segunda-feira, 2 de abril de 2012

Como é o ensino de empreendedorismo no Brasil?


Com pouca educação formal, o brasileiro tem a cultura de persistência ao seu lado

Quais os livros indispensáveis para empreendedores? Respondido por Marcio de Oliveira Santos Filho, especialista em empreendedorismo
Segundo o IBGE 2007, 10% da população brasileira não possui educação formal; 25,5% tem entre 1 a 4 anos de estudo; 53,2% tem entre 5 e 11 anos de estudo e 11,3% tem mais de 11 anos de educação formal. 78,6% dos empreendedores brasileiros têm mais de 5 anos de estudo, logo, pode-se inferir que o empreendedor brasileiro possui mais anos de estudo do que a média dos cidadãos brasileiros.
A relação entre escolaridade e criação de novos negócios é apenas um dos indicadores que deve ser perseguido diariamente pelas 3 esferas do poder público; federal, estadual e municipal, mas na prática sabemos que isso não acontece e está longe de acontecer.
As iniciativas de ensino de empreendedorismo hoje se limitam ao nível superior, em poucas escolas, grande parte privadas, ou seja, poucos alunos têm o privilégio de estudar esse tema, motor do desenvolvimento de um país.
Entendo também que o empreendedorismo deve ser ensinado desde o nível fundamental até o nível superior, trabalhando com a construção e com a formação empreendedora do aluno, mas existe um despreparo enorme na formação da classe de professores, principalmente da rede pública, para adotar uma postura de maior apetite aos riscos inerentes á criação do negócio próprio.
A população brasileira, de forma geral, tem uma cultura de persistência e de determinação muito forte que aliada ao bom momento macroeconômico do país, a crescente familiarização com o tema e a exemplos divulgados mais constantemente pela mídia, tende a ser muito positiva e motivadora para incentivar cada vez mais ações de estímulo ao empreendedorismo.
Um dado interessante e que confirma essa cultura brasileira é que para cada 1 empreendedor de necessidade existem 2 empreendedores de oportunidade, ou seja, apesar de tudo o povo brasileiro é um povo empreendedor.
Marcio de Oliveira Santos Filho é associado da Inseed Investimentos e coordenador do Desafio Brasil. Envie suas dúvidas sobre empreendedorismo para examecanalpme@abril.com.br.

Empresas que já mentiram (e foram pegas)


Omitir a verdade não é coisa só dos pobres mortais - grandes companhias também já tiveram seu momento de Pinóquio

Reebok
Deixar o corpo tonificado sem esforço é o que prometia o tênis Easytone, da Reebok. Segundo a empresa, bastaria calçá-lo para deixar os glúteos 28% mais firmes e as pernas 11% mais delineadas. Parece tentador largar a academia e apenas trocar de sapato, certo? Os consumidores não titubearam. Diante do apelo, transformaram o modelo no maior sucesso da Reebok em cinco anos: só em 2010, foram 1 bilhão de dólares em vendas.
Mas a entidade federal de proteção ao consumidor nos Estados Unidos afirmou, no ano passado, que os benefícios do Easytone seriam conseguidos com qualquer outro tênis. O estudo que embasou toda a campanha de marketing da Reebok, inclusive, só testara o modelo em cinco mulheres. Além de suspender todas as propagandas, a Reebok foi obrigada a destinar 25 milhões de dólares para eventuais requisições de reembolsos feitos por consumidores insatisfeitos com a promessa não cumprida.
 
Volkswagen
Viagens de luxo e serviços de prostituas viraram, na justificativa de diretores da Volkswagen, despesas normais da empresa. Depois de anos maquiando gastos como esses, a justiça alemã condenou Klaus Volkert, antigo presidente do comitê da empresa, à prisão em 2008.
Sua amante, a brasileira Adriana Barros, também teria participado de esquemas semelhantes. Sem ter trabalhado sequer um dia para a Volks, Adriana recebeu 250 mil euros da empresa entre 1994 e 2005. Desembolsos com hotéis, cursos de idiomas e passagens aéreas também foram repassados pela brasileira para a conta da montadora, somando outros 100.000 euros. Hoje, Adriana é acusada de cumplicidade em 26 desfalques.
Enron
Gigante de energia, a Enron faliu em 2002, arrastando uma dívida de mais de 13 bilhões de dólares. A empresa escondia seus prejuízos e turbinava seus lucros construindo uma espiral da fantasia: quanto melhores os resultados, mais as ações subiam, ancoradas em um patrimônio que simplesmente não existia. Tudo era feito com a conivência da empresa de auditoria Arthur Andersen.
Antes do castelo de cartas ir à lona, os principais diretores da Enron venderam suas ações e conseguiram recuperar suas fortunas. A grande maioria dos investidores viu os papéis virarem pó. O escândalo foi tão grande que levou o renomado economista Paul Krugman a considerar a derrocada da Enron - e não o 11 de setembro - o grande evento divisor de águas para a sociedade americana.
Panamericano
Até outubro de 2010, o PanAmericano era mais lembrado pelo seu famoso dono. Sob o guarda chuva do grupo Silvio Santos, a instituição vendia carteiras de crédito para outros bancos, mas não dava baixa nesses ativos, inflando seu patrimônio. Foi quando o Banco Central descobriu o rombo, inicialmente avaliado em 2,5 bilhões de reais. Para continuar de pé, o banco precisou ser socorrido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
As investigações seguintes alargaram o tamanho do buraco, que cresceu para 4,3 bilhões. Para se livrar do problema e não comprometer seus outros negócios, Silvio Santos vendeu o controle do banco ao BTG Pactual. Antes da fraude ser descoberta pelo Banco Central, a Caixa Econômica já havia comprado 49% do PanAmericano. Em fevereiro, a Polícia Federal pediu à justiça a venda de 32 bens dos indiciados no caso para "descapitalizar a organização criminosa" e ressarcir os cofres da União.
Exame


sexta-feira, 30 de março de 2012

Gadget alemão purifica a água em poucos minutos


O Hyquator é pequeno o suficiente para ser levado no bolso e usa células solares para recarregar uma pequena bateria

São Paulo - Os alemães Friso Krahmer e Lars Gerd Piwkowski criaram o Hyquator, um dispositivo movido a energia solar. A tecnologia pode filtrar a água suja ou inativar e impedir o crescimento de todos os tipos de micro-organismos em poucos minutos.
O Hyquator é pequeno o suficiente para ser levado no bolso e usa células solares para recarregar uma pequena bateria. Seus criadores garantem que ele é capaz de fornecer até cem copos de água potável em uma carga da bateria. Para isso, o gadget não usa filtros, nem luz ultravioleta. Além disso, ele não necessita de componentes químicos adicionais.
Krahmer e Piwkowski afirmam que o aparelho consegue higienizar até mesmo água com altos níveis de partículas em suspensão, que costuma acontecer em áreas afetadas pelas inundações, ou águas barrentas de lagos e rios.
O aparelho é controlado por um microprocessador e equipado com sensores capazes de medir os parâmetros ambientais. Então, a luz vermelha indica que água não está pronto para o consumo, enquanto a a luz verde acompanhada de um sinal sonoro mostra que a água já pode ser ingerida.
O projeto foi promovido pela Kickstarter Project Funding Platform. Ela é considerada a maior plataforma mundial para financiamento de projetos criativos. Porém, ele ainda não está sendo produzido. O problema é que o prazo disponibilizado pelo site já acabou, mas a quantia atingida foi inferior a necessária.
Exame

Einstein estava certo sobre os neutrinos - é claro


Cientistas divulgam que o suposto neutrino mais veloz que a luz foi resultado de um erro no experimento e que a teoria da relatividade continua valendo

São Paulo - Einstein estava certo, afinal. A descoberta de partículas mais velozes que a luz, divulgada em setembro de 2011, era alarme falso. Logo, a teoria da relatividade continua valendo. Os físicos europeus que mediram a velocidade desses neutrinos supervelozes encontraram uma falha no experimento que invalida os resultados divulgados antes. 
Partículas minúsculas - com massa diminuta até para os padrões da física nuclear - e desprovidas de carga elétrica, os neutrinos podem atravessar objetos sólidos e vêm intrigando os cientistas desde a década de 1960. O experimento europeu mediu a velocidade de um feixe de neutrinos viajando do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), na Suíça, ao laboratório subterrâneo de Gran Sasso, na Itália, distante 730 km.
Os resultados divulgados no ano passado indicavam que as partículas subatômicas chegavam ao destino 60 nano-segundos antes do tempo previsto pelos físicos. Se isso estivesse correto, os neutrinos estariam viajando mais rapidamente que a luz, algo que iria contra a teoria da relatividade. Einstein determinou que nenhuma partícula pode ser deslocar no universo em velocidade superior à da luz, de 300 mil km/s. Assim, toda a física moderna teria de ser repensada.
Agora, o site da revista Science informa que um erro no experimento levou aos resultados incorretos. A culpa, dizem os físicos, é de um problema na conexão entre o GPS e o computador, feita por um cabo de fibra óptica. Os cientistas haviam estimado o atraso na transferência dos dados incorretamente. 
Quem conhece o assunto não se surpreende com a descoberta do erro. A notícia de que a teoria da relatividade podia estar errada correu o mundo no ano passado. Mas nenhum cientista sério assinou embaixo. O físico brasileiro Marcelo Gleiser, que leciona no Dartmouth College, nos Estados Unidos, fez este comentário na época: "Aposto dez dólares que em duas semanas eles vão descobrir o erro".
Os próprios autores do experimento foram muito cautelosos ao divulgá-lo. Eles estavam intrigados com o que viam. "Em vista do enorme impacto que este resultado pode ter para a física, são necessárias medições independentes para que o efeito observado possa ser refutado ou formalmente estabelecido", destacou um comunicado do Centro Nacional de Pesquisa Científica francês (CNRS), que participou da análise dos dados.
Recentemente, Sergio Bertolucci, diretor de pesquisas do CERN, falou sobre o caso em tom de brincadeira: "Acho difícil acreditar nisso porque nada na Itália chega antes do horário", disse ele durante um congresso científico. Uma das primeiras revisões formais do experimento foi feita por outra equipe do laboratório de Gran Sasso. O grupo do chamado Projeto Icarus refutou, em novembro, a existência dos neutrinos supervelozes.
Essa equipe adotou um método diferente para abordar o problema, estudando a energia contida nos neutrinos. Se viajassem em velocidade superior à da luz, as partículas perderiam a maior parte da energia pelo caminho. No entanto medições mostraram que isso não aconteceu. Era uma prova clara de que os neutrinos haviam respeitado o limite de velocidade teórico. Depois disso, só faltou descobrir a causa do resultado incorreto, o que acabou exigindo mais algumas semanas. Agora, finalmente, Einstein pode descansar em paz. 
Exame

Cientista que desafiou Einstein pede demissão


Físico Antonio Ereditato detectou neutrinos que supostamente viajavam mais rápido que a luz

Roma - O físico italiano Antonio Ereditato, porta-voz do experimento Opera, que detectou neutrinos que supostamente viajavam mais rápido do que a luz, algo que contradizia a Teoria da Relatividade de Einstein, apresentou sua demissão.
O anúncio foi divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Física Nuclear (INFN) italiano, cujo vice-presidente, Antonio Masiero, indicou que a entidade "tomou conhecimento da renúncia do professor Antonio Ereditato como porta-voz do experimento Opera".
A decisão de Ereditato foi tomada depois que alguns de seus colegas no projeto apresentaram uma proposta na qual defenderam sua demissão e apesar de não ter sido aprovada, gerou uma divisão entre os pesquisadores que levou o cientista italiano a apresentar a renúncia, segundo a imprensa italiana.
Em setembro, os responsáveis do experimento Opera confirmaram ter constatado a existência de neutrinos, um tipo de partículas subatômicas, que viajavam a uma velocidade superior à da luz, algo que a física considerava impossível até o momento.
O experimento consistiu em lançar feixes dessa partícula subatômica por terra do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), em Genebra, para o italiano de Gran Sasso, situado a 730 quilômetros de distância, com o qual foi obtida em várias ocasiões uma conclusão surpreendente: os neutrinos chegavam 60 nanossegundos antes da luz.
No entanto, em fevereiro, os responsáveis do Opera no CERN advertiram que as conclusões do experimento que questionou a Teoria da Relatividade de Einstein poderiam ter sido produzidas por uma série de problemas técnicos nos aparelhos.
Um mês depois, um novo experimento do laboratório italiano de Gran Sasso refutou as conclusões preliminares do Opera e confirmou que os neutrinos não são mais velozes do que a luz.
Exame

Globo emite US$ 200 milhões para reduzir custo da dívida


Notas irão substituir papéis emitidos anteriormente e não representarão mais caixa

São Paulo - A Globo anunciou nesta quinta-feira a emissão de 200 milhões de dólares em notas seniores com vencimento em 2022 no exterior para reduzir o custo da sua dívida. A empresa irá recomprar os papéis emitidos em 2007, alterá-los e recolocá-los no mercado com um juro abaixo de 7,25% ao ano. Ou seja, a operação não irá colocar dinheiro algum no caixa.
A agência de classificação de risco Moody?s atribuiu a nota Baa2 e a Fitch Ratings o rating BBB , as duas na escala de grau de investimentos. Segundo a Bloomberg, os bancos HSBC e Itaú Unibanco foram contratados para coordenar reuniões com investidores do mercado de renda fixa no exterior, segundo uma pessoa a par das discussões.
"A empresa demonstrou progresso em sua diversificação no segmento de conteúdo e programação, o qual tem maior margem e atingiu 26% das receitas líquidas em 2011 e, embora ainda seja um ponto fraco da empresa, a Globo tem progredido no campo de governança corporativa com o desenvolvimento de um programa interno de governança corporativa através do qual adicionou dois novos membros de fora da família Marinho ao conselho de administração da empresa", disse o analista para o mercado local da Moody?s Marcos Schmidt.
O caixa da Globo, ao final de 2011, tinha um total de 5,2 bilhões de reais, valor muito acima da dívida de 1,1 bilhão de reais. A empresa teve uma geração de caixa de 2,8 bilhões de reais no ano passado, um crescimento de 20% na comparação com 2010. As receitas avançaram 11,9%, chegando a 11 bilhões de reais.
"Os ratings da Globo refletem a continuidade de seu forte perfil de negócios como principal rede de emissoras de TV no Brasil e maior provedora de programação para operadoras de TV por assinatura no país. A sólida posição financeira e de liquidez da companhia é reforçada por sua geração de fluxo de caixa livre positivo e seu confortável perfil de vencimento da dívida. Os ratings da Globo também contemplam a correlação entre o mercado brasileiro de propaganda e a atividade econômica local", ressalta Alberto Moreno, da Fitch.
Exame

A maior fortuna do nordeste vem da M. Dias Branco


Com a M. Dias Branco, Francisco Ivens se tornou o nono homem mais rico do Brasil. Agora, ele aposta em infraestrutura para multiplicar sua fortuna

Fortaleza - De uma Mercedes vinho ano 1993, desce um senhor grisalho, vestindo uma camisa verde militar e uma calça preta surrada. Ele cumprimenta algumas pessoas e segue rumo a seu helicóptero.
A bordo dele, voará por cerca de 2 horas sobre os arredores de Fortaleza, a fim de vistoriar do alto alguns de seus principais empreendimentos: uma empresa de cimento, um moinho de trigo, um dos maiores complexos turísticos da América Latina, que está sendo erguido numa faixa de 12 quilômetros à beira da praia, uma pista de pouso de 1?800 metros, de onde sai seu avião Challenger 300, avaliado em 20 milhões de dólares, e as aeronaves de outros empresários e políticos da região e, finalmente, a sede da M. Dias Branco, a maior fabricante de massas e biscoitos do país.
O homem discreto, entusiasmado com a própria descrição dos detalhes de seus principais negócios, é o quase octogenário Francisco Ivens Dias Branco. Com uma fortuna estimada em 3,8 bilhões de dólares, Ivens, como é mais conhecido, passou a fazer parte da lista de bilionários da revista Forbes neste ano.
De acordo com o ranking, é o nono homem mais rico do Brasil, com um patrimônio superior ao dos banqueiros André Esteves e Pedro Moreira Salles e ao dos empresários Elie Horn, dono da Cyrela, e Rubens Ometto, presidente do conselho da Cosan. "Conseguir alguma coisa no Ceará é como tirar leite de pedra", diz Ivens a EXAME.
Ele se refere à pobreza histórica da região, a um ambiente que por décadas foi habitado por pouquíssimas grandes empresas - fatos que fazem de sua declaração uma manifestação do próprio orgulho. Ivens conseguiu tirar leite de pedra durante muito tempo, ganhou espaço com isso e aproveitou como poucos os sopros de crescimento do Nordeste brasileiro nos últimos dez anos.
As marcas da M. Dias Branco, seu principal negócio, já eram imbatíveis na região quando multinacionais como Kraft e Nestlé começaram a montar suas fábricas e investir agressivamente na região. Com os biscoitos Richester e os macarrões Fortaleza, a empresa é líder, dominando metade do mercado local.
Nos anos 90, o mais novo bilionário brasileiro da Forbes decidiu avançar para as regiões Sul e Sudeste e, em 2003, comprou a tradicional marca Adria. Hoje, a M. Dias Branco - com suas 12 fábricas, em sete estados - possui 25% do mercado nacional de massas e biscoitos.
Nos últimos oito anos, o faturamento da companhia triplicou, chegando a 2,9 bilhões de reais. A rentabilidade, de cerca de 20% ao ano, continua bem superior à média do setor, que varia de 5% a 8%, segundo os analistas.
Uma parte do sucesso da M. Dias Branco pode ser creditada a práticas que - até pouco tempo atrás - seriam consideradas obsoletas. Seu modelo de distribuição está concentrado em pequenos e médios varejistas, que normalmente negociam descontos menores que os grandes.
Ivens também insistiu na produção integrada. O grupo produz metade do volume que utiliza de farinha e gordura vegetal, suas principais matérias-primas. Desde 2001, Ivens é dono de um terminal portuário na Bahia. É lá mesmo que ele mói o trigo, transportado para a fábrica local por meio de esteiras.
Trata-se de um modelo de baixo custo, apoiado numa particularidade do Nordeste brasileiro: os agressivos incentivos fiscais usados por vários estados para atrair investimentos. Segundo estimativas de analistas, cerca de 40% do lucro da M. Dias Branco vem daí. 
O Nordeste na bolsa
É impossível calcular o valor adicionado pelo recente crescimento do mercado de consumo nordestino ao negócio de Francisco Ivens. Criada na década de 50 a partir de uma padaria em Fortaleza, a M. Dias Branco se tornou a empresa certa, no lugar certo, num momento em que investidores e multinacionais despertaram para o poder da nova classe média brasileira.
Por duas vezes, nos últimos cinco anos, Ivens foi sondado para vender sua empresa. A primeira oferta partiu da americana Kraft e, segundo pessoas próximas às negociações, não foi fechada por uma questão de preço. A segunda veio da  Pepsico - e também não prosperou.
Naquela altura, Ivens já havia se tornado o primeiro empresário do Nordeste a abrir o capital na Bovespa. Em 2006, no auge da onda brasileira de IPOs, captou 411 milhões de reais numa emissão secundária - e, assim, todo o dinheiro investido por seus novos acionistas foi parar diretamente em seu bolso. 
"Ele acreditava que estar na bolsa melhoraria a gestão, porque a cobrança por resultados é praticamente diária", diz José Vita, sócio do banco BTG Pactual, que estruturou a abertura de capital. Desde a estreia na bolsa, o valor de mercado da M. Dias Branco mais que dobrou, atingindo 5,5 bilhões de reais. 
Em 2010, a companhia fez uma nova oferta de ações, também secundária, para atender a uma exigência de liquidez do Novo Mercado. Com as duas operações, Ivens aumentou sua já considerável fortuna em cerca de 1 bilhão de reais. "Só fará sentido realizar uma oferta primária quando quisermos fazer uma grande aquisição", diz Geraldo Luciano Mattos, vice-presidente financeiro e o único executivo do alto escalão que não pertence à família Dias Branco. Seguindo a tradição patriarcal nordestina, os cinco filhos de Ivens trabalham no grupo.
O homem mais rico do Nordeste é um empreendedor típico, fruto de uma organização familiar. No início da década de 50, foi convencido pelo pai a abandonar a escola para trabalhar na rede de padarias da família - Ivens tinha, então, 18 anos e jamais terminaria o segundo grau. Foi dele a ideia de sair do varejo e montar uma fábrica de massas e biscoitos.
Hoje, seu maior desafio é acelerar a expansão da M. Dias Branco fora do Nordeste, em regiões onde a companhia não domina a cadeia de suprimentos. "A questão é como crescer mantendo as margens de lucro elevadas", diz Joseph Giordano, analista da corretora Raymond James.
Enquanto não resolve o problema, Ivens toca outros quatro negócios dentro de seu próprio território: um porto, uma empresa de cimentos, uma construtora e investimentos em hotéis. A cimenteira Apodi foi criada em meados do ano passado para competir no mercado nordestino com as gigantes Votorantim, Camargo Corrêa, Cimpor e Holcim.
Metade do investimento - de 600 milhões de reais - foi feita pelo empresário. O restante veio de investidores. Ivens é sócio do Aquiraz Riviera, um dos maiores empreendimentos turísticos da América Latina. Sua construtora, a Idibra, tem projeto de criar uma cidade planejada ao lado da sede da M. Dias Branco, no município de Eusébio, próximo de Fortaleza.
O porto de Aratu, na Bahia, foi concebido inicialmente para atender a M. Dias Branco, mas se tornou uma operação independente, que escoa para exportação a soja e o milho produzidos no oeste baiano. Hoje, esses negócios, somados, faturam pouco mais de 250 milhões de reais, uma fração da receita da M. Dias Branco.
"Mas, em dez ou 20 anos, essas empresas poderão dar tanto dinheiro quanto o restante do grupo", diz Ivens. Aos 77 anos, ele não tem um sucessor indicado para o mercado. Pessoas próximas apontam Ivens Júnior, vice-presidente industrial da M. Dias, como o candidato favorito. Seu estilo, dizem, é muito parecido com o do pai. Enquanto o momento da sucessão não chega, Francisco Ivens Dias Branco vai reinando em um recém-descoberto pedaço do Brasil.
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