segunda-feira, 4 de junho de 2012

Notícias»Tecnologia pessoal Microsoft libera Windows 8 Release Preview

A Microsoft liberou o download nesta quinta-feira da última versão de testes do seu novo sistema operacional Windows 8.
A versão Windows 8 Release Preview será a última antes do lançamento da edição oficial, prevista para outubro, e fornecerá mais detalhes de como será o sistema final da Microsoft para tablets e computadores.
São esperadas melhorias nas aplicações embutidas na interface Metro, novos aplicativos na Windows Store e algumas adições de desenvolvedores terceiros.
Esta última versão para testes chega mais completa e com modificações pontuais. A principal delas provavelmente é a inclusão do suporte limitado ao Flash no novo estilo Metro do Internet Explorer. A Microsoft já havia informado que apenas a versão clássica do browser que suportaria o Flash, pois o browser na nova interface não terá suporte para outros plugins, o que gerou revolta de concorrentes como Mozilla Firefox e Google Chrome.
Segundo Steven Sinofsky, presidente da divisão Windows, se os testes desta versão atenderem às expectativas da Microsoft é possível que o sistema seja liberado dentro de até 2 meses para as fabricantes. A ideia da empresa é que os primeiros dispositivos com o novo sistema cheguem a tempo das festividades de final de ano.
A Microsoft também confirmou o esquema de upgrade para o Windows 8 Pro. A partir de 2 de junho a empresa abrirá uma pré-venda do novo sistema para aqueles que comprarem um computador com Windows 7. O upgrade custará US$ 14,99 (nos Estados Unidos) e será válido até o dia 31 de janeiro de 2013 em 131 países. No Brasil esse pacote custará R$ 29.
Para quem já possui um computador com sistema Windows 7, as ofertas de upgrade serão divulgadas em breve pela empresa.
O Windows 8 representa uma grande aposta para a Microsoft. O novo sistema traz a mudança de interface com o Metro, novos tipos de aplicações e pela primeira vez irá suportar ambos os processadores para PC, Intel e AMD, além das arquiteturas móveis ARM, Qualcomm, Nvidia e Texas Instruments utilizadas em tablets e smartphones.
O download do Windows 8 Release Preview já está disponível para computadores 32 ou 64bits. Possui em média 3GB e exige espaço mínimo de 16GB para versão com 32bits e 20GB para 64bits. O download está disponível em 14 línguas, incluindo português brasileiro.
O Windows 8 virá com 4 versões. São eles o Windows 8, Windows 8 Pro (para hardware com arquitetura x86), Windows RT (para hardware baseado em ARM) e Windows 8 Enterprise.

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Tablets com Windows 8 chegam nesta semana

São Paulo - As fabricantes chinesas Acer e Asus e a japonesa Toshiba se preparam para anunciar seus novos tablets equipados com o Windows 8 entre os dias 5 e 9 de junho.
Segundo a publicação financeira Bloomberg, estes serão os primeiros tablets oficialmente divulgados com o novo sistema operacional da Microsoft. De acordo com fontes da publicação, os lançamentos ocorrem durante a maior feira de tecnologia do continente asiático, a Computex 2012, sediada em Taipei, na China.
Enquanto a Acer anunciará somente um tablet com o Windows 8, a Toshiba irá lançar dois dispositivos: um tablet e um gadget muito parecido com um notebook.
Já a Asus investiu em uma proposta parecida com seu atual modelo já existente chamado Transformer, que possui modelos com teclado descartável e processadores da Nvidia Tegra e da Intel.
Através da nova interface Metro, a proposta do Windows 8 é de trazer seu uso para telas sensíveis ao toque, como em tablets e smartphones. O sistema operacional trabalha com dois tipos diferentes de área de trabalho: o desktop convencional já conhecido no Windows 7, e o novo layout, apelidado de Metro.
Com previsão de chegada para o fim deste ano, o Windows 8 terá suporte a processadores móveis baseados na tecnologia da fabricante ARM, utilizada em tablets e smartphones, o que é uma aposta para concorrer fortemente com o avanço do iPad.

INFONotícias

Asus exibe ultrabook com duas telas e Windows 8


São Paulo - A Asus revelou seu primeiro ultrabook com duas telas de LED, sendo uma multi-touch localizada na parte de trás do computador.
O Asus Taichi foi apresentado hoje pela empresa durante o evento Computex 2012, que ocorre em Taiwan.
O Taichi funciona como um ultrabook comum, com teclado QWERTY, backlit nas teclas e trackpad. Mas ao ser fechado, o computador pode ser usado como um tablet com suporte a caneta stylus.
O computador virá em duas versões, uma com tela de 11,6 polegadas e outro com 13,3 polegadas (a resolução será de 1920 x 1080 pixels).
As configurações são similares. Contam com portas USB 3.0, mini VGA e micro DVI, processador Core i7 Ivy Bridge, 4GB de RAM, armazenamento em drive SSD, conexão dual-band 802.11n e duas câmeras.
Os ultrabooks rodarão com sistema Windows 8, no entanto a versão final do sistema operacional da Microsoft só estará disponível a partir de outubro. A data de lançamento e os preços para o Asus Taichi também não foram revelados.

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INFONotícias

Norman Gall: ‘Falta de água na China causará mais conflitos do que comunismo’

Considerado o maior de Beijing, na China, o reservatório de Miyun está secando

Com 19% da população global, a China abriga um terço das cidades que estão no ranking das que mais sofrem com escassez de água e possui 16 dos 20 municípios mais poluídos do mundo, em termos de recursos hídricos. Paralelo ao problema, a densidade demográfica do país não para de crescer e, até 2030, a demanda por água dobrará. Para Norman Gall, diretor executivo do Instituto Braudel, a falta do recurso causará na China mais conflitos do que o comunismo já provocou até hoje e enfraquecerá o país na economia global.


Nas últimas três décadas, a China cresceu, em média, 10% ao ano, tornando-se a segunda maior potência econômica do mundo e com grandes chances de subir para a primeira posição nos próximos cinco ou dez anos. Tamanho desenvolvimento, no entanto, pode ter um preço alto: "Por mais de dois mil anos, a gestão em larga escala da água foi uma ferramenta extremamente necessária para o crescimento da nação chinesa. Mas o que foi força no passado está se transformando em fonte de fraqueza", disse Norman Gall, jornalista norte-americano e diretor executivo doInstituto Fernand Braudel de Economia Mundial, durante a palestra A crise da água na China, apresentada na FAAP, dia 29 de maio. 

O especialista fez uma imersão de seis semanas na potência oriental com o objetivo de analisar os desafios da questão da água no país e chegou a seguinte conclusão: "A escassez do recurso é mais aparente a cada dia e, claramente, ameaça a sobrevivência do povo chinês. A falta de água causará mais conflitos do que o comunismo já provocou até hoje no país e enfraquecerá a China no cenário econômico global", afirmou. 

As previsões de Gall são baseadas nos números. Atualmente, com 19% da população global - cerca de 1,3 bilhão de habitantes -, a China abriga um terço das cidades que estão no ranking mundial das que mais sofrem com escassez de água e possui 16 dos 20 municípios mais poluídos do mundo, em termos de recursos hídricos. Além disso, desde a década de 90, o câncer é a principal causa de morte no país - sobretudo o de fígado, por conta da água poluída - e a necessidade de buscar água cada vez mais fundo, nos poços subterrâneos, está fazendo a China afundar, literalmente. "Já existem no país poços com cerca de mil metros de profundidade e o bombeamento de água que está sendo feito para suprir a demanda é mais rápido do que a capacidade da natureza de repor o recurso. Como consequência, a terra afundou cerca de dois metros em aproximadamente 50 cidades da China e, inclusive, está ameaçando o funcionamento das ferroviais de alta velocidade do país, sobretudo a linha Xangai-Pequim", contou Norman. 

A situação é ruim e a tendência é piorar. "Até 2025, a população da China ganhará mais 400 milhões de pessoas. É o dobro da população do Brasil. E, até 2030, a demanda por água duplicará, com relação a 1980. Se as pessoas já sofrem hoje com a falta de água, imaginem na próxima década. As contas simplesmente não fecham", disse Norman, que completa: "O problema está, apenas, no começo. Eu desejo ao povo chinês sorte". 

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Gesner Oliveira
, professor da FGV-SP e ex-presidente da Sabesp, também participou da palestra A crise da água na China e disse não acreditar na tese malthusiana de que a população crescerá e faltarão recursos para todos. "Os números chineses são assustadores, mas eles são capazes de enfrentar o problema, se derem uma grande guinada rumo à inovação tecnológica", afirmou Gesner. 

Para o professor, superar a crise de água na China e em tantos outros países que também sofrem com o problema, em menor ou maior escala - como Brasil, Índia e Bangladesh -, depende, essencialmente, de dois processos: 
- a precificação da água, somada à conscientização para o uso racional do recurso e 
- o estímulo a um ciclo produtivo

"Muitos governos são relutantes em cobrar a água de acordo com seu real custo. Assim, cria-se uma ideia errônea de que o recurso é livre, o que causa um grave problema de fornecimento", disse Gesner. "O preço, claro, não é tudo. Mas quando vemos na rua alguém lavando a calçada com uma mangueira e, pior, mirando em uma folhinha para jogá-la no bueiro, percebemos que algo está errado. A água está muito barata". 

Quanto ao estímulo a um ciclo produtivo, Gesner explica que desperdiçamos o recurso em seu processo de produção e descarte. "No geral, perde-se 40% da água em sua produção. Se investíssemos em eficiência e diminuíssemos esse índice de perda pela metade, aumentaríamos a oferta em 33%. Além disso, devemos reaproveitar a água que vai para o ralo, transformando-a em recurso de reuso. Até o lodo dessa água pode ser reutilizado para a fabricação de materiais de construção, geração de energia e produção de fertilizantes", disse. "É tudo uma questão de gestão, planejamento e educação", concluiu.

O combustível do futuro é a eficiência

Daniel Yergin é autor de um livro de leitura obrigatória para quem quer entender o mundo moderno. Lançado em 1991, O Prêmio: a Busca Épica por Petróleo, Dinheiro e Poder já foi traduzido para dezessete idiomas e rendeu a Yergin o Pulitzer, o prêmio de maior prestígio da literatura americana. À frente de uma empresa de pesquisas com sede em Washington, a Cera, ele é hoje o mais influente consultor na área de energia do mundo.


Dois meses atrás, Yergin voltou ao tema com o lançamento de The Quest: Energy, Security and the Remaking of the Modern World (A Busca: Energia, Segurança e a Reconstrução do Mundo Moderno, ainda sem tradução para o português). O livro, que na primeira semana chegou à quarta posição na lista dos mais vendidos do The New York Times, é um colosso de 800 páginas atualizado até o momento de ser impresso. Dessa forma, Yergin teve tempo para avaliar o impacto de eventos recentíssimos - como o terremoto de Fukushima e a primavera árabe - em um planeta faminto de energia. A seguir, um resumo das ideias expressas no livro 

A FOME DOS NOVOS RICOS A renda per capita de 2 bilhões de pessoas, mais de um quarto da população mundial, que hoje está em torno de 10 000 dólares, triplicará até 2031. Composto principalmente de chineses e indianos, esse contingente terá o padrão de consumo de carros, geladeiras, computadores e celulares equivalente ao de um americano hoje. Em termos de energia, isso representa um enorme desafio. Pegue-se o exemplo do petróleo: o novo padrão de vida levará cada asiático a queimar catorze barris diários, em lugar dos três atuais. Para suprir a demanda energética com o acréscimo dessa legião de novos abastados da Ásia e, em menor escala, da América Latina, a produção mundial de energia terá de crescer pelo menos 30% nos próximos dez anos. Um estudo da Cera prevê um aumento de 75% na demanda mundial de energia para os próximos vinte anos. 

O PETRÓLEO NÃO VAI ACABAR 
Já anunciada em 1880, ao fim da II Guerra e novamente nos anos 1970, a morte do petróleo está longe de se tornar realidade. A produção cresceu cinco vezes desde o fim dos anos 1950 e continua a aumentar. As reservas atuais são estimadas em 5 trilhões de barris. Para se ter uma ideia do que isso significa, extraiu-se 1 trilhão de barris desde o início da indústria petrolífera, no século XIX. Novas tecnologias não apenas permitiram a exploração de jazidas já dadas como esgotadas. Também tornaram economicamente viável o aproveitamento de reservas cuja exploração antes era considerada cara demais para valer a pena. O crescimento do setor de extração de óleo em águas profundas é um exemplo. Desde 2000, a produção no fundo dos oceanos subiu de 1,5 milhão de barris diários para os atuais 5 milhões. Nem o acidente com a plataforma Deepwater Horizon no ano passado, no Golfo do México, abalou o entusiasmo com esse tipo de exploração. A maior preocupação não deve ser com o esgotamento das reservas petrolíferas, mas com o aumento da demanda. Neste ritmo de crescimento, o petróleo não vai dar conta de abastecer o mundo sozinho. 

O TROPEÇO DA ESPERANÇA NUCLEAR 
O terremoto que atingiu o Japão, provocando vazamentos e incêndios na usina de Fukushima, teve efeito devastador no renascimento da indústria nuclear. Fukushima foi o pior incidente no setor desde a explosão de Chernobyl, na Ucrânia, um quarto de século atrás, e esmaeceu a esperança depositada nessa fonte energética. Na crise do petróleo de 1973, a energia nuclear representava 1% da matriz energética mundial. Atualmente, responde por 5,8%. Até o incidente no Japão, a estimativa era que o porcentual ultrapassaria rapidamente os dois dígitos. Mas já não será assim. Isso não significa, contudo, que a energia produzida pela fissão dos átomos será abandonada ou que a maioria das usinas acabará desativada. Os 58 reatores em operação são responsáveis por 80% da energia consumida na França, por exemplo - e isso não vai mudar de uma hora para a outra. O problema é o aumento do receio em relação a acidentes. Isso cria um freio à disseminação da tecnologia para países que poderiam se beneficiar dela. Há também uma preocupação política. Construir novos reatores significa ampliar o acesso ao material e à tecnologia nuclear. É grande o risco de que esse conhecimento caia em mãos erradas. 

O PREÇO DA PRIMAVERA ÁRABE A repercussão das revoltas no Egito, na Líbia e na Tunísia que eclodiram no decorrer deste ano deve ser avaliada em dois patamares. No curto prazo, a primavera árabe provocou aumento no preço do petróleo. Em março, com a rebelião na Líbia, o barril subiu para 107 dólares, o maior preço em dois anos e meio. E a Líbia é responsável por apenas 1,5% da produção mundial. Mais complicado é o abalo no equilíbrio de forças que predominou nos últimos quarenta anos no Oriente Médio, região responsável por 40% do suprimento e por dois terços das reservas mundiais. Quando o Iêmen e a Síria também foram engolfados por distúrbios, ficou evidente que o processo de desestabilização está longe de ter terminado. Não há como prever as repercussões de todas essas mudanças políticas para o setor petrolífero. 

A AMEAÇA DOS AIATOLÁS DO IRà
A vulnerabilidade do setor energético é sempre motivo de preocupação. O temor de tempos difíceis aumenta com a possibilidade real de o Irã construir uma bomba atômica. A probabilidade de o Irã desfechar um ataque à Arábia Saudita, o maior produtor mundial de petróleo, se torna cada vez maior. Se isso ocorrer, dezenas de países poderão ficar sem combustível. Um Irã fortalecido também aumentaria o risco de ataques terroristas cibernéticos às redes de energia, hoje totalmente digitalizadas. Em menos de um centésimo de milissegundo, um hacker pode interromper a rede de energia de vários países. "Apagar um sistema elétrico causa bem mais danos do que um blecaute. Pode imobilizar uma sociedade inteira", escreve Yergin. 

A FÓRMULA PARA SALVAR O MUNDO  
Nenhuma das energias renováveis conhecidas é capaz de suceder ao excremento do diabo, apelido que o venezuelano Juan Pablo Pérez Afonso, o fundador da Opep, deu para o petróleo. Apenas algo muito inovador, uma espécie de Google do setor energético, e que ainda não existe, conseguiria desbancar a hegemonia do petróleo. Enquanto isso, Yergin sugere a adoção de uma receita óbvia: a economia de energia. "Só carros, aviões, computadores, prédios e celulares mais eficientes, que consumam menos combustível e eletricidade, serão capazes de salvar o mundo", escreve. A síntese da mensagem de Yergin pode ser encontrada nesta frase de seu novo livro: "Energia é um bem precioso demais para ser desperdiçado". 

TERMELÉTRICA OCIOSA FATURA MAIS 
O sistema brasileiro de geração de energia elétrica abriga uma peculiaridade: as usinas termelétricas dão mais lucro quando ficam paradas do que quando produzem - e essa remuneração pela ociosidade é paga pelo contribuinte. Para entender por que ocorre essa contradição, é preciso saber como a eletricidade é produzida no Brasil. Com pequenas variações que dependem das estações do ano, 88% dela vem das usinas hidrelétricas, 9% das termelétricas, 2% das nucleares e 1% das eólicas. A operação das usinas é controlada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), cuja atribuição é garantir que o consumo seja atendido sempre ao menor custo. Como o menor custo é sempre das hidrelétricas, já que elas não usam combustível, as termelétricas entram em ação apenas nos períodos em que os reservatórios das hidrelétricas estão muito baixos, em razão da falta de chuva. Ocorre que o contrato feito pelo ONS com as termelétricas prevê duas modalidades de remuneração. A primeira paga as despesas operacionais e com combustível que elas têm ao gerar energia. A quantia é calculada com base na expectativa de geração futura da usina. A segunda modalidade é uma espécie de taxa de aluguel - a usina é remunerada apenas por estar a postos sempre que o ONS precisar de seus serviços. O dinheiro entra nos cofres da empresa dona da termelétrica sem que uma única turbina seja acionada. Nos períodos em que está paralisada, como não tem despesas operacionais, tudo o que entra é receita. Algumas termelétricas cobram mais caro pelos períodos ociosos a fim de diminuir o preço cobrado pela energia que efetivamente produzem. "Não se trata de mamata, mas de uma segurança necessária para o país em caso de falta de água nos reservatórios das hidrelétricas", diz Walter Fróes, diretor da CMU, uma das maiores empresas de comercialização de energia do Brasil.

Operação carro elétrico


Uma nova e engenhosa idéia para abastecer veículos a bateria. Será que agora dá certo?

Num mundo cada vez mais preocupado com o aquecimento global e o preço do petróleo, há muito se anunciam os carros elétricos como a melhor opção para substituir a frota movida a combustíveis fósseis. Por enquanto, porém, há poucos deles rodando no mundo, em caráter experimental.
O israelense Shai Agassi, cuja carreira de empreendedor está ligada à alta tecnologia do Vale do Silício, acha que pode mudar essa situação. Ele parte do princípio de que o grande empecilho à popularização dos carros elétricos é a falta de uma infra-estrutura que permita recarregar baterias com a mesma facilidade com que se enche um tanque de gasolina.
Amparado nessa premissa, Agassi elaborou um projeto ambicioso para disseminar o uso de veículos elétricos e correu o mundo em busca de parceiros para colocá-lo em prática. Depois de muitas reuniões com empresários e autoridades, conseguiu o apoio do governo de Israel e do conglomerado automotivo Renault-Nissan.
Por fim, obteve um financiamento de 200 milhões de dólares de um grupo de investidores liderados pelo magnata israelense Idan Ofer, que fez fortuna nas áreas de transporte e refino de petróleo. Estava fechado o círculo virtuoso que agora permite a Agassi tocar seu projeto de desafiar a estrutura global montada em torno dos veículos a gasolina.
Se seu plano vingar, em três anos haverá 100.000 veículos movidos a baterias rodando nas ruas e estradas israelenses. "Estamos em conversações com outros governos para desenvolver projetos semelhantes", informou Agassi a VEJA. "Não podemos deixar para as futuras gerações um mundo dependente do petróleo", disse.
O projeto começa por driblar um dos maiores obstáculos dos carros elétricos atuais: a falta de autonomia. A maior parte dos modelos existentes não consegue rodar mais de 100 quilômetros sem ter de parar para recarregar. O plano de Agassi prevê a instalação de uma ampla rede de 500.000 pontos de recarga e 200 postos de troca de baterias nas ruas e estradas de Israel. Assim, os motoristas não correm o risco de ficar pelo caminho porque a energia das baterias acabou.
A implementação dessa rede de distribuição de eletricidade ficará a cargo da empresa criada por Agassi especialmente para isso, a Better Place (em inglês, lugar melhor), uma referência à meta de criar um mundo mais verde.
O presidente da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, compromete-se a produzir um modelo capaz de rodar 160 quilômetros sem precisar de recarga. É uma autonomia ideal para Israel, um país pequeno onde as principais cidades ficam a menos de 150 quilômetros de distância entre si.
Graças a incentivos fiscais do governo israelense, o carro verde da Renault-Nissan custará bem mais barato do que os modelos a gasolina hoje vendidos no país. O imposto para carros elétricos será de 10%, enquanto um automóvel convencional é taxado em 79%.
Para recarregar o veículo, o dono do carro assina com a Better Place um contrato de prestação de serviços semelhante ao das operadoras de telefonia celular. Ele paga uma taxa mensal à empresa e, em troca, tem direito a cargas elétricas suficientes para rodar uma determinada quantidade de quilômetros por mês.
Se precisar rodar mais, paga pelo excedente. O projeto de Agassi cai como uma luva para Israel porque permite diminuir sua dependência do petróleo. Como se sabe, o país mantém relações nada amistosas com as nações muçulmanas, maiores produtoras de petróleo.
Por enquanto, a Renault-Nissan apresentou somente um protótipo de carro elétrico, que andou pelas ruas de Jerusalém há um mês. O desenvolvimento de um veículo movido a baterias, com autonomia de 160 quilômetros e que ofereça um desempenho semelhante ao dos modelos convencionais é um dos grandes empecilhos à concretização do projeto de Agassi.
A Renault-Nissan ainda está atrás dos outros fabricantes no desenvolvimento de veículos verdes e precisa entregar os primeiros modelos para testes no fim deste ano. A tecnologia necessária para desenvolver baterias é um capítulo à parte. A indústria automobilística investe em diferentes frentes de pesquisa, mas ainda não sabe como produzir baterias com grande capacidade de armazenamento e preço baixo.
De qualquer maneira, Agassi, que começou a elaborar seu sonho do carro elétrico quando participou do encontro de jovens líderes no fórum de Davos, em 2006, tem muitos motivos para se animar. Idan Ofer, o maior investidor do projeto, acredita que ele está no caminho certo e vê potencial para a criação de iniciativas semelhantes em mercados emergentes, como a China. Com seu plano de popularizar o carro elétrico, Agassi pode se tornar o Henry Ford do século XXI.

domingo, 3 de junho de 2012

Lixão de Jardim Gramacho é fechado no Rio de Janeiro

Vista geral do lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, quer que o fechamento do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, que recebia o lixo do Rio e da cidade vizinha, seja modelo para todo o País. Citando a meta do Estado do Rio de fechar todos os aterros no entorno da Baía de Guanabara até o fim do ano, a ministra disse que está lançado o “desafio de o Estado do Rio de Janeiro ser o primeiro a cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos”.

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A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi instituída pela Lei 12.305, de 2010. O objetivo da política é fechar todos os lixões do País até 2014. A ministra definiu o cumprimento do prazo para implantação da política como um “desafio imenso”. “O prazo é muito curto, mas é importante que os instrumentos para a concepção desse objetivo sejam consolidados”, disse Izabella em encontro com jornalistas durante a cerimônia de encerramento das atividades do aterro de Gramacho, considerado o maior da América Latina.
A ministra também lembrou que a responsabilidade de erradicação dos lixões é dos municípios. O governo federal tem atuado no financiamento de iniciativas locais de adequação à lei.“Os Planos Municipais de Resíduos Sólidos são necessários exatamente para a erradicação do lixões. Além disso, até o fim do ano implantaremos, em quatro cadeias, a estrutura de logística reversa”, completou Izabella.
Segundo a ministra do Meio Ambiente, ao fechar o aterro e construir o Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica, o Rio dá exemplo, com o município “atuando de maneira global. Não temos nada que vai apequenar a participação da cidade do Rio de Janeiro na Rio+20, como anfitriã”, disse Izabella, lembrando que a partir do dia 5 a área do Riocentro estará entregue à ONU.
“A gente passou os últimos 30 e poucos anos cometendo um enorme crime ambiental, que é esse lixão às margens da Baía de Guanabara”, disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que comandou a cerimônia de fechamento do Aterro de Gramacho ao lado da ministra Izabella e do secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc. Segundo Paes, a Prefeitura investirá R$ 2 bilhões nos próximos 15 anos em tratamento de lixo.

Estadão