segunda-feira, 16 de abril de 2012

Economia verde: preservar o planeta pode dar lucro


A caminho da Rio+20, governos, empresas e pesquisadores debatem como fazer a guinada para um modelo que não esgote o meio ambiente e que seja economicamente atrativo

"Algumas pessoas dizem que a economia verde tem essa cor por causa do dólar", afirma, em tom de brincadeira, o embaixador André Aranha Corrêa do Lago. O negociador chefe do Brasil para a Rio+20 se permite zombar dos radicalismos, mas admite que o tema central da conferência da ONU, que ocorre entre 16 e 22 de junho no Rio, ainda carece de definições. Fora a referência óbvia às causas ambientais, o verde, nesse caso, representa o que não é "marrom", como é chamado o modelo que domina a maior parte das atividades econômicas, em que o avanço de empresas e governos implica em um alto custo para a natureza e a qualidade de vida do homem. O modelo almejado é aquele em que o uso dos recursos do planeta se dá de forma sustentável, sem riscos a espécies e ecossistemas, mas também sem inviabilizar o avanço dos negócios e o bem-estar.
Contagem regressiva para a Rio+20
Como qualquer atividade econômica, que movimenta lucros e interesses, há preocupações com a nova ordem que pode emergir a partir de propostas e modelos discutidos em encontros como a Rio+20. O Rio de Janeiro, na posição de quem deve dar exemplos como sede da conferência, criou uma subsecretaria estadual para a economia verde, ligada à secretaria de Meio Ambiente. Pioneira na implementação do conceito em nível governamental no Brasil, a subsecretária Suzana Kahn, que foi vice presidente do Painel Intergovernamental de mudanças climáticas (IPCC) até 2014, prefere ver a questão com o pé no chão. "No fundo, a economia verde pode manter a situação atual de dominância dos ricos em relação aos pobres. Como nós não temos dinheiro suficiente para investir em tecnologia, acabaríamos tendo que importar os painéis solares e as turbinas eólicas fabricadas por eles", exemplifica. Outra área sensível apontada por Suzana é a possibilidade de os países desenvolvidos usarem as novas regras economia verde para implementar barreiras comerciais protecionistas. "O que precisamos é criar salvaguardas para que isso não crie distorções", alerta.
Desde já estão sendo discutidas formas de fazer com que, a partir da Rio+20, empresas, governos e entidades não governamentais possam estimular uma guinada em relação ao sistema de exploração dos recursos naturais de hoje. O "modus operandi" da economia atual falhou, afirma Suzana, ao deixar de resolver os desafios impostos pelo meio ambiente, ao não se mostrar eficaz para dividir riqueza e ao deixar de promover melhor qualidade de vida para boa parte da população. A economia, até aqui, caminhou desprezando a limitação dos recursos naturais e criou problemas que vão além dos países, dos continentes, como problemas climáticos, desequilíbrios de abastecimento e elevação do risco de desastres naturais.
Para Suzana, esse é o quadro "não é sustentável". "Temos todos os motivos para nos prepararmos para um mundo sem petróleo, que é um recurso finito. Por isso, o Rio é um local ideal para se praticar o exercício da economia verde. Temos que aprender a saber migrar e ter um tipo economia que não dependa tanto desses recursos", explica.
Enquadrar a questão social na discussão é justamente a grande preocupação do Brasil em relação às implicações da economia verde. Uma das propostas brasileiras é a de acréscimo da expressão "inclusiva" ao termo, no documento final da Rio+20. "Em economia verde inclusiva, você teria os três pilares do desenvolvimento sustentável, que são o econômico, o ambiental e o social", afirma Corrêa do Lago. Para o embaixador, o maior obstáculo para as políticas do desenvolvimento sustentável é dificuldade de enquadrar o aspecto econômico. "É raro ver uma pessoa da área econômica se referindo a desenvolvimento sustentável", afirma Corrêa do Lago.
 1,3 trilhão de dólares para reciclar o mundo
A grande virada da economia verde é convencer de que, apesar de requerer mais investimentos a curto prazo - assim como a maioria das iniciativas de sustentabilidade, o sistema proposto se mostra lucrativo no longo prazo. Ou seja, do ponto de vista do relatório da Iniciativa para Economia Verde (GEI, sigla em Inglês), a economia marrom atual é menos rentável. A partir da perspectiva de lucro, atrai-se - ou, pelo menos, espera-se atrair - o empresário.
Melinda Kimble, vice-presidente do Fundo para as Nações Unidas, órgão especializado em arrecadar recursos para ajudar a financiar a ONU, afirma que essa é uma forma de engajar a iniciativa privada. "O setor privado não faz doações. Ele precisa de um retorno no investimento para mobilizar recursos. É por isso que precisamos da economia verde", explica.
De forma prática, o relatório da GEI aponta para dez setores chave para onde os recursos devem se encaminhar: edificações, florestas, turismo, água, gerenciamento de lixo, energia renovável, transportes, pesca, indústria e agricultura. O documento, que congrega ideias e avaliações sob o ponto de vista da economia verde, aponta a necessidade de investimento anual de 2% do PIB mundial, o que corresponde a aproximadamente 1,3 trilhão de dólares, nos patamares atuais.
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domingo, 15 de abril de 2012

Que recado você daria aos políticos na Rio+20?


Governo brasileiro cria site que permite à sociedade civil enviar recomendações para os chefes de estado durante a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável

São Paulo - Que recomendações você faria aos governantes e líderes das mais de 80 nações do mundo que discutirão caminhos para o desenvolvimento sustentável durante a Rio 20 - Pensando em trazer a sociedade para esse debate de forma mais intensa, o governo brasileiro criou um site especial onde é possível se cadastrar e enviar propostas sobre questões globais importantes, como segurança energética, economia verde, inovações e erradicação da pobreza.
O anúncio da plataforma, chamada de Rio Dialogues, foi feito nesta terça-feira pelo Negociador-Chefe da Delegação Brasileira para a Rio 20, o Embaixador André Corrêa do Lago, durante seminário sobre a conferência da ONU, em São Paulo. Com lançamento oficial previsto para o próxima segunda-feira (16), o site terá capacidade de realizar fóruns com até 400 mil participantes em quatro línguas, inglês, francês, espanhol e, claro, português.
Segundo o diplomata, todas as recomendações feitas serão avaliadas em conjunto por universidades estrangeiras e brasileiras, dando origem a uma lista de 10 propostas, que então serão levadas para debate com especialistas, ONGs e celebridades engajadas durante quatro dias de paineis especiais na Rio 20.
O objetivo dessas discussões é afunilar o debate e chegar a três recomendações para serem enviadas aos chefes de estado que participarão da Conferência, que acontece entre 13 de 22 de junho. "Melhorar a estrutura de governança para o desenvolvimento sustentável exige maior participação da sociedade civil", ressaltou o negociador.
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Sistema permite carregar elétricos em 20 minutos


Novo sistema desenvolvido pela Itaipu Binacional começará a ser estudado ainda neste mês

São Paulo - Atualmente, a recarga completa de um VE - Veículo Elétrico dura, aproximadamente, oito horas, mas esse tempo está prestes a diminuir significativamente. Novo sistema que começará a ser estudado ainda neste mês, no Brasil, promete recarregar este tipo de carro em até 20 minutos.
Desenvolvido pela Itaipu Binacional, em parceria com as empresas internacionais KWO e Fiamm Sonick, o sistema prevê, ainda, o abastecimento simultâneo de vários VEs, sem sobrecarregar a rede elétrica.
A plataforma de testes está montada dentro de um contêiner, em Itaipu, e conta com quatro baterias de sódio de alta capacidade. De acordo com Márcio Massakiti, um dos engenheiros responsáveis pelo projeto, a ideia é que a plataforma atue no novo sistema como um grande acumulador de energia elétrica - assim como os tanques dos postos de combustível acumulam álcool, gasolina ou diesel.
"Dessa maneira, teremos dois processos de recarga: da rede elétrica para o banco de baterias de sódio, que se dará de forma lenta, e do banco de baterias para o veículo elétrico, que acontecerá de forma rápida, em até 20 minutos", explica Massakiti.
A perspectiva é de que, no futuro, o novo sistema seja instalado em postos de serviço, shoppings e supermercados e atenda, principalmente, aos motoristas que necessitam percorrer grandes distâncias e não têm tempo de deixar o carro estacionado por oito horas para recarga.
Exame

São Paulo - Atualmente, a recarga completa de um VE - Veículo Elétrico dura, aproximadamente, oito horas, mas esse tempo está prestes a diminuir significativamente. Novo sistema que começará a ser estudado ainda neste mês, no Brasil, promete recarregar este tipo de carro em até 20 minutos. Desenvolvido pela Itaipu Binacional, em parceria com as empresas internacionais KWO e Fiamm Sonick, o sistema prevê, ainda, o abastecimento simultâneo de vários VEs, sem sobrecarregar a rede elétrica. A plataforma de testes está montada dentro de um contêiner, em Itaipu, e conta com quatro baterias de sódio de alta capacidade. De acordo com Márcio Massakiti, um dos engenheiros responsáveis pelo projeto, a ideia é que a plataforma atue no novo sistema como um grande acumulador de energia elétrica - assim como os tanques dos postos de combustível acumulam álcool, gasolina ou diesel. "Dessa maneira, teremos dois processos de recarga: da rede elétrica para o banco de baterias de sódio, que se dará de forma lenta, e do banco de baterias para o veículo elétrico, que acontecerá de forma rápida, em até 20 minutos", explica Massakiti. A perspectiva é de que, no futuro, o novo sistema seja instalado em postos de serviço, shoppings e supermercados e atenda, principalmente, aos motoristas que necessitam percorrer grandes distâncias e não têm tempo de deixar o carro estacionado por oito horas para recarga. Tags: Carros Carros elétricos Ciência Sustentabilidade

Governo brasileiro cria site que permite à sociedade civil enviar recomendações para os chefes de estado durante a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável

São Paulo - Que recomendações você faria aos governantes e líderes das mais de 80 nações do mundo que discutirão caminhos para o desenvolvimento sustentável durante a Rio 20 - Pensando em trazer a sociedade para esse debate de forma mais intensa, o governo brasileiro criou um site especial onde é possível se cadastrar e enviar propostas sobre questões globais importantes, como segurança energética, economia verde, inovações e erradicação da pobreza.
O anúncio da plataforma, chamada de Rio Dialogues, foi feito nesta terça-feira pelo Negociador-Chefe da Delegação Brasileira para a Rio 20, o Embaixador André Corrêa do Lago, durante seminário sobre a conferência da ONU, em São Paulo. Com lançamento oficial previsto para o próxima segunda-feira (16), o site terá capacidade de realizar fóruns com até 400 mil participantes em quatro línguas, inglês, francês, espanhol e, claro, português.
Segundo o diplomata, todas as recomendações feitas serão avaliadas em conjunto por universidades estrangeiras e brasileiras, dando origem a uma lista de 10 propostas, que então serão levadas para debate com especialistas, ONGs e celebridades engajadas durante quatro dias de paineis especiais na Rio 20.
O objetivo dessas discussões é afunilar o debate e chegar a três recomendações para serem enviadas aos chefes de estado que participarão da Conferência, que acontece entre 13 de 22 de junho. "Melhorar a estrutura de governança para o desenvolvimento sustentável exige maior participação da sociedade civil", ressaltou o negociador.
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Reeleição de Obama poderia ter impacto na Rio+20


Embaixador brasileiro acredita que o governo democrata de Barack Obama receberia melhor as propostas do que um republicano

Rio de Janeiro - O embaixador André Corrêa do Lago, negociador chefe da delegação brasileira para a Rio 20, disse nesta quarta-feira que a reeleição de Barack Obama nos EUA "talvez seja mais importante" do que a presença do norte-americano na conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável, que será realizada em junho, no Rio.
Corrêa do Lago fez a declaração durante seminário para jornalistas ao comentar uma pergunta sobre o eventual impacto da ausência de Obama na reunião de cúpula prevista para os dias 20, 21 e 22 de junho. Para o embaixador, a reeleição do democrata "pode ter um impacto muito grande sobre os resultados da Rio 20". "É óbvio que a presença do Obama seria muito bem-vinda. Mas não há nenhum analista que não saiba que a prioridade absoluta do presidente Obama no momento é tratar da sua reeleição. No fundo, a reeleição do Obama talvez seja mais importante do que a presença do Obama", disse Corrêa do Lago.
A presidente Dilma Rousseff conversou pessoalmente com Obama em Washington esta semana e reiterou o convite para a conferência. Na ocasião, ela defendeu indiretamente a reeleição do norte-americano: "Nós saudamos a melhoria ocorrida nos EUA. Tenho certeza de que esta será uma tônica nos próximos meses e anos, sob a liderança do presidente Obama".
Para Corrêa do Lago, é "evidente" que um governo como o de Obama daria segmento a decisões da Rio 20 "com muito mais empenho" do que o de um representante do partido republicano. "O governo do presidente Obama, de maneira muito transparente e direta, disse desde o início que fortalecia o multilateralismo, e a Rio 20 é uma reunião multilateral". Como contraponto, o embaixador citou o Canadá. "O Canadá atualmente está com um governo que não só não quis continuar no Protocolo de Kyoto mas, mais do que isso, também anunciou que não vai cumprir aquilo que disse que ia cumprir no primeiro período de compromisso de Kyoto. São questões internas que temos que aceitar", declarou. "Não há dúvidas de que há governos que são mais favoráveis ao multilateralismo do que outros. Isso não é uma questão de opinião, é uma questão muito clara".
Quinta-feira e sexta-feira, negociadores de 45 países que integram o G77 irão se reunir no Rio para uma discussão informal de temas do chamado rascunho zero do documento que será levado para a Rio 20. O encontro será fechado, sem a participação da imprensa. "Não será uma negociação formal, mas uma discussão para sentir como está o clima para a reunião de Nova York no fim de abril (quando será realizada mais uma reunião preparatória)", disse o embaixador. Após o último encontro na sede das Nações Unidas, no fim de março, ONGs criticaram a retirada de temas relacionados aos direitos humanos da pauta da Rio 20.
"Com o crescimento do documento, certas questões que pareciam razoavelmente tratadas tiveram sua relevância reduzida, e isso preocupa muito", comentou Corrêa do Lago. Segundo ele, se uma posição é aprovada pelo grupo dos 77, é muito difícil que não se consiga avançar e incluí-la no resultado final, ou pelo menos ter grande influência.
"Não é o documento em si o grande resultado da Rio 20, mas o processo que será lançado". O embaixador também apresentou o site www.riodialogues.org/. O objetivo é convocar especialistas mundiais para definir recomendações práticas que serão levadas à conferência.
A Rio 20 vai abordar dois temas principais: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza, além da estrutura da governança internacional para o desenvolvimento sustentável.
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Brasil recebe selo de pecuária sustentável

Fazenda localizada em Mato Grosso foi a primeira no mundo a receber a certificação concedida pela Rede de Agricultura Sustentável

São Paulo - A fazenda São Marcelo, localizada no Estado do Mato Grosso, recebeu nesta terça-feira, 10/04, certificação pecuária concedida pela RAS - Rede de Agricultura Sustentável, organização composta por diversas ONGs que visa incentivar a agricultura eficiente, produtiva e responsável.
De acordo com a instituição, a fazenda brasileira é a primeira do mundo a receber a certificação pecuária, que, entre outros critérios, leva em conta:
ausência de desmatamento de floresta nas áreas ocupadas; segurança dos trabalhadores; garantia do bem-estar dos animais e eficiência no manejo do rebanho.
A entrega do certificado foi feita durante a quinta edição da Brasil Certificado, evento que promove exposições e debates, entre outras atividades, para disseminar a certificação socioambiental no país e acontece até quinta-feira, 12/04, na cidade de São Paulo.
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Diamante pode virar o novo ouro

O diamante é semelhante ao ouro em durabilidade, autenticidade e fascínio

São Paulo - Não, você não leu errado. Um pequeno grupo de investidores mundo afora quer transformar o diamante em uma commodity, substituindo uma das características mais importantes do ouro - aquela que desde tempos imemoriais faz dele sinônimo de segurança em períodos de crise financeira.
A ideia partiu de bancos de investimento situados em Nova York, Londres, Suíça e Israel, que, de acordo com o New York Times, planejam disponibilizar aos investidores de Wall Street fundos lastreados em diamante, como já acontece com o ouro.  A SEC, órgão regulador norte-americano, já analisa uma proposta, embora as transações financeiras com diamantes sejam limitadas apenas às joalherias nos Estados Unidos.
A sugestão mais consistente não vem de Wall Street, onde os produtos financeiros são criados em passe de mágica. Segundo o jornal norte-americano, ela partiu da Suíça. País famoso pelos seus alpes, design e jóias. A Harry Winston, uma das maiores empresas na venda de diamantes, associou-se a uma gestora de ativos do país para criar um fundo de 250 milhões de dólares. Eles, inclusive, já andam nos bastidores a arrecadar o montante com fundos de hedge e pensão.  
Como já se sabe, o diamante é semelhante ao ouro em durabilidade, autenticidade e fascínio.  O seu preço estável, no entanto, difere do petróleo, por exemplo, porque ainda não é negociado especulativamente.  Ainda.  O mercado financeiro, segundo o New York Times, torcia o nariz para a ideia, pois a produção de diamantes era dominada pela De Beer, que chegou a ter uma participação de 90% do setor. Hoje, a empresa tem ?só? 40% do market share.
É bom lembrar, contudo, que essa não é a primeira vez que investidores tentam substituir a segurança do valor do ouro pelo diamante. No famoso choque do petróleo, na década de 70, investidores procuravam pôr o dinheiro em empresas que vendiam a jóia.
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