domingo, 5 de fevereiro de 2012

2012: o ano da energia sustentável

Já não há como voltar atrás e desenvolver energias alternativas para substituir as que tanto mal causam ao planeta. As Nações Unidas quiseram deixar evidente está urgência e proclamaram 2012 como o 'Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos'

Roberto Escobar
Um trabalhador observa o funcionamento das máquinas na central geotérmica de Berlín, 
em San Salvador
Desde o início da era industrial, o ser humano não deixou de criar invenções para aumentar o desenvolvimento, movimento contínuo que se repete até os dias de hoje. Em contraposição a esta sociedade do bem-estar foram exauridas matérias-primas da natureza, entre elas as fósseis que impulsionaram o crescimento da humanidade.
Há décadas cientistas e ecologistas advertem sobre as dramáticas consequências que o abuso do consumo da energia procedente destas matérias está gerando ao ambiente, e a necessidade de que sejam substituídas por outras mais limpas e seguras.
Por isso, reconhecendo a importância da energia para o desenvolvimento sustentável, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o ano 2012 o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos.
Apesar do tempo transcorrido para afinar posturas entre cientistas e ecologistas em relação ao aquecimento global e a necessidade de desenvolver energias alternativas, nos dias de hoje é possível dizer que as duas vozes ecoam mais uníssonas do que nunca.
Editora Globo
Fuentes da Andaluzia (Sevilla) 04/10/2011,- Os helióstatos refletem a luz solar em direção à torre da primeira planta comercial do mundo de energia por concentração, sistema de armazenamento que permite gerar eletricidade 24 horas ao dia e fornece energia limpa para mais de 25 mil famílias
Cientistas e ecologistas, cada vez mais perto O doutor Domingo Guinea é pesquisador do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC), responsável pelo laboratório de Energias Renováveis, Hidrogênio e Pilhas Combustíveis, e presidente da Fundação para a Pesquisa e o Desenvolvimento das Energias Alternativas (Fideas).
O pesquisador explica quais são as fontes mais sustentáveis na atualidade para a ciência. "São três fundamentalmente: por um lado, o calor que procede do interior da terra, ou seja, a energia geotérmica. Depois está a força gravitacional, que inclui a força das marés, que é gravitacional e, por último, a solar e todas as que dela se derivam".
Guiné precisa que "tanto a geotérmica quanto a gravitacional estão muito localizadas em determinadas áreas do planeta onde podem ser utilizadas. A primeira fica naquelas regiões onde há falhas na crosta terrestre que geram pontos quentes como é Islândia, Japão e Havaí. A energia gravitacional implica marés altas e grandes enseadas, como as que ocorrem no norte da Europa, nos países bálticos e em algumas zonas do sul do Chile".
"O sol está muito bem distribuído em todo o planeta, não da mesma forma que as energias derivadas dele, como a eólica, produzida pelo vento. Para obter este tipo de energia têm de existir zonas de ventos contínuos, dominantes e fortes", acrescenta o cientista.
Editora Globo
Planta solar termoelétrica Palma del Río, em Córdoba, de 50 megawatts (MW) de potência. A unidade é da Aciona Energia na localidade de mesmo e tem capacidade de gerar energia limpa equivalente ao consumo de 35 mil famílias. O investimento aproximado é de 247 milhões de euros
O sol, astro rei e energia rainha
A energia solar proporciona a maior quantidade de energia alternativa e, como assinala o doutor Guiné, sua incidência varia de acordo com a posição diante da linha do Equador.
Todos os mapas de energia solar praticamente coincidem com os paralelos. Em zonas de maior intensidade, como é o Saara, a Península Arábica e o planalto andino do Chile, alcança-se uma média em torno de 2.200 e 2.300 kilowatts por metro quadrado ao ano.
Já na zona intermediária, onde, por exemplo, fica a Espanha, a incidência varia em torno de 1.600 a 2.000 kilowatts. Por último, os países mais ao norte, como Polônia, Alemanha, norte dos Estados Unidos e Canadá estariam em torno dos 1.800 kilowatts por metro quadrado ao ano.
Mas o pesquisador assinala que, à parte desta diferença na quantidade de energia solar que se condensa nas diferentes zonas do planeta, existe outra questão fundamental a ser levada em consideração, a capacidade oferecida pelas diversas áreas geográficas na hora de armazenar energia.
"Um ponto é a energia recebida e outro é a capacidade de armazenamento. No paralelo 40 existe uma enorme diferença entre o inverno e o verão. Por isso, é preciso armazenar no verão para garantir o abastecimento no inverno. Isto implica em armazenagem de longo prazo, porque no inverno se recebe quase três vezes menos (energia) do que no verão.”
O contrário acontece em países como Porto Rico que ficam entre os paralelos 18 e16. Nessa região, os dias de inverno e os de verão recebem praticamente a mesma energia, o problema lá é o armazenamento durante o dia para a utilização durante a noite.
Editora Globo
A energia gravitacional precisa de marés altas e grandes enseadas, como as que existem no norte da Europa, nos países bálticos e em algumas zonas do sul
A água potável é um dos recursos mais escassos do planeta e por causa dela milhares morrem ao dia em zonas onde a seca tem duas de suas consequências mais dramáticas: a fome e as epidemias.
Buscar a tecnologia necessária para atender esta necessidade peremptória é um dos objetivos prioritários da ciência, segundo Guiné, quem garante que "na atualidade trabalha-se muito por isso e há possibilidades radicalmente econômicas de dessalinização no curto prazo".
A tarefa mais urgente, ressalta Domingo Guinea, é a de "considerar a energia e a água como um serviço público mais do que como uma fonte de lucro. No momento que se deixar de utilizar unicamente como lucro para os fornecedores haverá uma possibilidade clara de autossuficiência em grande parte do planeta".
O doutor Guiné argumenta que as energias sustentáveis já eram de domínio dos antepassados com mais bom senso do que nos dias atuais, sem a necessidade de desperdiçar a energia procedente de materiais fósseis, como a eletricidade. "Fomos ricos e como ricos desperdiçamos e seguimos desperdiçando tudo o que podemos".
Os ecologistas denunciam interesses de multinacionais
Javier González é porta-voz da Área de Energias da organização não-governamental Ecologistas em Ação e explica quais são os impedimentos existentes no desenvolvimento destas energias sustentáveis:
"O maior impedimento deste tipo de energia é a geração em baixa escala. Por outro lado esse tipo de energia tem enorme capacidade de diversificar o campo de ação das grandes companhias elétricas. Na realidade são as grandes companhias elétricas as responsáveis por conduzir o mercado, porque essas detêm mais do que os Governos.
As energias renováveis serão imprescindíveis na luta contra a mudança climática. Para o porta-voz da ONG, chegará o dia em que o desenvolvimento terá de ser definitivo, já que a mudança climática é um problema presente, embora exista quem tente escondê-la.
Se for aproveitada a oportunidade que se apresenta, a mudança climática vai dinamizar muitíssimo a economia, porque essa emprega mais pessoas em uma mesma unidade de energia produzida, ou seja, mais postos de trabalho e maior geração de lucros para as pequenas empresas de forma descentralizada. Tudo isso combinado representam vantagens nos níveis econômico, ambiental e social.
O ecologista conclui comentando que "o trabalho é favorecer as energias renováveis, denunciar e impedir, na medida do possível, a instalação de outros tipos de energias e pedir o fechamento de usinas nucleares. Essa é a forma de trabalhar. Tentar evitar a instalação de muitas centrais e vamos permanecer nessa luta".
Época NEGÓCIOS 




Veja os salários dos funcionários do Facebook

 Na prática, como o IPO da rede social Facebook vai influenciar a carreira dos funcionários da rede social? Segundo rumores, tornando alguns deles milionários. Especula-se que a abertura de capital da companhia de Mark Zuckerberg crie, da noite para o dia, cerca de mil milionários.
Exagero ou não, o fato é que, pelo menos em termos de benefícios e mimos para seus funcionários, o Facebook parece ter feito a lição de casa. Em ranking elaborado pelo site Glassdoor sobre as empresas que são aclamadas por causa da boa comida, a empresa de Zuckerberg arrematou a primeira posição.
Mas nem só de estratégias para conquistar o estômago dos colaboradores vivem os pacotes de benefícios da companhia. Confira quais os mimos e os salários oferecidos pelo Facebook para seus os profissionais que trabalham na sede da empresa em Palo Alto (e em outras unidades nos Estados Unidos).
Saúde
O plano de saúde engloba oferecido pela companhia engloba assistência médica, odontológica e seguro de vida. Além disso, o Facebook reembolsa 50% da mensalidade de academias frequentadas pelos funcionários.
Licença maternidade e ajuda de custo com a babá
Além de quatro meses de licença maternidade, o Facebook oferece 4 mil dólares para cobrir as despesas do processo de adoção para funcionários que adotam crianças.
Funcionários com filhos até cinco anos de idade podem receber até 3 mil dólares por ano para cobrir gastos com babás.
Descontos
A companhia mantém parcerias com empresas como Microsoft, Dell, Apple e AT&T para oferecer descontos e preços especiais para funcionários.
Férias
A companhia oferece 21 dias de férias remuneradas por ano.
Salários 
A lista foi feita com base em informações postadas por funcionários do Facebook na rede profissional Glassdoor. O valor é uma média feita pelo site com base nos dados fornecidos:
CargoSalário médio
Engenheiro de software sênior145.340 dólares/ano
Engenheiro de interface do usuário129.504 dólares/ano
Gerente de produtos124.200 dólares/ano
Gerente de desenvolvimento de negócios115 mil dólares/ano
Cientista pesquisador113 mil dólares/ano
INFONotícias

Carro Mini Cooper agora no Brasil

Modelo vai concorrer com o Smart, da Mercedes-Benz. 
Veículo já é sucesso de vendas em lojas de São Paulo e Curitiba.
Foto: Divulgação

A BMW anunciou em abril de 2009 o início das vendas do supercompacto Mini Cooper este mês no Brasil. O lançamento oficial do veículo foi no dia 13, em São Paulo. O Mini chega para disputar o novo segmento dos minicarros com o Smart, que foi apresentado à imprensa nesta quarta-feira (1º).

O Mini poderá será encontrado inicialmente em São Paulo e Curitiba nas concessionárias Caltabiano e Euro Import - ambas revendas oficiais e exclusivas da marca no país. O preço sugerido ainda não foi divulgado.

O Brasil é o mais novo mercado do Mini na América Latina. O veículo, que até então era comprado apenas por meio de importadoras independentes, já é vendido no México, Chile, Venezuela, Argentina e Colômbia.

O veículo será oferecido nos modelos Mini Cooper, Mini Cooper S e Mini Cooper S Clubman.

Foto: Toby Melville/Reuters

A BMW anunciou a chegada do carro Mini ao Brasil em abril (Foto: Toby Melville/Reuters)

G1

iPad 3 deve ser anunciado em março


A Apple planeja apresentar a terceira geração do tablet iPad durante um evento especial marcado para o mês de março.
Segundo o site MacRumors, o iPad 3 deve ser anunciado no início de março e começará a ser vendido ao final do mesmo mês. Se confirmado, a data será a mesma já utilizada pela Apple para lançar as outras versões do tablet.
A empresa também estaria planejando um outro evento para este mês de fevereiro, mas este não terá como foco o lançamento de produtos.
iPad 3 possivelmente será mais fino que o antecessor, possuirá uma tela de alta definição e um novo kit de bateria que dobrará a vida útil da mesma atualmente presente no iPad 2. 
Além disso, analistas especulam que o tablet venha com processador A6 de quatro núcleos e suporte a conexão móvel 4G (LTE).
INFONotícias

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

5 companhias brasileiras que sabem formar bons líderes

 À medida que a economia brasileira cresce, muitas companhias pegam carona e expandem também. O efeito dominó é positivo, mas o desenvolvimento acelerado de algumas companhias no Brasil tem gerado um grande gargalo no mercado: a falta de profissionais gabaritados para assumirem cargos de liderança.
A dificuldade de encontrar pessoas preparadas tem forçado cada vez mais as companhias a investir na formação de seus futuros líderes. A Natura, por exemplo, figura como a 13ª maior formadora de líderes do mundo, segundo ranking da revista Fortune, publicado em novembro do ano passado, e desenvolve uma série de ações nesse sentindo. “Essa preocupação sempre existiu dentro da maioria das empresas brasileiras, mas de uns seis anos para cá, vem se intensificando. E o resultado é positivo, pois além de conseguir reter talentos, as companhias constroem um ambiente sólido e fértil”, afirmou Anderson Sant’Anna, da Fundação Dom Cabral. Para a professora do núcleo de gestão de pessoas da ESPM, Fátima Motta, é absolutamente fundamental que as empresas desenvolvam estratégias para formar seus líderes. “Pois são eles que conduzem as equipes a um resultado positivo e mantêm os valores de uma companhia”, afirmou a especialista. Especialistas ouvidos por EXAME.com indicaram cinco empresas que, na sua avaliação, sabem formar bons líderes. Veja, abaixo, como elas estão preparando seus futuros chefes:
Natura
Em um ranking global elaborado pela revista Fortune, em 2011, a Natura é apontada como a 13ª maior formadora de líderes do mundo. Desde 2007, foi criado dentro da empresa um programa de formação de líderes e a maior preocupação da ação é manter vivo o DNA da companhia.
“Com a ação, queremos reter talentos, manter profissionais engajados e principalmente que tenham valores pessoais alinhados com os valores da companhia”, afirmou Marcelo Madarász, responsável pela área de desenvolvimento de lideranças relações e times da empresa.
Segundo ele, desde que foi criado o programa, alguns projetos foram executados e resultados práticos, obtidos. “O mais recente, criado há um ano e denominado Cosmo, foi desenvolvido para 225 funcionários Natura, sendo 50% deles profissionais indicados para fazer parte do plano de sucessão da companhia”, disse Madarász. O processo é composto por quatro ciclos e tem como principal foco garantir o interesse dos funcionários em acelerar a carreira e o desenvolvimento de liderança. Os profissionais participam de diferentes aulas com os especialistas mais gabaritados do mercado, de assuntos diversos, como sustentabilidade a gestão de pessoas.
“Dez turmas foram formadas; seis delas já concluíram o  primeiro ciclo e já pudemos observar resultados concretos, como gestores mais engajados com suas equipes”, afirmou Madarász.
Vale
No ano passado, a Vale investiu 73,9 milhões de dólares em educação e cerca de 2200 líderes estiverem envolvidos em treinamentos com foco em gestão e liderança. Segundo Desiê Ribeiro, gerente geral de educação e desenvolvimento de pessoas da mineradora, a Vale sempre teve como foco o desenvolvimento de pessoas, mas o crescimento acelerado da companhia fez com que a demanda por formação de líderes aumentasse dentro da companhia.
“Não encontramos profissionais prontos no mercado. Precisamos de pessoas bem formadas em determinadas áreas, difíceis de encontrar no mercado”, afirmou Desiê.
Em 2011, 15 cursos foram destinados aos funcionários para desenvolver suas lideranças. Entre eles, um programa de gestão em negócios destinados a 31 gerentes que foram reconhecidos como possíveis sucessores da companhia.
A pós-graduação foi desenvolvida pela Valer, a área de Educação da Vale, e é realizado em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto e a Fundação Dom Cabral. O curso começou em abril de 2011 e tem duração de 16 meses.
De acordo com Desiê, é a partir de ações como essa, que a companhia consegue acelerar as carreiras dos empregados, reter os talentos e aumentar a produtividade.
Renner
Na Renner, o plano para formar futuros líderes da companhia a começa a partir do estágio de trainee. “Temos como premissa priorizar as pratas da casa, pois só assim conseguimos perpetuar a cultura e os valores da companhia”, afirmou Clarice Martins Costa, diretora de recursos humanos da varejista. “Queremos ter os melhores profissionais e, desde 1996, temos programas para o desenvolvimento de líderes. Hoje, mais de 80% dos cargos de lideranças da companhia são ocupados por profissionais formados dentro da casa”, afirmou a executiva.
A varejista mantém uma universidade para a formação de seus profissionais, além de parcerias com conceituadas instituições de ensino, como a Fundação Getúlio Vargas. Anualmente, 30 vagas são destinadas para profissionais com nível gerencial.
Além disso, na Universidade Renner, os professores são os atuais líderes da varejista. “Os diretores e até o presidente precisam cumprir uma determinada quantia de horas-aulas por ano. É nossa responsabilidade a formação dos nossos futuros líderes”, disse Clarice.
Dasa
Há pouco mais de um ano, a Dasa, dona dos laboratórios Delboni Auriemo e Lavousier, decidiu focar com mais empenho na formação de seus líderes e criou o programa de desenvolvimento de liderança (PDL). “A Dasa nasceu a partir da fusão de muitas empresas, com culturas e gestões diferentes. Por isso, sentimos a necessidade de criar a nossa própria cultura organizacional e o primeiro passo para se atingir isso consiste no desenvolvimento de talentos”, disse Marcelo Rucker, diretor de gente e gestão da Dasa.
Desde o início do ano passado, um programa piloto foi colocado em prática com o objetivo de ensinar aos selecionados o conceito de liderança. Nesse primeiro momento, pelo menos 600 pessoas foram envolvidas no treinamento.“Há muitos livros que defendem que líderes já nascem líderes. Na Dasa, temos a certeza de que é possível formar bons líderes”, afirmou Rucker.
Segundo ele, o treinamento, apesar de ter sido introduzido na companhia há pouco tempo, já surtiu efeitos práticos. “Havia uma rotatividade muito grande nos cargos gerenciais da companhia. Hoje, conseguimos reter esses talentos, pois o próprio funcionário percebe que existe uma preocupação com seu desenvolvimento”. afirmou o executivo.
A Dasa também vem diminuindo a necessidade de mesclar o seu corpo de executivos com profissionais do mercado. “Tínhamos muita reclamação nesse sentindo, mas nossos profissionais estão cada vez mais preparados e alinhados com a cultura da companhia para participar do plano de sucessão”, disse.
Petrobras
Os funcionários da Petrobras só ingressam na companhia por meio de concurso público, mas, mesmo assim, a maior companhia brasileira possui a preocupação de formar seus líderes e oferecer um programa de sucessão gerencial. Em 2011, a companhia envolveu 2.600 funcionários no treinamento de desenvolvimento gerencial, oferecido pela própria universidade da estatal. O programa visa formar as lideranças que a companhia vai precisar para 2020. Outro desafio da companhia é formar, até 2015, novos empregados para assumir cargos gerenciais. Atualmente, a Petrobras possui cerca de 6.000 gerentes, que estão envolvidos no programa de sucessão da companhia. Segundo a Petrobras, o objetivo estratégico do programa é ter sempre gestores preparados para sustentar a empresa. “O suporte ao papel gerencial, o alinhamento entre as expectativas e os interesses pessoais e os objetivos organizacionais, a disciplina de capital e foco em resultados e o desenvolvimento em gestão estão entre os principais benefícios da ação”, disse a companhia, em nota.
Exame

Brasil não está preparado para ataques virtuais

 Um estudo sobre ataques cibernéticos aponta o Brasil como um dos países menos preparados para lidar com este tipo de ação.
O estudo Cyber Defense Report, produzido pelo centro de pesquisas belga Security Defense Agenda (SDA) e pela McAfee, analisou a preparação de 23 países em ataques virtuais. No entanto, nenhum obteve a nota máxima (5 pontos).
Brasil, Índia e Romênia receberam nota 2,5 e ficaram apenas à frente do México. Os melhores posicionados foram Israel, Finlândia e Suécia, que receberam nota 4,5.
As notas aplicadas pelo estudo consideram medidas básicas de segurança como firewalls e antivírus, além de proteções mais avançadas como educação e grau de informação do governo.
Segundo o estudo, países da América Latina tendem a possuir uma infraestrutura e tecnologia desatualizadas, além de não contarem com legislações específicas contra crimes cibernéticos.
Um exemplo de impunidade sobre crimes cibernéticos no Brasil pode ser acompanhado ao longo desta semana, quando sites de instituições financeiras viraram alvo de ataques, deixando os serviços indisponíveis. O estudo também aponta certa vantagem aos crackers que atacam sistemas com fins de espionagem ou para praticar roubos.
No próprio estudo, o diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações da Presidência da República, Raphael Mandarino, afirma que devido ao Brasil não estar envolvido em guerras, o país não enxerga o espaço cibernético como uma ameaça local e que a infraestrutura foi criada para proteger os sistemas internos do governo.
O estudo aponta como solução o compartilhamento de informações entre os países para criarem proteções mais avançadas para as ameaças virtuais.
INFONotícias

Apple contrata novo executivo para expandir varejo

Londres - A Apple vai contratar John Browett, presidente-executivo da Dixons que fez uma recente reviravolta na varejista britânica de eletrônicos, para liderar o movimento de expansão da fabricante do iPad no varejo.
Browett, que liderou a Dixons desde 2007, foi também presidente-executivo do shopping online da Tesco.
Na Apple, Browett será responsável pela estratégia de varejo da companhia e a expansão de sua rede no mundo, atualmente em mais 300 lojas.
"Nossas lojas de varejo são baseadas em serviços ao consumidor, e John compartilha esse comprometimento como ninguém mais que encontramos", disse o presidente-executivo da Apple, Tim Cook, que será chefe imediato de Browett.
Browett entra no lugar de Ron Johnson, que deixou a Apple em junho do ano passado para assumir como presidente-executivo da rede J.C. Penney.
Sob a orientação de Johnson, a Apple abriu sua primeira loja de varejo -em McLean, Estado norte-americano da Virgínia- em maio de 2011. Agora, a empresa tem uma rede de mais de 300 lojas, que geraram uma receita média de 34,1 milhões de dólares cada no ano fiscal de 2010, e representaram 15 por cento das vendas líquidas da companhia.
Wall Street vê as lojas próprias da Apple como uma vantagem importante na concorrência com rivais como o Google e Amazon.com, assim como tradicionais fabricantes de computadores.
O sucesso da Apple no varejo deve continuar a crescer nos próximos trimestres à medida que os grandes números de consumidores continuam a adquIrir os populares dispositivos móveis da companhia, como iPhones e iPads.
A Apple vendeu 37 milhões de iPhones e mais de 15 milhões de iPads durante o último trimestre, e seu caixa engordou para quase 100 bilhões de dólares no fim de 2011.
A indicação de Browett para o cargo levou a especulações de que a Apple possa estar tentando um novo esforço em suas operações na Europa.
Financial Times

IPO do Facebook pode fazer mil novos milionários

 Quando se fala de Facebook, todos os números são superlativos - da quantidade de usuários aos 5 bilhões de dólares que a empresa deve levantar com o seu IPO. Agora, outro começa a chamar a atenção: estima-se que cerca de 1.000 pessoas tornem-se milionárias com a abertura de capital.
Pelo menos, este é o número que ganha cada vez mais força na imprensa americana. A estimativa surgiu, pela primeira vez, em uma reportagem da agência de notícias Reuters de dezembro. Nesta quarta-feira, foi a vez do The Wall Street Journal voltar ao assunto.
À medida que o IPO do Facebook, fundado por Mark Zuckerberg, torna-se cada vez mais concreto, analistas e jornalistas americanos reforçam as comparações com outro fenômeno da internet: o Google, cuja abertura de capital, em 2004, teria criado mais de 1.000 milionários da noite para o dia.
Pé de meia
Se as especulações estiverem corretas, afirma o WSJ, o IPO do Facebook teria condições de enriquecer 700 funcionários com participação acionária, além de investidores que já participam do capital da empresa.
Tanto a Reuters, quanto o WSJ, admitem que não há dados precisos sobre a distribuição de capital do Facebook, mas lembram que, com o split (desmembramento de ações) ocorrido em 2010, onde cada papel original foi dividido em cinco, funcionários que haviam adquirido ações do Facebook por 6 dólares, há 5 anos, podem hoje estar virtualmente milionários - com os papéis valendo agora cerca de 40 dólares.
Desse jeito, o Facebook corre o risco de ver uma leva de funcionários se aposentarem cedo - e, de quebra, migrarem para o Eleqt, uma rede social focada apenas em milionários e cujo convite para integrá-la custa cerca de 5.000 dólares.
INFONotícias

Banda larga móvel sofre com burocracia no Brasil

 Apesar de abrigar quase 40% de todos os assinantes de telefonia celular da América Latina, o Brasil deixou de liderar o processo de massificação da banda larga móvel na região, de acordo com relatório da GSMA (organização mundial que presta consultoria no setor de telecomunicações).
Segundo o documento, o País esteve na vanguarda da implantação e ampliação da cobertura das redes 3G, mas apresenta dificuldades em dar os próximos passos. O estudo aponta basicamente três requisitos para que as empresas possam investir em redes capazes de suportar o imenso aumento no fluxo de dados nos próximos anos.
O primeiro deles é a necessidade de um regime regulatório transparente e previsível, mas a redução da tributação também é citada, bem como a importância de um mapa nítido de alocação do espectro eletromagnético. "O enfoque regulatório brasileiro não é ruim, mas consideramos que há abusos em alguns casos", avalia o diretor da GSMA para a América Latina, Sebastian Cabello. "As regras municipais para a instalação de antenas é um exemplo de norma que impede o avanço do serviço", aponta o executivo.
Segundo ele, o Brasil é o campeão da região na cobrança de altos impostos no setor. "Logicamente, isso também significa preços maiores sendo cobrados aos usuários brasileiros. É mais caro que praticamente qualquer país latino", acrescenta.
Mas o maior atraso, na opinião de Cabello, é a indefinição das autoridades brasileiras quanto ao destino do dividendo digital da faixa de 700 megahertz (MHz), que atualmente é utilizada para a transmissão analógica de TV. Enquanto países da região como Uruguai, Argentina, Peru, Colômbia e México já definiram a destinação do espectro para a telefonia de quarta geração (4G), o Brasil resolveu esperar até o chamado "apagão analógico", em 2016, para regulamentar o novo uso da faixa.
"O Brasil foi a principal liderança no continente para a implantação da TV digital, inclusive levando com sucesso o padrão brasileiro para os demais países. Mas o adiamento da decisão sobre os 700 MHz foi na contramão desse avanço", critica o executivo. Por esses motivos, a evolução do setor em países vizinhos passou a ser mais rápida.
Em 2008, o chamado Índice de Prontidão de Banda Larga Móvel (IPBLN) do Brasil era o maior da América Latina. Mas em 2010 os brasileiros já tinham sido ultrapassados pela Argentina e pelo Chile, que assumiu a liderança desse ranking. "O Brasil ainda é exemplo no setor em diversos sentidos para os demais países latinos, mas em outros está ficando para trás", conclui Cabellos.
INFONotícias

Mercado de alto luxo no Rio carece de comprador

AP Photo
As avenidas Delfim Moreira e Vieira Souto são sinônimos de status no Rio de Janeiro. Sonho e desejo de nove entre cada dez cariocas, além de outros brasileiros e muitos estrangeiros, os preços dos imóveis com vista para o mar fazem este mercado andar na contramão da maior parte das negociações imobiliárias no Rio. Enquanto em outros trechos da zona Sul, um apartamento com preço menor é vendido, na maioria das vezes em menos de um mês, imóveis de alto luxo, não só na linha do mar, como também na Lagoa, ou ainda casas de alto luxo no Jardim Botânico e na Gávea, levam até um ano para serem negociadas. Isto, mesmo sem uma grande oferta no mercado.
Com preços que começam em R$ 5 milhões e podem chegar a R$ 40 milhões, esses imóveis não são beneficiados pelo farto crédito do mercado financeiro e, por isso, são negociados à vista.
O Rio de Janeiro é uma cidade cara. Na maior parte das cidades no mundo, imóveis de alto luxo começam com preços em torno de US$ 1 milhão. Aqui, imóveis no Leblon ou Ipanema de três quartos perto da praia podem custar R$ 2 milhões, R$ 2,5 milhões, lembra Patrícia Judice, diretora da Judice & Araujo. A corretora faz parte da Christie's International Real State, uma rede de imobiliárias que negocia imóveis em mais de 40 países, com um volume de vendas estimados em US$ 100 bilhões por ano.
Patrícia explica que apartamentos na Delfim Moreira chegam a custar R$ 40 mil o metro quadrado, o dobro da média no Leblon que é de R$ 20 mil, o bairro mais caro do Rio. Só para se ter uma ideia dos preços no Rio, um imóvel de 70 metros quadrados na Gávea chega a custar R$ 1 milhão. "Mas para eles, há sim fila de espera".
Já para os apartamentos de alto luxo da zona Sul do Rio, a busca ainda é inversa. "Quando surge um imóvel de alto padrão é necessário buscar um comprador", conta a diretora. "Muitas vezes, acionamos nossa rede mundial através da Christie's", completa. Patrícia acrescenta que há investidores estrangeiros interessados neste mercado, mas há também famílias cariocas que estão enriquecendo e procuram morar num imóvel que traga mais status.
A diretora conta que no ano passado vendeu um apartamento na Delfim Moreira para um casal, no segundo casamento, que já morava numa rua interna do Leblon, mas queria ter um imóvel com vista para o mar. Os dois pagaram cerca de R$ 10 milhões por um apartamento de 300 metros quadrados.
Mas não é fácil encontrar esse comprador. Rodrigo Feliciano, diretor Comercial da Brasil Brokers Ética, conta que, como as negociações são com valores altos, elas são mais lentas. "Quem vende, não quer ser muito incomodado com as visitas. E quem compra não quer aparecer tanto", diz o diretor. Mas, para facilitar o negócio, já há quem aceite parcelar o pagamento em duas ou três vezes, num prazo de seis meses. "E também existem casos em que outros imóveis entram no pagamento".
Um exemplo da longa negociação da Brasil Brokers Ética foi um apartamento de três suítes, com três vagas na garagem, na Prudente de Moraes, a segunda rua de Ipanema, que foi posto no mercado por R$ 4,5 milhões. Foram sete meses esperando um comprador e, no fim, o imóvel foi vendido a R$ 4 milhões.
Apesar disso, os dois diretores ainda veem bom negócios na região. "Há muitos imóveis que são vendidos em herança", diz Patrícia. "A zona Sul continua sendo o desejo de carioca. Muitos querem, mas poucos podem comprar", conclui Feliciano.
ValorEconômico 



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Velocidade da inovação traz desafio para grupos de TI


O mercado de tecnologia da informação (TI) vive um dos melhores momentos de sua história. A despeito da instabilidade econômica internacional, a previsão é que os gastos em TI no mundo vão crescer 3,7% neste ano, chegando a US$ 3,8 trilhões, segundo a consultoria Gartner. O valor é equivalente a uma vez e meia o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Esse cenário positivo, no entanto, contrasta com o quadro apresentado por algumas das maiores companhias de TI. Empresas que já foram líderes em seus setores, ou estão lutando arduamente para manter essa posição, têm encontrado dificuldades lidar com a velocidade da inovação - que impõe projetos mais arriscados para conquistar o consumidor -, e ao mesmo tempo agradar os acionistas. O resultado se reflete em uma crise de gestão, que já levou muitos desses grupo s trocar de executivo-chefe. A lista inclui Hewlett-Packard (HP), Yahoo, Research In Motion (RIM) e Nokia.
Os novos chefes têm o desafio de não só recuperar a participação no mercado perdida para concorrentes como tornar as companhias mais lucrativas.
Piora de desempenho é o principal motivo das substituições, mas há exceções, como a morte de Jobs na Apple
"A rápida adoção de dispositivos móveis e de software como serviço acessado pela internet (computação em nuvem) tem exigido das companhias mais agilidade na tomada de decisões", afirma Jairo Okret, sócio da consultoria Korn/Ferry International. Uma decisão errada provoca perda de participação rapidamente, diz.
Adequar-se a novas situações é um desafio em qualquer setor, mas no de TI o esforço é redobrado porque as decisões precisam ser muito rápidas. Quando o executivo-chefe não consegue fazer isso a tempo, tornam-se o alvo mais visível da insatisfação dos acionistas. "Dificilmente o executivo-chefe responsável pela implementação de um modelo de negócios consegue implantar um novo. Por isso, os investidores cobram essa troca", diz Carlos da Costa, executivo-chefe do Institute of Performance and Leadership (IPL).
A teoria de que "não se ensina truque novo a cachorro velho" fez as ações da RIM caírem mais de 6% na semana passada, depois de a companhia anunciar Thorsten Heins, então diretor de operações de produtos e vendas, como presidente, em substituição aos copresidentes-executivos Mike Lazaridis e Jim Balsillie. Analistas consideraram que a companhia precisaria de um executivo de outra empresa para fazer as mudanças necessárias.
Visto como um executivo com pouca experiência em direção estratégica, Heinz tem o desafio de devolver à RIM a imagem de inovadora. "A RIM já foi admirada por sua estrutura organizacional e pelo BlackBerry, tido como um celular de alta qualidade. Mas não teve velocidade para competir com os novos smartphones", avalia Costa.
A demora em lançar tecnologias também colocou em maus lençóis o atual executivo-chefe da Nokia, Stephen Elop. As vendas de smartphones da empresa caíram 30% no quarto trimestre. Em 2011, a companhia vendeu 417 milhões de celulares e ficou com 26,9% do mercado global. A RIM tem perdido a briga para a Apple, dona do iPhone. Elop anunciou recentemente que fará mudanças para que a Nokia eleve as vendas de smartphones.
  
Na ânsia de mudar, algumas companhias anunciam decisões estratégicas radicais, que, em muitos casos, acabam sendo revistas. A HP já passava por turbulências quando anunciou Leo Apotheker como executivo-chefe, em substituição a Mark Hurd, envolvido em um caso com uma funcionária de uma empresa parceira da HP.
Em menos de um ano, Apotheker provocou perplexidade no mercado ao anunciar a venda da divisão de computadores da HP - um negócio de US$ 40 bilhões anuais. Apotheker foi demitido e substituído por Meg Whitman, ex-executiva-chefe da companhia bilionária de comércio eletrônico eBay. Reconhecida pelo seu profundo conhecimento em TI, Meg Whitman não perdeu tempo: já anunciou que a HP não venderá o negócio de PCs e que planeja lançar tablets e ultrabooks neste ano para atacar mercados nos quais ainda não atuava.
Ricardo Chisman, líder na área de TI da Accenture, diz que essas companhias ainda podem ser favorecidas pelo cenário de consolidação de tecnologias relacionadas à mobilidade e à computação em nuvem. "Este ano será de amadurecimento de tecnologias. As empresas capazes de apresentar serviços e produtos de maneira inovadora têm chances de recuperar mercado", afirma.
Transformar a imagem de uma empresa madura em inovadora é o principal desafio do Yahoo. Um dos sites mais visitados no mundo, nos últimos quatro anos o Yahoo perdeu audiência e receita para o Google e o Facebook. Neste mês, a companhia anunciou Scott Thompson, ex-executivo-chefe do PayPal, serviço de pagamentos controlado pelo eBay , para assumir a direção no lugar de Carol Bartz, demitida em setembro.
Thompson terá de acalmar investidores e parceiros asiáticos como o Alibaba e o Softbank, enquanto leva adiante a tarefa de reconquistar anunciantes com uma reformulação de serviços e conteúdo. Ele também estuda aquisições "que possam gerar novas fontes de receitas", conforme afirmou em entrevista recente à Reuters.
Para Larry Page, que voltou ao cargo de executivo-chefe do Google após quase dez anos longe do comando da gigante de internet, a questão-chave é conferir foco à empresa, sem perder talentos. Page já cancelou mais de 25 projetos e comprou a Motorola Mobility, em agosto, para competir na área de equipamentos. Ele também tenta levar adiante o projeto de tornar a rede social Google+ a maior do mundo. A rede social tem em torno de 90 milhões de usuários, contra 850 milhões do Facebook.
"Executivos como Page têm de ser uma espécie de evangelizadores, para convencer clientes e atrair e reter bons profissionais", afirma Costa, do IPL. O analista também considera essencial a capacidade de manter boas parcerias no mercado, pois ao desistir de um projeto ou adotar um novo, a empresa pode ter de mudar a rede de fornecedores. "Encontrar alguém com essas qualidades é muito difícil", diz Costa. Por essa razão, observa, as companhias trocam de presidentes entre si, mas raramente elegem um novato.
Para um grupo específico de companhias, a tarefa é mostrar aos investidores que seus negócios são sustentáveis: são as empresas que entraram recentemente no mercado de capitais, como LinkedIn e Netflix, ou que pretendem fazê-lo em breve, caso do Facebook.
Em alguns casos, convencer os acionistas pode exigir mudanças no primeiro escalão da companhia. Costa diz que Mark Zuckerberg, executivo-chefe e cofundador do Facebook, terá de dividir o comando da empresa para agradar os investidores. "Zuckerberg preserva a imagem de visionário, mas não tem paciência para responder aos acionistas. Em algum momento ele precisará dividir a liderança com um executivo do mercado", avalia o analista.
A Apple passou por situação semelhante. Em 1985, em meio a uma grave crise financeira, o conselho de administração demitiu o cofundador Steve Jobs. À época, Jobs não conseguiu cumprir o papel de presidente de uma companhia de capital aberto, diz Costa. "Ele tinha dificuldades em falar com os acionistas. Mas foi pior sem ele. Jobs e a Apple tiveram de aprender de uma forma cruel como lidar com o mercado para retomar a sua confiança", afirma. Jobs voltou ao comando 12 anos depois para se consagrar como um visionário e levar a Apple à posição de companhia mais valiosa do mundo.
No ano passado, a Apple voltou a enfrentar temores dos investidores, mas fez uma transição tranquila ao nomear Tim Cook como executivo-chefe, substituindo Jobs, que se retirou para uma licença médica. Após a morte de Jobs, em outubro, a empresa lançou o iPhone 4S, que se tornou o celular mais vendido no mundo no quarto trimestre, com 37 milhões de unidades.
O episódio de Jobs mostra que embora os problemas de gestão sejam os motivos mais comuns para trocar o comando, há casos de substituições provocadas pela morte do executivo-chefe, como ocorreu na Apple, ou por aposentadoria. É o caso da IBM. A companhia empreendeu mudanças importantes na estrutura organizacional e na estratégia de negócios nos últimos anos, afirma Costa. Por isso, a expectativa é de que Virgina Rometty, que substituiu Sam Palmisano na presidência da "Big Blue", não terá problemas em levar a companhia a atingir a meta de elevar a receita global - de US$ 99 bilhões no ano passado - em mais US$ 20 bilhões até 2015. Enquanto as concorrentes enfrentam um mar tempestuoso, a IBM é uma das poucas a navegar com tranquilidade
ValorEconômico

Dell reposiciona a marca e começa a oferecer serviços

 A Dell detalha sua estratégia de reposicionamento no Brasil e apresenta o mote “O Poder de Fazer Mais” para mostrar as novas ideias da empresa. Com esta frase, a marca pretende transmitir para os clientes corporativos que a tecnologia nada mais é que uma ferramenta para potencializar a capacidade humana. A tática da companhia é apresentar funcionalidades práticas que ajudem empresários a produzir mais e apresentar um melhor desempenho nos negócios, oferecendo, mais do que hardwares, soluções completas.
A mudança de planejamento da Dell surgiu de uma percepção de mercado que fez a empresa se aprofundar no setor de tecnologia oferecendo serviços complementares para englobar a oferta. A iniciativa pretende agregar valor aos produtos e, para brigar com a concorrência, a companhia também expandiu seus canais de venda para o varejo.
O novo conceito ressalta as mudanças de gestão da companhia que passou recentemente de apenas uma fornecedora de hardware à provedora de serviços e soluções tecnológicas. “As pessoas têm as ideias, os objetivos e as aspirações, portanto a tecnologia dever servir para elas como uma ferramenta de produção que permita elevar o nível e a rapidez do trabalho”, diz Fabiana Marcon, diretora de marketing da Dell Brasil.
Medidas estratégicas
Para concretizar estas medidas, durante dois anos a Dell adquiriu 12 empresas de software e serviços que ajudam a facilitar a vida dos usuários de computadores. Em abril do ano passado, a companhia anunciou o investimento de US$ 1 bilhão em novas soluções e opções baseadas em nuvem para todos os países onde possui operação, com o objetivo de permitir que os clientes desfrutem dos benefícios consequentes dos avanços da área de informática.
Pesquisas realizadas pela empresa apontam que 99% dos clientes compram tecnologia baseados nas vantagens oferecidas. Seguindo esta lógica, as mudanças na companhia buscam transmitir aos consumidores um conceito de produtos atrelados a serviços como, por exemplo, de instalação, gestão de dados e virtualização, atendendo a uma crescente demanda dos consumidores.
Com um faturamento mundial de US$ 15,4 bilhões no último trimestre, a categoria de serviços e soluções apresentou uma receita de US$ 1,1 bilhão, elevada por um ganho de 18% em servidores, 23% em serviços e 9% em gestão de dados. Nos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o faturamento da Dell cresceu 14%, em relação ao mesmo período do ano anterior.
Investimentos no Brasil
Atualmente, o Brasil está entre os 10 mercados que mais recebem investimento em marketing, pessoas, produtos e consolidação da marca da Dell. A empresa mantém seu posicionamento global no país, mas buscando atender necessidades peculiares do público brasileiro, tanto relacionadas ao portfólio de produtos quanto aos meios de comunicação direcionados aos consumidores.
“Sempre discutimos estratégias exclusivas de mercado, o Brasil é um dos países de atuação da empresa que possui um planejamento individual. Isso demonstra uma importante representatividade e um investimento não apenas em dinheiro, mas também em discussões estratégicas. Hoje, o Brasil está cotado como o terceiro ou quarto país que mais consome tecnologia no mundo, então, daqui a algum tempo, estaremos mais perto do top 5 da Dell”, conta Fabiana.
Com o foco no mercado nacional, a empresa lançou em novembro de 2011 o programa Dell Experts, que oferece um modelo de atendimento exclusivo a consultores de tecnologia, com representantes 100% dedicados para treinar os profissionais de TI. O serviço surgiu de acordo com uma percepção das estruturas de pequenas e médias empresas no país, que não possuem um profissional de tecnologia dentro da companhia e, normalmente, o serviço é terceirizado.
Com este recurso, a Dell espera que os consumidores a vejam com uma referência em auxílio tecnológico. O programa nasceu para atender uma necessidade específica do Brasil, no entanto, a empresa já estuda outros países que se encaixam na proposta e deve começar a implementá-lo a partir de março. Comprometida com a estratégia de expansão de serviços, a empresa prevê um crescimento total no faturamento de 17% a 23% até o fim de 2012.
Mudanças nos canais de venda
Outro reposicionamento estratégico da Dell foi a ampliação, há três anos, dos canais de venda, passando da negociação direta, pelo Call Center e loja virtual, para o comércio das grandes cidades por meio de varejistas como Magazine Luiza, Fnac, Ponto Frio e Fastshop. A proposta inicial da marca mudou por conta de uma percepção de mercado de que o varejo está crescendo e se popularizando cada vez mais.
Com a mudança, a empresa tinha como objetivo estar mais próxima dos clientes e impactar novos consumidores que não eram atraídos pela venda direta. A entrada no varejo foi uma iniciativa importante de expansão e conhecimento de marca para a companhia no mercado. A abertura ampliou os negócios da Dell, principalmente na região Nordeste, onde os consumidores não eram adeptos da compra direta.
“A presença no varejo popularizou a marca, mas não mudou a classe social do nosso público. Os produtos da Dell são mais seletivos, possuem uma faixa de preço e configurações mais caras do que as outras marcas populares, nosso posicionamento é diferenciado. Percebemos, no entanto, que os pais de família tendem a comprar o produto no varejo, enquanto os setores jurídicos, que já trabalham com a máquina, acabam comprando mais online”, expõe Fabiana.
Relacionamento com o cliente
Apesar dos serviços tecnológicos e sua divulgação serem focados no público corporativo, a Dell tem desenvolvido produtos e ações para os consumidores domésticos, já que eles representam 55% das aquisições de desktop e notebook. O lançamento do Inspiron 15 R, que possibilita trocar a capa dos aparelhos, ganhou uma promoção na fan page da Dell Brasil, estreitando o relacionamento com os consumidores.
Para a divulgação do conceito “O Poder de Fazer Mais”, a empresa também prepara um aplicativo interativo para os internautas a ser lançado em março. Já há na página uma pergunta para os usuários opinarem sobre o novo lema da marca. Para ouvir reclamações, críticas e sugestões dos consumidores, além da rede social, a Dell possui ainda um chat online e um canal de feedback no site. Procurando atender as necessidades dos clientes, a empresa realiza duas vezes por ano um encontro com grupos de usuários da marca para discutir melhorias no atendimento, na venda, na entrega e no portfólio de produtos.
O reposicionamento da marca proporcionou à Dell uma maior abrangência de mercado, ganhando concorrentes como a Microsoft e a IMB, além das fabricantes de hardware, como a Hewlett-Packard (HP). “Acreditamos que o papel da tecnologia é permitir que o usuário entregue resultados melhores e que produza mais. Seríamos uma empresa rasa, se acreditássemos que apenas o hardware é capaz disso. Temos como padrão que não podemos apenas vender computadores, mas entregar uma tecnologia completa, que faça com que o cliente cresça e prospere. Este é o nosso papel como empresa no mundo”, declara a diretora de marketing da Dell Brasil.
Exame