rede social conta com versões mobile gratuitas para iPhone e aparelhos Android, seu conteúdo é em inglês e disponível apenas para maiores de idade.
Friends of Wikileaks
Apesar de não ser oficialmente ligada ao Wikileaks, a rede social Friends of Wikileaks tem o propósito de reunir pessoas que compartilham os princípios e apoiam a organização de Julian Assange. A ideia é que, ao conectar pessoas com ideais similares, os mesmos consigam formar um forte movimento de ciberativismo.
De acordo com o manifesto escrito no site do FoWL, todos os dados dos usuários são criptografados e são invisíveis para quem não faz parte da sua rede imediata de amigos. Tais medidas de segurança, segundo o manifesto, servem também para proteger os usuários da vigilância e ataques de agências de inteligência, privadas ou governamentais.
Para participar, usuário faz o cadastro e recebe um código formado por números e letras que servirá para realizar o login. A própria rede irá indicar 6 amigos com base na sua localização imediata e mais 6 que falem os mesmos idiomas do usuário e que estejam em outros países. Os amigos podem ser excluídos à vontade, por questões de afinidade por exemplo. Nestes casos, a rede irá oferecer um novo nome para substituí-lo.
A rede ainda não está 100% em funcionamento, mas aceita cadastros e garante que irá começar, em breve, a indicação de amigos para os usuários que já fazem parte do FoWL. O registro é feito em poucos minutos e é completamente gratuito.
So.cl
Lançada em maio de 2012, em silêncio quase absoluto, o So.cl é uma rede social desenvolvida pela Microsoft. De acordo com a empresa, a rede é um projeto experimental conduzido pelo Microsoft FUSE Labs - departamento responsável por elaborar produtos e pesquisas com foco em experiências sociais.
A ideia é que seus usuários criem e compartilhem histórias e experiências em posts que formam uma espécie de "colagem virtual". Além disso, a rede permite que o usuário construa os próprios feeds com tópicos de seu interesse. Também é possível compartilhar vídeos com seus amigos através da opção "Video Party".
O cadastro na rede social é gratuito e pode ser feito através do perfil do Facebook. O conteúdo apresentado pelo So.cl e que pode ser adicionado aos posts é oferecido pelo buscador da Microsoft, o Bing.

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5 armadilhas financeiras que pegam até os mais atentos


Taxa zero de juro, multas por perda de comandas e taxas indevidas são algumas das práticas abusivas que afetam desde os mais avoados aos mais esclarecidos clientes

Dionaea, espécie de planta carnívora
Algumas técnicas são tão ardilosas que não poupam nem os mais cautelosos
São Paulo – A pressa e a desatenção são inimigas da perfeição e muito amigas das práticas abusivas. Muitos consumidores acabam gastando dinheiro à toa com a cobrança de taxas indevidas em financiamentos, com a compra forçada de certos produtos em vendas casadas, e mesmo com o pagamento de multas - como pela perda de uma comanda em uma casa noturna -, prática esta que poucos sabem ser ilegal.
Algumas dessas práticas se revelam verdadeiras armadilhas para os consumidores mais avoados e podem ser tão bem maquiadas que nem os mais cautelosos conseguem escapar. Veja abaixo cinco exemplos de técnicas usadas por instituições financeiras e estabelecimentos comerciais que são prejudiciais ao consumidor e podem ser contestadas em certos casos.
1. Ofertas com taxa zero de juro
Uma das armadilhas mais escrachadas, que é bastante recorrente na venda de carros, é a propaganda da taxa de juro zero, uma velha tática dos comerciantes para tentar atrair o cliente. Toda compra a prazo tem juro, uma vez que a instituição financeira paga juros pela captação de recursos no mercado e repassa esse custo para emprestar o dinheiro ao consumidor. Por isso, mesmo que os juros estejam embutidos, eles sempre estão presentes nos financiamentos. Para tirar a dúvida, basta comparar o preço à vista com o preço total do financiamento.
Tatiana Viola de Queiroz, advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - Proteste, afirma que este tipo de prática é considerada propaganda enganosa e, portanto, é condenada pelo Código de Defesa do Consumidor. Ela explica que no momento da venda devem ser apresentadas as taxas de juros cobradas no financiamento e o Custo Efetivo Total (CET) do financiamento, percentual que inclui todas as tarifas, despesas e tributos cobrados pela financeira anualmente. “O juro mensal pode até ser zero, mas o financiamento sempre tem um custo e é importante que o consumidor observe o CET e faça a comparação entre um banco e outro”, recomenda Tatiana.
Rodrigo de Mesquita Pereira, especialista em relações de consumo e sócio do escritório MPMAE Advogados, ressalta que o consumidor pode exigir o cumprimento da oferta e tem chances de sair vencedor. “É a mesma coisa que chegar ao supermercado e ter uma oferta de um sabão a 1 real e quando ele passa o produto no caixa está 1,20 real. O consumidor pode exigir o pagamento pelo valor de 1 real porque sempre que há uma oferta ela acaba obrigando o valor a se vincular a ela”, explica.
2. Títulos de capitalização
Muito bom para os bancos e péssimo para o bolso dos consumidores. Os títulos de capitalização são vendidos muitas vezes como um tipo de “investimento” que permite ao cliente guardar dinheiro de forma programada e ao mesmo tempo concorrer a prêmios "incríveis". No primeiro momento parece fantástico, mas no resgate é uma verdadeira decepção.
Neste tipo de produto, o cliente faz depósitos mensais, sendo que no primeiro mês uma boa parte do valor investido, algo como 90% (varia de acordo com o banco), fica para o banco, enquanto apenas o restante será rentabilizado a favor do cliente. Nos depósitos subsequentes uma taxa menor é paga ao banco, mas ainda alta se comparada às taxas dos “verdadeiros” investimentos. Além dos altos descontos feitos pelo banco, os valores depositados têm rendimento igual ao da poupança (0,5% ou menos ao mês, mais a Taxa Referencial) e no final do contrato, portanto, o cliente resgata o dinheiro com rentabilidade quase nula.
“O título de capitalização é um jogo. O cliente coloca 1.000 reais hoje e daqui a cinco anos ele resgata os mesmos 1.000 reais e ainda sai perdendo por causa da inflação, que não é corrigida”, explica André Massaro, especialista em finanças pessoais da Moneyfit e Trader independente.
De acordo com Mesquita Pereira, se o banco deixar claras as regras no momento da contratação do produto, o consumidor não pode reclamar das cobranças depois. No entanto, ele enfatiza que as cláusulas do contrato que são prejudiciais ao consumidor teriam que ser destacadas de alguma forma. “Se estas informações estão inseridas em um contexto que não fica claro para o consumidor, ele tem elementos pra reclamar”, diz.
3. Cobrança de taxas indevidas em financiamentos
Além de em muitos financiamentos o banco não explicar de forma clara quais são as taxas embutidas no pagamento - o que já representa um desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor-, muitos ainda cobram taxas indevidas. Tarifa de Abertura de Crédito (TAC), Gravame eletrônico, taxa de registro de contrato, tarifa de avaliação de bens, tarifa de boleto bancário, serviços de terceiros e seguro prestamista são alguns exemplos.
“Estas taxas são ilegais, porque elas cobram um valor por um serviço não prestado ou cobram duas vezes uma mesma coisa. No caso da TAC, por exemplo, a verificação do crédito que o banco faz já é inerente ao serviço, por isso não deve ser cobrada”, explica a advogada do Proteste. Ela acrescenta que estas cobranças são um dos maiores alvos de reclamação dos consumidores.
O banco só pode cobrar as prestações pelo valor financiado com juros e o IOF, por isso, o cliente pode pedir que o banco retire as demais cobranças, segundo Tatiana. E se o banco se negar a cancelá-las, o consumidor pode enviar uma notificação ao Banco Central e, em último caso, entrar com uma ação no tribunal de pequenas causas.
4. Venda casada
As vendas casadas ocorrem quando o cliente compra um produto ou contrata um serviço e é obrigado a pagar por um segundo produto ou serviço. O caso mais clássico ocorre durante a contratação de empréstimos. O banco, sabendo que o cliente necessita da liberação daquele crédito, aproveita a oportunidade para vender o produto apenas com a condição de que o cliente compre um seguro, ou contrate um outro serviço do banco.
Segundo a Proteste, muitos outros exemplos podem ser enquadrados como venda casada, tais como: concessionárias de veículos que obrigam a contratação de seguro automóvel de uma empresa própria ou parceira; agências de viagem que condicionam a liberação de cheques de viagem usados no exterior à contratação de seguro; provedores de internet que oferecem conexão rápida apenas se for contratado um segundo provedor de acesso; venda de materiais de informática que obrigam a compra conjunta de um equipamento do programa; empresas de linhas telefônicas e TV por assinatura que impõem a contratação de serviços de telefone, TV e internet em conjunto, alegando que não são oferecidos de forma independente; e escolas que exigem exclusividade para compra de material escolar.
Um exemplo curioso, também apontado pela instituição, são os cinemas que permitem em suas salas de exibição apenas o consumo de alimentos vendidos pela rede da empresa. É o mesmo caso das casas de shows que vendem comes e bebes e que não permitem que os espectadores entrem com bebidas e alimentos vendidos fora do local. Funciona como uma venda casada às avessas, pois força o consumidor a comprar os produtos vendidos no local.
Novamente, se o consumidor se sentir lesado, ele pode fazer uma reclamação à empresa e, se não tiver sucesso, pode recorrer a órgãos de defesa ao consumidor ou até mesmo entrar com um processo judicial contra a instituição.
5. Multa aplicada em caso de perda de tíquetes e comandas
Não raro, casas noturnas cobram o consumidor pela perda de comandas e as multas são altíssimas, facilmente superam a casa dos 100 reais. O mesmo ocorre com estacionamentos, que cobram pela perda do tíquete o valor de uma diária.
Como a cobrança é frequente, muitos consumidores acabam pagando sem questionar, mas a prática é ilegal. O controle do consumo dos clientes deve ser de responsabilidade não só dos consumidores, mas também do estabelecimento.
Além disso, conforme explica o advogado especialista em direitos do consumidor, muitas vezes o cliente não é informado sobre a cobrança no caso de perda, e a omissão de informações pode ser considerada uma infração, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor. “A cobrança deve ser informada antes de o consumidor fazer a opção de compra, porque isso vai influenciar a compra dele. Não adianta estar explicado no cartão, porque a informação fica perdida no próprio instrumento”, diz Pereira.
O advogado lembra de um caso no qual um consumidor teve que pagar 80 reais após perder um cartão de estacionamento em um shopping e, depois de recorrer à Justiça, teve o valor devolvido em dobro, além de receber uma indenização por danos morais no valor de 1.000 reais.

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10 notícias para lidar com os mercados nesta sexta-feira


Moody's rebaixa nota de 15 bancos, incluindo cinco de Wall Street; Pão de Açúcar define controle

São Paulo - Aqui está o que você precisa saber:
1 - Moody's rebaixa nota de 15 bancos, incluindo cinco de Wall Street. A agência de qualificação de risco Moody''s rebaixou na quinta-feira sua nota para 15 entidades financeiras, incluindo cinco dos principais bancos de Wall Street: Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley, devido à sua elevada exposição à volatilidade dos mercados. O rebaixamento, de um a dois degraus na maioria dos casos, afeta também nove bancos europeus, entre eles o alemão Deutsche Bank, o francês BNP Paribas, o suíço Credit Suisse e o Royal Bank of Canada.
2 - Agenda do dia tem definição do controle do Pão de Açúcar. Os acionistas do Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) e de seu controlador, a Wilkes Participações, participam de assembleias convocadas pelo empresário Abilio Diniz para transferir o controle da maior varejista do Brasil ao grupo francês Casino Guichard-Perrachon. Na assembleia, o presidente da Casino assumirá como presidente da Wilkes, cargo hoje ocupado por Diniz. 3 - OPA da TAM acontece hoje. A oferta pública de aquisições (OPA) das ações da Tam (TAMM4) acontece hoje na BM&FBovespa. O preço final para os papéis será de 52,50 reais.
4 - Queda do IPI reduz valor da frota da Localiza em R$180 mi. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis novos refletiu-se na queda do valor residual estimado da frota da Localiza em cerca de 180 milhões de reais, informou a locadora de automóveis em fato relevante na quinta-feira. Deste valor, aproximadamente 116 milhões de reais correspondem a aluguel de carros e 64 milhões de reais, a aluguel de frotas. 5 - Ação da Brazil Pharma sai a R$9,25 em oferta subsequente. A ação da Brasil Pharma (BPHA3), holding de farmácias do BTG Pactual, foi precificada a 9,25 reais em oferta subsequente de ações primária e secundária, segundo dados disponíveis no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quinta-feira. A emissão totalizou 553,15 milhões de reais. A companhia emitiu 52,8 milhões de ações na oferta primária, contabilizando 488,4 milhões de reais. A oferta secundária foi de 7 milhões de ações, em um total de 64,75 milhões de reais.
6 - BRF e Kraft registram queda nas vendas no 1º semestre. O desaquecimento da economia já está surtindo efeito nas contas de empresas de peso do setor alimentício, como a BRF Brasil Foods (BRFS3) e a Kraft Foods. As duas empresas informaram ter registrado redução de vendas no primeiro semestre deste ano. A BRF acredita que o quadro deverá repercutir sobre o fechamento de 2012, com o número de pessoas contratadas em dezembro devendo ser inferior ao de janeiro, diferentemente do que costumar ocorrer, segundo o vice-presidente de Assuntos Corporativos da empresa, Wilson Newton de Mello Neto.
7 - Ações da Vigor voltam à Bovespa hoje. A Vigor (VIGR3) passará a ser uma companhia com governança própria e estrutura independente da JBS a partir de hoje. A volta da empresa à bolsa acontece após ter sido concluída a etapa da OPA (oferta pública de aquisição) de ações ordinárias da JBS (JBSS3), mediante permuta por papéis da Vigor . Ao todo, foram negociadas 118.029.483 ações ordinárias da JBS por R$ 7,96 cada. No total, foram objeto da oferta 149.714.346. Essa operação movimentou R$939.514.684,68. 8 -Embraer e Avic vão construir jatos executivos na China. A Embraer (EMBR3) e a Aviation Industry Corporation of China (Avic) assinaram um acordo para a fabricação, na China, dos jatos executivos Legacy 600/650, de acordo com comunicado enviado ao mercado nesta quinta-feira.O negócio já teve início com um pedido, pela chinesa ICBC Leasing, de 10 jatos Legacy 650, sendo cinco pedidos firmes e cinco opções. Os termos do acordo entre as companhias prevêem que seja utilizada a infraestrutura, recursos financeiros e mão-de-obra da joint venture Harbin Embraer Aircraft Industry (Heai), que iniciou operações em 2002.
9 - Após impasse, shopping JK Iguatemi será inaugurado hoje. O shopping JK Iguatemi, da administradora Iguatemi (IGTA3), finalmente abrirá as portas ao público nesta sexta-feira, mais de dois meses após a inauguração programada ter sido barrada pela Justiça. Segundo nota da assessoria de imprensa da administradora Iguatemi, responsável pelo empreendimento juntamente com a construtora WTorre, o centro de compras começará a funcionar no dia 22, às 15h, depois de ter obtido todas as licenças públicas necessárias. 10 - ?Piada? do Credit Suisse encontra respaldo em dados de inflação. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ironizou a previsão do Credit Suisse Group AG, feita em 20 de junho de que o crescimento da economia desacelere para 1,5 por cento este ano. Um relatório de inflação no dia seguinte mostrou que a atividade econômica continua fraca, alimentando dúvidas sobre a estimativa de Mantega de um crescimento de mais de 2,7 por cento. A taxa implícita de inflação, medida pela diferença entre os rendimentos das Notas do Tesouro Nacional série B com vencimento em 2014 e os contratos de juros futuros de prazo similar, caiu 58 pontos-base no mês passado, para 4,75 pontos porcentuais. No México, a taxa subiu 77 pontos-base.
Bônus: As ações que você não vê, mas que os gestores adoram *Agência Estado, Bloomberg, EFE e Reuters.

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Casa sustentável tomará decisões sozinha, diz diretor do MIT


Federico Casalegno, pesquisador do MIT, disse no evento InfoTrends que as casas precisam ganhar inteligência

São Paulo - O fundador e diretor do laboratório de mobilidade do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), o italiano Federico Casalegno, afirmou que, no futuro, as casas serão sustentáveis e capazes de tomar decisões sozinhas sobre consumo de água, energia e geração de lixo.
Durante palestra no InfoTrends, Casalegno mostrou alguns projetos de inovação desenvolvidos pelo laboratório que dirige, entre eles a "casa conectada", construída na cidade de Trento, no norte da Itália. Segundo o pesquisador, a casa sustentável deve terá sensores nas paredes, cômodos e espelhos e os objetos vão comunicar-se entre si. "O refrigerador trocará dados com o telhado da casa e a TV receberá informações da lavadora", diz.
Neste cenário, o usuário poderá ver as luzes se ascenderem conforme seu deslocamento pela casa, mas não terá o desconforto de ver as luzes se apagarem caso ele esteja parado lendo, como ocorreria se fossem usados só sensores de movimento. "É preciso explorar algoritmos para entender o comportamento dos moradores e reagir a eles. Isso é o que chamamos de arquitetura cognitiva robótica", explicou.
Além disso, disse Casalegno, o imóvel deve combinar sistema de iluminação orgânico, com janelas inteligentes autônomas e autogeração de energia, para alimentar automóveis e eletrodomésticos.
"É preciso desenvolver interfaces capazes de produzir interação entre os objetos e as coisas. Essa será uma das formas de mudar o futuro", disse ele, após apresentar uma tábua para corte de alimentos capaz de se comunicar com tablets.
O pesquisador disse ainda que, em qualquer pesquisa, é preciso convidar os usuários comuns para testá-las e fazer sugestões. "As pessoas dão usos criativos e inesperados para coisas que foram criadas para diferentes fins. Isto é muito rico e deve ser aproveitado", disse.
Para suportar sua afirmação, Casalegno mostrou fotos curiosas de pessoas usando bicicletas e motos para fins não imaginados por seus fabricantes, como o transporte de mobiliário e animais vivos.

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terça-feira, 19 de junho de 2012

Governo destinará R$ 2 bilhões para inovação sustentável

São Paulo - O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, vai lançar nesta semana, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, um programa de R$ 2 bilhões voltado para projetos de inovação tecnológica com perfil social e ambiental, conforme nota divulgada pela empresa Itaipu Binacional.
Uma das linhas de crédito do novo programa, que se chamará Brasil Sustentável, deverá atender ao estudo e produção de ônibus híbridos, para o transporte de passageiros, como o desenvolvido por Itaipu Binacional dentro do Projeto Veículo Elétrico (VE).
O anúncio foi feito no Galpão 3 do Pier Mauá, no Rio de Janeiro, na inauguração da Feira Expo Brasil Sustentável, promovida pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI), na última sexta-feira.
O ministro informou que 75% do valor do programa será para promover a inovação das empresas, com recursos financiados, e o restante (R$ 500 milhões) subvencionado para o desenvolvimento de novas tecnologias, conforme a nota divulgada por Itaipu. Os recursos deverão ser liberados em três anos.

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