sábado, 25 de fevereiro de 2012

4 ideias polêmicas do ?profeta do apocalipse? econômico

Megainvestidor britânico Jeremy Grantham diz que o mundo só pode abrigar adequadamente 1,5 bilhão de pessoas, contra os 7 bilhões que vivem atualmente por aqui

 O megainvestidor britânico Jeremy Grantham, dono do fundo de investimentos GMO, parece estar querendo entrar para o time no qual jogam os maias, Nostradamus e o apóstolo João. Em um artigo publicado recentemente no site do GMO, Grantham fez projeções dignas de um legítimo profeta do apocalipse.
As ideias do britânico, em certa medida, ressuscitam alguns pensamentos de um conterrâneo seu, o economista Thomas Malthus, que viveu no século XIX. Em sua época, Malthus afirmava que chegaria o tempo em que o crescimento populacional superaria a capacidade de produção de recursos no mundo.
Grantham não assina embaixo de todos os postulados de Malthus. Mas, ao que tudo indica, ele acredita que estamos mesmo cada vez mais próximos de viver a realidade que o economista previu há dois séculos.
Veja abaixo quatro ideias polêmicas (e nada confortadoras) do investidor:
Superlotação
Grantham afirma que o Planeta Terra tem capacidade para acomodar adequadamente um bilhão e meio de pessoas - bem abaixo dos cerca de sete bilhões que atualmente vivem por aqui. Para ele, não vai demorar muito para que o mundo comece a sofrer as consequências da escassez de terras, alimentos, petróleo e água potável.
Preços em alta
Para o megainvestidor, a tendência de queda nos preços das commodities acabou, e o quadro é irreversível. Ele explica que durante os últimos 100 anos os preços de commodities estiveram em tendência de queda, porque o avanço da tecnologia barateava os custos de extração e produção. Agora, entretanto, a tendência é de alta, na opinião de Grantham. 
O britânico usa o petróleo para exemplificar sua teoria. Ele diz que durante os últimos 100 anos, o barril de petróleo era negociado inicialmente em uma faixa que rodeava os 16 dólares. Depois, o valor de referência passou a 35 dólares e agora está na casa dos 75 dólares.
Segundo Grantham, entre 1930 e 1980, a taxa de consumo do petróleo permaneceu sempre abaixo do volume de descobertas de jazidas. Entretanto, a partir dos anos 1990, o cenário se inverteu, e a disparidade entre as duas taxas só tende a aumentar.
Mais bocas, menos comida
Uma história semelhante à do petróleo está para acontecer com as commodities agrícolas. Grantham diz que há 40 anos a taxa média de aumento da produtividade agrícola por hectare plantado no mundo era de 3,5%. A taxa de crescimento populacional, por sua vez, era de 2%.
Na última década, o avanço da produtividade agrícola chegou a 1,5%, praticamente a taxa atual de crescimento da população. Grantham acredita que a qualquer momento as duas linhas vão se cruzar.
O britânico lembra ainda que a produtividade da agricultura só não cai mais por causa do uso de fertilizantes. Entretanto, muitas matérias primas usadas para fabricar estes produtos são commodities (o potássio é um dos exemplos). Logo, o suprimento de fertilizantes também vai se esgotar, cedo ou tarde.
Culpa dos emergentes
Pode haver quem se pergunte a razão deste alarme estar soando na cabeça de Grantham apenas agora, se a população mundial cresce aceleradamente há pelo menos dois séculos. A resposta, segundo o investidor, é simples: a culpa é dos países emergentes.
O crescimento espetacular de países como China e Índia ajudou a aumentar a pressão sobre o mundo, já que acelerou o consumo dos recursos e o aumento da população mundial. Uma estimativa do GMO, fundo de investimentos de Grantham, dá alguns exemplos considerando o caso da China.
O país asiático consome 53,2% do cimento fabricado no mundo. Os chineses também são responsáveis por usar 47,7% do minério de ferro, 46,4% da carne de porco e 28,1% do arroz produzidos no mundo todo. 


Em 2050 o Japão terá um elevador espacial

Editora Globo

Passageiros do elevador serão transportados para 36mil km acima da Terra

Parece até coisa de ficção científica, mas a empresa japonesa Obayashi Corp. anunciou a construção de um elevador espacial, que deverá estar funcionando em 2050. A máquina conseguiria transportar 30 pessoas por vez, com uma velocidade de 200 km por hora para uma altura de 36mil km acima do nível do mar. Ou seja: cada viagem até o espaço irá durar sete dias. No topo, haverá uma estação para receber os passageiros. 

A Obayashi pretende usar nanotubos de carbono, 20 vezes mais fortes do que aço, para sustentar o elevador. Apesar do projeto estar em andamento, até agora a empresa não sabe estimar os custos do empreendimento. 

A companhia japonesa não seria a única a desenvolver essa ideia. No ano passado, o New York Times lançou boatos de que o Google X (laboratório de inovações da gigante da internet) também estaria projetando um elevador espacial. 
Revista Galileu Notícias

O cientista que sonha em mudar o mundo

Ele sonha mudar o mundo. de novo há 50 anos, suas invenções permitiram a criação de laptops e TVs de tela plana. Graças a ele, os celulares não perdem os dados quando a bateria acaba. Agora, Stanford Ovshinsky, 89 anos, quer transformar a energia solar em opção barata e acessível a todos

 "Instituto Para Estudos Amorfos" é o que se lê na placa em preto e branco colocada na antiga escola de ensino fundamental no arborizado subúrbio de Detroit, nos Estados Unidos. A frase tem um pouco de humor nerd. Os cientistas e engenheiros trabalhando ali sabem que ela deixa a entender que se trata de um instituto de pesquisa típico do Vale do Silício. Ao mesmo tempo,a placa é séria. É uma lembrança da descoberta sobre materiais amorfos feita há 50 anos por Stanford R. Ovshinsky. Apesar do nome estranho, o achado revolucionou a computação e possibilitou a invenção de produtos como chips de memória que não perdem os dados quando ficam sem energia e telas planas. Ou seja, é a base para a produção de gadgets que fazem parte do nosso dia a dia, como smartphones, laptops e TVs superfinas.
A descoberta de Ovshinsky criou um campo novo na ciência de materiais e seria apenas a primeira de muitas outras. Apesar de ter completado somente o ensino médio, o inventor já escreveu mais de 300 ensaios científicos, tem mais de 400 patentes em seu nome e recebeu dezenas de graduações honorárias, prêmios e elogios acadêmicos. Agora, aos 89 anos, criou uma nova empresa, a Ovshinsky Solar, que tem uma meta audaciosa: fazer com que o custo da energia solar seja mais barata do que a produzida com base em carvão.
A preocupação de Ovshinsky com o meio ambiente é antiga. Na década de 1960, muito antes da atual onda verde, ele e sua segunda mulher, Iris, abriram o Laboratório de Conversão Energética em Detroit. Já naquela época os Ovshinskys sonhavam com um mundo livre das guerras e da poluição causada pela dependência dos combustíveis fósseis. Iris tinha a formação acadêmica que faltava a Ovshinsky, incluindo um Ph.D em bioquímica pela Universidade de Boston. Juntos, criaram novidades na geração e no armazenamento de energia e em materiais sintéticos concebidos atomicamente, conhecidos agora como nanotecnologia.
"Há muito tempo escolhi energia e informação como os dois pilares da nossa economia", diz Ovshinsky. "Se você modifica a equação de energia para não usar mais carvão e evitar as mudanças climáticas, encerra uma era e abre outra totalmente diferente. Sou um ativista, mas arregaço as mangas e faço."

Ovshinsky cresceu em Ohio, nos Estados Unidos, filho mais velho de uma família de judeus que deixou a Europa em 1905. Seu pai, Benjamin, ganhou a vida catando restos de metal. O primeiro trabalho de Ovshinsky foi em lojas de máquinas e suas primeiras invenções eram de maquinário ferramental. O Benjamin Center Drive, torno mecânico automático que batizou com o nome do pai, foi usado para produzir munição de artilharia para a Guerra da Coreia. Mas Ovshinsky tinha outros planos. Autodidata, lia muito sobre pesquisas em neuropsicologia, cibernética e doenças neurológicas.
Apesar da falta de educação formal, Ovshinsky conseguiu fazer progressos nessas disciplinas da mesma maneira intuitiva que trabalhava com o maquinário ferramental. Seus textos, publicados em jornais científicos, confirmavam sua aptidão. Ao lado do irmão mais novo, Herb, um engenheiro mecânico, criou uma empresa chamada General Automation para pesquisar e desenvolver tecnologias de energia e informação. Juntos, construíram em 1959 um modelo mecânico de uma célula nervosa, uma chave de semicondutor batizada de Ovitron, em um processo pioneiro no uso de nanoestruturas.
Por si só, o Ovitron não tinha nenhuma aplicação prática. Mas, ao desenvolvê-lo, o inventor fez uma descoberta que iria definir sua carreira e transformar o termo "efeito Ovshinsky" em uma frase muito comum em livros de ciência. Durante os trabalhos ele percebeu que certos tipos de vidros finos, conhecidos como materiais amorfos ou desordenados, transformavam-se em semicondutores quando recebiam uma corrente de baixa voltagem.
"Foi tão revolucionário na época que as pessoas nos maiores laboratórios de pesquisas do mundo disseram que ele era maluco", afirma Hellmut Fritzsche, ex-chairman do departamento de física da Universidade de Chicago. Em pouco tempo, uma avalanche de físicos, químicos e engenheiros começaram a fazer peregrinações até o modesto laboratório de Ovshinsky. Entre eles estavam os jovens Robert Noyce e Gordon Moore, que planejavam abrir uma empresa para produzir memória para computadores - que se tornaria a Intel.

A descoberta impulsionou a carreira de Ovshinsky. Em 1963, ele apresentou sua primeira patente, que permitiu a criação de um novo tipo de memória para computador. Até então, os PCs usavam memória de acesso dinâmico randômico, ou DRAM. O problema é que os chips DRAM perdiam os dados quando ficavam sem energia. Já a memória de mudança de fase feita pelo inventor registra os dados ao alterar as características físicas do material semicondutor, e aquela mudança se mantém mesmo sem uma corrente elétrica. Graças à invenção de Ovshinsky, o celular não perde a agenda de contatos quando acaba a bateria.
Vinte anos depois, Ovshinsky começou a aplicar a tecnologia de materiais amorfos na produção de energia solar. Na época, as células fotovoltaicas tinham o tamanho de uma unha humana e eram produzidas a partir do silício cristalino, um material muito caro. Com certa desconfiança, Ovshinsky insistiu que materiais fotovoltaicos poderiam ser feitos de silício amorfo depositado em plásticos flexíveis a cada 1,5 quilômetro. Transformando isso em produção em massa, a Energy Conversion Devices passou por uma fase de rápido crescimento. O número de funcionários aumentou de duas dúzias para mais de mil. E o faturamento chegou à casa dos bilhões de dólares.
Apesar do sucesso, Ovshinsky não estava satisfeito. De olho na discussão sobre o aquecimento global e a dependência de produtos de petróleo, abriu em 2011 mais uma empresa: a Ovshinsky Solar. Ela foi fundada com investimento de 3,5 milhões de dólares do seu próprio bolso, e agora procura outros 16 milhões de dólares em investimentos para sair do estágio do conceito para criar uma pequena planta piloto.
Em 2012, vai precisar de mais 350 milhões de dólares. Tanto dinheiro tem como objetivo produzir uma máquina capaz de gerar 1 gigawatt por ano de energia solar, o que é mais do que a produção típica das usinas nucleares e mais de 30 vezes maior do que linhas de produção de qualquer fabricante de produtos fotovoltaicos. "Nossa tecnologia é um avanço de transformação em fotovoltaicos", afirma Ovshinsky. Os números ajudam a entender a novidade.
Sua pequena fábrica piloto manteve uma taxa de deposição do material semicondutor de mais de 300 angströms por segundo (cada angström corresponde a 0,00000001 centímetro). Hoje, as fábricas mais modernas conseguem algo entre 1 e 5 angströms por segundo. Tal aumento sozinho permitiria a construção de uma usina com capacidade de 1 gigawatt. A Ovshinsky Solar tem hoje oito funcionários. Eles trabalham em um pequeno laboratório sem nome, repleto de instrumentos e protótipos de equipamento para deposição de vapor que eles mesmos criaram.

Um labirinto confuso de aço inoxidável, o ambiente parece uma feira de ciências com esteroides. A empresa tem 14 patentes em avaliação, com mais uma a caminho. Mas, até que elas sejam garantidas, Ovshinsky é discreto. O grande avanço está baseado na invenção de um material amorfo completamente novo - e não na melhoria de algo que ele fez antes. "Se for para fazer alguma coisa nova, você precisa transpor barreiras", afirma.
Ovshinsky sabe que sua idade já está avançada e estruturou a nova companhia para funcionar sem ele. Mas também está claro que ele não pode trabalhar feliz sem um grupo de pessoas com ideias parecidas e que tentem levar seus conceitos para a frente. "Nunca fiz invenções pelos prêmios, pelo dinheiro ou pelo poder", diz Ovshinsky. "Fiz porque precisava ser feito e para ver um mundo melhor e mais bonito. Quando comecei, era um menino. Não pretendo parar agora.
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TV com Ginga será obrigatória só em 2013




O governo cedeu à pressão das fabricantes de TVs no Brasil e tornará obrigatória a inclusão do middleware Ginga nos televisores somente a partir de 2013.
Ginga é um programa brasileiro que permite criar interatividade entre o telespectador e a emissora por meio do sinal digital. Com o software o usuário poderá interagir em tempo real durante uma partida de futebol, por exemplo, respondendo a enquetes ou selecionando outro ângulo de exibição da partida.
A inclusão obrigatória do Ginga nos aparelhos de TV com tela de cristal líquido estava programada para junho deste ano e daria benefícios fiscais aos produtores no Processo Produtivo Básico (PPB).
Porém, as fabricantes alegaram ao governo que o sinal digital, que será obrigatório apenas em 2016, ainda não está presente em todas as cidades e que muitas emissoras ainda não possuem recursos de interatividade.
Além disso, segundo as fabricantes, os testes realizados com o Ginga só ficariam prontos em setembro deste ano, o que também impediria a inclusão do middleware antes do prazo estabelecido.
As fabricantes propuseram ao governo que aceitasse a instalação do Ginga a partir de outubro deste ano, porém somente para 10% dos televisores com acesso à internet, o que equivaleria a apenas 2% do total de TVs no país.
O governo não aceitou a proposta e tornou opcional a taxa de 10% para 2012, o que poderá ser abatido da produção relativa a 2013. No entanto, no próximo ano as empresas deverão então cumprir 75% da cota e em 2014 deverá aumentar para 90% dos televisores nacionais com Ginga.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Quando a Teoria resolve na Prática?

Quando um autor escreve uma obra, defendendo uma tese, seja do que for, que ele próprio vivenciou e testou é, muito confortante de ler. Não se recomenda ler um livro como se fosse uma "receita de bolo"; é só colocar em prática o que se leu pronto; resolvido o problema.
Isso é demasiadamente falso, não funciona dessa maneira, tão simples assim. A tese foi escrita noutra cultura, noutro ambiente e momento completamente diferente. Não devemos ser ingênuos a ponto de acreditar que naquela tese contém informações testadas pelo autor e que irá também solucionar os problemas da minha empresa. Recomenda-se sempre a refletir as soluções.
Peter Senge, autor do livro A Quinta Disciplina, acredita que a única fonte de vantagem competitiva é a capacidade de uma organização aprender mais rápido e melhor que seus concorrentes. O livro explora temas complexos como a gestão dos modelos mentais e o seu impacto nos processos de tomada de decisão. Na opinião de alguns, esse livro deveria ser leitura obrigatória para todo executivo ou empresário. 
Nesta obra Senge relata que infelizmente, as decisões de negócios ainda são muito embasadas em intuição ou experiências pessoais, e demonstra com clareza que o mundo está muito complexo para que decisões importantes sejam tomadas de forma simplista. Ele mostra que, é preciso refletir nos problemas, e estar muito atento às relações sutis de causa e efeito de um determinado acontecimento.
A obra também nos demonstra o quanto é importante corrigir as deficiências de aprendizagem em uma organização por meio do estímulo ao aprendizado coletivo e do pensamento sistêmico, ou seja, a capacidade de visualizar o todo. Ao invés de olharmos apenas para eventos isolados precisamos aprender a analisar as inter-relações entre eles. A Quinta Disciplina  é sem dúvida uma obra para se refletir o que causa uma situação de risco. Os assuntos tratados por Senge nos levam a uma profunda reflexão sobre nossa maneira de pensar e trabalhar.
Esse livro foi lançado nos anos noventa e como aprendizado é uma constante, e até hoje, vale sim, ler e aprender sempre.
Delano Amaral

Com um bom diagnóstico Você pode salvar sua empresa

Dr. House
Durante todos esses anos como consultor pude descobrir o maior pecado capital dos empresários e executivos: a falta de humildade. Isso é fato nas empresas, pois quanto mais tarimbado e bem formado for um executivo, mais riscos ele corre de afundar o navio que comanda, se não tiver humildade. A experiência juntamente com uma formação acadêmica sólida pode ser uma benção quando bem utilizada, entretanto, se levar ao excesso de confiança, o resultado pode ser catastrófico. Executivos arrogantes, a arrogância é irmã da incompetência, muitas vezes, acham que sabem tudo e costumam não escutar idéias ou sugestões de colegas, consultores externos e até mesmo de clientes. A vaidade toma conta de tudo, sem deixar espaço para outros pontos de vista sobre um determinado problema ou situação. Por tudo isso, acredito que a ferramenta de diagnóstico estratégico quando aplicada por consultores externos pode propiciar um raio-x preciso sobre uma empresa. Um diagnóstico bem realizado oferece aos gestores a oportunidade de analisar os problemas e as oportunidades de negócio de um outro ângulo, identificar rupturas e, principalmente, criar um panorama de reflexão muito mais amplo. Com isso, podemos enriquecer substancialmente o processso de tomada de decisão, bem como a qualidade das estratégias a serem formuladas.
Hoje, as empresas gastam 95% de seu precioso tempo em questões táticas e operacionais. Quais as chances de uma empresa sozinha, apenas com seu staff interno, pensar e decidir adequadamente em todas as variáveis estratégicas de um negócio? Torna-se óbvio, que o resultado disso são estratégias equivocadas que levam ao fracasso. Por essa razão, o diagnóstico externo mostra-se como a primeira parte da resposta, pois a segunda só virá por meio de estratégias bem formuladas dentro de um contexto real para serem implementadas. Com a era da inteligência coletiva nos dias atuais, o individualismo já não produz os mesmos resultados de antigamente, se é que algum dia os produziu.
Delano Amaral

domingo, 19 de fevereiro de 2012

RIO+20 precisa considerar os limites do planeta

 Em janeiro, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou o primeiro esboço da declaração final da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável (RIO+20), que será realizada no Brasil em junho.
O documento, no entanto, deveria destacar de forma mais clara e objetiva o princípio de que há um limite natural para o planeta - um conceito central para o desenvolvimento sustentável. A opinião é de Carlos Alfredo Joly, titular do Departamento de Políticas e Programas Temáticos (DEPPT), a Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e coordenador do programa BIOTA-FAPESP.
"O principal problema com o documento é o fato de não partir do princípio de que há um limite natural para o planeta, e que inevitavelmente teremos que nos adaptar à sua capacidade de suporte. Este é um conceito chave do desenvolvimento sustentável, que não está posto de forma clara e objetiva em parte alguma do documento. Partir desse princípio pode ser a única chance para que a RIO+20 alcance objetivos palpáveis", disse Joly à Agência FAPESP.
Outras autoridades e especialistas ambientais também criticaram o documento. O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, contou à Folha de S. Paulo, em reportagem publicada em 8 de fevereiro, que os membros da comissão nacional que discute a RIO+20 pediram maior detalhamento dos objetivos de desenvolvimento sustentável no texto do esboço, além da inclusão de menção a padrões insustentáveis de produção e consumo.
Produzido por uma comissão da ONU envolvendo estados membros, agências internacionais, organizações não governamentais e grupos políticos, o documento, intitulado Zero Draft ("Esboço Zero"), também foi criticado publicamente por autoridades ambientais da Europa, mas em sentido oposto: elas atribuem "falta de foco" ao texto, já que ele estabelece como prioridades da conferência temas como economia verde e desenvolvimento sustentável.
Segundo os europeus, a conferência deveria ter mais foco na questão ambiental propriamente dita e na reorganização institucional dos órgãos internacionais voltados ao tema.
A ministra francesa do Meio Ambiente, Nathalie Morizet, disse ao jornal O Estado de S. Paulo, em reportagem publicada no dia 1º de fevereiro, que "quanto mais falamos sobre crescimento verde e menos sobre governança, mais estamos perdendo o foco". Jean Jouzel, vice-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), também afirmou que a RIO+20 precisa ser "mais conclusiva e menos filosófica".
A divergência de pontos de vista, segundo Joly, confere ainda mais importância ao evento que será realizado conjuntamente pelo BIOTA, pelo Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e pelo Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais nos dias 6 e 7 de março.
Segundo Joly, o BIOEN-BIOTA-Climate Change Joint Workshop: Science & policy for a greener economy in the context of RIO+20 foi planejado para que a comunidade científica possa discutir os temas da Rio+20.
No dia 8 de março, a comissão brasileira que discute as sugestões para o documento final da RIO+20 se reunirá novamente. As sugestões da reunião serão compiladas pela secretaria executiva brasileira, que condensará um novo texto para encaminhar à ONU.
"O workshop trará algumas lideranças internacionais centrais para esse processo de discussão e será uma grande oportunidade para avançar. De agora em diante, as delegações vão trabalhar no Zero Draft até a 3ª Conferência Preparatória da Rio+20, que será realizada entre 13 e 15 de junho no Rio de Janeiro. Uma vez que se chegue a um acordo, o documento será aprovado pelos chefes de Estado na conferência, de 20 a 22 de junho", disse Joly.
Capacidade de suporte
De acordo com Joly, que é professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o tema da capacidade de suporte da Terra, longe de ser uma "discussão puramente filosófica", é justamente a maior promessa de resultados concretos para a conferência.
Se os chefes de Estado reunidos no Rio de Janeiro em junho de 2012 aprovarem o princípio dos limites na capacidade de suporte da Terra, segundo Joly, isso levará a uma mudança de paradigmas que definirá uma nova trajetória para o planeta.

"Concretamente, esse me parece o único objetivo palpável que a RIO+20 poderá alcançar. Sem o reconhecimento desses novos conceitos, como Economia Verde, a criação de novas estruturas, assim como a reorganização institucional da área ambiental das Nações Unidas, na melhor das hipóteses, apenas retardará o colapso ambiental", afirmou.
Segundo ele, o Zero Draft deveria ter já em seu preâmbulo do documento, cujos tópicos descrevem o cenário no qual ocorre o debate, uma menção clara ao limite natural da capacidade de suporte do planeta.

"Trata-se de uma questão extremamente concreta. Se esse princípio constar no introito do documento, a discussão já se desenvolverá com um sentido completamente diferente. Se todos os países endossarem a posição de que temos um limite de esgotamento do planeta, as convenções terão que trabalhar necessariamente nessa base. Isso determinará a agenda de como vamos modificar nossos padrões de destruição dos habitats, da biodiversidade, dos serviços ecológicos, de emissão de gases de efeito estufa e assim por diante", explicou.
Apesar das limitações, o Zero Draft também tem pontos positivos, na avaliação de Joly, que elogiou o documento por fazer significativas referências ao avanço científico e tecnológico na promoção do desenvolvimento sustentável.
"O texto reafirma a importância da transferência de tecnologia para que todos os países possam avançar mais rapidamente nessa direção. Reforça também a necessidade da colaboração científica entre países, sem perder o foco nas soluções e inovações locais", disse.
Outro aspecto positivo é que o esboço aponta para a necessidade de ampliação do relacionamento entre a comunidade científica e os formuladores de políticas e tomadores de decisão. "Ele reconhece que as decisões governamentais na área ambiental devem, cada vez mais, basear-se no resultado de pesquisas científicas", afirmou.
A participação da comunidade científica será determinante para o aprimoramento do documento, que será objeto de intenso debate nos próximos meses.
Segundo Joly, para ser endossado por mais de 190 países, o documento final terá que conciliar posições amplamente divergentes. Mas discutir a questão de governança e a reformulação dos órgãos da ONU será tão importante como priorizar os temas do desenvolvimento sustentável e da Economia Verde.
"Por enquanto, o texto está muito parecido com o do documento final da RIO+10, realizada na África do Sul em 2002, que teve impacto muito baixo fora dos meios diplomáticos e frustrou as expectativas de todos. Na RIO+20 não teremos a assinatura de nenhuma nova convenção, portanto o mínimo que precisamos fazer é propor uma agenda muito clara. É isso que vamos discutir intensamente no workshop da FAPESP, em março", destacou.
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