quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Rio+20 inicia contagem regressiva por economia verde

 A Cúpula de Desenvolvimento Sustentável Rio 20, que a ONU realizará em junho no Brasil, começou a contagem regressiva para conduzir o mundo em direção a uma nova economia verde e social.
O primeiro esboço do documento da conferência, intitulado "O Futuro que Queremos", divulgado há uma semana, é, por enquanto, uma vaga declaração de princípios, embora indique o caminho: o compromisso para que o mundo faça uma transição em direção a uma "Economia Verde" que integre a luta contra a pobreza e o respeito ao meio ambiente.
"A grande oportunidade da cúpula Rio 20 será a de assentar as bases para uma maneira diferente de conceber e medir nossa economia: o que precisamos é de uma economia que seja medida pelo bem-estar que produz", disse à AFP o diretor da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi, que na Cúpula da Terra, realizada há 20 anos, liderou o comitê da sociedade civil.
A crise econômica no mundo e o esgotamento dos recursos alimentaram um "desencanto geral com o paradigma econômico dominante" e o que o mundo precisa é de outro "paradigma no qual a riqueza material não tenha que ser obtida às custas da escassez ecológica e de disparidades sociais", afirma o documento da agência da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA).
O documento base para a Rio 20 reconhece as "limitações" do PIB como sistema único para medir a riqueza dos países e propõe criar "indicadores complementares que integrem as dimensões econômica, social e ambiental".
Uma das grandes propostas é que sejam definidos "Objetivos do Desenvolvimento Sustentável" que obriguem os países a assumir metas de segurança alimentar, acesso à água, empregos verdes e até mesmo "padrões de produção e consumo sustentável", entre outros.
Em 2000, 192 países assinaram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, destinados a erradicar a pobreza. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável seriam complementares, embora, por enquanto, não esteja prevista sua adoção em junho, mas uma definição, já que esta não será uma cúpula de "acordos vinculantes", afirmou na semana passada a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
 A abordagem de "objetivos como segurança alimentar, acesso à energia renovável ou cidades sustentáveis (entre outros), significa uma atualização de quais são as necessidades do desenvolvimento sustentável", explica Jacob Werksman, diretor do programa de Governança da organização de especialistas americanos World Resources Institute (WRI), para quem o texto divulgado, no entanto, é vago e carece da força de uma declaração final.
"Esta primeira versão do documento da Conferência está no rumo certo, mas com a magnitude equivocada", avaliou o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que considera que os compromissos dos governantes esperados na Cúpula Rio 20 em junho precisarão ser muito maiores.
Esta será a quarta cúpula mundial vinculada ao meio-ambiente depois de Estocolmo, em 1972, Rio, em 1992, e Johannesburgo, em 2002. Além de governantes, participam milhares de representantes da sociedade civil e empresarial.
Há 20 anos, a Cúpula da Terra Eco 92 reuniu mais de 100 governantes do planeta. Mas a menos de seis meses desta Rio 20 e em meio à atual crise econômica, não se sabe se os líderes mundiais comparecerão em massa, como fizeram na anterior, e o grau de compromisso que estarão dispostos a assumir.
Uma questão, por exemplo, é se o presidente da maior economia do planeta, Barack Obama, se aventurará em plena campanha eleitoral a um tema antipático aos hostis concorrentes republicanos.
"Queremos uma conferência que seja um sucesso. Isso exigirá uma participação intensa - ao mais alto nível de chefes de Estado - e um resultado forte" que leve a "um documento político relevante com ações concretas, (...) um documento cheio de generalidades não nos serve", expressou à AFP o diretor do Centro de Informação da ONU no Brasil, Giancarlo Summa.
Exame

Esposa de Strauss-Kahn dirigirá Huffington Post francês

Paris - A jornalista francesa Anne Sinclair, esposa do ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, dirigirá a versão em francês de The Huffington Post, anunciou nesta quarta-feira o site do jornal.
O Huffington Post está associado ao jornal Le Monde em sua versão em francês, como com o El País para a versão em espanhol.
Anne Sinclair, Arianna Huffington, a fundadora do site, David Kessler, diretor de edição da versão francesa, e o redator-chefe Paul Ackermann, apresentarão na próxima segunda-feira a versão francesa do Huffington Post.
Comprado pela empresa AOL por 315 milhões de dólares em fevereiro, The Huffington Post recebe 37 milhões de visitantes exclusivos mensais, segundo a empresa de mercado com Score.
Le Monde

Fundos de pensão não batem suas metas e ampliam o risco

stock.xchng
O cenário de juro baixo e inflação ainda acima do centro da meta para este ano promete tirar de vez as fundações da comodidade oferecida pelo alto rendimento dos títulos públicos. Com as políticas de investimentos passadas em revista após um ano em que a maioria não bateu a meta atuarial - rentabilidade mínima necessária para garantir o pagamento futuro dos benefícios -, os fundos de pensão começam 2012 dispostos a trocar parte dos títulos públicos em carteira por ativos de maior risco. E maior rentabilidade.
Nos últimos dez anos, os fundos de pensão não bateram suas metas atuariais em três ocasiões: 2002, 2008 e 2011. Em 2008, ano da eclosão da crise financeira, a rentabilidade das fundações foi negativa em 1,62%, enquanto o INPC mais 6%, meta atuarial usada pela maioria dos planos fechados de previdência, foi de 12,87%. Antes disso, em 2002, ano da crise argentina e da eleição de Lula no Brasil, a rentabilidade foi de 16,6%, ante meta de 21,62%.
Até setembro do ano passado, último dado da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), a rentabilidade era de 4,43%, enquanto o INPC mais 6% era de 9,28% no mesmo período. Naquele mês, a Abrapp já admitia que as fundações não conseguiriam atingir suas metas no ano.
"O conforto da renda fixa acabou", decreta Eustáquio Lott, diretor superintendente da Valia, fundo de pensão dos funcionários da Vale. Lá, a meta é reduzir o percentual de títulos públicos de sua carteira de R$ 14,6 bilhões dos atuais 62% para 57%, num horizonte de cinco anos.
No lugar, entram aplicações em imóveis e investimentos estruturados, como Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Segundo Lott, os FIPs representam 2,5% da carteira da fundação e devem mais que dobrar nos próximos cinco anos, para até 6%. O foco é em projetos de infraestrutura e em fundos que visem ganho por meio da implementação de governança corporativa em companhias fechadas. Em imóveis, a Valia pretende sair de 5,9% para até 8%.
Segundo os últimos dados da Abrapp, de junho de 2011, os recursos das fundações estavam distribuídos da seguinte forma: 60,9% em renda fixa, 30,4% em renda variável, 3,1% em imóveis, 2,6% em empréstimos para participantes, 2,6% em investimentos estruturados, 0,1% em investimentos no exterior e 0,2% em "outros". Até junho, o setor acumulava R$ 565 bilhões em ativos.
Com a queda de 18,1% do Ibovespa no ano passado, as fundações estão focando na aquisição de participações mais relevantes em empresas de capital aberto. É o caso da Petros, dos funcionários da Petrobras, que está atenta às "pechinchas. A fundação busca replicar a compra de participação dos cerca de 12% que fez via bolsa na Itaúsa, holding de participações não-financeiras do grupo Itaú, no apagar das luzes de 2010.
Segundo Carlos Santos, diretor de investimentos da fundação, com a cena internacional mais acomodada e a força do consumo no Brasil, a perspectiva é de valorização dos ativos. Mesmo assim, não há pressa para encontrar o que a Petros procura.
"Ainda tem um 'gap' entre os fundamentos e a leitura que o mercado faz dos ativos. Por mais um ou dois anos vamos ver boas oportunidades na bolsa."
Com 35% de seu patrimônio de R$ 54 bilhões em renda variável, a fundação também vai atuar no ajuste mais fino de sua carteira de giro, de aproximadamente R$ 4,5 bilhões. Ainda que se procure manter a diversificação, a ideia é ter pelo menos 1,5% de cada papel. "Ou faço exposição maior, ou saio do papel", diz Santos.
No Real Grandeza, fundo de pensão dos funcionários de Furnas, há espaço para crescer em bolsa, dos atuais 17,1% para até 20% do patrimônio de R$ 9,2 bilhões, no seu principal plano. O salto, porém, será dado em investimentos estruturados, que ainda este ano devem sair de 1,2% para pelo menos 6%. Com sorte, a Real Grandeza irá a 7%, mas para isso precisa encontrar projetos que atendam os seus critérios, segundo o diretor de investimentos do fundo, Eduardo Garcia.
A fundação reserva um cacife de R$ 640 milhões para fundos de participações (FIPs). Em 2011, só conseguiu encontrar dois fundos para investir, um de óleo e gás e outro de logística de portos. Enquanto não encontra projetos, os recursos são aplicados em operações compromissadas.
Na Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, que tem patrimônio de R$ 150 bilhões, a bolsa não mete medo. De acordo com a política de seu principal fundo, o limite máximo de aplicação em renda variável é de 63% do patrimônio. Hoje, essa fatia já gira ao redor de 60%, e, segundo o diretor de planejamento, Vitor Paulo Camargo Gonçalves, a queda da bolsa não feriu muito a performance, pois a carteira não é atrelada ao Ibovespa. Ainda assim, para 2012 a fundação tem perspectiva positiva para o índice.
Além de apostar em ações a longo prazo, a Previ quer apimentar sua rentabilidade com investimentos imobiliários. A carteira pode se ampliar de aproximadamente 4% para 6% do total, mas a partir de agora a Previ quer também diversificá-la. "Vamos atrás de fundos de investimento para buscar descentralização no país. [Nossa carteira] está muito concentrada em Rio e São Paulo", diz Camargo Gonçalves.
A Fundação Cesp, dos funcionários da companhia de energia elétrica, conseguiram bater sua meta de 2011, de IGP-DI mais 6% (equivalente a 11,3%) justamente por seus ganhos com títulos de dívida emitidos por empresas e bancos (crédito privado), participações societárias relevantes e imóveis. "Pelos cálculos preliminares, devemos fechar 2011 com rentabilidade de 13,2%", diz Jorge Simino, diretor de investimentos do fundo.
Para este ano, o plano é continuar a investir em crédito privado e mudar um pouco a alocação em renda variável, aumentando a aposta em carteiras de dividendos. A política de investimentos da fundação prevê alocação de até 28% dos ativos em renda variável. Hoje, a participação é de 22,4%. "Em crédito privado o desafio é buscar taxa mantendo a qualidade de crédito", diz Simino.
Simino espera um ano positivo para renda variável. "Os múltiplos das ações não estão esticados e as expectativas sobre o lucro das empresas estão mais realistas", avalia o diretor. Ele lembra que em 2011 os analistas começaram o ano muito otimistas e, ao longo dos meses, foram diminuindo as previsões para o lucro das empresas. "Este ano o mercado está mais pessimista e as revisões devem ser para cima."
No caso da Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF), a ampliação da alocação em renda variável será pequena, em torno de 2 pontos percentuais, e, ainda sim, apenas para os planos mais novos, que concentram participantes mais jovens e vão receber benefícios num prazo mais longo. Para se preparar para a queda da Selic, desde 2004 a fundação tem mudado o perfil da carteira de títulos públicos. "Naquele ano nossa carteira era 50% atrelada à Selic. Hoje são 8%", conta Demósthenes Marques, diretor de investimentos.
Valor Econômico

Apple retorna ao topo das empresas mais valorizadas do mundo

Jerome Favre/Bloomberg



Com um resultado acima do esperado pelos analistas no último trimestre de 2011, divulgado nesta terça-feira, a Apple voltou a ultrapassar a Exxon e tornou-se a empresa mais valorizada do mundo. Com um aumento de quase 8% no valor de suas ações (às 21h24), a companhia chegou a uma valorização de US$ 421 bilhões nas transações que acontecem após o fechamento do mercado nesta terça-feira, o after hours. A Exxon tinha valor de US$ 419 bilhões.
A valorização dos papéis da companhia foi impulsionada pelo resultado acima do esperado no último trimestre de 2011: a companhia reportou aumento de 73% no faturamento e de 118% no lucro. As vendas de iPhones, o principal produto da Apple hoje, subiram 128%, para 37 milhões de unidades. O resultado superou a estimativa dos analistas, que esperavam algo próximo a 30 milhões.
No último trimestre de 2011, as vendas na categoria de smartphones cresceram 40%, segundo Peter Oppenheimer, principal executivo de finanças da companhia, durante conferência com analistas. "Poderíamos ter vendido mais se tivéssemos estoque", disse o executivo-chefe da companhia, Tim Cook.
Segundo Oppenheimer, a Apple encerrou 2011 com US$ 97 bilhões em caixa, um incremento de US$ 16 bilhões na comparação com o trimestre finalizado em setembro. De acordo com o executivo, a companhia tem analisado todas as alternativas para uso do dinheiro (recompra de ações, aquisições, distribuição de dividendos). "Não queremos que esse dinheiro fique mofando no nosso bolso", afirmou.
Para o primeiro trimestre de 2012, a Apple espera que as vendas cheguem a US$ 32,5 bilhões.
Valor Econômico

Hackers de aluguel se espalham pela Web


Bassam Alghanim, um bilionário do Kuwait, recebeu recentemente, em sua casa em Los Angeles, um telefonema alarmante de um sócio: centenas de e-mails pessoais deles haviam sido publicadas on-line para qualquer um ver.
Alghanim verificou e constatou que a informação era verdadeira, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. Os e-mails incluíam informações sobre suas finanças pessoais, assuntos jurídicos, até mesmo contas de farmácia, disse essa pessoa.
Isso o levou a outra surpresa. Alghanim descobriu que a pessoa que supostamente encomendou o trabalho de hackers foi o próprio irmão, com quem está em uma acirrada batalha sobre como dividir bilhões de dólares em bens comuns. Advogados de Alghanim alegam, em documentos judiciais, que o irmão dele contratou investigadores para acessar ilegalmente sua conta de e-mail com a ajuda de hackers chineses. O custo para contratar os hackers: cerca de US$ 400.
Reuters
O bilionário kuwaitiano Kutayba Alghanim, que teria contratado hackers para copiar emails de seu irmão, Bassam
Embora a disputa entre os irmãos envolva muito dinheiro, documentos arquivados em dois processos cíveis em setembro de 2009 dão uma mostra do como a espionagem on-line está se tornando simples e acessível. Especialistas em computação forense dizem que alguns hackers de aluguel anunciam seus serviços abertamente em mercados on-line. "Não é difícil encontrar hackers", diz Mikko Hyppönen da empresa de segurança de informática F-Secure Corp.
Um desses sites, o hiretohack.net, anuncia serviços on-line afirmando que são capazes de "desvendar" senhas de contas de e-mail em menos de 48 horas. O site diz que cobra um mínimo de US$ 150, dependendo do provedor de e-mail, da complexidade da senha e da urgência do trabalho. O site se descreve como um grupo de estudantes de tecnologia na Europa, Estados Unidos e Ásia.
Não foi possível verificar imediatamente a veracidade das promessas do hiretohack.net, e o grupo não respondeu a um pedido de comentário.
Mischel Kwon, que dirige uma empresa de consultoria de segurança e é ex-diretor da Equipe de Prontidão para Emergências Informáticas dos EUA, uma organização governamental conhecida como US-Cert, diz que a indústria de hackers de aluguel está bem estabelecida. Algumas são firmas de uma ou duas pessoas, mas há também grupos maiores de "crime organizado", disse ela. Kwon e outros especialistas notam que também é fácil encontrar ferramentas on-line que ajudam a invadir o e-mail de alguém.
A questão da espionagem on-line e de "hacking" vem ganhando destaque recentemente. Em dezembro, o The Wall Street Journal noticiou que hackers na China violaram as defesas dos computadores da Câmara de Comércio dos EUA. Em novembro, um tribunal de Paris multou o gigante francês de eletricidade Electricité de France S.A. em 1,5 milhão de euros, ou cerca de US$ 1,9 milhões, sob a acusação de contratar um investigador para invadir os computadores do grupo ambientalista Greenpeace, em 2006. No Reino Unido, as autoridades estão investigando alegações de invasão de computadores e telefones pelo tabloide recentemente fechado "News of the World", do grupo News Corp. A News Corp., que diz que está cooperando com a polícia, também é dona do The Wall Street Journal.
A China parece ser fonte de uma proporção significativa de ataques. A Agência Nacional de Contrainteligência dos EUA informou num relatório de outubro de 2011 ao Congresso americano que dados econômicos e tecnologia são alvos tanto da indústria como do governo de dezenas de países, mas que os invasores com base na China "são os autores mais ativos e persistentes do mundo da espionagem econômica".
Um relatório do governo britânico tentou expor o problema em números no ano passado. Ela estimou que a espionagem informática industrial custa a empresas britânicas cerca de 7,6 bilhões de libras esterlinas, ou cerca de US$ 11,8 bilhões, por ano em perda de informações que poderiam prejudicar as chances de uma companhia de ganhar licitações públicas, e perda de informações relacionadas a fusões e aquisições. O roubo cibernético de propriedade intelectual custa às empresas outras 9,2 bilhões de libras anualmente, calcula o estudo.
A dimensão do problema é subestimada, porque muitas vítimas relutam em denunciar ataques para proteger sua reputação. A guerra entre os irmãos Alghanims, no entanto, oferece uma oportunidade rara de ver em detalhes alegações de espionagem on-line.
A disputa entre os dois irmãos envolve a divisão de um império de negócios originalmente fundado pelo pai deles. Os irmãos, Kutayba e Bassam, de 66 anos e 60, respectivamente, são ambos cidadãos do Kuwait educados nos EUA.
As alegações de invasão do e-mail são detalhadas em um informe litigioso apresentado por Bassam no Reino Unido e nos EUA. Segundo os informes apresentados por ele ao tribunal, seu irmão mais velho, Kutayba Alghanim, junto com o filho desse irmão e o diretor jurídico da empresa, supostamente roubaram milhares de páginas de e-mails ao longo de mais de um ano.
O advogado de Bassam disse que seu cliente "ficou horrorizado ao descobrir que a privacidade das suas contas de e-mail tinha sido comprometida".
Um advogado que representa Kutayba e seu filho não quis comentar sobre as alegações de invasão de e-mail, nem liberar seus clientes para comentar o assunto. Um advogado que representa o diretor jurídico do filho não quis comentar. No processo aberto nos EUA — em que os três homens são citados como réus — ninguém se referiu às alegações de invasão de e-mail. Nenhum dos três foi citado como réu no processo aberto no Reino Unido.
Bassam mora em Los Angeles, enquanto Kutayba e seu filho vivem sobretudo no Kuwait, mas mantêm residências nos EUA, incluindo uma mansão em Manhattan de 1.500 metros quadrados e uma propriedade na região metropolitana de Nova York de 200.000 metros quadrados, segundo informes legais de Bassam. A luta entre os dois irmãos já incluiu um processo civil na Suprema Corte do Reino Unido e outro processo, separado, no Tribunal Federal dos EUA em Nova York.
No Reino Unido, um juiz concluiu recentemente que os dois réus deste processo, ambos investigadores britânicos, organizaram a invasão do e-mail. Nessa decisão de outubro, o juiz Peter Smith também disse que as evidências mostravam que os ataques eram feitos sob a direção de Kutayba, seu filho e o diretor jurídico, embora estes não fossem réus nesse processo.
"Está claro, conforme as provas que tenho", que os três organizaram a invasão dos computadores, disse Smith em sua sentença.
No processo civil nos EUA, Kutayba, seu filho e o diretor jurídico são citados como réus. Documentos arquivados na corte federal de Nova York alegam que os três dirigiram as invasões e violaram leis estaduais e federais, incluindo uso indevido do computador.
Um dos dois detetives particulares reconheceu perante o tribunal do Reino Unido que tinha invadido o e-mail de Bassam, dizendo que fez isso sob as ordens do segundo investigador. Depois que o primeiro investigador começou a cooperar com os advogados de Bassam, o processo legal contra ele foi suspenso. O segundo investigador negou ter invadido; o juiz considerou que ele tinha violado as leis civis sobre privacidade e confiança.
Os informes legais de Kutayba argumentam que o irmão está tentando evitar acordos anteriores que exigem que a disputa pela divisão dos ativos seja tratada por um árbitro do Kuwait. "Bassam fez tudo ao seu alcance para evitar suas obrigações, inclusive sua obrigação de arbitrar", disse Kutayba nos informes ao tribunal americano.
Em novembro, em Nova York, o juiz suspendeu o processo americano, na pendência de uma decisão de um árbitro do Kuwait sobre o litígio.
THE WALL STREET JOURNAL

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Corretoras Futura e Pax se unem na negociação via sistema home broker


A corretora Futura e a Pax, maior corretora do Nordeste, do grupo da rede de farmácias Pague Menos, se uniram na negociação de ações via home broker - sistema em que a pessoa física atua na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) diretamente, via internet. Com acordo, a Pax passará a usar a plataforma eletrônica da Futura no home broker - a Futura Online.
A migração dos clientes pessoa física do home broker da Pax para o da Futura vai ocorrer em 1º de janeiro. Esse é o segundo passo no processo de aproximação entre as duas corretoras, uma vez que a Pax já atuava na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) por meio da Futura.
De qualquer forma, o diretor da Futura, André Ferreira, afirma que não existem planos de uma fusão total entre os negócios das duas corretoras.
"A Pax, por exemplo, continua atuando sozinha no Nordeste, fazendo todo tipo de negócio que é permitido à uma DTVM (distribuidora de títulos e valores mobiliários). Enquanto que nós continuamos ter as nossas próprias operações no Sudeste", explica Ferreira.
Segundo ele, o objetivo da Pax com o negócio é reduzir seus custos operacionais. Já para a Futura o maior interesse está na base de clientes pessoa física da Pax no Nordeste.
"Essa é uma região com um bom potencial e a união com a Pax é uma forma de chegarmos lá", explica o diretor da Futura.
Vale lembrar que a rede de farmácias Pague Menos tem mais de 500 lojas, que atendem em média 8 milhões de clientes por mês. De largada, a corretora nordestina vai agregar à plataforma home broker da Futura, que já possui 2,5 mil clientes pessoa física, aproximadamente 1,5 mil novos investidores.
"Em cifras, isso deve significar um incremento entre R$ 150 milhões a R$ 200 milhões no nosso volume mensal de negócios na Bovespa, que hoje gira em torno de R$ 1,5 bilhão", estima Ferreira.
A corretora Futura atua no mercado futuro na BM&F desde 1986 e passou a opera na Bovespa a partir do segundo semestre de 2009.
Valor Econômico

Ano começa fraco, mas promete mais atividade com cisões de empresas


Feliz Ano Novo! Ou talvez não tão feliz aos dedicados a fechar negócios, que estão passando pelo início mais contido para um janeiro, em cerca de oito anos. É certo que estamos muito no início de 2012, mas os dirigentes dos bancos, que esperavam que o champanhe da festa lavaria as preocupações corporativas com a crise da zona do euro e com a recuperação da economia, se decepcionaram. Em vez disso, este ano começou em boa medida da maneira como o ano passado acabou: parado, incerto e com os fundamentos econômicos de uma recuperação na área de fusões e aquisições a postos, mas com pouco a mostrar.
Os banqueiros estão apostando que sólidas demonstrações de resultados e a necessidade de crescer levarão as empresas, principalmente nos Estados Unidos, a agir rapidamente quando a crise da dívida da União Europeia (UE) estiver mais próxima de ser solucionada e quando a sombra da incerteza se dissipar.
O que mais 2012 poderá trazer, no universo das fusões e aquisições? Em primeiro lugar, os desmembramentos corporativos se manterão na ordem do dia.
O ano passado assistiu a uma enxurrada de empresas optando por vender ou desmembrar divisões discrepantes como unidades independentes, na tentativa de chegar a um novo foco corporativo. Essa tendência deverá persistir ou se acentuar ainda mais. A premência da cisão foi, até agora, capitaneada pelo setor de petróleo e gás, com empresas como a ConocoPhillips, a Marathon e outras optando por separar suas divisões de exploração e produção das de estocagem, transporte e comercialização, numa guinada fundamental de modelo de negócios.
Agora, dizem assessores financeiros, as empresas de todos os setores, desde o de assistência médica até o de mídia, bem como as diferentes candidatas óbvias, estão avaliando se uma cisão é recomendável.
Em segundo lugar, os acionistas ativistas terão muito o que fazer. A moda das cisões corporativas caiu do céu para os acionistas barulhentos que tentam se beneficiar de avaliações depreciadas. Pressionar por mais alavancagem, ou mesmo por uma venda, caiu em desgraça. Mas os ativistas vão continuar a conclamar as empresas a reexaminar a composição de sua carteira. Ao mesmo tempo, fazer lobby por melhorias de governança corporativa também está em alta. No entanto, um menor número de campanhas ativistas vai resultar em disputas declaradas de votos por procuração que visem substituir o conselho de administração da empresa pretendida.
Contudo, argumentam os especialistas, os investidores vão examinar as propostas desses ativistas com um olhar mais cético.
Em terceiro lugar, os que pretendem fechar negócios vão ficar mais agressivos. Na calmaria da realização de operações observada na virada do ano, foi digno de nota que duas situações hostis vieram a público. A Martin Marietta fez uma oferta não solicitada de US$ 4,7 bilhões pela concorrente de agregados para construção civil Vulcan Materials e na semana passada a Westlake Chemical divulgou sua oferta de US$ 1,1 bilhão pela compra de sua congênere Georgia Gulf.
Esses não são os meganegócios pelos quais as empresas de assessoria aguardam. Mas sugerem, segundo os executivos dos bancos, que com a recuperação dos mercados haverá mais compradores potenciais do que vendedores. E os que veem a área de fusões e aquisições como estratégia decisiva, principalmente para proteger as empresas contra a longa penúria da lentidão econômica, podem não estar preparados para esperar.
Análise elaborada pelo grupo de estratégia financeira do Citigroup apontou que as empresas que compraram em períodos de alta volatilidade do mercado viram o desempenho de suas ações superar a média em 18%, mais do que os compradores dos mercados mais calmos. A impaciência, então, pode ser recompensada.
Em quarto lugar, a política antitruste vai ganhar mais corpo no pensamento dos potenciais compradores. O ano passado foi mais notável para os acordos que não aconteceram do que para os que cruzaram a linha de chegada. A audaciosa oferta da Nasdaq OMX pela compra da Nyse Euronext foi vetada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que, posteriormente, obstruiu o maior negócio do ano, barrando a parceria, de US$ 39 bilhões, entre a AT&T e a T-Mobile USA.
Com o novo ano em curso, o negócio da Nyse com a Deutsche Börse parece ameaçado por causa dos reguladores europeus, e a compra da Medco pela Express Scripts, por US$ 29 bilhões, ainda não recebeu o beneplácito dos reguladores americanos. Uma consequência disso poderão ser taxas maiores e mais criativas por desistência de compra, concebidas para proteger uma vendedora do risco de que os reguladores barrem o acordo.
Finalmente, a área de mineração e recursos naturais vai continuar a dominar. A luta por recursos naturais tornou as áreas de energia, mineração e infraestrutura pública os setores mais movimentados do ano passado, segundo a Mergermarket, com mais de 25% do volume total de acordos.
Deve-se esperar a continuidade dessa tendência, com os departamentos de petróleo e gás dos bancos investimentos entre os poucos a trabalhar 24 horas por dia no início de 2012. Pesquisa com cem diretores financeiros de empresas americanas do setor, feita pela consultoria BDO, detectou que mais de metade previu um aumento das fusões e aquisições. Por outro lado, os preços das ações das mineradoras, especialmente as focadas em metais como ouro, se descolaram da alta dos preç os das commodities, criando oportunidades de compra.
Valor Econômico