quinta-feira, 12 de abril de 2012

Folha de pagamento da indústria cresce 1,3% em fevereiro


O aumento foi influenciado pelo pagamento de participação nos lucros e resultados em empresas do segmento

Rio de Janeiro - O valor da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria aumentou 1,3% em fevereiro em relação ao mês anterior. O resultado, que faz parte da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), divulgada hoje (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a segunda taxa positiva consecutiva e foi impulsionada pelo aumento de 22% no setor extrativo, influenciado pelo pagamento de participação nos lucros e resultados em empresas do segmento.
O documento também revela que, na comparação com fevereiro de 2011, a folha de pagamento cresceu 5,4% em fevereiro deste ano. Trata-se do 26º resultado positivo nesse tipo de comparação e o mais intenso desde agosto de 2011, quando foi registrada expansão de 7,1%.
Desde o início do ano, a folha de pagamento acumula alta de 4,8%. No período dos últimos 12 meses, encerrados em fevereiro, o crescimento acumulado é 4%.
Ainda segundo o levantamento do IBGE, na comparação entre fevereiro deste ano e o mesmo mês do ano passado, a folha de pagamento dos trabalhadores da indústria aumentou em 14 locais investigados. A principal elevação foi observada em Minas Gerais (10,5%). O resultado foi influenciado, principalmente, pela indústria extrativa (22,9%), com o pagamento de participação nos lucros, além do bom desempenho de meios de transporte (11,2%) e de metalurgia básica (7,7%).
Também foram observadas altas nas indústrias da Região Nordeste (10,1%), do Paraná (11,8%), da Região Norte e Centro-Oeste (8,6%), de São Paulo (1,4%) e do Rio de Janeiro (7%).
O documento aponta que houve aumento na folha de pagamento em 13 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para indústrias extrativas (22,9%), alimentos e bebidas (10,7%) e meios de transporte (8,5%).
Exame

Marmita é sinônimo de comida caseira e saudável


Famosas vêm escancarando o hábito de levar a própria comida para onde quer que vão, conferindo ao marmitex status de objeto cool


São Paulo, 12 (AE) - Recentemente, a top brasileira e uma das angels da Victoria’s Secret, Adriana Lima, de 30 anos, foi flagrada ao levar uma marmita com frango e salada a um restaurante sofisticado de Miami, nos Estados Unidos. As críticas forraram as redes sociais e levantaram a discussão: afinal, marmita não é coisa de peão? Não mais. Assim como Adriana, outras famosas vêm escancarando o hábito de levar a própria comida para onde quer que vão e, por tabela - quem diria - conferindo ao "marmitex" status de objeto cool.
A cantora Claudia Leitte, de 31, já publicou três vezes, via Twitter, fotos dela devorando o almoço em potinhos diversos. A atriz Juliana Paes, de 33, e a apresentadora Ticiane Pinheiro, de 35, fizeram o mesmo. A antiga prática entre a classe trabalhadora também vem sendo apontada como segredo de dieta pela apresentadora Ana Hickmann, de 31, e pelas atrizes Giovanna Ewbank, de 25, Claudia Raia, de 45, e Christiane Torloni, de 55.
Adepta do hábito há mais de dez anos, a modelo e apresentadora do programa na web "Clic TV" Solange Frazão é a prova do que carregar a própria refeição pode fazer pela rotina de uma pessoa. "Se eu continuasse a comer em qualquer lugar, sem horário, meu corpo iria sofrer consequências", afirma Solange. O resultado? "É o que sou hoje", diz a dona de um corpo escultural e saúde perfeita, aos 48 anos.
Solange nunca teve vergonha da mania saudável e se o alarme, programado para lembrá-la de comer a cada três horas, toca, ela para tudo e saca da sacola térmica a marmita do almoço ou lanchinhos extras. "Pode ser no avião ou durante reuniões. Mas com elegância para não chocar, claro. Levo a marmita, sempre com divisórias e talheres descartáveis", ensina a bela.
Economia - As famosas dão um empurrãozinho para que o utensílio volte à moda como estratégia de boa forma, mas quem aderir vai ganhar também em economia. Segundo o Instituto Data Popular, os brasileiros gastam hoje mais que o dobro do que gastavam há nove anos para comer fora.
A relações públicas paulistana Patrícia Marques, de 23 anos, leva marmita para o trabalho há quase quatro anos. Ela trabalha no Itaim, região nobre da capital. "Aqui, almoçar custa mais de R$ 25." Agora, gasta menos e senti-se melhor. "Comecei pela saúde, já que passava mal por nunca saber a procedência dos alimentos que comia na rua." O nutricionista André Pellegrini, do Centro de Bem-Estar Levitas, confirma: "O custo chega a ser de 50% a 75% menor do que comer uma alimentação balanceada na rua (buffet)."
Um bom negócio - Há 1 ano e meio, a paulistana Fernanda Canto, de 37 anos, estava acima do peso. A indicação médica foi clara: uma dieta sem qualquer adição de gordura. Impossível para quem, longe de casa, almoçava em restaurantes que vendem comida por quilo. A solução foi preparar o almoço em casa e levá-lo, mesmo que de forma improvisada, em um potinho de plástico. Mas, como ela é cuidadosa com o sabor, a aparência e o aroma, a refeição fez sucesso.
"A minha chefe pediu uma igual, não tive como recusar. Então, fiz com todo capricho e as colegas de trabalho começaram a pedir também", conta Fernanda que, em seis meses, colocou a saúde em dia e conquistou uma clientela fiel ao abrir a empresa Danada da Nanda Comidinhas, que hoje faz entregas de marmitas tradicionais por toda a capital paulista, a R$ 12.
Para a empresária, o sucesso aconteceu por suprir uma necessidade da rotina de quem trabalha fora. "Continuei com o conceito zero adição de gordura e mantive o gosto de comida caseira. Mudo o cardápio a cada semana e uso uma marmita descartável com repartições", conta.
De olho na higiene - Apesar de ser uma prática saudável e econômica, deve se levar em consideração algumas regrinhas básicas. Afinal, levar a comida até o ambiente de trabalho pode criar situações pouco práticas e até constrangedoras. O cheiro liberado por alguns alimentos que infestam o ambiente e a má aparência da comida misturada são alguns exemplos. Ainda há a preocupação de transportar a marmita com segurança e armazená-la com higiene.
Para isso não acontecer, a empresária Fernanda Canto dá dicas. "Evitem colocar muito alho, peixes fritos e outros alimentos que tenham odores fortes. E, para a aparência, comprem marmitas de plástico com divisão, assim fica tudo separadinho."
Já para garantir a higiene e o bom armazenamento, tenha alguns cuidados ainda em casa. "Se for preparar a marmita horas antes, os alimentos devem sempre ser colocados na geladeira o mais rápido possível. Garanta que a vasilha foi bem lavada. Se não tiver a sacola térmica, deixe a comida no freezer para ser transportada, numa temperatura segura", explica o nutricionista André Pellegrini.
Segundo Pellegrini, a marmita é a alternativa mais prática e eficaz para quem busca uma alimentação condizente com as orientações de um nutricionista. "Nela, carregamos alimentos que conhecemos a origem e a forma de preparo." São estas vantagens que a empresária Cristina Chamma, de 45 anos, viu como estratégia para evitar que a filha Rebeca, de 9, comesse frituras e alimentos calóricos na cantina da escola. "Na lancheira, colocamos biscoitinhos integrais, sanduíches naturais e sucos sem conservantes, além de mini cenourinhas. Fico tranquila", diz Cristina.
Rebeca não é proibida de comer na cantina, mas já acostumou-se com a rotina de alimentação saudável. Autora do livro "Na Cozinha da Rebeca", a menina agora tenta convencer as amigas a fazer o mesmo. "Não é fácil, mas, às vezes, elas bem que beliscam meu lanche feito em casa."
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Tumblr terá escritório no Brasil, o primeiro fora dos EUA


Segundo diretor do serviço, híbrido de rede social e plataforma de blog, atividade de usuários brasileiros só é superada pela dos americanos

O americano Mark Coatney, diretor do Tumblr - híbrido de rede social e plataforma de blogs -, está no Brasil para recrutar o profissional que vai comandar o serviço no país a partir de um escritório local, o primeiro fora dos Estados Unidos. Faz sentido. Segundo o próprio Coatney, jornalista que trocou a revista Newsweek pela internet, o mercado brasileiro é atualmente o segundo maior filão do Tumblr, superado apenas pelo americano. Um exemplo: o crescimento do número de usuários brasileiros em 2011 - 209% - superou o registrado em todo o mundo, 167%.
De acordo com o jornal americano The Wall Street Journal, as finanças vão bem: com 46 milhões de blogs, o serviço recebeu investimento estimado entre 75 milhões e 100 milhões de dólares, elevando o valor da companhia a cerca de 800 milhões de dólares. Por aqui, além de procurar um representante, Coatney tenta convencer mais indivíduos, empresas e, em especial, veículos da imprensa a adotar a ferramenta. Para isso, já começou até a acompanhar a atividade dos usuários brasileiros: "Eu sigo muitos deles, mas, como não entendo português, não sei do que eles falam", diz. Confira a entrevista que ele concedeu a Veja.com em sua passagem pelo Brasil.
- Quantas pessoas o Tumblr pretende contratar no Brasil?
Mark Coatney: Vamos contratar uma pessoa para dar início às operações, mas no futuro contrataremos mais gente. O Brasil é o segundo maior mercado no Tumblr - só perde para os Estados Unidos - em usuários e páginas criadas. É um país importante para nós. Buscamos alguém que possa desempenhar vários papéis: desde manter contato com empresas e convencê-las a usar o Tumblr até ajudar usuários individualmente. Não temos preferência por uma formação específica.
- Onde ficará o escritório e quando começam os trabalhos?
Mark Coatney: Os trabalhos devem começar em abril. O escritório provavelmente ficará na cidade de São Paulo. Mas se o nosso candidato predileto morar no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade, a sede do Tumblr no Brasil será lá.
- As suas atualizações no Tumblr da Newsweek eram muito elogiadas por não parecerem institucionais. As opiniões publicadas eram suas ou da revista?
Mark Coatney: Quando criei o Tumblr da Newsweek, tinha a intenção de assinar o conteúdo. Acabei removendo o meu nome porque nunca configurei o perfil adequadamente e porque minha assinatura atrapalhava o desenho da página. Quando alguém me perguntava de quem eram as opiniões explicitadas na página, eu respondia que eram minhas. No entanto, na hora de escrever, usava o pronome "nós", dando a entender que as opiniões eram da revista. Quando realmente comecei a usar o Tumblr da revista para falar da própria revista, a Newsweek tinha sido colocada à venda e estava sendo duramente criticada. Eu usei o perfil para defendê-la. Não me incomodava com a ideia de que meus chefes pudessem não concordar ou não gostar do que eu estava fazendo. Na época, pensava: "O que eles podem fazer? Me demitir? Pouco importa, pois a redação inteira pode ser desfeita dentro de uma semana." Era uma circunstância única. Mas eu acredito que se uma empresa puder fazer isso - deixar que um indivíduo seja sua voz - o efeito é positivo.
- Por que o senhor trocou a Newsweek pelo Tumblr?
Mark Coatney: Quando entrei, a empresa tinha apenas oito ou nove funcionários. Hoje somos 75 pessoas e ficamos em Nova York e em Richmond (capital do estado de Virgínia). Fui jornalista por 15 anos e queria tentar algo diferente. Eu realmente gostei de como o Tumblr conecta os jornalistas ao público. Quando eu escrevia alguma coisa no Tumblr da Newsweek, as pessoas costumavam interagir com o post, e conversar comigo. Antes disso, eu estava um pouco frustrado com jornalismo on-line porque era muito parecido com jornalismo impresso: sem interação. De vez em quando, as pessoas publicavam um comentário nas matérias e só. O Tumblr funciona mais como um canal de duas vias.
- Quantos acessos o Tumblr acrescenta a publicações que têm um perfil no serviço?
Mark Coatney: As próprias publicações medem isso. Sei, por exemplo, que muitos dos acessos que o site da revista Life recebe são provenientes do Tumblr. É a segunda maior fonte de acessos, atrás apenas das ferramentas de busca. A Life publica algumas fotografias em seu perfil e as pessoas acabam indo para o site para olhar as demais fotos da galeria. Acredito que eles fazem um bom uso da nossa ferramenta. Já algumas estações de rádio não fazem questão de atrair pessoas a um site. É o caso da rádio NPR (National Public Radio, uma estação dos Estados Unidos, mantida por recursos públicos e privados, que distribui programação para centenas de outras rádios do país). A NPR só quer que as pessoas ouçam os programas de rádio. Como não existe nenhum link direto para isso, o perfil de um de seus programas no Tumblr não tem a obrigação de converter cliques ao site. Só dialoga bastante com o internauta, para que ele se interesse pela rádio.
- As empresas de comunicação precisam de suas orientações para atualizar o seu perfil no Tumblr?
Mark Coatney: Trabalho no Tumblr há um ano e meio, já conversei com a maioria das empresas e quero ir além disso. Vim ao Brasil para fazer o mesmo. A maioria das empresas americanas já mantém um blog no Tumblr. Cada uma faz coisas diferentes com seu perfil, mas acredito que todas entendem como a ferramenta deve ser usada. As emissoras de TV e as rádios usam o Tumblr para se aproximar dos ouvintes e telespectadores. As revistas normalmente fazem a mesma coisa que eu fazia na Newsweek: usam o Tumblr para ilustrar a personalidade da publicação. É o caso da Vanity Fair e da GQ. Os indivíduos que mantêm blogs pessoais normalmente falam de interesses específicos, sem colocar seu nome verdadeiro no Tumblr. O Andrew Romano, um dos jornalistas da Newsweek, fazia justamente isso. Ele mantinha um blog no Tumblr para escrever sobre mobília, pois se interessa muito por design. Lendo o Tumblr dele, ninguém adivinharia que ele cobre política para a Newsweek. Os adolescentes, porém, têm usado o Tumblr como diários pessoais. Um dos Tumblrs de que mais gosto é o Officials Say the Darndest Things (autoridades dizem as coisas mais malditas, em português). O perfil pertence ao site de notícias ProPublica e publica frases desastrosas de políticos. É muito bom.
- Se o senhor gosta de Tumblrs engraçados, talvez se interessasse pelos brasileiros.
Mark Coatney: Eu sigo muitos deles, mas, como não entendo português, não sei do que eles falam. Reparei que os brasileiros postam mais imagens do que os americanos. Também tendem a republicar mais postagens e fazem as informações circularem mais.
- Em meados de 2010, alguns membros da comunidade do Tumblr estavam usando o serviço para articular brincadeiras de mau gosto e praticar bullying on-line. De lá para cá, isso parou de acontecer. Vocês tomaram alguma providência para coibir o bullying?
Mark Coatney: Nós aumentamos a nossa equipe que presta atendimento aos usuários - inclusive contratamos há duas semanas um brasileiro que integra essa equipe e ajudará a traduzir o site. Assim, passamos a agir rapidamente quando algum usuário diz que está sendo perseguido ou incomodado.
- Christopher Poole, criador do fórum de imagens 4Chan, não tinha a intenção de que seu serviço virasse um ponto de encontro de pessoas que praticam bullying on-line. Mas, depois que aconteceu, ele não procurou reprimir isso.
Mark Coatney: O Poole é uma pessoa muito legal. Conheci ele na época em que os usuários do 4Chan estavam atacando o Tumblr - através de investidas DDoS, que visam derrubar o site - por acreditar que os usuários do nosso serviço rivalizavam com eles. Nessa ocasião, Poole nos ajudou. Avisava quando usuários do 4Chan estavam planejando ataques.
Exame

Empresas de internet decretam o fim do currículo no Brasil


Seguindo a tendência mundial, companhias brasileiras passam a utilizar, cada vez mais, um único critério em seus processos seletivos: a presença na web

São Paulo - Pouco mais de um ano atrás, o estudante de sistemas de informação Estevão Mascarenhas, então com 19 anos, passou por uma situação curiosa. Ele começou a interagir nas redes sociais, sem saber, com seu futuro patrão. No fim de 2010, Horácio Poblete, presidente da startup Ledface, começou a seguir o jovem no Twitter por indicação de amigos - que, por sua vez, não tinham qualquer ligação direta com o universitário.
Empregador e funcionário em potencial começaram a discutir empreendedorismo pela rede de microblogs, até que Horácio tivesse intimidade o suficiente para solicitar a Estevão que o adicionasse em seu Facebook. Depois de três meses de observação virtual intensa, o executivo finalmente se convenceu de que o estudante era um profissional que, além de qualificado tecnicamente, identificava-se com os valores da empresa. A proposta veio em seguida. Estevão largou a faculdade na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais, e mudou-se para Campinas, em São Paulo, de emprego novo, sem ter enviado ao menos um currículo.
Casos como esse são cada vez mais comuns no país. Não chega a ser novidade que as companhias 'bisbilhotem' os candidatos nas redes sociais antes de chama-los para entrevistas. De acordo com uma pesquisa da empresa de recrutamento americana Robert Half, 63% das companhias brasileiras consultam perfis de candidatos nas redes de relacionamento.
Mas até então esse procedimento era complementar. "No final, os recrutadores cruzavam os dados do currículo, as impressões da entrevista formal e as individualidades dos candidatos com base em suas informações de perfis na web", explica Bernardo Entschev, CEO da recrutadora de executivos De Bernt Entschev. Hoje, no entanto, já existem empregadores - ao menos no caso de grupos que trabalham diretamente com tecnologia da informação - que vão além. Elas ousam dispensar completamente o currículo. A ideia é analisar, não só a capacidade técnica, mas também valores, o nível cultural e a intimidade do candidato com a internet apenas por intermédio de suas pegadas na web.
EUA na dianteira - No Brasil, o processo é, por enquanto, restrito a empresas focadas no mundo digital, sobretudo para vagas de estrategistas de mídias sociais. Nos Estados Unidos, porém, até o mercado financeiro adotou a nova política. Recentemente, a empresa de capital de risco Union Square Ventures - que já investiu em pesos pesados da internet como Twitter, Foursquare e Zynga - pediu que os candidatos a uma vaga de analista de investimentos enviassem apenas links que representassem sua interação na web, como contas no Twitter ou no Tumblr.
 A rede social LinkedIn é a escolha mais óbvia para o recrutamento via rede social justamente porque já contém uma espécie de currículo embutido. Contudo, não é este histórico profissional o ponto forte dela, dizem os especialistas. O que os recrutadores buscam é saber com com quem o candidato está conectado, quantas recomendações ele tem de pessoas influentes e se participa ativamente de grupos e discussões relacionadas à vaga que pleiteia. "Além de LinkedIn, costumo pedir a URL de algum agregador de todos os perfis do candidato em redes sociais, como Twitter, Facebook e Tumblr, para que possa analisar a presença online dele", diz Alexandre Inagaki, especialista que presta consultoria em mídias sociais para clientes como Bradesco e Coca-Cola. Inagaki explica que, a partir das URLs de referência, consegue analisar, além da rede de contatos, a bagagem cultural, a capacidade de produzir conteúdos originais de qualidade e a performance do candidato na hora de adaptá-los a diferentes linguagens. "Contrato pessoas residentes em qualquer lugar do país", completa.
Na startup GetNinjas, uma espécie de Mercado Livre para serviços, todos os candidatos precisam ter a "internet na veia"; mesmo que não estejam concorrendo a uma vaga para analista de mídias sociais. O presidente da empresa, Eduardo L?Hotellier, instalou um plug-in chamado Rapportive em seu e-mail que 'denuncia' os candidatos com base na forma como interagem nas redes sociais. No último processo seletivo para estagiário de marketing, em que os candidatos foram requisitados a enviar os perfis no LinkedIn, o empresário eliminou diversos interessados observando apenas seus últimos tweets (textos postados no Twitter).
Os processos seletivos na agência de publicidade focada em mídias sociais It?s digital são ainda mais inusitados. "Muitas vezes, pedimos apenas os dados de contato e fazemos uma pergunta aberta, como, por exemplo, ?o que você tem feito de interessante?' ou ?você tem algum projeto paralelo?'. Com uma pergunta tão aberta, as pessoas acabam deixando os chavões de lado, e trazendo informações mais ricas para nós", explica o diretor da agência, Lucas Couto.
Exame

"O Brasil pode ficar para trás", afirma Michael Porter


Para Michael Porter, maior especialista mundial em competitividade, o Brasil e suas empresas só serão realmente fortes quando o governo deixar de representar um papel desastroso para a economia.

Boston - Nunca houve um momento tão favorável para economias emergentes na história como o atual. O crescimento, no entanto, pode mascarar fragilidades capazes de minar a prosperidade desses países nos próximos anos. O alerta é do americano Michael Porter, maior especialista em estratégia e competitividade do mundo.
Professor da Harvard Business School e diretor do ranking de competitividade das nações do Fórum Econômico Mundial, ele condena duramente o papel do governo brasileiro na criação de um ambiente de negócios eficiente.
Na sala de reuniões de seu escritório, localizado num pequeno prédio de dois andares no campus de Harvard, em Boston, Massachusetts, ele deu a seguinte entrevista a EXAME.  
EXAME - Diante da crise persistente que abate países ricos, pode-se dizer que a definição de competitividade mudou no mundo atual?
Michael Porter - Competitividade é um conceito atemporal e se apoia em duas condições básicas, no caso dos países. Em primeiro lugar, as empresas locais têm de conseguir competir em mercados globais. Ao mesmo tempo, o padrão de vida de seus habitantes tem de melhorar. Sem nenhuma dessas duas­ condições, o país não é competitivo. E somente o ganho de produtividade permite conciliá-las.
EXAME - Por que os países ricos perderam competitividade?
Michael Porter - Os mercados emergentes cresceram rapidamente e os países ricos não seguiram o mesmo ritmo de progresso. A globalização começou na década de 70 e os países ricos se deram bem no começo porque as nações emergentes eram ineficientes.
Ao mesmo tempo que as nações emergentes melhoraram, os países mais ricos passaram a enfrentar o envelhecimento da população - e o consequente aperto no orçamento, sobretudo nas áreas de saúde e previdência. A combinação dos dois fatores é um fenômeno relativamente novo no cenário mundial.
EXAME - Em sua opinião, os países emergentes estão aproveitando a oportunidade? 
Michael Porter - Economias emergentes, como o Brasil e alguns países da Ásia, beneficiaram-se de fatores como a explosão dos recursos naturais. Isso faz parecer que um país é próspero. A verdade é que a prosperidade que se vê muitas vezes não decorre do ganho de produtividade. Os países emergentes têm agora uma grande oportunidade. 
É mais fácil melhorar quando você é fraco, copiando os líderes. O envelhecimento  da população ainda não é um problema crítico. Mas a prosperidade não será automática e linear nos próximos anos. Não sei se a era de ouro vai durar mais três ou dez anos. Desafios vão surgir. Já temos um ajuste de salários. A diferença de salários entre trabalhadores indianos ou chineses e americanos já diminuiu. 
EXAME - O senhor vê uma estratégia por trás do crescimento em países emergentes?
Michael Porter - Alguns países melhoraram fundamentos básicos, como educação, saúde e infraestrutura. Abriram seus mercados para investidores estrangeiros e criaram regras mais estáveis. A China, por exemplo, segue uma estratégia clara, mas que não coincide com o interesse de seus cidadãos.
Abusa de baixos salários e da intervenção excessiva do governo. Algumas dessas políticas funcionam no curto prazo, mas vão custar caro com o tempo. Esse cenário não vai permitir que a economia chinesa se torne vibrante no futuro.
EXAME - De que maneira essa postura pode ser um problema no futuro?
Michael Porter - Salários baixos são uma fonte temporária de competitividade. Salários baixos não constroem países competitivos. Esses países não deveriam se preocupar se os salários estão se tornando mais altos - eles deveriam deixá-los subir, porque isso vai criar prosperidade.
A China distorceu elementos da competitividade e criou um jogo de ganha-perde com o resto do mundo. Mas não será capaz de crescer no futuro com esse modelo. Sem proteção de propriedade intelectual, por exemplo, não existe inovação, e isso vai ser um problema. 
EXAME - Quais são os outros fatores que podem atrapalhar o crescimento de países emergentes?
Michael Porter - Em países como o Brasil, o papel do governo é, francamente, um desastre. O governo é muito burocrático. Os impostos são complexos e pesados. O Brasil tem muitos recursos, gente inovadora. Mas o peso do setor público atrasa o crescimento do país. 
O governo conquistou estabilidade macroeconômica, mas em termos microeconômicos não avançou muita coisa. O Brasil terá de se transformar nos próximos 20 anos. Ou então ficará para trás. Não é um problema para os próximos dois ou três anos. Mas será um problema daqui a dez ou 15 anos. 
EXAME - Qual é o melhor exemplo de país que tenha superado o excesso de burocracia?
Michael Porter - É difícil achar uma referência comparável ao Brasil, pelas suas dimensões. A Indonésia se livrou de problemas ao simplificar o governo. A Colômbia também fez rápido progresso no ambiente de negócios quando o governo passou a atrapalhar menos. 
EXAME - Nos últimos anos, a indústria perdeu peso no PIB brasileiro. É possível um país ter produtividade sem uma indústria forte?
Michael Porter - Negócios bem-sucedidos são a base de uma economia próspera. A indústria cria empregos, paga impostos e faz a economia crescer. Governos não podem criar riqueza. Negócios criam riqueza. E a maneira correta de garantir que isso aconteça não é com monopólio ou distorções. 
EXAME - Alguns países, inclusive o Brasil, têm recorrido a barreiras protecionistas para frear a concorrência estrangeira. O que o senhor acha dessa estratégia? 
Michael Porter - É algo tentador, mas quase nunca funciona. Uma vez que você começa a fazer isso é difícil parar. E, protegidos, os negócios locais não melhoram. Um dos casos raros em que o protecionismo resultou em melhora é o da Coreia, onde as companhias locais promovem um ambiente competitivo suficiente para gerar produtividade. No Japão, há evidência de maior sucesso em áreas não protegidas. E o desempenho de setores protegidos foi um fiasco. 
EXAME - A competição global pode se tornar um jogo em que todos ganham?
Michael Porter - A competitividade não é necessariamente um jogo de soma zero, em que um país ganha se o outro perde. A convivência sem barreiras pode ser produtiva para todos. Hoje, todo país precisa ter multinacionais - tanto empresas de fora em seu território quanto empresas locais com presença internacional.
Se você entende que produtividade é algo que define a competitividade, então você vai querer multinacionais de classe mundial em seu território. Essa é uma razão pela qual o protecionismo é uma ideia morta atualmente. 
EXAME - Ainda estamos distantes de uma recuperação da crise?
Michael Porter - Vivemos a mais lenta recuperação de uma crise na história americana. Num le­vantamento que fizemos na universidade, descobrimos que o declínio da competitividade americana começou no fim dos anos 90. Ainda temos uma massa de empreendedores fenomenal e centros tecnológicos de ponta.
É preciso, no entanto, recuperar fundamentos como infraestrutura e educação bá­si­ca. Há um grande caminho para as empresas americanas no que se refere também ao ganho de produtividade. Uma crise raramente decorre de forças impossíveis de conter. Quase sempre resulta de um conjunto de decisões. É uma questão de fazer as escolhas certas.
Exame