terça-feira, 3 de abril de 2012

Fundos imobiliários podem ser tão populares quanto ações, diz CSHG

Gestores dos fundos do Credit Suisse Hedging-Griffo explicam por que essas aplicações devem ter uma explosão de crescimento nos próximos cinco anos


São Paulo - Os fundos imobiliários deixaram de ser aquela eterna promessa de aplicação com forte potencial de crescimento e passaram a atrair investidores em busca de uma alternativa mais rentável para compensar os efeitos negativos da queda dos juros sobre as aplicações de renda fixa. Segundo o último balanço da BM&FBovespa, o número de fundos imobiliários com quotas negociadas em bolsa cresceu de 31 para 69 em pouco mais de dois anos. Em 2009, o volume total de negócios com quotas foi de 379 milhões de reais - um giro superado em apenas dois meses neste ano. Já o valor de mercado dos fundos listados alcança 18,5 bilhões de reais. Comparado com o mercado americano de fundos imobiliários, no entanto, o Brasil apenas engatinha.
EXAME.com conversou com Alexandre Machado, André Freitas e João Phelipe Toazza de Oliveira, responsáveis pelos oito fundos imobiliários do Credit Suisse Hedging-Griffo, uma das gestoras pioneiras desse mercado no Brasil. Abaixo, eles explicam por que essas aplicações ainda podem crescer de tal forma que se tornem tão ou mais populares que os fundos de ações:
Os fundos imobiliários podem ser tão ou mais populares no Brasil que as ações. Juntando os fundos que hoje já são negociados na BM&FBovespa com os fundos imobiliários privados, essas aplicações possuem um patrimônio de cerca de 25 bilhões de reais. Pelo atual ritmo de crescimento, é bem possível que sejam 90 bilhões de reais daqui a três anos. Se a conta incluir também os fundos de investimento em participações (FIP), o patrimônio pode ser igual ou até mesmo superar o de ações daqui a cinco anos. Segundo números da Anbima (a associação de bancos e fundos de investimento), os fundos de ações somam 180 bilhões de reais e os FIP, 71 bilhões. Vale lembrar que nem todos os FIP são imobiliários, apenas uma parte deles. Mas parte desses fundos de ações também são exclusivos ou apenas veículos de investimento privado.
Tem dois fatores que devem sustentar o crescimento. O primeiro é o interesse dos brasileiros por investimentos em imóveis, seja diretos ou indiretos. Além disso, os sinais que vêm de fora indicam que um mercado imobiliário maduro inclui um grande desenvolvimento dos fundos. Nos Estados Unidos, por exemplo, os fundos imobiliários representam entre 10% e 15% de toda a indústria de fundos. Seria arriscado para cravar que o Brasil também chegará a percentuais tão elevados, mas pode certamente ser maior do que 5% ou 6% da indústria de fundos.
O grande impulso aos fundos imobiliários é que os juros devem continuar em queda no Brasil. É muito difícil vender esses fundos quando a Selic [taxa básica de juros] está em 15% ao ano. Todo mundo só quer saber de título público em um cenário como esse. Ninguém quer nem precisa correr nenhum risco. Mas atualmente o custo de oportunidade é bem menor, e vai cair ainda mais. É o ambiente necessário para o desenvolvimento dessa indústria.
Outro aspecto importante é que os fundos imobiliários ainda não alcançaram os brasileiros com renda de muitos milhões de reais. Hoje cerca de 80% das quotas estão nas mãos de pessoas físicas. Os investimentos são bastante pulverizados. O CSHG tem o tíquete de investimento mais alto do mercado brasileiro porque exige um investimento mínimo de 100.000 reais em cada oferta pública de quotas. As emissões são destinadas principalmente aos clientes do private banking da CSHG. Cada investidor de nossos fundos coloca em média 300.000 reais por fundo e costuma ter entre 3 milhões e 10 milhões de reais em aplicações financeiras. Só depois que as cotas começam a ser negociadas na bolsa é que o varejo costuma ter acesso aos papéis.
Mas aquele investidor que tem mais de 10 milhões de reais em patrimônio só agora está começando a entrar nesse negócio. Quem gosta de investir no mercado imobiliário geralmente passou a vida comprando imóveis à medida que a riqueza aumentava. Não que essa estratégia esteja errada. Os investidores que agem dessa maneira conseguem construir um portfólio bastante diversificado, com vários imóveis localizados em diferentes regiões.
Depois que a compra do imóvel é fechada, fica difícil migrar para um fundo imobiliário. A venda de um imóvel implica em arcar com custos de corretagem e com o pagamento de Imposto de Renda sobre o ganho de capital. Como a maioria desses imóveis funcionam como uma fonte de renda por muitos anos ou décadas, o sujeito não tem o interesse de perder parte do patrimônio agora com os custos inevitáveis da transação.
Mas para quem está investindo dinheiro novo, os fundos imobiliários são um veículo bem mais inteligente de ingressar no segmento imobiliário. O aplicador pode comprar um fundo de shoppings que possui diversos empreendimentos em carteira e mantém contratos de locação com um número grande de locatários. Isso garante diversificação e redução do risco. Já a compra de uma participação direta em um shopping exige muito dinheiro e é bem mais complicada.
Além disso, há uma enorme vantagem tributária de estar em um fundo. Se o gestor vender a participação em um shopping e comprar em outros, não será necessário pagar IR sobre o ganho de capital no ativo vendido. O fundo CSHG Brasil Shopping fez isso recentemente. Foi vendida uma participação no shopping Plaza Sul, um projeto maduro na zona sul de São Paulo sem possibilidade de expansão e com praticamente 100% de taxa de ocupação.
Com o dinheiro da venda e com uma nova emissão de quotas, foi possível comprar fatias dos shoppings Mooca Plaza Shopping e Shopping Center Penha, ambos também em São Paulo, mas com grandes oportunidades de expansão. O mercado enxergou os benefícios dessa gestão ativa do portfólio. O fato de o fundo poder vender um empreendimento maduro e comprar outros com uma expectativa de expansão nos aluguéis contribuiu para o retorno de 27% alcançado pelo fundo neste ano.
Outra vantagem dos fundos imobiliários é a isenção de IR sobre os aluguéis distribuídos. Alguém que compra imóveis por meio de uma empresa própria vai desembolsar entre 14% e 15% dos ganhos com IR. Já uma pessoa física pode ter de desembolsar 27,5% das receitas com aluguel apenas para quitar as obrigações com a Receita Federal. No fundo, desde que o investidor tenha menos de 10% de participação no capital total, esse rendimento será isento para pessoas físicas.
O investidor também não precisa se preocupar com a depreciação do imóvel. A gestão ativa de muitos fundos permite que o administrador possa vender empreendimentos que já considera mais depreciados para a compra de outros ativos imobiliários mais interessantes. Uma última vantagem dos fundos é o fácil entendimento do produto. O investidor tem relatórios mensais divulgados ao mercado onde constam as informações relevantes necessárias para a escolha de um fundo. Mesmo os riscos da aplicação são bem explicitados nesses documentos.
Fazer as contas de qual é o valor justo de uma quota também é bem mais simples do que avaliar uma ação, por exemplo. Ganhar dinheiro na bolsa exige um conhecimento maior porque é necessário entender um pouco de análise de balanços ou de valuation.
Um problema dos fundos que já está sendo atacado pela Anbima é a falta de informação sobre a indústria como um todo. Hoje o investidor não sabe, por exemplo, qual é a taxa média de administração dessas aplicações ou qual foi a rentabilidade média de todos os fundos imobiliários negociados em bolsa. Mas isso deve acontecer em breve.
De qualquer forma, já dá para sentir um interesse maior do investidor que tem mais de 10 milhões de reais aplicados diretamente em imóveis. As pessoas estão percebendo que há muita gente séria nesse mercado e que não é preciso fazer a própria gestão do negócio nem ter a escritura da propriedade guardada no cofre. Sempre vão existir alguns fundos mal estruturados que podem gerar algum prejuízo ao investidor. Mas esses podem ser considerados minoria entre todas as aplicações com quotas negociadas na BM&FBovespa.
A chegada dos investidores com mais dinheiro trará um benefício adicional de profissionalizar a precificação das quotas de fundos. Hoje o valor de mercado é muito baseado na distribuição de rendimentos. Então um fundo que tenha uma distribuição atípica de aluguéis em um mês pode ter uma enorme volatilidade nos valores das quotas nos pregões seguintes.
Outra mudança que certamente vai ajudar a amadurecer o mercado de fundos imobiliários é a nova norma da CVM que obriga os fundos a divulgar periodicamente avaliações do valor presente dos imóveis incluídos no fundo. Isso deve tornar a análise do preço-justo das quotas menos baseada apenas nos aluguéis distribuídos a cada mês.
Outro benefício da entrada de investidores mais graúdos será o aumento da liquidez. O baixo número de negócios já foi um problema no mercado de fundos imobiliários. Hoje já há fundos que negociam 300.000 reais em um dia. Para investidor que quer investir 1 milhão de reais em um único fundo sem distorcer os preços, isso ainda pode ser um problema. Será necessário disparar ordens de compra durante vários dias para montar a posição desejada.
Mas um volume de 300.000 reais ao dia já é superior ao de muitas ações negociadas na BM&FBovespa. Isso não é um problema para pequenos investidores. E o grandes sempre terão a oportunidade de comprar quotas nas ofertas públicas de novos papéis, quando será possível comprar uma participação grande sem distorcer os preços.
O CSHG possui oito fundos imobiliários com um valor de mercado total de 2,1 bilhões de reais. Os fundos são totalmente segmentados e investem em shopping centers, escritórios comerciais, condomínios logísticos, shoppings populares ou CRI. Com a percepção do mercado de que os juros cairiam bastante neste ano, as quotas dispararam na bolsa. Esses percentuais variam diariamente, mas os fundos do CSHG negociadas em bolsa pagam ao menos 0,6% ao mês em aluguéis. É uma renda condizente com a atual realidade de juros baixos do país e com a qualidade do portfólio de imóveis desses fundos. 
Exame

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Aprenda com os erros de empresários de sucesso


Eles falam das dificuldades enfrentadas ao longo da vida empreendedora, as lições aprendidas e como isso pode ajudar os novos empreendedores

Peixe Urbano: divida tarefas e gerencie melhor o tempo
Acúmulo de funções e má gestão do tempo. Esses foram os erros cometidos no início da operação do Peixe Urbano que Alex Tabor, sócio-fundador, mais se lembra.
O empreendedor admite ter centralizado as decisões por muito tempo, o que prejudicou a designação de funções e o treinamento de funcionários. “No início, o atendimento era no meu celular. Eu que fazia os pagamentos, fechava as ofertas, recebia e respondia as demandas por e-mail.”
Com o crescimento acelerado da empresa, Tabor acabou sobrecarregado e não conseguia destinar tempo suficiente para nada que fazia. “Quando mudei a prioridade para investir meu tempo no que iria resolver os problemas a longo prazo e não com foco em apagar pequenos incêndios, a empresa sofreu um pouco com perdas de venda, mas logo se recuperou”, explica. Alex Tabor contratou e treinou mais funcionários para dividir as tarefas com ele.
Hoje, Tabor concentra seu tempo em reuniões estratégicas para o Peixe Urbano, mas comparece apenas naquelas em que sua presença é imprescindível. “Eu imprimo minha agenda, vejo onde realmente preciso ir e, das demais, peço que as pessoas me mandem atas e atualizações por e-mail”, conta. 
CVC: não se atrase e pesquise os mercados
Dono da maior empresa de turismo da América Latina, Guilherme Paulus admite que também já errou e destaca que um dos principais atributos de um empreendedor de sucesso é aprender com os próprios equívocos.
Ele lembra um episódio em que tinha uma reunião marcada para 9 horas da manhã com o presidente do clube da Ford, mas atrasou-se 15 minutos. “A secretária disse que ele não ia poder me atender, pois ele tinha reservado 45 minutos para falar comigo. Como levariam pelo menos mais 10 para eu chegar até ele, restariam apenas 20 minutos para conversamos e não era suficiente. Nunca mais cheguei atrasado a um compromisso”, conta o empresário.
A ida e a abertura de uma filial da companhia em Paris, em 2007, também foi um dos grandes erros cometidos por Paulus. “Achamos que ia ser um sucesso. E não aconteceu nada", diz.
Wizard: pense grande, mas comece pequeno
Para o fundador da Wizard, Carlos Martins, o grande erro cometido ao longo de sua trajetória empreendedora tem relação com a falta de estudo de mercado. De forma precipitada e sem embasamento mercadológico, ele abriu uma unidade da escola de idiomas em Orlando, nos Estados Unidos, no começo de 2000. “Investimos mais de 1 milhão de dólares no projeto para montar uma estrutura ampla, que fosse capaz de atender a demanda por ensino de Inglês para a grande comunidade de estrangeiros que residem na cidade.”
O problema começou ao se perceber que a estrutura preparada era maior do que a demanda pelo serviço. “Projetamos o espaço para atender 1000 alunos, mas nunca passamos de 100. Um ano após a inauguração fechamos as portas”, conta o empresário.
Martins admite ter começado grande demais, mas o prejuízo deixou a lição da cautela com novos empreendimentos em lugares ainda não explorados. “Passamos a buscar um investidor local, com conhecimento do mercado. Aprendemos também que estudar o mercado em profundidade é essencial.”
Ao todo, a escola de idiomas, que completa 25 anos de trajetória nesse ano, tem mais de 1,2 mil franquias, 50 delas espalhadas por países como Estados Unidos, China, Irlanda, México e Japão.
Amor aos Pedaços: centralize a produção
Deixar a empresa nas mãos de outras pessoas foi o erro do Amor aos Pedaços. A sócia-diretora da rede, Silvana Abramovay Marmonti, conta que só quando o modelo de gestão ficou deficiente a empresa notou a necessidade de centralizar na franqueadora todo o processo de produção da rede. “O máster franqueado tinha autonomia para produção na unidade fabril in loco e, com esse antigo modelo de gestão, a Amor aos Pedaços não mantinha o controle adequado de qualidade, procedências e padronização de alguns dos produtos”, destaca.
Silvana lembra a dificuldade que os máster-franqueados tinham em cuidar de uma fábrica local e das lojas ao mesmo tempo. Para manter a marca com um formato único, a rede percebeu a necessidade de manter um relacionamento direto com os franqueados e eliminar os intermediários.
A empresa fundada em 1982 inovou com a venda de bolos por quilo e faturou 55 milhões de reais em 2011. Hoje, a rede conta com 60 unidade espalhadas por seis estados brasileiros.
Exame

Como criar startups de tecnologia


Especialistas destacam a importância de buscar um investimento, além de fortalecer rede de contatos e montar um plano de negócios consistente

São Paulo - Empresas inovadoras de tecnologia devem buscar investimento externo para sobreviverem ao mercado. A afirmação é de especialistas em startups do ramo durante palestra na Campus Party, nesta sexta-feira. O risco, segundo eles, é a perda de espaço para empresas dispostas a arriscar mais.
Diretor executivo e sócio fundador da Confrapar, Carlos Eduardo Guilhaume ressalta que uma empresa, especialmente de tecnolgia, não tem forças de crescer sem recursos. "Para ser grande, vai precisar contratar, fazer marketing, desenvolver produtos e, para isso, tem que ter dinheiro ou uma semana depois vai aparecer uma ideia parecida com a sua com pretensão de crescer e vai te engolir".
De acordo com ele, a tecnologia sempre será a mola de crescimento e é o foco da investidora. "A Confrapar já tem dois fundos operando, um de 40 milhões de reais em Minas Gerais e outro de 50 milhões de reais, no Rio de Janeiro. Vamos lançar outro nacional, de 200 milhões, em junho". Segundo Carlos, o plano de negócios é fundamental. "Precisa saber e traçar um modelo de negócios claro, saber como vai ganhar dinheiro".
Para o consultor do Sebrae-SP Renato Fonseca de Andrade, adentrar no ramo da tecnologia exige o entendimento do meio. "É essencial começar a perceber que se faz parte de um ecossistema formado não apenas pelo mercado e pelos concorrentes, mas também por desenvolvedores, investidores, funcionários. Por isso, é importante estabelecer relações e formar rede de contatos."
Oferecer felicidade A diretora de Inovação e coordenadora do MBA Technology Ventures: Negócios e Empreendedorismo 2.0 da FIAP, Nathalie Trutmann, acredita que o sucesso está na venda de sonho aos consumidores. "Não adianta ter bons serviços sem gerar explosões de felicidade no consumidor". Como destacou, para que uma empresa crie, capture e entregue valores, tem que saber lidar com quem trabalha no projeto. "Tem que haver confiança nos funcionários, porque assim vai criar um ambiente livre e legal para ele trabalhar"
"A grande aposta é aliar sonhos com a busca da excelência. Isso tem a ver com equilíbrio que começa com o auto conhecimento, para em seguida passar pelo conhecimento da equipe, do mercado, dos clientes. tudo o que tem pela frente para realizar sonho tem que ser compartilhado, não pode ser egoísta", avaliou o mediador da palestra, Nei Grando.
Dica Para o consultor do Sebrae, ao decidir buscar um investidor, o empreendedor deve ter em mente o curto tempo disponível para a apresentação da proposta, com foco no que o diferencia de tantos outros que já buscaram o venture capital para angariar fundos. "É sempre importante pensar no que o investidor quer ouvir, se preparar para levar a mensagem, o que faz e o que a empresa pretende em poucas palavras."
Ele complementa a dica de Renato Andrade. "Pense numa frase que consiga contar o que sua empresa faz para que o investidor possa entender como é o mercado que está entrando e qual o potencial do empreendimento."
Exame

Como administrar as saídas do fluxo de caixa?


Faz parte da tarefa de quem cuida das finanças controlar o fluxo de caixa

Como administrar as saídas do fluxo de caixa? Respondido por Antonio Paulo Terassovich, especialista em crédito
Os administradores financeiros devem ter bem formalizado o processo de estruturação do fluxo de caixa da empresa. Esta tarefa não pode ser esquecida em hipótese alguma. As empresas até podem viver alguns períodos sem lucro, mas não sobrevivem longos períodos sem caixa.
De forma simplificada, o fluxo de caixa é basicamente constituído de duas partes: entradas e saídas. Hoje o assunto é voltado para as saídas de caixa. Na linguagem financeira existem quatro itens onde podem ser alocadas as saídas: aumento de qualquer ativo, como compras para manter o estoque adequado ou uma máquina nova; redução de um passivo, como o pagamento de uma conta de luz, água, ou mesmo fornecedores; prejuízo líquido, quando as depreciações não forem superiores a este valor; e pagamento de dividendos ou recompra de ações.
Para o caso das pequenas empresas, o foco deve ser nos dois primeiros itens e analisar as saídas sob os aspectos do comportamento desses valores, que podem ser divididos em dois grandes grupos: custos fixos e variáveis.
Os custos fixos são aqueles que existem mesmo que a empresa não venda nada. Eles costumam ser mensais e incidem constantemente. Já os custos variáveis são aqueles que flutuam para cima ou para baixo de acordo com o volume de vendas da empresa ou alguma decisão de aumento de estoques, por exemplo.
Para cada um deles o tratamento deve ser diferenciado, pois os primeiros, os fixos, o administrador deve ter um levantamento e periodicamente controlar suas variações. O segundo tipo, os variáveis, devem ser coletados a partir das estimativas de produção e vendas da organização e normalmente variam todos os meses.
Tenha uma planilha com esses dados e monitore, analise e corrija os números a cada semana, pelo menos. 
Antonio Paulo Terassovich é professor da FIA e especialista em crédito. Envie suas dúvidas sobre crédito para examecanalpme@abril.com.br. Envie suas dúvidas sobre crédito para examecanalpme@abril.com.br..

Como é o ensino de empreendedorismo no Brasil?


Com pouca educação formal, o brasileiro tem a cultura de persistência ao seu lado

Quais os livros indispensáveis para empreendedores? Respondido por Marcio de Oliveira Santos Filho, especialista em empreendedorismo
Segundo o IBGE 2007, 10% da população brasileira não possui educação formal; 25,5% tem entre 1 a 4 anos de estudo; 53,2% tem entre 5 e 11 anos de estudo e 11,3% tem mais de 11 anos de educação formal. 78,6% dos empreendedores brasileiros têm mais de 5 anos de estudo, logo, pode-se inferir que o empreendedor brasileiro possui mais anos de estudo do que a média dos cidadãos brasileiros.
A relação entre escolaridade e criação de novos negócios é apenas um dos indicadores que deve ser perseguido diariamente pelas 3 esferas do poder público; federal, estadual e municipal, mas na prática sabemos que isso não acontece e está longe de acontecer.
As iniciativas de ensino de empreendedorismo hoje se limitam ao nível superior, em poucas escolas, grande parte privadas, ou seja, poucos alunos têm o privilégio de estudar esse tema, motor do desenvolvimento de um país.
Entendo também que o empreendedorismo deve ser ensinado desde o nível fundamental até o nível superior, trabalhando com a construção e com a formação empreendedora do aluno, mas existe um despreparo enorme na formação da classe de professores, principalmente da rede pública, para adotar uma postura de maior apetite aos riscos inerentes á criação do negócio próprio.
A população brasileira, de forma geral, tem uma cultura de persistência e de determinação muito forte que aliada ao bom momento macroeconômico do país, a crescente familiarização com o tema e a exemplos divulgados mais constantemente pela mídia, tende a ser muito positiva e motivadora para incentivar cada vez mais ações de estímulo ao empreendedorismo.
Um dado interessante e que confirma essa cultura brasileira é que para cada 1 empreendedor de necessidade existem 2 empreendedores de oportunidade, ou seja, apesar de tudo o povo brasileiro é um povo empreendedor.
Marcio de Oliveira Santos Filho é associado da Inseed Investimentos e coordenador do Desafio Brasil. Envie suas dúvidas sobre empreendedorismo para examecanalpme@abril.com.br.

Empresas que já mentiram (e foram pegas)


Omitir a verdade não é coisa só dos pobres mortais - grandes companhias também já tiveram seu momento de Pinóquio

Reebok
Deixar o corpo tonificado sem esforço é o que prometia o tênis Easytone, da Reebok. Segundo a empresa, bastaria calçá-lo para deixar os glúteos 28% mais firmes e as pernas 11% mais delineadas. Parece tentador largar a academia e apenas trocar de sapato, certo? Os consumidores não titubearam. Diante do apelo, transformaram o modelo no maior sucesso da Reebok em cinco anos: só em 2010, foram 1 bilhão de dólares em vendas.
Mas a entidade federal de proteção ao consumidor nos Estados Unidos afirmou, no ano passado, que os benefícios do Easytone seriam conseguidos com qualquer outro tênis. O estudo que embasou toda a campanha de marketing da Reebok, inclusive, só testara o modelo em cinco mulheres. Além de suspender todas as propagandas, a Reebok foi obrigada a destinar 25 milhões de dólares para eventuais requisições de reembolsos feitos por consumidores insatisfeitos com a promessa não cumprida.
 
Volkswagen
Viagens de luxo e serviços de prostituas viraram, na justificativa de diretores da Volkswagen, despesas normais da empresa. Depois de anos maquiando gastos como esses, a justiça alemã condenou Klaus Volkert, antigo presidente do comitê da empresa, à prisão em 2008.
Sua amante, a brasileira Adriana Barros, também teria participado de esquemas semelhantes. Sem ter trabalhado sequer um dia para a Volks, Adriana recebeu 250 mil euros da empresa entre 1994 e 2005. Desembolsos com hotéis, cursos de idiomas e passagens aéreas também foram repassados pela brasileira para a conta da montadora, somando outros 100.000 euros. Hoje, Adriana é acusada de cumplicidade em 26 desfalques.
Enron
Gigante de energia, a Enron faliu em 2002, arrastando uma dívida de mais de 13 bilhões de dólares. A empresa escondia seus prejuízos e turbinava seus lucros construindo uma espiral da fantasia: quanto melhores os resultados, mais as ações subiam, ancoradas em um patrimônio que simplesmente não existia. Tudo era feito com a conivência da empresa de auditoria Arthur Andersen.
Antes do castelo de cartas ir à lona, os principais diretores da Enron venderam suas ações e conseguiram recuperar suas fortunas. A grande maioria dos investidores viu os papéis virarem pó. O escândalo foi tão grande que levou o renomado economista Paul Krugman a considerar a derrocada da Enron - e não o 11 de setembro - o grande evento divisor de águas para a sociedade americana.
Panamericano
Até outubro de 2010, o PanAmericano era mais lembrado pelo seu famoso dono. Sob o guarda chuva do grupo Silvio Santos, a instituição vendia carteiras de crédito para outros bancos, mas não dava baixa nesses ativos, inflando seu patrimônio. Foi quando o Banco Central descobriu o rombo, inicialmente avaliado em 2,5 bilhões de reais. Para continuar de pé, o banco precisou ser socorrido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
As investigações seguintes alargaram o tamanho do buraco, que cresceu para 4,3 bilhões. Para se livrar do problema e não comprometer seus outros negócios, Silvio Santos vendeu o controle do banco ao BTG Pactual. Antes da fraude ser descoberta pelo Banco Central, a Caixa Econômica já havia comprado 49% do PanAmericano. Em fevereiro, a Polícia Federal pediu à justiça a venda de 32 bens dos indiciados no caso para "descapitalizar a organização criminosa" e ressarcir os cofres da União.
Exame